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sábado, 31 de janeiro de 2026

QUANDO A EVOLUÇÃO ESQUECE A CIDADE

 

QUANDO A EVOLUÇÃO ESQUECE A CIDADE

 

Vou falar de um episódio que aconteceu comigo pouco tempo depois do início do calçamento do novo estacionamento da Praça Juscelino Kubitschek. Certo dia, em frente ao Papa Lanche, observei que, com o simples peso de uma caminhonete, uma das pedras que estavam sendo colocadas no calçamento já havia se soltado. Aquilo me chamou muita atenção. A partir dali, passei a observar com mais cuidado o serviço que está sendo feito por toda a Praça.

Confesso que me deu uma tristeza enorme, mas fazer o quê? Dizem que é a tal da modernização. Porém, uma modernização nada adequada. As pedras de mosaico português, que estavam adormecidas em seus devidos lugares desde o ano de 1961, estão sendo praticamente arrancadas com máquinas, sem o menor cuidado com a história e a identidade do local.

O que mais revolta é que, apenas dois anos antes, a Câmara já havia gasto uma verdadeira fortuna — pelo menos para quem é pobre — em um pequeno calçamento feito com pedras portuguesas atrás do prédio. Um serviço malfeito, de gosto duvidoso, que ficou uma porcaria. Misturaram pedras pretas com brancas, jogaram marrom no meio, tudo sem critério algum. Um verdadeiro desrespeito estético e histórico. Uma carniça!

Ainda fizeram outro trabalho: instalaram postes e novas lâmpadas em torno da citada praça. Mais gasto de dinheiro público para, infelizmente, pouco tempo depois, tudo ser arrancado com máquinas. Uma pena!

Para que aquelas pedras de mosaico português fossem assentadas, vieram profissionais de longe, especialistas nesse tipo de trabalho. Não foi algo improvisado. Por isso, elas permaneceram ali por cerca de 65 anos, firmes no solo, bem acomodadas na areia, resistindo ao tempo, ao peso e às mudanças. Diferente das pedras colocadas há pouco tempo atrás, que mal foram assentadas e já estavam se soltando.

Isso mostra claramente a diferença entre um serviço bem-feito, pensado para durar, e outro feito às pressas, sem cuidado e sem respeito pela técnica e pela história. O que existia ali não era apenas um calçamento, mas parte da memória da cidade, algo que atravessou gerações.

Mas vamos deixar isso pra lá, pelo menos por enquanto. Resta aguardar para ver no que tudo isso vai dar. Vendo o serviço que estão fazendo, fui ficando cada vez mais entristecido com aquilo tudo. O que se vê ali, infelizmente, é só porcaria. Eu creio que, se não sabem fazer a arte, não deveriam nem tocar. Arte é coisa séria, exige conhecimento, cuidado e respeito.

A cada dia que eu ia à padaria, passava pela praça e via a imundice que estão fazendo. É um desleixo atrás do outro, sem alinhamento, sem padrão, sem capricho. Aquilo mais parece um improviso do que um trabalho pensado para um espaço público tão importante.

Sabe, aquilo me fez lembrar das nossas brincadeiras de criança. A gente fazia tijolinhos usando latas de sardinha, queimava nas pequenas caieiras e, na imaginação, construía o calçamento da entrada das nossas casinhas. Só que, claro, tudo ficava torto: um tijolinho mais alto que o outro, outro mais afastado, nada alinhado.

Então, para tentar disfarçar, a gente pegava barro e passava entre eles, achando que estava melhorando. Mas, no fim, ficava era pior. E, olhando aquele serviço na praça, a sensação é exatamente essa: um remendo malfeito, tentando esconder erros, mas só deixando tudo mais feio. Agora percebo que aquilo que fazíamos na infância era igualzinho ao assentamento dos tais paralelepípedos que estão colocando na JK. A diferença é que lá era brincadeira de criança; aqui, infelizmente, é obra pública.

E pior: nem são paralelepípedos verdadeiros, daqueles bem trabalhados e talhados. São pedras arrebentadas à força, sem forma adequada, sem acabamento, jogadas no chão como se qualquer coisa servisse.

Mas vamos voltar ao acontecimento comigo na Praça Juscelino Kubitschek. Aquela cena ficou martelando na minha cabeça. Que serviço porco! Não consegui ficar calado. Passei a comentar com alguns conhecidos, indignado com o que estava vendo. Cheguei a falar até com advogados sobre o serviço que está sendo feito na praça.

Um deles me disse algo que achei importante e que merece ser registrado: o vereador é eleito justamente para ver esse tipo de coisa. Seja ele do lado do gestor ou não, tem a obrigação de fiscalizar. Mesmo que a obra seja federal, estadual ou municipal, o vereador tem o direito de acompanhar tudo, apontar erros e questionar gastos indevidos.

Segundo ele, se nada melhorar, o caso pode ser levado até a promotoria, desde que haja provas. Com as provas devidas, a obra pode ser imediatamente paralisada. Foi isso que ele me disse — e confesso que fiquei pensando muito sobre isso depois da conversa.

Algum tempo depois, eu ia novamente à padaria quando, na ponta da praça, em frente à antiga farmácia, vi o vice-prefeito. Talvez estivesse ali observando o serviço ou conversando com alguns pedestres. Ao passar por ele, fui cumprimentado; retribuí o cumprimento e aproveitei para dizer que já havia passado o contato dele para uma deputada, conforme ele mesmo havia me pedido em um encontro que tivemos alguns dias antes.

A partir daí, começamos um papo legal, tranquilo, daqueles de gente que conversa olhando nos olhos, falando das coisas da cidade. O clima era amistoso, sem tensão, apenas uma troca de ideias, como deve ser entre cidadãos e representantes públicos.

Lógico que eu não ia deixar de comentar o que estava martelando na minha mente: aquele serviço malfeito na nossa praça central. Então disse a ele: — Sabe, se vier um canal de televisão aqui e filmar esse trabalho que estão fazendo, vai ser um vexame. Uma coisa malfeita dessas nem pode ser chamada de melhoria.

            Em seguida, indaguei: — Por que estão deixando fazer essa porcariada? Ele, meio sem ação, me respondeu algo mais ou menos assim: — Isso é um serviço feito pela Caixa, e é ela quem dá as cartas.

Aí eu retruquei, sem rodeios: — Ah, não… quer dizer então que, se for para fazer de capim com bosta, vai ser feito assim mesmo?

Completei dizendo que o serviço estava mal-acabado, que parecia não haver profissionais qualificados trabalhando ali, muito menos uma engenharia apropriada acompanhando a obra. E ainda fiz um comentário irônico: — Agora lascou uma beirada  e furou a tampa da bunda, lascou de vez…

            Quando falei isso, um pedreiro — ou talvez ajudante — saiu de onde estava e veio na minha direção, perguntando em tom alterado: — Por acaso cê é alguma coisa aqui na cidade? Respondi, com calma: — Sou um cidadão que paga imposto, vota e ainda vive para ver as imundícies que fazem com o nosso mundo.

Foi aí que ele apelou de vez e perguntou: — Por acaso o senhor entende é pedreiro ou coisa parecida? Então respondi, sem pensar muito: — Já fui oleiro, servente, pedreiro, carpinteiro, eletricista, encanador, pintor, balconista, vendedor do baú, comerciante… e agora tento ser escritor e compositor. Acho que não esqueci de nada, não sei.

Foi então que o vice-prefeito interveio e tomou a palavra, dizendo que a culpa não era do trabalhador. Ele não disse de quem era a culpa, apenas me pareceu que também não estava muito satisfeito com o serviço. Diante disso, o trabalhador voltou para o local do seu afazer, e o clima se acalmou.

Naquele momento, pensei comigo mesmo: meu Pai do céu… Se o vice-prefeito estava ali, ouvindo tudo aquilo, e mesmo assim nada fazia, então realmente não há muito recurso. Ele disse que a responsabilidade era da Caixa, mas isso me deixou ainda mais cheio de dúvidas.

Fico me perguntando: será que existe alguém da Caixa que acompanhe de perto essas construções ou reformas espalhadas pelo país inteiro? Em cada cidade onde há uma obra com amparo da Caixa, será que eles mandam técnicos para vistoriar, fiscalizar e corrigir erros? Sinceramente, creio que não.

Pelo que penso, a Caixa não tem dentro dela setores próprios de construção. A impressão que dá é que a Caixa funciona como um local de liberação de verbas para tudo: ela adianta o dinheiro, repassa os recursos, mas quem executa a obra são outros. Agora, se ela também constrói, fiscaliza e acompanha de perto cada detalhe… aí já não sei. Fica a pergunta.

Pois bem, foi isso que aconteceu comigo na Praça Juscelino Kubitschek, no centro da minha cidade. Tudo por eu talvez ter falado uma verdade que muitos não têm coragem de comentar, ou preferem simplesmente deixar pra lá. Por causa disso, quase levei foi uma na orelha, ali mesmo, no meio da praça, à luz do dia.

Praça essa que acompanho desde criança. Um lugar onde, além de beleza, havia vida de verdade. Ali existiam árvores frutíferas — tamarindo, ingá, jatobá e tantas outras — que faziam parte da paisagem, do convívio e da memória da gente. Árvores que davam sombra, alimento aos pássaros, a nós e história. Com o tempo, foram todas derrubadas e queimadas em fornos de olarias. Uma pena profunda, uma perda que não se repara e que ainda dói em quem viu.

Nesse ponto, é impossível não falar do papel dos vereadores, sejam eles do mesmo partido do gestor ou da oposição. Vereador não é eleito para fechar os olhos, nem para defender obra malfeita por conveniência política. A função principal do cargo é fiscalizar, acompanhar, cobrar e apontar erros, independentemente de quem esteja no comando. Quando isso não acontece, não é por falta de poder, é por falta de vontade.

O que se vê, muitas vezes, são vereadores amarrados por acordos, favores e interesses, fingindo não enxergar o que está escancarado. Defeitos visíveis viram “detalhes”, serviços mal-acabados viram “ajustes futuros”, e o desperdício de dinheiro público vira discurso vazio. Nesse jogo, a fiscalização some, a responsabilidade se dissolve e ninguém responde por nada.

Quando o vereador escolhe o silêncio, ele deixa de representar o cidadão e passa a proteger o sistema. E a omissão, nesse caso, é tão grave quanto o erro da obra. Porque quem tem o dever de fiscalizar e não fiscaliza, autoriza. Quem vê e finge que não vê, concorda. E quem concorda, participa.

Mas parece que a preferência agora é sempre pela chamada evolução. Novos tempos, novas ideias, novas bússolas. Nem sempre apontando para o melhor caminho, mas seguindo em frente, custe o que custar.

Não sou contra melhorias, nem contra o progresso que tanto se anuncia em discursos e placas de obra. Sou contra o descaso institucionalizado, contra a pressa que atropela a técnica e contra a banalização do dinheiro público. Quando se mexe no que é de todos, não se pode tratar o erro como detalhe, nem o improviso como solução. Obra pública não é favor, é obrigação — e obrigação exige competência, fiscalização e responsabilidade.

Uma praça não é um espaço vazio esperando cimento. Ela é memória coletiva, identidade urbana, testemunha silenciosa da passagem do tempo. Cada pedra bem assentada, cada árvore que ali cresceu, cada caminho percorrido por gerações carrega um valor que não aparece em planilhas nem em licitações. Destruir isso em nome de uma modernização mal pensada não é avançar, é empobrecer.

O que mais preocupa não é apenas o serviço malfeito, mas a naturalização dele. É o silêncio de quem deveria fiscalizar, a transferência de responsabilidade, o jogo de empurra entre órgãos e gestores, como se ninguém fosse realmente responsável por nada. Quando tudo é culpa de alguém distante, no fim das contas não é culpa de ninguém — e o erro segue, o desperdício se repete e a cidade perde.

Progresso verdadeiro não nasce do barulho das máquinas, mas da inteligência nas decisões. Não nasce da pressa, mas do cuidado. Não nasce da destruição do que estava funcionando, mas da capacidade de somar passado e presente com respeito. Evoluir não é apagar a história, é aprender com ela.

Se continuarmos aceitando qualquer coisa como melhoria, continuaremos vendo o patrimônio virar entulho, o dinheiro público virar pó e a indignação virar costume. E quando a indignação vira costume, a cidade adoece. Porque uma cidade não se destrói apenas quando derrubam suas praças, mas quando seus cidadãos se calam — e quando falar a verdade passa a ser visto como exagero ou incômodo.

É preciso lembrar que, em uma cidade como a nossa, o gestor não é eleito pela maioria da população total. Somos milhares de habitantes, mas apenas uma parte vota. Há quem não tenha idade, quem não tenha título, quem não compareça às urnas e quem simplesmente não participe. No fim das contas, o gestor vence com o apoio de uma parcela dos eleitores, dentro das regras da lei, é verdade, mas isso não lhe dá o direito de governar apenas para quem o elegeu.

A responsabilidade do cargo é justamente essa: administrar para todos. Para quem votou, para quem não votou, para quem discordou e até para quem se calou. Quando essa noção se perde, surgem o descaso, a obra malfeita, a falta de fiscalização e o silêncio conveniente. E aí a cidade paga o preço.

O problema não é a eleição em si, mas o esquecimento de que o poder recebido não é propriedade, é empréstimo. Um empréstimo dado por toda a cidade. Quando isso é ignorado, a praça vira laboratório de erro, o dinheiro vira desperdício e o cidadão que questiona passa a ser tratado como incômodo.

Mas parece que a preferência agora é sempre pela chamada evolução. Uma evolução mal compreendida, que confunde modernizar com arrancar, substituir e apagar. Tudo o que resiste ao tempo passa a ser tratado como atraso, mesmo quando provou, por décadas, sua durabilidade e seu valor. Em nome dessa pressa de mostrar serviço, o que era sólido vira obstáculo, e o que é improvisado passa a ser apresentado como novidade.

Essa forma de “evoluir” não nasce do planejamento, nem do diálogo com a cidade, nem do respeito à história do lugar. Ela nasce da pressa, da vaidade administrativa e da falta de compromisso com quem vai conviver diariamente com o resultado da obra. O discurso é sempre bonito, mas a prática revela calçadas tortas, acabamentos malfeitos e decisões tomadas sem critério técnico ou estético.

O problema não é mudar, mas mudar sem saber por quê, nem para quem. Quando a evolução ignora a memória coletiva, ela deixa de ser avanço e passa a ser ruptura. A cidade perde referências, perde identidade e passa a se parecer com qualquer outra, sem alma e sem história. O espaço público deixa de acolher e passa apenas a ocupar espaço.

No fim, não é só a praça que sofre. Sofre o cidadão que observa, que questiona e que se importa. Sofre quem viu aquele lugar nascer, crescer e resistir ao tempo. Porque evolução de verdade não destrói o que funciona, não despreza o que foi bem-feito e não trata o patrimônio comum como material descartável.

E quando a cidade aceita esse tipo de mudança como normal, algo se quebra de forma silenciosa. Quebra-se o vínculo entre o passado e o futuro, entre o poder público e a população. O que sobra é um vazio difícil de explicar, mas fácil de sentir. E esse vazio não se resolve com mais obras, mais discursos ou mais placas — resolve-se com responsabilidade, respeito e consciência.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


sábado, 15 de novembro de 2025

A VERDADE QUE NINGUÉM TEM CORAGEM DE FALAR

A VERDADE QUE NINGUÉM TEM CORAGEM DE FALAR

Hoje preciso expor, de maneira clara, firme e sem rodeios, a incompetência que tomou conta das administrações municipal — do passado, do presente e, se nada mudar, do futuro. Parece até que ser gestor virou brincadeira de mau gosto: entra um, sai outro, e a cidade continua afundada na mesma lama administrativa. Eles sabem que o tempo não para, que a população cresce, que os problemas aumentam, que novas demandas surgem diariamente… mas agem como se a cidade estivesse congelada nos anos 1940, como se o mundo não tivesse mudado absolutamente nada.

Vivemos em um país onde todo dia nasce gente, todo dia aumenta o consumo, todo dia cresce o fluxo de mercadorias, veículos, alimentos, lixo, resíduos, máquinas e construções. O correto seria termos gestores que acompanhassem esse ritmo, que planejassem o hoje pensando no amanhã. Mas o que vemos? São Gestores parados no tempo, apáticos, medrosos, preguiçosos e completamente despreparados, que fingem administrar enquanto a cidade se destrói diante dos nossos olhos.

Parece duro falar assim? Duro é viver na prática o que essa incompetência causa. Duro é ver um município inteiro se transformar em um amontoado de erros, descaso e bagunça institucional.

Mistura de estabelecimentos incompatíveis: risco real à saúde pública. Açougue ao lado de loja que vende venenos, com cães impedindo a entrada. Ter um açougue ao lado de um estabelecimento que comercializa venenos é, por si só, uma infração sanitária gravíssima. Agora, somando-se a isso a presença de cães na porta impedindo a entrada dos clientes, a situação se torna ainda mais absurda. Esse cenário pode causar: Contaminação cruzada entre alimentos e substâncias tóxicas. Risco de envenenamento acidental. Transmissão de zoonoses por cães soltos, como: Leptospirose. Raiva. Verminoses diversas. Giardíase. Leishmaniose. Infecções por Salmonella e E. coli. Nada disso acontece por acaso: acontece por falta de fiscalização e por incompetência administrativa.

Farmácia encostada em posto de gasolina. A proximidade entre farmácias e postos de combustíveis aumenta o risco de exposição a substâncias tóxicas, principalmente benzeno, liberado pela evaporação de combustíveis. O benzeno é reconhecido pela OMS como um agente altamente cancerígeno, associado especialmente à leucemia. Isso deveria ser proibido, fiscalizado e corrigido. Mas ninguém faz nada.

Chiqueiro de porcos próximo à área urbana. É proibido por lei manter cria de porco próximo à cidade. O motivo é simples: risco sanitário grave. Os problemas incluem: Proliferação de moscas e insetos contaminadores. Odores fortes e gases tóxicos. Risco de doenças como: leptospirose, salmonelose, parasitoses, contaminação do solo e da água. Mesmo assim, deixam porcos a menos de quinhentos metros, quase no quintal do povo.

Animais pastando em lotes dentro da cidade, ou em cercados infestados de carrapatos. Carrapatos transmitem doenças perigosas, como: Febre Maculosa (letal). Doença de Lyme. Anaplasmose. Babesiose. Pastos dentro da cidade são proibidos justamente por esses riscos, mas gestores fecham os olhos.

Padaria cercada por cães de rua, que passam o dia inteiro expostas a cães, que deixam: Baba, Pelos, resto de Fezes, Urina, Rabuja, pulgas e carrapatos. Isso espalha doenças como: leptospirose, Raiva, Verminoses, Sarna, Giardíase, infecções bacterianas diversas, fungos e vírus transmitidos pela saliva e pelas patas dos animais. Mesmo assim, os gestores não realizam recolhimento, controle populacional, vacinação ou castração desses animais.

Gatos em telhados e por todo lado. Podem transmitir: Esporotricose, toxoplasmose, doença da arranhadura do gato, sarna, raiva. E continuam se multiplicando sem qualquer política de controle.

Lixo espalhado pela cidade nos finais de semana. Lixo na rua atrai: Ratos, baratas, mosquitos, urubus, cães e gatos doentes, moscas transmissoras de bactérias. Com isso surgem doenças como: Dengue, Zika, Chikungunya, Leptospirose, Salmonelose, infecções intestinais. Tudo isso por falta de coleta regular e de orientação pública.

Terrenos baldios e lotes abandonados. Terrenos sujos são focos de: Aedes aegypti, ratos e camundongos, baratas, escorpiões, cobras, moscas. E o povo paga o preço da negligência alheia.

Calçadas estreitas, irregulares e bloqueadas. Um dos maiores absurdos urbanos: calçadas cheias de: Degraus, Mesas, Cadeiras, Postes, Lixeiras, obstáculos construídos há mais de 10 anos sem fiscalização. Os pedestres são obrigados a: Tropeçar, desviar, andar na rua no meio dos carros, correr risco de atropelamento. A Lei Brasileira de Inclusão exige calçadas livres e acessíveis, mas aqui ninguém cumpre nem cobra. Os gestores simplesmente ignoram tudo.

Oficinas de caminhões e carretas dentro da cidade destruindo o asfalto. Caminhões pesados: não deveriam ficar dentro da cidade,  não deveriam estacionar em ruas e avenidas, não deveriam parar na porta de oficinas urbanas. O peso destrói o asfalto rapidamente, e a prefeitura gasta fortunas para refazer trechos que nunca foram projetados para esse tipo de tráfego. Parece até que é conveniente manter essa destruição para justificar obras e gastos sem transparência. Oficinas de veículos pesados precisam estar fora da área urbana, em local apropriado. Mas nada é feito.

Bueiros entupidos, tampados com concreto e abandono urbano. E estes bueiros então principalmente na área do centro, cada vez mais estão tampando os, o que deveria ser cuidado é entupidos por concretos, deve ficar mais barato tampar do que manter, e que a água corre sobre as ruas. O problema de bueiros entupidos por concreto ou outros resíduos, principalmente na área central de cidades, é recorrente e um dos principais causadores de alagamentos e problemas de drenagem urbana. O descarte irregular de material de construção civil é uma das causas desse problema, que exige fiscalização e manutenção por parte do poder público. Mas nada é feito e sim entupido!

O centro da cidade está com bueiros: entupidos, tapados por concreto, com grelhas quebradas, sem manutenção, com isso: a água corre por cima das ruas, surgem enxurradas perigosas, o asfalto se rompe, a cidade alaga. Tapar bueiro com concreto é crime contra a drenagem urbana, mas aqui parece que é prática comum porque "fica mais barato".

Destruição de praças históricas e obras inacabadas. Há gestores que: destroem praças centenárias, cortam árvores antigas, quebram bancos históricos, prometem modernização e entregam uma praça  com arvores que levar cinquenta anos para dar sobra, ou mesmo plantam coqueiros que nem sombra dá, como na praça o central até hoje não tem sombra suficiente no triângulo. Outros  iniciam obras e deixam inacabadas, como vemos uma lá no morro. E o povo aceita, porque prefere festa.

Roubos  em alta e a inércia do poder. Nos últimos tempos, o que mais não é emprego, não é investimento, não é qualidade de vida. O que cresce, infelizmente, é a criminalidade — e cresce de forma descarada, à luz do dia ou da noite, sem medo de ninguém. Os roubos e furtos se multiplicam, e a sensação que fica para o cidadão honesto é de abandono completo, como se estivéssemos vivendo num lugar sem lei, sem autoridade e sem responsabilidade pública. Hoje já se rouba de tudo, desde os itens mais simples até os mais caros e difíceis de repor. Não existe limite, não existe respeito, não existe medo de punição. Furto de fios: casas e ruas às escuras, sem internet enquanto criminosos lucram

Os bandidos já estão roubando fiação elétrica de casas, comércios, postes, bombas d’água e até transformadores. Em minutos para arrancam metros e metros de cabo. O prejuízo para o cidadão é enorme: a casa fica sem luz, portões automáticos são levados, eletrodomésticos, levam segurança eletrônica, comerciantes sofrem com o prejuízo  E ninguém vê solução. A pergunta é: E a polícia? E a prefeitura? Onde estão? Quem está fiscalizando os receptadores?

Porque para cada item roubado, existe alguém comprando, e isso não é segredo para ninguém. Roubo de peças e componentes de automóveis. Os furtos de veículos ou de partes deles como: Baterias, centrais eletrônicas, retrovisores, rodas e pneus. Roubar carro inteiro ficou “difícil”? Então roubam por pedaços. Muitas vezes o carro está estacionado na porta de casa, e mesmo assim o criminoso leva o que quer. O cidadão trabalha meses para comprar algo e, em cinco minutos, o bandido arranca e leva embora — e a polícia aparece muito tempo depois, quando aparece.

Produtos da agricultura: do pequeno ao grande produtor, todos são vítimas, até na zona rural os roubos são constantes. Estão levando: hortaliças, frutas prontas para colher, sacas de milho, café, soja e de feijão, ferramentas, motobombas, sacos de adubos, mangueiras, equipamentos de irrigação.

O produtor acorda cedo, trabalha de sol a sol, investe tempo e dinheiro para cuidar da lavoura — e quando chega o momento de colher, encontra só os rastros de quem passou antes. E quando procura ajuda, o que ouve? “Faz o boletim e aguardar.” Enquanto isso, os receptadores continuam funcionando normalmente.

Roubo de bicicletas: o meio de transporte de muitos virou alvo fácil. Para muitos trabalhadores, estudantes e idosos a bicicleta é o principal — e às vezes o único — meio de transporte. E virou alvo fixo dos ladrões. Roubo de bicicleta acontece: no portão, na calçada, na praça, no mercado, até de dentro do quintal.

Quem perde a bicicleta perde mobilidade, perde o caminho do trabalho, perde liberdade — e fica entregue à própria sorte.

A falta de limite é tanta que  galinhas, patos, porcos, gado são levados. O pequeno criador, que cuida para consumo próprio ou para complementar a renda, vive com medo de acordar e descobrir que a criação sumiu. É o retrato de um município sem controle, onde o ladrão faz o que quer porque sabe que não vai acontecer nada.

A pergunta que não quer calar: de quem é a responsabilidade? O povo já não sabe mais quem está falhando: É a administração municipal, que não cobra, não pressiona, não organiza a segurança local e não investe, não monitora e nem faz prevenção? Ou é o Estado, que não envia efetivo suficiente, não reforça a polícia e não investiga os receptadores? A verdade é que o problema é de todos: quando um rouba e outro compra, quando ninguém fiscaliza, quando ninguém pune, quando ninguém acompanha, a cidade vira território do crime.

Os receptadores são conhecidos — e continuam comprando. Todo mundo sabe que os roubos só existem porque existem os compradores. Alguns ferros-velhos, oficinas e depósitos são conhecidos por: comprar fios queimados, comprar portões arrancados, comprar panelas, latões e peças de alumínio, comprar equipamentos eletrônicos roubados, comprar ferramentas agrícolas, comprar tudo que o bandido leva. A população sabe quem são, parece que até o policiamento os conhecem, mas parece que ninguém mais investiga. Não existe ladrão sem comprador. Enquanto a polícia finge que não vê e a fiscalização não aparece, o crime vira negócio lucrativo.

O ciclo da incompetência reforçado por festas e descaso. Enquanto isso: Saúde a desejar faltando, Saneamento precário, Educação não sai na frente, Habitação zero, Transporte!, Iluminação pública alto preço, Segurança desprezada, Trabalho e oportunidades inexistentes. Mas basta fazer uma festa, barulho e fogos, que o povo esquece tudo.

A vereança não cobra, não fiscaliza, não bate de frente. Prefere participar das festas também, ocupando palcos, tirando fotos e aparecendo como se tudo estivesse em perfeita ordem. Enquanto isso, os problemas reais são empurrados para debaixo do tapete. Falta atitude, falta coragem e, principalmente, falta compromisso com quem realmente paga a conta: o povo. E assim permanece o lema silencioso da cidade: “Se tem festa, está tudo bem.”

Mas não está. Porque festa não ilumina rua escura, não diminui o número de furtos, não resolve calçamento quebrado, não põe medicamento no posto de saúde, não resolve a fila constante de pacientes, não cuida das praças destruídas e nem devolve a segurança que a população perdeu. O que se vê é uma administração que aposta no brilho momentâneo, em vez de enfrentar os problemas do dia a dia.

E os vereadores, que deveriam ser a voz da população, transformam-se em meros espectadores — ou pior, em cúmplices pelo silêncio. Muitos preferem agradar o gestor do que defender a comunidade; trocam o dever de fiscalizar pela conveniência de manter benefícios, cargos e aproximações políticas.

Além de não cobrar, não fiscalizar e não bater de frente, existe ainda o medo — um medo silencioso que paralisa e compromete qualquer atitude. Há pouco tempo mesmo, vimos um exemplo claro disso: o vereador tentou cobrar, mas o gestor impôs sua vontade, e o vereador simplesmente se sujeitou, aceitando tudo da forma que foi exposto. Uma cena lamentável, que escancara a fraqueza de quem deveria defender o povo.

É triste perceber que quem foi eleito para representar a comunidade está se curvando, não por respeito, mas por receio. Vereador que teme gestor não fiscaliza; vereador que teme gestor não questiona; vereador que teme gestor não serve ao povo, mas sim aos interesses de quem está no poder e a si.

E assim fica evidente o quadro mais duro: a população está mesmo sem representação. Sem voz. Sem defesa. Sem ninguém para enfrentar, cobrar, exigir, denunciar ou lutar. Uma Câmara que deveria ser o equilíbrio transformou-se em extensão do gabinete do gestor. E quando a coragem desaparece, a cidade inteira paga o preço.

São representantes que evitam debates duros, que fogem de questionamentos, que não querem desagradar ninguém para não perder apoio. Mas, ao agir assim, perdem algo muito maior: a confiança do povo.

A Câmara deveria ser o espaço onde os problemas do município são levantados, debatidos e enfrentados com seriedade. Porém, o que se vê é uma fileira de cadeiras ocupadas por quem apenas concorda, acena a cabeça e aprova tudo sem questionar. Uma vereança que não representa, não protege e não reage. Enquanto isso, a cidade sofre calada — e eles fazem de conta que não veem. Fazendo a festança!




 

 

sábado, 8 de novembro de 2025

O Ciclo da Destruição e o Silêncio da Gestão Pública

 O Ciclo da Destruição e o Silêncio da Gestão Pública

Acabei de chegar à conclusão de que os políticos e gestores públicos, na prática, são todos iguais. Mudam apenas os rostos, os discursos e as promessas, mas o ideal que os move parece ser o mesmo: destruir, destruir e destruir, sem medir as consequências. Não importa o que esteja em jogo — patrimônio, história, saúde, ou o bem-estar da população — todos que passaram por nossa cidade, ao longo dos anos, mostraram-se apenas aproveitadores do cargo, preocupados em se beneficiar e deixar sua marca pessoal, não em servir ao povo.

Quando olho para trás e observo a trajetória da nossa cidade, que já soma mais de cento e trinta anos de existência, percebo o quanto poderíamos ter evoluído. Uma cidade com uma base tão sólida, com tanta história e potencial, já deveria ter se transformado em um exemplo de progresso — não em quantidade de habitantes, mas em qualidade de vida, infraestrutura, planejamento e desenvolvimento humano. Porém, o que se vê é o contrário: a estagnação e o retrocesso. Parece que nossos gestores nunca pensaram em construir algo duradouro; querem apenas deixar placas com seus nomes presos em obras visíveis, como se isso fosse símbolo de boa administração.

Para deixar o nome cravado em algum lugar, muitos fazem de tudo: derrubam o que já foi construído, reformam o que não precisa, pintam o que não está descascado e trocam o que ainda funciona. O resultado é desperdício de recursos públicos, destruição do que já estava pronto e a sensação de que tudo recomeça a cada mandato, como se o passado fosse sempre descartável. E o mais revoltante: de todos os que já passaram pela gestão da cidade, não há um sequer que se salve.

Num passado não tão distante, nossa cidade era simples, de pouco movimento, com limitações estruturais, é verdade. Mas o tempo trouxe avanços, tecnologias, recursos e conhecimento. O que faltou — e ainda falta — é planejamento e responsabilidade. Com visão de futuro, poderíamos ter evitado tantos desgastes desnecessários e priorizado o que realmente importa: a Saúde pública, por exemplo, o bem mais essencial de qualquer comunidade.

A saúde é um desafio em qualquer lugar, mas com a evolução que tivemos desde os anos 1960 até hoje, há soluções rápidas, seguras e viáveis. O que falta não é tecnologia, nem dinheiro — é gestão inteligente e vontade de fazer o certo. Enquanto gestores preferem criar dificuldades, o povo sofre com filas intermináveis, falta de atendimento, ausência de remédios e descaso. Em vez de permitir que particulares lucrem com o sofrimento de quem não pode pagar, o poder público deveria assumir um rumo diferente, criando um sistema de saúde municipal mais justo, transparente e eficiente.

Um exemplo claro de desorganização é o funcionamento conjunto — ou muito próximo — de hospitais particulares e prontos-socorros públicos. Essa mistura causa confusão, descontrole e indignação. Quando o hospital é privado e o pronto-socorro é municipal, surgem problemas sérios: mistura de pacientes do SUS com os de convênios e particulares, dificuldade para saber quem paga cada atendimento, conflito de responsabilidades entre prefeitura e hospital e caos na triagem e entrada dos pacientes.

E por trás dessa confusão, existe um jogo silencioso e perverso que poucos conhecem, mas que afeta diretamente o bolso do cidadão e a qualidade do atendimento. Em muitos hospitais conveniados, uma prática antiga e disfarçada vem se repetindo há anos: todos os pacientes que passam pelo pronto-socorro, independentemente de possuírem plano de saúde ou condições particulares, acabam sendo lançados como atendimentos custeados pelo SUS. Aqui deve acontecer o mesmo! Essa manobra, escondida entre papéis e burocracias, faz com que o Sistema Único de Saúde arque com despesas que, em tese, deveriam ser pagas pelos planos privados ou pelos próprios pacientes particulares.

O resultado é um desequilíbrio gritante. O SUS, que já sofre com falta de recursos, é sobrecarregado por custos que não lhe pertencem, enquanto o hospital ou o instituto beneficente responsável pela administração da unidade sai ganhando. A instituição, que se apresenta como “filantrópica”, multiplica seus lucros, aumenta seu patrimônio e ainda se promove como prestadora de serviço público exemplar. Por trás da fachada da “caridade” e da “assistência ao povo”, o que existe é uma estratégia financeira bem calculada: transferir a despesa para o sistema público e, ao mesmo tempo, acumular ganhos particulares. Os repasses feitos pelo SUS, muitas vezes em valores acima dos custos reais, tornam-se fonte constante de lucro e de poder, enquanto o atendimento à população continua precário e as filas crescem.

Enquanto isso, o cidadão comum, que acredita estar sendo atendido pelo plano que paga ou por um hospital beneficente comprometido com o social, na verdade se torna apenas mais um número usado para inflar relatórios e justificar verbas públicas. É um ciclo de vantagens para poucos e prejuízo para todos.

Dentro desse cenário corrompido por interesses e vícios antigos, um bom gestor, com senso de responsabilidade e coragem, poderia romper com esse ciclo de favorecimentos, desde que esteja disposto a enfrentar a resistência dos que se beneficiam do sistema. O primeiro passo seria expor o que está escondido. Denunciar de forma oficial e documentada as irregularidades nas cobranças indevidas ao SUS, mostrar publicamente os repasses recebidos, os gastos reais e os lucros obtidos pelas instituições que se dizem beneficentes. A transparência é a maior arma contra o abuso disfarçado de caridade. Quando a população entende para onde vai o dinheiro público, o discurso de “hospital filantrópico” perde o brilho e revela sua verdadeira face.

Um bom gestor não teme a fiscalização, ao contrário, ele a promove. Cria mecanismos para que cada centavo investido em saúde possa ser rastreado, desde a entrada do paciente até o pagamento final do procedimento. Implanta auditorias independentes, abre as contas à sociedade, valoriza os profissionais que trabalham com ética e corta privilégios disfarçados de “parcerias”. Com coragem, esse gestor pode ainda levar o caso aos órgãos de controle — Ministério Público, Controladoria-Geral, Tribunais de Contas —, exigindo que as verbas do SUS sejam aplicadas somente em atendimentos realmente públicos, e que os planos de saúde cumpram sua parte, pagando o que devem pelos atendimentos de seus segurados.

É um caminho difícil, solitário e perigoso, porque mexe com estruturas poderosas e antigas. Mas é também o único capaz de devolver à população o que lhe pertence: o direito de ser atendida com dignidade, sem ser usada como disfarce para enriquecer instituições que se alimentam do dinheiro público. Somente um gestor consciente, comprometido e disposto a enfrentar o sistema pode transformar essa realidade — e mostrar que a verdadeira filantropia não está em acumular bens, mas em servir o povo com honestidade e justiça.

A solução, no entanto, é simples: criar fluxos separados de atendimento. Deve-se dividir física e administrativamente o espaço e o atendimento, separando o pronto-socorro municipal, exclusivo para o SUS, das áreas de atendimento particular e convênios. As triagens precisam ser distintas, uma para o paciente SUS e outra para convênios ou particulares. O processo seria simples: perguntar se o paciente tem cartão SUS ou convênio e encaminhá-lo ao setor correto. O registro também deve ser separado em sistemas distintos: um para o SUS e outro para particulares, ou, se for um sistema único, com perfis independentes. Além disso, é essencial firmar um contrato ou convênio formal entre o município e o hospital, deixando claro quem paga os profissionais e materiais, como são feitas as transferências de pacientes e como são prestadas as contas à Secretaria de Saúde.

A comunicação com a população também é crucial. Devem ser colocados cartazes informativos, explicando onde se dirige cada tipo de atendimento. É uma questão de respeito, clareza e eficiência. Mas, infelizmente, o que se vê é exatamente o contrário.

A grande falha em nosso município está na ausência total de comunicação transparente entre a gestão da saúde e a população. Quando as pessoas não são informadas, criam suas próprias versões dos fatos — e com razão. O cidadão sente na pele a falta de atendimento, o atraso das consultas, o sumiço dos exames e a falta de remédio. E o pior: sente o silêncio das autoridades. Não comunicar é um erro gravíssimo. A falta de transparência gera revolta, boatos e desconfiança, e faz com que tudo pareça corrupção, mesmo quando não é. Os gestores trazem tudo às escondidas: consultas atrasadas, exames parados, medicamentos em falta, e quando o povo reclama — com toda a razão — chamam de exagero. Mas o povo fala porque sofre, porque vive o problema todos os dias.

A comunicação em saúde é tão importante quanto o próprio remédio. Informar bem é obrigação pública, não favor. Transparência ajuda a evitar boatos e falsas notícias, a explicar com clareza os motivos de atrasos, a mostrar o que está sendo feito, a valorizar os profissionais que realmente trabalham e a conquistar o apoio da comunidade em vez de apenas críticas. O setor de saúde deveria prestar contas regularmente — no mínimo uma vez por mês — informando à população quais medicamentos estão em falta, quais foram solicitados e quando chegam; as datas e locais de mutirões e exames; a quantidade de atendimentos, internações e procedimentos realizados; e os motivos claros e simples de eventuais atrasos ou falhas.

Essa transparência traria confiança, respeito e, principalmente, esperança. Mas, infelizmente, o que vemos é o contrário: segredo, desorganização e descaso. E por isso o povo fala, reclama e protesta — com toda razão. Em resumo, o que temos hoje é o reflexo de uma gestão que não pensa nas pessoas, mas nas aparências. Se houvesse compromisso verdadeiro, nossa cidade — com seus mais de 130 anos — já seria um exemplo de progresso. Mas enquanto a vaidade e o ego dos gestores forem maiores que o amor à cidade, continuaremos assistindo a esse ciclo de destruição e descuido, onde ninguém constrói, apenas destrói o que os outros fizeram.

 


terça-feira, 4 de novembro de 2025

A Direita, a Extrema-Direita e a Condenação de Jesus: Um Paralelo Histórico que Persiste.

 

A Direita, a Extrema-Direita e a Condenação de Jesus: Um Paralelo Histórico que Persiste.


Poucos dizem abertamente, mas todos um dia precisam saber: Jesus foi condenado por uma combinação de interesses religiosos e políticos, orquestrada entre líderes religiosos e autoridades do poder. Não foi apenas um julgamento injusto, mas um ato político cuidadosamente calculado, fruto do medo, da hipocrisia e da conveniência de quem temia perder o controle sobre o povo.

Jesus incomodava. Sua mensagem de amor, justiça, igualdade e partilha afrontava tanto os líderes religiosos, que viviam da opressão e da lei fria, quanto os governantes, que sustentavam o império à base da força e da submissão. Ele representava uma ameaça ao sistema estabelecido — pregava a liberdade interior, o valor do ser humano acima das instituições, e isso jamais agradou aos que se beneficiam da desigualdade e do autoritarismo.

A figura de Pilatos e o poder covarde

O governador Pôncio Pilatos, representante direto, tinha a autoridade máxima para aplicar a pena capital. Foi ele quem assinou a sentença, mesmo tentando parecer neutro. A cena em que “lava as mãos” é, na verdade, um símbolo da covardia política: o típico gesto do governante que finge não se envolver, mas se beneficia do resultado.

Pilatos representa aquele tipo de líder que existe até hoje — o que se diz “moderado”, “imparcial”, mas que na prática serve ao poder e não à justiça. Assim como ele, muitos políticos da chamada direita e extrema-direita usam o discurso da moral e da ordem, mas quando o povo sofre, preferem lavar as mãos. Fingem neutralidade enquanto condenam inocentes pelas decisões que tomam ou permitem.

A estrutura da direita desde os tempos antigos

Se olharmos com atenção, o que aconteceu com Jesus segue o mesmo padrão ideológico que hoje conhecemos nas forças conservadoras da direita e da extrema-direita. São movimentos que se alimentam da manipulação, do medo e da falsa moral.
Usam a religião como escudo, a pátria como desculpa e a família como fachada — mas no fundo o objetivo é sempre o mesmo: manter privilégios e poder.

A direita de ontem e a extrema-direita de hoje têm uma semelhança gritante: dizem uma coisa pela manhã e desdizem à tarde. São contraditórios por natureza, porque não acreditam nem neles mesmos. Vivem de aparências, de promessas vazias e da manipulação dos mais simples. E o pior: tentam convencer a todos de que representam a verdade e os valores cristãos, quando na prática agem contra tudo que Jesus ensinou.

“Deus, Pátria, Família”: o velho disfarce do autoritarismo

Décadas, séculos se passaram, e o mundo mudou — mas o discurso da direita conservadora continua o mesmo. Durante as campanhas eleitorais e momentos de crise, slogans como “Deus, Pátria, Família” ressurgem com força, tentando pintar de fé e moralidade o que, na verdade, é controle e intolerância. Esse lema não nasceu do amor a Deus, mas do medo da liberdade.

Ele foi usado por regimes totalitários como o Integralismo Brasileiro, inspirado diretamente no fascismo europeu dos anos 1930, sob o domínio de Benito Mussolini e Adolf Hitler. Em nome de Deus e da pátria, esses regimes promoveram perseguições, censura, tortura e morte. Era a fé transformada em instrumento de opressão — exatamente como fizeram com Jesus.

Nesses movimentos, “Deus” servia para justificar o autoritarismo; “pátria”, para impor o nacionalismo cego; e “família”, para reprimir qualquer ideia que fugisse do padrão que o poder queria manter. São ideologias que sempre temeram a liberdade e a igualdade, porque sabem que o povo consciente é o fim de seus privilégios.

A manipulação do sagrado

Há uma contradição evidente nesses grupos: falam em nome de Deus, mas suas ações são contrárias ao evangelho. Jesus pregou o amor, o perdão, a compaixão e a partilha. Já os que se dizem defensores da “fé” dentro da política pregam o ódio, a exclusão, o armamento, a intolerância e o desprezo pelos mais pobres. Usam a Bíblia como bandeira, mas não a leem com o coração — leem como quem busca justificar o poder e não servir à verdade.

Quando líderes políticos usam o nome de Deus para ganhar votos, estão repetindo o mesmo erro — ou o mesmo crime — de Pilatos, Caifás, Benito Mussolini e Adolf Hitler: usam a fé como ferramenta de manipulação. Assim como os líderes religiosos da época de Jesus temiam perder o controle sobre o povo, hoje também muitos líderes da extrema-direita temem perder seu domínio sobre as mentes e corações dos fiéis.

A insanidade do fanatismo

A direita e a extrema-direita vivem uma obsessão perigosa: acreditam que quem não está com eles está “fora de tudo”. Esse pensamento divide, destrói, exclui. É o mesmo espírito que levou à crucificação — o medo de quem pensa diferente, o ódio a quem questiona o poder. São pessoas presas ao passado, que confundem fé com imposição e confundem pátria com propriedade. Querem mandar no corpo, na fé, no voto e até no pensamento dos outros.

O verdadeiro cristão não se guia por slogans, mas por atitudes.
Quem realmente segue Jesus não levanta bandeira de ódio, não apoia injustiças e não defende tiranos. O que vem da direita e extrema-direita não tem nada de divino: tem o cheiro velho do autoritarismo, o mesmo que há dois mil anos condenou o homem que pregava apenas o amor.

Conclusão: A história se repete

A condenação de Jesus não foi apenas um episódio religioso — foi um ato político, um julgamento manipulado para satisfazer o poder da época. E quando observamos o cenário atual, percebemos que pouco mudou.
A mesma mentalidade que crucificou o justo ainda vive disfarçada em discursos moralistas, em templos, em palanques e nas redes sociais. Mudaram os nomes, os rostos, as roupas — mas a essência da direita e da extrema-direita continua a mesma: o medo do amor e da liberdade.

Por isso, compreender a história não é apenas olhar para o passado — é um ato de vigilância. Enquanto houver quem use o nome de Deus para dominar, quem desvirtue a fé para oprimir, e quem lave as mãos diante da injustiça, a cena de Pilatos continuará se repetindo, e Cristo continuará sendo crucificado todos os dias — nas periferias, nos pobres, nos diferentes, nos oprimidos e em todos os que ousam pensar com o coração livre.

O Caminho dos Humildes e a Escolha que Define o Lado de Deus

Os humildes, os pobres, os trabalhadores, os sonhadores que carregam nas costas o peso da vida e a esperança de um futuro melhor — esses jamais deveriam se deixar enganar pelos discursos da direita e da extrema-direita. Esses grupos nunca caminharam ao lado do povo, nunca sentiram a dor da fome, nunca entenderam o valor de um prato de comida ou de um salário justo. Falam em “Deus”, mas vivem de enganar; falam em “família”, mas desprezam as famílias simples; falam em “pátria”, mas vendem o país ao primeiro interesse que lhes convém.

Os que labutam de sol a sol, os que sonham com uma casa, com saúde, com escola, com dignidade, devem lembrar sempre de onde vêm e por quem lutam.
Porque foi nas mãos dos humildes que Jesus caminhou, foi na mesa dos simples que Ele partiu o pão, e foi pelos pobres que Ele deu a vida. Seguir a direita ou a extrema-direita é esquecer essa verdade. É voltar ao tempo de Pilatos, de Caifás, e de todos os que condenaram o justo para salvar o poder.

Quem acredita em Jesus não pode caminhar ao lado de quem o crucificaria de novo. Quem tem fé no amor e na justiça não pode apoiar quem faz da fé um instrumento de mentira.

O trabalhador, o agricultor, o estudante, a mãe de família, o sonhador que busca dias melhores — todos esses pertencem ao povo de Deus, e não ao exército da intolerância. O verdadeiro cristão não se curva diante do ódio. O verdadeiro patriota não destrói seu próprio povo. E o verdadeiro homem de fé sabe que Jesus jamais escolheria o lado dos ricos e poderosos que exploram os pobres em nome de Deus.

Há um ensinamento simbólico e profundo que muitos ignoram: Jesus sentou-se à direita de Deus porque o coração dele está do lado esquerdo. Assim, Deus protege o coração — a essência, o amor, a compaixão — e não os pensamentos doidos e egoístas de alguns que falam em Seu nome sem entender o que dizem.
Se Jesus estivesse sentado à esquerda, o coração dele estaria à deriva, como o de tantos que perderam o rumo. Mas Ele está à direita, para que o coração permaneça guardado em Deus, e não contaminado pelos delírios de poder e vaidade humana.

Por isso, é preciso dizer com firmeza: Quem segue a direita ou a extrema-direita, mesmo que não pratique o mal diretamente, comete o erro de pertencer à mesma quadrilha que condenou Cristo. Pode não bater o prego na cruz, mas ajuda a segurá-la.
Pode não levantar a voz do ódio, mas permanece em silêncio enquanto a injustiça fala por ele.

Que cada um olhe para dentro de si e lembre: Deus está com os humildes, com os que têm mãos calejadas, corações limpos e fé sincera. Jesus está com os que buscam a verdade, não com os que a usam para dominar. E enquanto houver quem escolha o amor em vez do medo, a solidariedade em vez do lucro, e a justiça em vez da conveniência — o Reino de Deus continuará vivo entre nós.





 

sexta-feira, 10 de outubro de 2025

“A Cidade que Reflete o Povo

Hoje trago uma reflexão que reúne comentário, crítica, sugestão e análise sobre a forma como nossa cidade vem sendo administrada ao longo dos anos. É uma tentativa simples de manifestar aquilo que muitos cidadãos percebem, mas poucos expressam com clareza: a sensação de que os mandatos passam, mas os problemas permanecem.

Há muito tempo nossa cidade elege prefeitos e mais prefeitos — cada um com sua aparência, seu caráter, seus desejos e suas ambições. Alguns chegam com vontade de trabalhar, deixam obras e resultados que melhoram a vida das pessoas. Conheci alguns assim, que realmente mostraram serviço. No entanto, há também os que nada fazem de útil: assumem o cargo apenas para garantir um bom salário, desfrutar do poder e, muitas vezes, destruir o que outros fizeram antes. Há ainda os que vencem a eleição, festejam e somem, esquecendo completamente dos bairros que prometeram visitar. Durante a campanha, correm de casa em casa atrás de voto; depois de eleitos, desaparecem.

Prometem planos e projetos para tudo — saúde, educação, infraestrutura, lazer — mas, uma vez no poder, os planos ficam à deriva. São tantos cargos de confiança distribuídos por favores políticos que, ao final, muitos gestores nem sabem para que servem. É o velho jogo do poder: garantir influência e aliados, em vez de garantir resultados. Em muitos casos, fazem acordos políticos tão amplos quanto o inferno, que depois não conseguem cumprir. O povo, por sua vez, precisa parar de agir como mero espectador. Deve compreender, de forma legal e consciente, que se um prefeito não cumpre sua função de melhorar a vida do cidadão, não deve continuar. O voto precisa deixar de ser um cheque em branco.

Há quem diga que o problema está nos partidos. Seria o partido o culpado pela má administração? A resposta é não. No Brasil, segundo entendimento predominante da Justiça Eleitoral, o mandato dos cargos majoritários — como prefeitos, vice-prefeitos, governadores, presidentes e senadores — é pessoal, ou seja, pertence ao eleito, e não ao partido. Isso significa que o prefeito pode trocar de partido a qualquer momento, inclusive logo após vencer a eleição, sem perder o mandato. Já a regra da fidelidade partidária, que pode levar à perda do cargo, vale apenas para cargos proporcionais — como vereadores e deputados — porque, nesses casos, a vaga pertence ao partido, e não ao indivíduo. Assim, o povo precisa compreender que o prefeito é “dono” do próprio mandato. Ele usa o partido como plataforma para se eleger, e depois, muitas vezes, o abandona. Portanto, a culpa não está necessariamente nos partidos, mas nas pessoas que os representam e nas escolhas que o eleitor faz.

Voltando à nossa cidade, é inegável que alguns prefeitos deixaram marcas positivas: obras públicas, limpeza urbana, reformas, ou pequenas melhorias que trouxeram dignidade a certas áreas. Porém, outros nada fizeram — ou pior, causaram retrocessos. Um exemplo é a destruição das árvores das ruas e praças. Em vez de preservar ou replantar, preferiram cortar e queimar em olarias, ignorando completamente a importância ambiental dessas árvores. Se ao menos tivessem o cuidado de analisar o estado das árvores, poderiam substituir as doentes e manter o equilíbrio ecológico. Mas não: o que prevaleceu foi o descuido e o improviso. A cidade perde beleza, sombra e qualidade do ar — e o povo perde o direito a um ambiente saudável.

Essas atitudes refletem uma forma de governar baseada na pressa e na falta de planejamento. Muitos projetos são iniciados sem estudo técnico, sem análise de impacto, sem considerar o custo-benefício. Destrói-se algo antes mesmo de pensar no que será colocado no lugar. Resultado: desperdício de dinheiro público e obras que não resolvem o problema nem no presente, nem no futuro. O correto seria realizar diagnósticos sérios, consultas públicas e análises ambientais e urbanísticas antes de mexer no que existe. Assim se evita o desperdício e se constrói com responsabilidade.

Cabe ao cidadão compreender que a responsabilidade de mudar essa realidade é coletiva. É dever do povo acompanhar de perto as ações da administração pública, fiscalizar gastos e exigir transparência. Cada cidadão pode e deve observar o que acontece em seu bairro, cobrar explicações, participar de audiências públicas, acompanhar portais da transparência e denunciar irregularidades quando necessário. O poder público só funciona plenamente quando o povo deixa de ser passivo e se torna vigilante.

A Justiça Eleitoral, em várias decisões, reforça que a infidelidade partidária não afeta o mandato de cargos majoritários, justamente porque o voto é dado à pessoa e não ao partido. No entanto, essa autonomia traz uma responsabilidade maior: o prefeito que se elege com o apoio de uma sigla, de uma bandeira e de um discurso, deve honrar a confiança depositada pelo povo — e não a usar apenas como degrau para benefícios pessoais. É essa falta de compromisso ético que corrói a política municipal.

Infelizmente, ainda vemos atitudes administrativas pautadas pela vaidade, pela pressa e pela troca de favores. E o mais grave: destrói-se o que foi feito antes apenas para “mostrar serviço” e serviço ruim. Sem um estudo profundo, sem um planejamento sério, sem visão de longo prazo, as gestões passam, os erros se repetem, e o progresso se atrasa. Um livro de mil páginas seria pouco para relatar tudo que já foi feito errado em nome da vaidade política.

Por tudo isso, o cidadão precisa aprender a votar com consciência e acompanhar quem elege. Fiscalizar é um ato de amor à cidade. O poder pertence ao povo, e não aos políticos. E enquanto o povo não compreender isso, continuará sendo usado como escada para os interesses de quem só pensa em si mesmo. É preciso romper esse ciclo — exigindo seriedade, planejamento e respeito por aquilo que é público. Afinal, governar é servir, não se servir.

Um exemplo aparentemente simples, mas que revela um erro grave e absurdo, foi o entupimento de córregos com tubos de latão. Essa solução, além de tecnicamente equivocada, mostrou-se totalmente ineficiente com o passar do tempo. O latão, por ser um metal sujeito à corrosão, apodrece tanto por cima quanto por baixo, causando infiltrações e desmoronamentos. O resultado é previsível: com o tempo, o solo cede, o leito do córrego se deforma e os alagamentos aumentam. A solução correta seria reabrir os córregos, devolvendo-lhes o curso natural, como era no passado. As chuvas — cada vez mais intensas e imprevisíveis — precisam de espaço para escoar. Canalizar com materiais frágeis e de baixa durabilidade é apenas adiar um problema que cresce a cada ano. Em vez de “tampar a ferida”, seria melhor permitir que a natureza trabalhasse como sempre fez, com canais abertos, vegetação nas margens e drenagem adequada.

Outro equívoco recorrente é a falta de planejamento no trânsito urbano. A cidade continua com as mesmas ruas estreitas e mal dimensionadas desde sua criação, mas o número de veículos multiplicou-se. O resultado é um trânsito caótico. Não existe milagre para resolver isso, apenas organização e disciplina. Uma das saídas mais práticas seria implantar mão única em ruas de maior movimento, controlar rigorosamente a velocidade e reforçar a sinalização com faixas, placas, semáforos e lombadas. Além disso, o uso de placas de “PARE” e outra em praticamente todas as esquinas aumentaria a segurança e reduziria acidentes. Quem não quiser respeitar regras e limites de velocidade, que deixe seu automóvel na garagem. O trânsito melhora com responsabilidade coletiva, e não com a ilusão de que basta “abrir mais ruas” ou “construir mais estacionamentos”. O problema é cultural: todos querem ter seu carro e circular ao mesmo tempo, sem pensar nas consequências.

Mais grave ainda é a obsessão pelo “progresso” a qualquer custo, que leva muitos gestores a destruir o que tem valor histórico, cultural e ambiental. É um erro inaceitável demolir estruturas centenárias — como praças, jardins ou casarões,— para dar lugar a vagas de estacionamento. Isso não é progresso, é retrocesso disfarçado de modernização. Antes de destruir, é preciso analisar profundamente o impacto da intervenção e buscar alternativas inteligentes para resolver o problema sem apagar a história da cidade.

Em grande parte, o caos urbano não é causado pelos visitantes ou turistas, mas pelos próprios moradores — especialmente profissionais como comerciantes, médicos, advogados e funcionários de escritórios — que chegam pela manhã, estacionam seus carros e os deixam ali o dia inteiro. Muitos desses trabalhadores moram a menos de 200 metros do local de trabalho, mas insistem em ir de carro, ocupando vagas que poderiam servir para quem realmente precisa, como pessoas de outras cidades ou clientes de passagem.

Uma das soluções mais inteligentes e sustentáveis para reduzir o caos é o fortalecimento do transporte coletivo, especialmente o sistema de ônibus municipais. Em vez de incentivar o uso individual do automóvel, que ocupa muito espaço e transporta poucas pessoas, as cidades deveriam investir em transporte público de qualidade, eficiente e acessível.

O problema é que, na maioria das cidades pequenas e médias, o transporte coletivo é visto como um “mal necessário”, e não como parte da solução. Uma gestão responsável deveria encarar o transporte coletivo como prioridade. Um bom sistema de ônibus pode tirar centenas de carros das ruas diariamente. Para isso, é preciso um conjunto de medidas práticas.

Esses hábitos individuais de cada um geram impactos coletivos: aumentam o congestionamento, dificultam o estacionamento e poluem o ambiente. Bastaria que cada um refletisse um pouco e deixasse o carro em casa quando possível. Caminhar curtas distâncias traria benefícios à saúde, ao trânsito e ao clima. Mas, infelizmente, prevalece a vaidade — a necessidade de “mostrar o possante” — e a cidade paga o preço disso.

Existem soluções simples e eficazes para essa questão. Uma delas seria a implantação de áreas de estacionamento rotativo, como a “zona azul”, onde o motorista paga pelo tempo de uso da vaga. Isso inibiria o uso prolongado e obrigaria os ocupantes fixos a repensarem seus hábitos. Outra alternativa seria criar estacionamentos mensais pagos, próximos às áreas comerciais, para profissionais que realmente precisam deixar o carro por mais tempo. Com essas medidas, haveria melhor aproveitamento dos espaços e, ao mesmo tempo, menos destruição. De nada adianta derrubar praças e árvores para criar novas vagas, pois o ganho seria mínimo — talvez 50% de aumento — e ainda assim às custas da perda do verde, da história e da qualidade de vida.

Pesquisas urbanas mostram que cerca de 70% dos motoristas que circulam diariamente pelas cidades moram a menos de um quilômetro do trabalho. Isso significa que boa parte dos congestionamentos e da falta de vagas é causada pelo uso desnecessário do automóvel. Se esses cidadãos deixassem seus veículos em casa, estariam fazendo um bem duplo: ao próximo, que precisa estacionar; e a si mesmos, pela atividade física e o bem-estar que a caminhada proporciona.

Como disse antes, eu poderia escrever um livro inteiro relatando tantos absurdos cometidos em nome do progresso. Falta sensatez, planejamento e amor pela cidade. Tudo isso que comento aqui é, ao mesmo tempo, crítica, sugestão e alerta. Governar exige equilíbrio entre crescimento e preservação — entre o moderno e o histórico, entre o concreto e o humano. Infelizmente, muitos dos que tomam decisões públicas destroem com as próprias mãos o que a humanidade construiu com esforço e tempo — e ainda acreditam que estão fazendo o bem. Isso é a verdadeira hipocrisia.

O verdadeiro progresso não se mede por quantas árvores foram cortadas, quantas praças foram cimentadas ou quantos carros cabem no centro da cidade. Mede-se pela qualidade de vida, pela beleza preservada e pela harmonia entre pessoas e natureza. Enquanto o ser humano não entender isso, continuará cavando o próprio buraco — debaixo do pretexto de estar “evoluindo”.

Para encerrar está reflexão, deixo uma orientação que serve como convite à consciência coletiva: a cidade é o espelho fiel de seus habitantes. Nenhum prefeito, governador ou administrador é capaz de transformar uma cidade sozinho, porque o verdadeiro progresso começa na base — na conduta de cada cidadão. De nada adianta exigir honestidade, se o próprio povo se cala diante do errado. De nada adianta cobrar limpeza, se continuamos jogando lixo nas ruas. E tampouco adianta pedir trânsito organizado, se cada um quer ter o privilégio de dirigir sem respeitar regras, sem paciência, sem gentileza.

Cada cidadão é uma peça essencial do todo urbano. O trânsito, as praças, os córregos, as árvores, — tudo isso forma um organismo vivo que precisa de cuidado e respeito. Quando cortamos uma árvore à toa, quando entupimos um córrego, quando destruímos um patrimônio histórico, não estamos apenas alterando o espaço físico, estamos ferindo a própria identidade da cidade. E quando o morador aceita calado, contribui com o mesmo erro.

O progresso verdadeiro não nasce do cimento nem do asfalto. Ele floresce da consciência, da educação, da empatia e da responsabilidade. A cidade precisa de líderes que planejem com sabedoria, mas também de cidadãos que participem, fiscalizem e colaborem, principalmente os vereadores, que também não agem em nada. É preciso aprender a votar com razão e não por emoção, a acompanhar as obras e gastos públicos, e a entender que cobrar é um dever, não um favor.

Se quisermos um futuro melhor, devemos substituir a pressa pela reflexão, o descuido pela prevenção e a indiferença pelo envolvimento. Deixar o carro em casa quando possível, andar a pé, usar o transporte público, preservar o verde, respeitar a história e valorizar o que já existe são atitudes simples, mas poderosas.

Uma cidade só evolui quando seu povo amadurece. E amadurecer significa compreender que progresso não é barulho, destruição e vaidade — é equilíbrio, respeito e convivência harmoniosa. Quando cada um fizer a sua parte, as ruas serão mais humanas, os rios voltarão a respirar, e o espaço urbano deixará de ser um campo de disputa para se tornar um lugar de convivência, orgulho e esperança.

Porque, no fim das contas, o futuro da cidade não está nas mãos de quem governa, mas no coração de quem nela vive.