Revisor de textos
Revisor de textos é o
profissional encarregado de revisar material escrito com o intuito de
conferir-lhe correção, clareza, concisão e harmonia, agregando valor ao texto,
bem como o tornando inteligível ao destinatário ― o leitor. Este profissional
deve trabalhar em consonância com o autor do texto original, de forma que as
intervenções propostas respeitem o desejo deste e não alterem em demasia a sua
intenção.
“O revisor se define não por seus
conhecimentos, mas por seu perfil psíquico”.
A revisão é mais que uma
profissão: é uma neurose. Esta neurose se caracteriza como uma espécie de
sacrifício consentido (desejado) pelo revisor; é um tributo à saúde (qualidade)
da edição.
O revisor se oferece, sempre, em
sacrifício à Deusa do Idioma, portanto, todos aqueles que se dedicam a esse
ofício nunca serão normais. Para o revisor, o importante não é o que ele sabe,
mas o que ele está consciente de não saber ou, pelo menos, não saber
totalmente, e que por isso exige permanente verificação. O revisor não lê como
todos os demais homens leem, ele fotografa a palavra visualmente.
O exercício da profissão do
revisor pode ser descrito, perfeitamente, como uma 'leitura angustiada'. “O seu
trabalho é, justamente, evitar que todos os outros seres humanos necessitem
fazer essa leitura angustiada.”
Em determinados contextos, o
revisor pode tornar-se o profissional encarregado de analisar criticamente um
texto escrito, não só do ponto de vista ortográfico e gramatical, mas também
com o objetivo de apontar sugestões para aprimorar a estrutura textual.
Uma boa revisão literária, por
exemplo, leva em consideração a possibilidade de realização de uma leitura mais
clara, concisa e harmônica, agregando valor ao texto.
Em muitos casos, o revisor pode
tornar-se um coautor do texto, a partir da proposta de melhorar a argumentação
quando for necessário.
No entanto, o revisor de textos
deve respeitar os limites de sua intervenção, não sendo recomendável interferir
de maneira resolutiva no conteúdo do texto sem consultar o autor original a
respeito das alterações propostas.
A autonomia para esse tipo de
intervenção cabe apenas ao editor, que lida diretamente com o cliente, autor do
texto original.
Existem quatro tipos de
intervenções que podem ocorrer durante o processo de revisão e de interação com
o produtor do texto:
Revisão resolutiva: o revisor
intervém diretamente no texto, com o objetivo de preencher lacunas e solucionar
problemas, sejam de ordem formal ou de conteúdo.
Revisão indicativa: o revisor
indica quais são as alterações propostas, porém não realiza as alterações,
deixando a critério do autor do texto acatar as sugestões ou não.
Revisão interativa: o revisor
realiza um diálogo com o autor. Ocorre normalmente em situações em que é
preciso uma maior reflexão sobre trechos do texto que tenham ficado obscuros ou
que podem ser aprimorados, de acordo com a visão do revisor. Por isso, há a
interação entre as partes com o intuito de chegar ao melhor resultado.
Revisão classificatória: o
revisor utiliza uma classificação para diferenciar e destacar os diferentes
tipos de inadequações.
Para realizar uma revisão de
qualidade, além de consultar ferramentas (dicionários, gramáticas) que
sustentem as correções realizadas, o revisor precisa conhecer a diversidade dos
gêneros textuais e adequação da linguagem para cada gênero, bem como saber respeitar
as características estilísticas inerentes a cada autor.
O revisor de textos deve dominar
as regras gramaticais da língua padrão do texto, bem como atentar para a
redação, revisão de provas, revisão de padrão (ou padronização textual) e
revisão gramatical. O revisor trabalhará com uma enorme variedade de materiais:
em geral, textos técnicos, científicos, acadêmicos, jornalísticos e comerciais
(revistas, jornais, livros, manuais, cartas, relatórios, apostilas, teses,
monografias, tabelas, gráficos, transparências, folders, entre outros), que, na
maioria das vezes, serão publicados.
É importante ressaltar que, para
uma atuação ampla na profissão, o revisor precisa conhecer alguns fundamentos
de linguística e de análise do discurso, já que alterar o texto do outro requer
sensibilidade. É necessário que o revisor compreenda como o autor do texto
revela sua voz no trabalho em revisão e respeite a sua autoria, pois, por meio
da escrita, cada indivíduo revela muito sobre a sua maneira de ser, de dizer e
de pensar. Assim, o grande desafio no trabalho de revisão é contribuir para a
melhoria do texto sem descaracterizar a voz do autor.
O profissional em revisão de
textos, geralmente, possui formação superior em Letras ou Jornalismo. No
entanto, há profissionais de revisão formados em áreas diversas, uma vez que,
atualmente, é possível encontrar ofertas de cursos de especialização latu sensu
em Revisão de Textos.
Na cultura anglófona, algumas das
competências desta atividade são apelidadas de copy-desk, termo que foi usado
por muitos jornais lusófonos nos anos 90 (mas tem caído em desuso).
Define-se a revisão de texto como
as interferências no texto visando a sua melhoria. Essas mudanças podem atingir
palavras, frases ou parágrafos e ocorrem por cortes, inclusões, inversões ou
deslocamentos. A pessoa encarregada desta tarefa é revisor de textos, cujo
papel é verificar, com o editor da matéria, o orientador ou coautores, se há
erros de ortografia, se a matéria está corretamente direcionada aos factos
citados, entre outros. Tratando-se de um processo de autorrevisão, as mudanças
são feitas pelo próprio autor sem a ajuda de um colega ou do revisor.
O revisor exerce uma função
essencial nas áreas de Jornalismo e Edição, nas quais a revisão é parte do
processo de elaboração do produto final (jornal, revista ou livro), bem como na
finalização do trabalho acadêmico. No entanto, muitas empresas jornalísticas
reduziram ou mesmo eliminaram as equipas de revisores após a introdução da
informática nas redações, como se os corretores ortográficos pudessem suprir a
sua falta, o que está longe de ocorrer.
É recorrente a ideia equivocada
de que a revisão de textos se restringe à correção de aspectos gramaticais. A
revisão vai muito além da simples correção, pois a coerência interna e externa
do texto deve ser observada. Entende-se como coerência interna a adequação da
língua ao gênero textual. O texto literário, por exemplo, não poderá ser
revisado com os mesmos critérios utilizados na revisão de um texto acadêmico:
enquanto aquele admite o uso de linguagem mais informal, e até mesmo coloquial
este exige o uso de linguagem formal. Vincula-se à coerência interna o
princípio da não contradição, que consiste em se evitar afirmações que se
contradigam ao longo do texto. Como coerência externa, entende-se a relação do
conteúdo do texto com a realidade extratextual. Por exemplo, o uso de conceitos
no interior do texto que não se compatibiliza com determinada realidade
constitui um rompimento da coerência externa.
Raro também é que as instituições
de ensino e pesquisa estejam dotadas de revisores de textos.
Qualquer texto deve ser submetido
a diversas fases de revisão; as primeiras e a última pelo próprio autor, mas
outras pessoas devem rever o trabalho para que os diversos tipos de problemas
sejam reduzidos ao mínimo.
O autor, devido à sua
familiaridade com o assunto e proximidade ao texto, ou mesmo por incompleto
domínio da linguagem escrita, comete quase sempre lapsos e equívocos que ele
próprio não identifica em sucessivas leituras do seu trabalho. Mesmo os
orientadores acadêmicos,formalmente responsáveis pelo acompanhamento da
produção, pelos mesmos motivos, estão sujeitos a tais enganos e lapsos.
Os revisores profissionais trabalham
melhor se o texto lhes for entregue “pronto”, inteiro, de forma que depois de
revisado não sofra mais modificações. A última fase será a conferência por
parte do autor das interferências do revisor, para verificar se suas intenções
e ideias foram corretamente interpretadas.
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