CÁSSIA DIANTE DO ESPELHO:
DECRETO DE CONTENÇÃO DE GASTOS COLOCA AS CONTAS PÚBLICAS NO CENTRO DO DEBATE
Documento assinado em 8 de
setembro determina restrições de despesas e cria Comitê Gestor. Agora, mais do
que nunca, a Câmara precisa fiscalizar, levantar números e descobrir como o
município chegou a esse ponto.
Durante meses, questões relacionadas aos gastos
públicos, à qualidade dos serviços prestados, às obras, às terceirizações, à
realização de eventos e à administração dos recursos municipais vêm sendo
levantadas.
Agora existe um fato novo que não pode ser
ignorado: o próprio Poder Executivo publicou um decreto estabelecendo
medidas de contenção de despesas, limitação de empenhos e movimentação
financeira para o exercício de 2026.
O Decreto nº 82/2026, segundo o documento
apresentado, fundamenta-se na Lei Federal nº 4.320/1964 e na Lei Complementar
nº 101/2000 — a Lei de Responsabilidade Fiscal e afirma ser necessário um
processo imediato de revisão e controle dos gastos públicos para evitar o
comprometimento de ações consideradas essenciais.
Isso muda o tamanho da
discussão.
Não se trata mais apenas de
opiniões, críticas políticas ou disputas entre quem apoia ou não apoia a
administração municipal.
Existe agora um documento
oficial determinando contenção de despesas.
E quando o próprio Executivo
determina que é preciso controlar gastos, a sociedade tem o direito de
perguntar:
O que aconteceu com as contas
municipais?
Quanto o município arrecadou?
Quanto gastou?
Quanto deve?
Quais são os credores que ainda
aguardam pagamento?
Quanto existe de restos a pagar?
Quanto foi comprometido com
contratos e terceirizações?
Quanto foi gasto com festas,
eventos e outras despesas não essenciais?
Quanto custa atualmente a
estrutura de cargos comissionados e funções de confiança?
E, principalmente: quais
despesas contribuíram para que fosse necessário chegar a uma medida dessa
natureza?
O decreto
determina contenção — mas é preciso descobrir a origem do problema
Entre as medidas apresentadas estão a suspensão de
auxílios, doações e patrocínios; novas contratações de consultorias; coffee
breaks e despesas semelhantes em reuniões e eventos; recepções, homenagens e
solenidades; utilização de veículos oficiais fora do expediente; viagens
administrativas; novas nomeações, contratações e convocações; além da concessão
de novas gratificações.
Também são estabelecidas metas mínimas de redução
de determinadas despesas, incluindo horas extras, adiantamentos, energia
elétrica, telecomunicações, comunicação e frota.
O decreto ainda cria um Comitê Gestor,
envolvendo setores como Fazenda e Planejamento, Obras e Infraestrutura,
Administração e Licitações e Contratos, com atribuições relacionadas ao
acompanhamento e à autorização de despesas.
Tudo isso mostra que existe uma preocupação formal
com o controle da execução financeira.
Mas existe uma pergunta que não
pode ficar sem resposta:
Como Cássia chegou a essa situação?
É justamente essa pergunta que
precisa ser investigada com documentos, números e transparência.
O que está sendo questionando há tempos
Há muito tempo chamo a atenção para problemas que
precisam ser analisados pela administração e, principalmente, fiscalizados pelo
Legislativo.
Foram questionadas despesas relacionadas a festas e
eventos, incluindo carnaval e exposição; problemas observados em obras e
serviços; intervenções que apresentaram problemas de execução; situação de
praças, ruas e espaços públicos; dificuldades enfrentadas na área da saúde;
contratos e serviços terceirizados; além de outras situações envolvendo a
utilização dos recursos municipais.
Não é afirmativo que cada um desses fatos,
isoladamente, seja responsável pelo atual cenário financeiro.
Seria irresponsável fazer essa afirmação sem uma
auditoria.
O que se está dizendo é outra
coisa:
Se hoje existe um decreto
determinando forte contenção de despesas, todos esses gastos precisam ser
colocados sobre a mesa e analisados individualmente.
Quanto custaram?
O que foi contratado?
Quem recebeu?
O serviço foi efetivamente
prestado?
O serviço foi executado conforme
contratado?
Houve fiscalização do contrato?
Houve pagamento?
Houve aditivos?
Houve desperdício?
Houve prejuízo ao patrimônio
público?
Essas são perguntas que não se
respondem com discurso político.
Respondem-se com documentos.
E as terceirizações?
Outro ponto que merece atenção
especial são as terceirizações de serviços públicos.
Terceirizar não é, por si só,
ilegal nem significa automaticamente desperdício.
Mas terceirização precisa ser
analisada sob critérios de legalidade, economicidade, eficiência e interesse
público.
Se determinado serviço passou a
ser terceirizado, é preciso comparar:
Quanto o município gastava
antes?
Quanto passou a gastar depois?
O serviço melhorou?
A qualidade aumentou?
O contrato está sendo cumprido
integralmente?
A Prefeitura está fiscalizando a
empresa contratada?
O custo-benefício justifica a
contratação?
É exatamente esse tipo de
análise que uma fiscalização séria precisa fazer pelos vereadores e urgente.
Cargos comissionados também
precisam entrar na conta
Outro ponto merece ser
esclarecido.
Pelo conteúdo apresentado do
decreto, a medida determina a proibição de novas nomeações, contratações
e convocações, inclusive para cargos comissionados.
Isso é diferente de determinar a
redução dos cargos comissionados que já existem.
Portanto, uma pergunta legítima
permanece:
Quantos cargos de confiança
existem atualmente em Cássia e quanto eles custam mensalmente aos cofres
públicos?
Se o município está passando por um processo de
contenção financeira, esse número precisa ser conhecido pela população e
reduzir o mais rápido possível.
Não se trata de defender automaticamente a demissão
de servidores ou ocupantes de cargos de confiança.
Trata-se de perguntar se cada cargo é realmente
necessário, qual função exerce, qual é seu custo e qual resultado entrega ao
município.
O dinheiro público precisa ser analisado pelo
resultado que proporciona à população.
A Câmara Municipal não pode assistir a tudo isso de
braços cruzados
Aqui está, talvez, o ponto mais
importante desta contenda.
A Constituição Federal
estabelece que a fiscalização do município é exercida pelo Poder Legislativo
Municipal, mediante controle externo, com auxílio do Tribunal de Contas.
Portanto, fiscalizar não é
favor do vereador ao cidadão. É uma das funções constitucionais do mandato.
Diante de um decreto que
determina contenção de despesas, a Câmara precisa ir além dos discursos e
requerimentos de rotina.
É hora de levantar documentos.
É hora de analisar contratos.
É hora de verificar pagamentos.
É hora de examinar empenhos,
liquidações e restos a pagar.
É hora de verificar as
terceirizações.
É hora de analisar obras.
É hora de verificar gastos com
eventos.
É hora de levantar a estrutura
de cargos comissionados.
É hora de conferir fornecedores
e credores.
É hora de verificar se os
serviços contratados foram efetivamente entregues.
E é hora de acompanhar a
execução das despesas depois da publicação do decreto.
A Lei de Responsabilidade Fiscal
também determina ampla divulgação dos instrumentos de transparência da gestão
fiscal, incluindo orçamentos, prestações de contas e relatórios de execução e
gestão fiscal.
CPI? Sim, mas com responsabilidade e fato
determinado
Falar em Comissão Parlamentar
de Inquérito (CPI) pode ser legítimo diante de fatos concretos que precisem
ser investigados.
Mas uma CPI não deve ser criada
simplesmente porque existe um decreto de contenção.
Ela precisa ter objeto
determinado, fundamentação e finalidade investigativa, respeitando a
legislação e o Regimento Interno da Câmara.
Antes disso, a Câmara pode e
deve utilizar os instrumentos de fiscalização disponíveis, requisitando
informações, documentos e esclarecimentos e realizando uma análise sistemática
das contas e contratos.
Se essa apuração revelar fatos
determinados que justifiquem uma investigação parlamentar mais profunda, aí
sim uma CPI poderá ser discutida com base em elementos concretos.
Isso é muito diferente de
transformar a fiscalização em disputa política.
A hora é de
abrir as contas e olhar por dentro
Cássia não precisa de uma guerra
política.
Precisa de transparência.
Se o município está
financeiramente equilibrado, os números deverão demonstrar isso.
Se existem dificuldades
temporárias de caixa, os números também mostrarão.
Se existem contratos caros, os
documentos mostrarão.
Se existem serviços mal
executados, as medições, contratos, pagamentos e fiscalizações poderão
demonstrar.
Se existem despesas que poderiam
ter sido evitadas, os documentos poderão apontá-las.
E, se não houver irregularidade
alguma, a própria fiscalização servirá para esclarecer isso à população.
É assim que
funciona uma democracia.
Não é acusando sem provas.
Também não é defendendo sem
analisar.
É investigando, conferindo e
mostrando os fatos.
Doa a quem doer
O momento exige que os
vereadores que realmente colocam o interesse da população acima de interesses
políticos tenham coragem de fiscalizar.
Não importa se a conclusão será
favorável ou desfavorável à atual administração.
Se estiver correto, que seja
reconhecido.
Se houver erro, que seja
corrigido.
Se houver desperdício, que seja
cortado.
Se houver irregularidade, que
seja investigada e encaminhada aos órgãos competentes.
E se tudo estiver dentro da lei,
que os documentos sejam apresentados à população para que ninguém possa
alimentar versões falsas sobre a situação financeira do município.
Porque o dinheiro não é do
prefeito.
Não é do vereador.
Não é de partido político.
É dinheiro do cidadão.
E quando surge um decreto
determinando contenção de despesas, a pergunta que precisa ser feita não é
apenas “o que será cortado daqui para frente?”
A pergunta principal é:
“O QUE
ACONTECEU PARA CÁSSIA PRECISAR CHEGAR A ESTE PONTO?”
Essa resposta não deve ser dada
por discurso.
Deve ser encontrada nos
documentos, nos números, nos contratos e nas contas do município.
E a população tem o direito de
saber.

