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segunda-feira, 21 de setembro de 2026

AS 20 CASAS DE CÁSSIA: PROJETO EXISTE, TERRENO EXISTE, LICITAÇÃO TERMINOU — ENTÃO POR QUE AS OBRAS AINDA NÃO COMEÇARAM?

 



AS 20 CASAS DE CÁSSIA: PROJETO EXISTE, TERRENO EXISTE, LICITAÇÃO TERMINOU — ENTÃO POR QUE AS OBRAS AINDA NÃO COMEÇARAM?

 

Programa prevê 20 unidades habitacionais no Residencial Novo Mundo, mas, até agora, não há casas sendo construídas. Entenda o que já aconteceu, o que está comprovado e o que ainda precisa ser esclarecido.

 

A promessa de 20 novas casas populares em Cássia, dentro do programa Minha Casa, Minha Vida — FNHIS Sub 50, desperta esperança em famílias que aguardam há anos por uma oportunidade de conquistar a casa própria.

 

Mas existe uma pergunta que precisa ser feita de forma objetiva:

Se o município já tem área destinada ao empreendimento, se existe um Termo de Compromisso com a União/CAIXA e se a própria Prefeitura já realizou uma concorrência para contratar a empresa responsável pela construção, por que as obras ainda não começaram?

Essa é uma pergunta legítima.

E a resposta precisa ser dada com documentos, não com promessa política, especulação ou informação compartilhada nas redes sociais.

Foi consultado os registros públicos disponíveis e separado o que está oficialmente documentado daquilo que ainda não está suficientemente esclarecido.

 

AS 20 CASAS EXISTEM OU SÃO APENAS UMA PROMESSA?

O projeto existe formalmente.

A Prefeitura de Cássia publicou edital específico para a produção de 20 unidades habitacionais no Loteamento Residencial Novo Mundo, vinculadas ao Termo de Compromisso nº 996008/2025/MCIDADES/CAIXA.

O edital foi publicado em junho de 2026 e estabeleceu uma Concorrência Eletrônica para contratar empresa especializada para executar o empreendimento. A disputa ocorreu em 23 de junho de 2026.

O próprio portal oficial da Prefeitura registra posteriormente a situação da licitação como “Concluído”, em 9 de julho de 2026.

Portanto, não se trata simplesmente de uma ideia ou de uma promessa lançada sem qualquer procedimento administrativo.

Existe um processo formal para a construção das unidades.

Mas isso também não significa que as casas já estejam garantidas fisicamente no terreno.

Uma licitação concluída não é a mesma coisa que uma obra concluída — nem necessariamente significa que a construção já tenha começado.

É justamente aí que está o ponto central.

 

O TERRENO TAMBÉM JÁ EXISTE

Outro aspecto importante é que a área destinada ao empreendimento não surgiu agora.

A legislação municipal já registra áreas no Loteamento Residencial Novo Mundo destinadas a finalidades relacionadas à política habitacional.

Em legislação publicada pela Prefeitura, por exemplo, consta a área institucional localizada no Residencial Novo Mundo, com matrícula registrada no cartório imobiliário local.

Além disso, no procedimento realizado pela Prefeitura em 2024 para seleção de empresa do ramo da construção civil, aparecem entre os documentos do processo matrículas de lotes do Novo Mundo e documentação relacionada à doação de áreas.

Ou seja: não estamos diante de um projeto que ainda precisa começar procurando onde serão construídas as casas.

Há área identificada e documentação municipal relacionada ao empreendimento.

 

E DE ONDE VEM O DINHEIRO?

As 20 unidades estão inseridas no Minha Casa, Minha Vida — FNHIS Sub 50.

FNHIS significa Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social.

O Ministério das Cidades explica que essa modalidade foi criada para apoiar municípios com população de até 50 mil habitantes na produção ou aquisição de unidades habitacionais destinadas principalmente às famílias enquadradas na Faixa Urbano 1 do Minha Casa, Minha Vida.

No processo de 2025, o Ministério das Cidades estabeleceu as regras para seleção das propostas e determinou que os recursos fossem repassados mediante Termo de Compromisso firmado entre o ente público e a mandatária da União.

No caso de Cássia, o empreendimento aparece vinculado ao Termo de Compromisso nº 996008/2025/MCIDADES/CAIXA.

Portanto, é correto afirmar que existe uma formalização do empreendimento dentro da política habitacional federal.

 

MAS ATENÇÃO: RECURSO PREVISTO NÃO É A MESMA COISA QUE CASA CONSTRUÍDA

É importante fazer essa distinção.

Quando uma proposta é selecionada e existe um Termo de Compromisso, isso significa que o empreendimento entrou no processo oficial de execução do programa.

Não significa que, naquele momento, o dinheiro já tenha sido integralmente utilizado nem que as casas estejam prontas para serem entregues.

A execução ainda depende do cumprimento das etapas administrativas, técnicas, contratuais e financeiras previstas para o empreendimento.

É justamente por isso que a população precisa acompanhar não apenas os anúncios, mas também:

contrato com a empresa;

ordem de início da obra;

cronograma físico-financeiro;

medições;

pagamentos;

fiscalização;

andamento físico da construção;

eventual liberação de parcelas;

conclusão e entrega das unidades.

 

A LICITAÇÃO DE 2026 É UM DOS PONTOS MAIS IMPORTANTES

Aqui existe uma correção necessária em relação a informações que podem estar circulando.

Em março de 2024, a Prefeitura realizou um procedimento para selecionar empresa interessada na produção de habitações no município. O processo foi concluído e incluía documentação relacionada a lotes do Residencial Novo Mundo.

Entretanto, a contratação específica das 20 unidades foi colocada em uma nova licitação em 2026.

A Prefeitura publicou a Concorrência Eletrônica nº 3/2026, Processo nº 77/2026, cujo objeto era exatamente:

“Contratação de empresa especializada para produção de 20 unidades habitacionais no Loteamento Residencial Novo Mundo conforme Termo de Compromisso 996008/2025/MCIDADES/CAIXA.”

A sessão foi marcada para 23 de junho de 2026 e o processo passou a constar como concluído em 9 de julho de 2026.

Isso é muito importante.

Porque significa que a administração municipal não estava, em julho de 2026, apenas esperando uma licitação para decidir quem faria a obra.

A licitação específica já havia terminado.

 

ENTÃO POR QUE AS CASAS AINDA NÃO COMEÇARAM?

Aqui está a parte mais delicada — e que exige responsabilidade.

Os documentos públicos consultados comprovam a existência do empreendimento e a conclusão da concorrência, mas não permitem afirmar, sem uma manifestação oficial atualizada, qual é exatamente o motivo pelo qual as obras ainda não começaram.

A Prefeitura precisa esclarecer publicamente em que etapa o empreendimento se encontra hoje.

Entre as informações que precisam ser verificadas estão:

A empresa vencedora já foi oficialmente contratada?

A conclusão da licitação é uma etapa. É necessário verificar o contrato decorrente dela e sua publicação.

Já foi emitida a ordem de início dos serviços?

Sem ordem de início, uma empresa contratada pode ainda não estar autorizada a começar a execução.

A Caixa Econômica Federal já aprovou todos os documentos técnicos necessários?

É preciso saber se projetos, orçamento, documentação e demais elementos técnicos já foram considerados aptos para o início da execução.

Houve alguma pendência documental ou técnica?

Se existe alguma pendência, a população tem direito de saber qual é.

O recurso está disponível para a execução?

Também é importante informar se os recursos estão empenhados, contratados e em condições de serem utilizados conforme o cronograma.

Qual é a previsão oficial para o início das obras?

Essa talvez seja a pergunta mais simples — e uma das mais importantes.

Até que essas respostas sejam apresentadas, dizer que as obras não começaram exclusivamente por causa de uma determinada pendência seria transformar uma hipótese em fato.

 

E AS FAMÍLIAS? QUEM VAI RECEBER AS CASAS?

Outro ponto que merece atenção é a seleção dos futuros beneficiários.

O FNHIS Sub 50 atende famílias enquadradas nas regras do Minha Casa, Minha Vida para a faixa de renda correspondente ao programa. O Ministério das Cidades estabelece critérios para o atendimento habitacional.

Mas não é correto afirmar que todas as pessoas que fizeram um cadastro antigo para o Minha Casa, Minha Vida automaticamente receberão uma dessas 20 casas.

Será necessário acompanhar o procedimento específico de seleção dos beneficiários e as regras que serão divulgadas pelo município.

Portanto, quem tem interesse deve acompanhar os canais oficiais da Prefeitura e não confiar em listas, mensagens ou promessas que não estejam respaldadas por publicação oficial e documentada.

 

E A ELEIÇÃO AGORA? AS CASAS PODEM NÃO SAIR DEPOIS?

Essa é uma preocupação que provavelmente está na cabeça de muita gente.

Em 2026 haverá eleições gerais no Brasil. Mas é preciso separar fato de especulação.

A existência de uma eleição, por si só, não cancela automaticamente um empreendimento habitacional que esteja formalmente contratado ou em execução.

Da mesma maneira, ninguém pode garantir antecipadamente que uma obra será concluída apenas porque foi anunciada, selecionada ou licitada.

O que realmente importa é o estágio jurídico, contratual, financeiro e físico do empreendimento.

Por isso, quanto mais próxima a eleição, maior deve ser a atenção da população.

Não para acusar antecipadamente qualquer administração de abandonar o projeto, mas para acompanhar os documentos.

Se a obra começar, deverá haver evidências: canteiro instalado, trabalhadores, materiais, medições, fiscalização e evolução física.

Se não começar, também é legítimo perguntar:

Por quê?

 

O QUE JÁ ESTÁ COMPROVADO?

Até o momento, os documentos públicos consultados permitem estabelecer uma linha do tempo: em 2024. A Prefeitura realizou procedimento para seleção de empresa interessada na produção de habitações, com documentação envolvendo lotes do Residencial Novo Mundo. O processo foi concluído em março daquele ano.

Em 2025. O empreendimento de Cássia passou a estar vinculado ao processo federal do Minha Casa, Minha Vida — FNHIS Sub 50, e o atual Termo de Compromisso citado pela Prefeitura é o 996008/2025/MCIDADES/CAIXA.

Junho de 2026. A Prefeitura publicou a Concorrência Eletrônica nº 3/2026, especificamente para a produção das 20 unidades no Residencial Novo Mundo.

23 de junho de 2026. Foi realizada a sessão da concorrência.

9 de julho de 2026. O processo passou a constar no portal municipal como concluído.

Agora setembro de 2026. A população continua sem ver as 20 casas construídas no local.

E é exatamente neste ponto que surge a pergunta que precisa ser respondida pela administração municipal:

O QUE ESTÁ FALTANDO PARA A OBRA COMEÇAR?

 

NÃO É FAKE NEWS — MAS TAMBÉM NÃO É HORA DE TRATAR A CASA COMO ENTREGUE

Há dois erros que precisam ser evitados.

O primeiro seria afirmar:

“As casas são apenas promessa.”

O projeto existe e há um processo oficial para a construção das 20 unidades.

O segundo erro seria afirmar:

“As 20 casas já estão garantidas e serão entregues em breve.”

Isso também não pode ser afirmado neste momento. Enquanto as obras não começarem efetivamente e não houver um cronograma oficial de execução e conclusão, não é possível garantir quando — ou mesmo se — as 20 unidades serão efetivamente entregues às famílias.

O que existe hoje é um empreendimento habitacional formalmente constituído, com terreno destinado ao projeto, Termo de Compromisso e licitação específica concluída. Mas uma coisa é o projeto estar formalizado; outra, muito diferente, é a obra estar efetivamente em execução.

Até que as máquinas entrem no terreno, a construção comece e o empreendimento avance de acordo com o cronograma previsto, as casas continuam sendo uma obra a ser executada — e não casas prontas ou entregues.

Essa diferença é fundamental, principalmente porque estamos em período eleitoral. A população não deve considerar a casa como certa apenas porque foi anunciada, nem concluir que ela não será construída apenas porque a obra ainda não começou. O correto é acompanhar os documentos, a contratação, a ordem de serviço e o avanço físico da obra.

 

A POPULAÇÃO TEM O DIREITO DE SABER

A questão não é ser contra ou a favor da Prefeitura.

Também não é atacar ou defender político.

É simplesmente acompanhar o dinheiro público e um projeto que envolve o sonho de 20 famílias.

Se o processo está caminhando normalmente, a Prefeitura pode informar: qual empresa venceu, se o contrato já foi assinado, quando será emitida a ordem de serviço e qual é a data prevista para o início da construção.

Se existe alguma pendência, também é importante informar: qual é a pendência, quem precisa resolvê-la e qual é a previsão para sua solução.

Transparência não significa apenas anunciar que um município foi contemplado.

Transparência também significa explicar por que, depois de tantos anúncios e etapas administrativas, ainda não existe uma casa sendo levantada no terreno.

 

CONCLUSÃO: O PROJETO EXISTE. AGORA FALTA A OBRA APARECER

As 20 casas previstas para Cássia não podem ser tratadas simplesmente como uma promessa sem qualquer respaldo documental.

Há registros oficiais de área habitacional, há o Termo de Compromisso citado no edital municipal e houve uma concorrência específica para contratar a empresa responsável pela produção das unidades.

Mas também seria precipitado dizer que o problema está resolvido.

Licitação concluída não é casa construída.

Terreno disponível não é obra iniciada.

Recurso previsto não é imóvel entregue.

E anúncio político não substitui cronograma, contrato, fiscalização e execução.

Agora, a pergunta mais importante não é mais se Cássia foi contemplada.

A pergunta é: em que etapa exatamente estão as 20 casas do Residencial Novo Mundo e quando, de fato, as máquinas entrarão no terreno?

Com as eleições de 2026 se aproximando, acompanhar essa resposta torna-se ainda mais importante.

Não para fazer acusação sem prova.

Não para criar expectativa falsa.

Mas para que a população possa distinguir, com clareza, o que já foi realizado, o que está em andamento e o que ainda falta sair do papel.

 

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

QUANDO RENUNCIAR PODE SER UM ATO DE RESPONSABILIDADE

QUANDO RENUNCIAR PODE SER UM ATO DE RESPONSABILIDADE

 


Cássia não precisa de promessas: precisa de planejamento, execução e responsabilidade

 

Administrar uma cidade não significa apenas ocupar uma cadeira de alcaide, assinar documentos ou anunciar obras.

Administrar significa planejar, estabelecer prioridades, acompanhar a execução, fiscalizar contratos, corrigir erros e, principalmente, garantir que aquilo que é básico para a população funcione.

Quando uma administração começa a acumular problemas em diferentes áreas, a discussão deixa de ser sobre uma obra específica ou uma secretaria isolada.

É preciso olhar para o conjunto e perguntar: há planejamento? Há acompanhamento? Há capacidade de execução? Há controle sobre aquilo que está sendo feito com o dinheiro público?

Em Cássia, os problemas que vêm sendo apontados publicamente pelos vereadores não se limitam a um único setor.

Há questionamentos envolvendo obras e serviços que precisam ser refeitos, passeios executados de maneira inadequada, praças que permanecem inacabadas ou apresentam problemas, intervenções no pavimento urbano que provocam questionamentos, dificuldades relacionadas ao fornecimento de medicamentos, transporte escolar, pagamentos e funcionamento de serviços públicos, além de despesas e contratações que precisam ser acompanhadas com atenção pela população e pelos órgãos de controle.

Cada situação pode ter uma explicação específica. Mas quando diferentes problemas aparecem ao mesmo tempo, surge uma questão maior: o problema está apenas na execução de determinadas tarefas ou existe uma deficiência mais ampla de planejamento e gestão?

O básico não pode ser tratado como luxo

Uma prefeitura não precisa começar pelas grandes obras para demonstrar que sabe administrar.

Antes de qualquer projeto grandioso, é preciso garantir o funcionamento do básico.

A população precisa de ruas em condições adequadas, limpeza urbana, medicamentos quando necessários, transporte de pacientes e escolar funcionando corretamente, praças cuidadas, obras bem executadas, fiscalização, atendimento público e utilização responsável dos recursos municipais.

Quando uma obra precisa ser refeita porque não foi adequadamente executada ou fiscalizada, não se perde apenas material. Perde-se dinheiro público, tempo e confiança.

Quando um serviço não funciona como deveria, quem paga a conta é o cidadão.

E quando uma administração não consegue identificar antecipadamente problemas que poderiam ser evitados com planejamento e fiscalização, o custo pode aumentar ainda mais.

O problema não é errar. É não corrigir.

Nenhuma administração pública está livre de problemas.

Uma obra pode apresentar defeito. Um contrato pode precisar de correção. Uma dificuldade financeira pode surgir. Uma emergência pode alterar prioridades.

O que diferencia uma administração responsável é a capacidade de perceber o problema, agir rapidamente, corrigir o erro e evitar que ele volte a acontecer.

O que não pode se tornar normal é gastar novamente para corrigir aquilo que poderia ter sido feito corretamente desde o início.

Também não se pode aceitar que a população seja obrigada a conviver indefinidamente com problemas que já foram apontados.

 

Planejamento custa menos do que improvisação.

Fiscalização custa menos do que refazer uma obra.

Prevenção custa menos do que reparar um problema agravado.

Cássia não pode pagar a conta no futuro!

O maior perigo de uma administração sem planejamento não está apenas no problema que aparece hoje.

Está no que pode acontecer amanhã.

Uma cidade pode continuar funcionando durante algum tempo mesmo acumulando decisões mal planejadas. O problema é que a conta chega depois.

Dívidas, contratos mal dimensionados, serviços deficientes, obras que precisam de reparos, despesas que poderiam ser evitadas e investimentos mal executados podem comprometer administrações futuras.

E quem assumirá a responsabilidade por essa conta?

Não será apenas quem estiver no gabinete naquele momento.

Será a população.

 

Por isso, administrar também significa pensar no município que será entregue daqui a dois, quatro, oito ou dez anos.

Uma prefeitura não pode ser conduzida apenas pensando no presente ou na próxima inauguração. É preciso pensar na sustentabilidade financeira, na qualidade dos serviços e naquilo que ficará para as próximas administrações.

Quando permanecer deixa de ser solução?

É nesse ponto que surge uma pergunta difícil, mas legítima:

 

Se um prefeito perceber que não possui condições de administrar adequadamente o município, insistir em permanecer no cargo será realmente a melhor decisão para a cidade?

O cargo de prefeito não é propriedade pessoal.

É uma função pública.

Quem assume essa responsabilidade recebe da população a missão de administrar recursos que pertencem ao município e prestar serviços que afetam diretamente a vida das pessoas.

Por isso, se chegar o momento em que um gestor reconhecer que não consegue organizar a administração, estabelecer prioridades, controlar despesas, acompanhar obras e garantir o funcionamento adequado dos serviços essenciais, RENUNCIAR PODE SER UMA ALTERNATIVA DE RESPONSABILIDADE INSTITUCIONAL.

Não seria necessariamente uma demonstração de fraqueza.

Pode ser justamente o reconhecimento de que a cidade precisa de outro caminho.

MELHOR RENUNCIAR DO QUE DEIXAR UM PROBLEMA MAIOR PARA A POPULAÇÃO

Continuar no cargo apenas para cumprir um mandato não deveria ser considerado, por si só, uma demonstração de responsabilidade.

Responsabilidade também pode significar reconhecer limites.

Se a permanência de um administrador representar a continuidade de uma gestão incapaz de corrigir problemas, de planejar adequadamente e de executar aquilo que a população necessita, então é preciso discutir se permanecer é realmente uma atitude responsável.

É melhor reconhecer que não está conseguindo administrar e abrir espaço para uma mudança de direção do que insistir até entregar uma cidade ainda mais comprometida.

Renunciar não apaga erros.

Não recupera dinheiro desperdiçado.

Não conserta uma obra mal executada.

Não devolve à população aquilo que deixou de receber.

MAS PODE IMPEDIR QUE DETERMINADOS PROBLEMAS CONTINUEM SE ACUMULANDO.

CÁSSIA PRECISA DE GESTÃO, NÃO DE IMPROVISAÇÃO

O que está em discussão não é simplesmente o nome de quem ocupa a Prefeitura.

É o modelo de administração.

Cássia precisa de planejamento, estrutura, conhecimento técnico, definição de prioridades, fiscalização, acompanhamento permanente e determinação para corrigir aquilo que estiver errado.

A população não pode ser obrigada a aceitar como normal aquilo que poderia ser evitado com uma administração organizada.

Também não se pode transformar cada problema em uma disputa política entre situação e oposição. Existem questões que deveriam estar acima dessa divisão: medicamento, transporte, limpeza, pavimentação, obras, moradias, segurança, educação, saúde, finanças e qualidade dos serviços públicos.

Esses problemas pertencem à cidade.

E a cidade pertence aos cidadãos.

Renunciar pode ser uma escolha difícil — mas continuar também tem consequências

Um prefeito eleito recebe uma oportunidade e uma responsabilidade.

Se consegue administrar, deve administrar.

Se encontra dificuldades, deve buscar soluções.

Se erra, deve corrigir.

Mas se, depois de sucessivos problemas, ficar demonstrado que não consegue conduzir adequadamente a administração municipal, também existe uma pergunta que precisa ser feita com seriedade:

Até quando a população deve pagar o preço da insistência?

Talvez, em determinadas circunstâncias, a atitude mais responsável não seja permanecer a qualquer custo.

Talvez seja reconhecer que a cidade precisa de outro caminho.

Porque ocupar o cargo até o último dia não é, por si só, uma prova de responsabilidade. Responsabilidade é deixar a cidade em condições de continuar avançando.

E se um gestor perceber que não consegue fazer isso, renunciar pode ser melhor do que permanecer enquanto os problemas se acumulam e transformar as dificuldades de hoje nas grandes dificuldades de amanhã.

Cássia não precisa de uma administração perfeita.

Precisa de uma administração que planeje, execute, fiscalize, corrija e entregue o básico que a população tem o direito de receber.

Se isso não estiver acontecendo, a pergunta não deveria ser apenas "por que está dando errado?"

A pergunta também precisa ser:

"Até onde vale a pena insistir antes que o preço da insistência seja pago por toda a cidade?"

 

A OCASIÃO FAZ O LADRÃO.

A OCASIÃO APENAS REVELA



Dizem que a ocasião faz o ladrão.

Talvez seja uma das frases mais repetidas e, ao mesmo tempo, mais injustas que inventamos para explicar o comportamento humano. Porque, se a ocasião realmente fizesse o ladrão, bastaria retirar a oportunidade e todos seriam honestos. Bastaria não deixar a porta aberta, não colocar o dinheiro sobre a mesa, não oferecer poder, não permitir que alguém tivesse acesso ao que não lhe pertence.

Mas não é assim que funciona.

A ocasião não fabrica caráter. Ela revela caráter.

O homem que encontra uma carteira cheia de dinheiro na rua e procura o dono não se tornou honesto naquele instante. Sua honestidade já estava dentro dele antes daquela carteira aparecer.

Da mesma maneira, aquele que encontra uma oportunidade de se apropriar do que não lhe pertence e o faz talvez não tenha sido transformado pela ocasião. Apenas encontrou o momento em que aquilo que escondia pôde vir à luz.

É curioso como somos capazes de julgar as pessoas pelo que fazem quando estão sendo observadas, mas o verdadeiro caráter talvez apareça justamente quando ninguém está olhando.

É na porta que poderia ser aberta sem que ninguém soubesse.

É no dinheiro que poderia ser levado sem deixar rastros.

É na mentira que poderia ser contada sem ser descoberta.

É no poder que poderia ser usado em benefício próprio.

É na oportunidade de fazer algo errado quando a certeza da impunidade parece maior que o medo da consciência.

É aí que o homem encontra a si mesmo.

E talvez seja esse o grande problema da vida: nós passamos muito tempo construindo uma imagem para os outros e pouco tempo examinando aquilo que realmente somos quando as aparências deixam de ter importância.

Há pessoas que parecem honestas porque nunca tiveram diante de si uma grande tentação.

Há pessoas que parecem generosas porque nunca precisaram escolher entre o próprio interesse e o interesse de alguém mais fraco.

Há pessoas que parecem corretas porque jamais tiveram poder suficiente para fazer aquilo que desejavam.

Por isso, algumas vezes, não conhecemos verdadeiramente uma pessoa até vê-la diante de uma oportunidade.

O poder é uma dessas ocasiões.

O dinheiro é outra.

A autoridade também.

E a política, como qualquer outro espaço onde existam poder, recursos e decisões que afetam a vida de outras pessoas, não deveria ser vista como uma fábrica de corruptos ou de honestos. Ela apenas coloca seres humanos diante de escolhas maiores e, muitas vezes, diante de tentações maiores.

Ninguém deveria dizer que uma pessoa se tornou corrupta simplesmente porque entrou na política. Uma afirmação assim seria tão fácil quanto superficial.

O que importa é observar o que ela faz depois que recebe o poder.

Porque o poder não deveria mudar os princípios de alguém. Deveria revelar a força desses princípios.

Quem defendia a honestidade quando não tinha nada a ganhar precisa continuar defendendo-a quando passa a ter muito a ganhar.

Quem falava em justiça quando era apenas espectador precisa continuar acreditando nela quando passa a ter condições de decidir.

E quem dizia que jamais faria aquilo que condenava nos outros precisa provar suas palavras justamente quando ninguém mais puder obrigá-lo a cumpri-las.

É nesse ponto que a vida deixa de ser discurso e passa a ser escolha.

Todos nós temos dentro de nós possibilidades que talvez nunca venhamos a conhecer. Podemos ser melhores do que imaginamos, mas também podemos descobrir fraquezas que jamais suspeitamos possuir.

Por isso, talvez seja perigoso acreditar demais em nós mesmos.

O caráter não é aquilo que declaramos possuir.

É aquilo que fazemos quando podemos escolher.

Não é a promessa de honestidade.

É a honestidade quando ninguém está conferindo.

Não é falar sobre justiça.

É agir justamente quando ser injusto seria mais conveniente.

Não é dizer que jamais roubaríamos.

É devolver aquilo que poderíamos facilmente guardar.

No fundo, a ocasião é apenas um espelho.

Ela não coloca dentro de nós aquilo que não existia. Apenas ilumina, por alguns instantes, aquilo que estava escondido na escuridão.

E talvez por isso algumas pessoas mudem de comportamento quando chegam ao poder, enquanto outras permanecem exatamente iguais.

Umas encontram uma oportunidade.

Outras encontram uma prova.

A diferença está na escolha.

Porque, no final das contas, não é a ocasião que pergunta quem somos.

Somos nós que respondemos, por meio de nossas atitudes.

E talvez a pergunta mais difícil que alguém possa fazer a si mesmo não seja:

“O que eu faria se tivesse a oportunidade?”

Mas:

“Quem eu seria se tivesse certeza de que ninguém jamais descobriria?”

É diante dessa pergunta que as máscaras começam a cair.

Porque a ocasião não faz o ladrão.

A ocasião apenas tira o disfarce.

domingo, 13 de setembro de 2026

Desperdício de recursos públicos: quando falta planejamento, fiscalização e responsabilidade

 A CIDADE DE CÁSSIA MG NÃO MERECIA SER NOTÍCIA NA TV OU EM TABLOIDES POR PROBLEMAS QUE PODERIAM TER SIDO EVITADOS. COM PLANEJAMENTO, ESTRUTURA, CONHECIMENTO, REGRAS, ACOMPANHAMENTO E DETERMINAÇÃO, MUITA COISA PODERIA SER DIFERENTE.

 


Desperdício de recursos públicos: quando falta planejamento, fiscalização e responsabilidade

 Há muito tempo venho denunciando, por meio das minhas matérias, situações que apontam para o desperdício de recursos públicos em diferentes setores da Prefeitura. E não estamos falando de um único problema ou de um caso isolado. São situações que, somadas ao longo, revelam um problema muito maior: a falta de planejamento, fiscalização, acompanhamento e responsabilidade na aplicação do dinheiro público.

São passeios públicos mal executados, ruas que precisam ter serviços refeitos pouco tempo depois, obras sem acabamento adequado, materiais de baixa qualidade e serviços que poderiam ter sido realizados corretamente desde o início se houvesse fiscalização eficiente.

Também existem praças que passam por intervenções e acabam ficando com serviços mal-acabados ou até mesmo com características que comprometem aquilo que já existia.

E os problemas não se limitam às obras.

Há reclamações e questionamentos envolvendo falta de medicamentos na farmácia, transporte escolar que deixa a desejar, profissionais da saúde sem receber em determinadas situações, além do crescimento de cargos de confiança com salários elevados, horas extras que precisam ser rigorosamente justificadas e analisadas e terceirizações qu

e, quando mal planejadas, podem representar um custo elevado para os cofres públicos sem entregar à população um serviço compatível com o valor pago.

Se fosse possível reunir todos esses episódios em um único documento, talvez o resultado fosse um livro de milhares de páginas.

Mas o problema central pode ser resumido em poucas palavras: quando uma administração não possui planejamento adequado, estrutura, conhecimento técnico, regras claras, acompanhamento e determinação para corrigir os erros, o resultado inevitavelmente aparece.

E quem paga essa conta?

A população.

Porque o dinheiro público desperdiçado em um serviço malfeito é dinheiro que deixa de ser aplicado em outra necessidade. Quando uma obra precisa ser refeita porque não foi fiscalizada corretamente, o município paga duas vezes. Quando se utiliza material inadequado, o problema reaparece. Quando uma contratação não é bem planejada, o custo pode aumentar enquanto a qualidade do serviço não acompanha.

E, depois, além das dívidas e dos compromissos que ficam para as administrações seguintes, fica também para a população a consequência de decisões que poderiam ter sido melhor planejadas.

Falta de aviso não foi.

Durante muito tempo, esses problemas vêm sendo apontados publicamente. O objetivo não é simplesmente criticar por criticar. É chamar a atenção para aquilo que precisa ser acompanhado, questionado e corrigido enquanto ainda existe tempo.

 

E onde entram os vereadores nessa história?

É justamente aqui que precisamos voltar a falar do papel do Poder Legislativo municipal.

Os vereadores não estão na Câmara apenas para votar projetos apresentados pelo Executivo. Eles também têm a responsabilidade de analisar, discutir, questionar e fiscalizar.

Quando o Executivo pretende realizar uma obra ou implantar determinado projeto, existe todo um processo que precisa ser analisado. Os vereadores devem conhecer a proposta, compreender seus objetivos, avaliar os custos e questionar de que maneira aquela iniciativa beneficiará a população, não apenas hoje, mas também no futuro.

A pergunta básica deveria ser:

Qual é o benefício real dessa decisão para a população? Quanto vai custar? Existe planejamento? O município tem condições de executar? O projeto é realmente necessário? E quais serão as consequências daqui a alguns anos?

Não basta simplesmente aprovar.

É preciso ler. É preciso entender. É preciso perguntar. É preciso fiscalizar.

Quando um vereador deixa de exercer esse papel e simplesmente aprova uma proposta sem uma análise adequada, ele também contribui para que decisões equivocadas avancem.

Por isso, a responsabilidade não pode ser colocada exclusivamente sobre o prefeito ou sobre sua equipe.

O Executivo administra, mas o Legislativo fiscaliza.

E quando a fiscalização não acontece como deveria, abre-se espaço para que erros, desperdícios e decisões mal planejados se acumulem.

Talvez esteja aí uma das razões pelas quais tantos problemas acabam se repetindo.

Uma cidade não chega a uma situação difícil de um dia para o outro. Ela vai chegando aos poucos, decisão após decisão, obra após obra, contrato após contrato, enquanto aqueles que deveriam fiscalizar deixam de fazer as perguntas que precisam ser feitas.

E quando finalmente a conta chega, quem paga não é o prefeito, não é o secretário e não é o vereador.

Quem paga é o cidadão.

Por isso, continuar apontando, mostrando fatos e fazendo perguntas não é ser contra a cidade.

É justamente o contrário. É defender o dinheiro público e exigir que ele seja utilizado em benefício da população.