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terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

EXISTE UM CAMINHO REAL PARA UM CARNAVAL MELHOR EM CÁSSIA MG — E ELE DEPENDE DE TODOS NÓS

 

EXISTE UM CAMINHO REAL PARA UM CARNAVAL MELHOR EM CÁSSIA MG — E ELE DEPENDE DE TODOS NÓS

 


Depois de tantas mensagens, comentários, opiniões e lembranças compartilhadas, uma certeza ficou evidente: o povo quer ver o Carnaval vivo novamente. Não apenas como uma festa maluca e cheia de confusões, mas como um verdadeiro encontro de alegria, tradição e convivência. Diante disso, surge uma visão concreta e possível de como pode funcionar um modelo de Carnaval em Cássia — um formato mais humano, participativo, seguro e também mais econômico.

Essa sugestão não nasce de crítica vazia, mas da escuta popular. O objetivo não é apontar erros do passado ou mesmo do presente, e sim demonstrar que existe solução para o futuro. O caminho não está em eventos cada vez mais caros e pesados, e sim em um modelo inteligente, cultural e bem organizado, que valorize o que sempre foi a essência do nosso Carnaval: o povo nas ruas, os blocos desfilando, as famílias participando e o samba que contagia e faz sorrir.

O Carnaval deve ser gratuito e realizado em circuito de rua organizado, com início no começo da noite e encerramento por volta da meia-noite, no máximo até 1h da madrugada. Esse detalhe muda tudo. Com horário definido, a festa ganha ritmo, disciplina e segurança. Não haveria necessidade de manter praças fechadas ou cercadas, pois o próprio fluxo natural se encerraria com o término dos desfiles. Ao final do cortejo, o público se dispersa tranquilamente, como acontecia antigamente, evitando aglomerações prolongadas e reduzindo riscos.

Esse formato diminui custos e melhora a segurança ao mesmo tempo. Com duração equilibrada e programação contínua, reduz-se a necessidade de estruturas excessivas, como grande quantidade de banheiros químicos ou montagens complexas. Eventos longos e estáticos exigem mais estrutura justamente porque as pessoas permanecem concentradas por horas no mesmo local. Já uma programação dinâmica, com início, meio e fim bem definidos, permite que o público participe, aproveite e retorne para casa com tranquilidade.

O mesmo princípio vale para estruturas caras e exageradas. Palcos gigantes, equipamentos enormes e montagens complexas elevam despesas sem necessariamente melhorar a qualidade cultural do evento. Um modelo mais leve, baseado em blocos em movimento e acompanhamento musical itinerante, utiliza estrutura funcional, reduz custos logísticos e melhora a circulação das pessoas, evitando pontos críticos de concentração.

Além disso, quanto menor o tempo de permanência enlevada do público, menor também a probabilidade de conflitos e desordens. A própria dinâmica do desfile passa a funcionar como mecanismo natural de organização: o cortejo passa, o público acompanha, celebra e segue. Essa rotatividade diminui a pressão sobre segurança, limpeza e atendimento, permitindo que esses serviços atuem de forma preventiva e eficiente, e não apenas reativa.

Na prática, isso representa um Carnaval mais seguro, mais leve, mais organizado e mais econômico — sem perder a alegria, a animação e o brilho cultural que tornam a festa especial. Quando o planejamento e a simplicidade caminham juntos, o resultado é melhor para todos: para quem participa, para quem trabalha e para toda a cidade.

Outro ponto fundamental é o protagonismo dos blocos carnavalescos. São eles que realmente dão vida ao Carnaval, fazem o público vibrar, cantar e se emocionar. Os blocos tradicionais devem ser fortalecidos, enquanto novos grupos devem ser incentivados a surgir. Com cadastro oficial, ordem de desfile e horários definidos, garante-se fluidez, evita-se atrasos e mantém-se a animação constante, sem intervalos que esfriem o clima.

Em vez da contratação de bandas com cachês elevados, que consomem grande parte do orçamento público em poucas horas de apresentação, esses recursos poderiam ser redistribuídos de forma mais estratégica e culturalmente produtiva. Direcionar esse investimento para blocos tradicionais e também para os novos grupos que vêm surgindo fortaleceria a base do Carnaval, incentivando a criatividade local, valorizando artistas da própria comunidade e ampliando a participação popular. Com esse modelo, o dinheiro deixaria de se concentrar em atrações pontuais e passaria a impulsionar toda a estrutura festiva, promovendo crescimento coletivo, identidade cultural e sustentabilidade financeira para a festa.

Como também para fortalecer ainda mais esses blocos, a sugestão inclui mobilização comunitária. Comerciantes, apoiadores e moradores podem colaborar voluntariamente com instrumentos, tecidos, adereços, apoio logístico ou patrocínios locais. Pequenas contribuições, somadas, tornam-se grandes conquistas. Assim, os blocos podem investir em figurinos, percussão, estandartes e identidade visual, elevando o nível artístico sem depender exclusivamente de recursos públicos.

Vou citar de onde vem o dinheiro usado pela Prefeitura para realizar o Carnaval e não surge de um fundo separado exclusivo para festas. Ele vem do orçamento geral do município, que é formado por várias receitas públicas. Em termos técnicos de finanças públicas municipais, as principais fontes são: Impostos municipais. Repasses dos governos estadual e federal. E Taxas e arrecadações locais. Que são previstos na Lei Orçamentária Anual (LOA) aprovada pela Câmara Municipal. Ou seja: o gasto não é improvisado — ele precisa estar autorizado no orçamento antes, então se o gasto é exagerado excessivamente em determinado setor e sem a fiscalização devida, a Câmara tem uma grande porcentagem de culpa em todos erros que se possa cometer a gestão, pois o orçamento anual aprovado pela Câmara Municipal define quanto cada área pode gastar. Se a Prefeitura decide gastar menos com festividades, existem três cenários possíveis a destinar a Verba livre. Se o dinheiro estiver em uma rubrica de cultura, turismo ou eventos sem vinculação obrigatória, ele pode ser remanejado para outras áreas — como: saúde, infraestrutura, assistência social, educação complementar, manutenção urbana. Esse remanejamento geralmente exige: decreto do prefeito ou autorização legislativa (dependendo do valor e da lei orçamentária).

Verba vinculada, alguns recursos públicos vêm com destino obrigatório por lei (ex.: parte da educação e da saúde) então esse recurso não pode ser usado em festividades, como o carnaval; é somente um exemplo, ou seja, se uma verba foi transferida por convênio específico para evento cultural, ela não pode simplesmente ser usada para outra finalidade. E porque citei essa parte onde fala de verba, pois um gestor de bom entendimento faria uma festividade simples com menos custos, e o não gasto da verba ou sobra, em pleno acordo envia se a verba as áreas mais necessitadas, como a saúde por exemplo.

Continuando com a sugestão:

Quando a própria comunidade participa da construção da festa, também passa a acompanhar de perto sua organização, fortalecendo a transparência e dificultando desperdícios ou gastos injustificados. Modelos simples e participativos reduzem brechas para despesas infladas, ou desviadas e aumentam a confiança popular.

As escolas também poderiam ter um papel essencial e fundamental. Em oficinas de música, dança, percussão e confecção de fantasias ao longo do ano, envolveriam crianças e jovens, despertando interesse pela cultura carnavalesca e garantindo continuidade para as próximas gerações. Dessa forma, o Carnaval deixa de ser apenas um evento anual e passa a ser um movimento cultural permanente que educa, integra e fortalece a identidade local.

Empresas locais podem apoiar blocos específicos, fortalecendo simultaneamente a festa e o comércio. Quanto maior a participação da sociedade, menor a necessidade de altos gastos públicos. Trata-se de um sistema colaborativo em que todos ajudam e todos se beneficiam.

Para assegurar organização e confiança, a coordenação poderia contar com uma comissão formada por representantes da comunidade, blocos, artistas, comerciantes, vereadores e poder público. Decisões coletivas aumentam a fiscalização social, evitam erros e constroem um evento mais justo, representativo e aceito pela população.

É importante entender: não se trata de voltar ao passado exatamente como era, pois o tempo segue adiante. O que se busca é resgatar o espírito que fazia o Carnaval ser esperado o ano inteiro — o sentimento de pertencimento, união e alegria verdadeira.

Carnaval bom não é o mais caro.
É o mais vivido.
O mais seguro.
O mais participativo.
O mais transparente.
O mais verdadeiro.

Essa sugestão mostra que existe, sim, um caminho possível, viável e realista. Um caminho que depende de pouco dinheiro e mais de união. Quando a comunidade participa, acredita e contribui, a festa deixa de ser apenas um evento e volta a ser aquilo que sempre deveria ter sido: uma celebração autêntica do povo para o povo.

Não se deve esquecer do Carnaval quando os batuques silenciam. É justamente agora, depois da festa, que nasce a oportunidade de pensar, planejar e construir um evento ainda melhor para o próximo ano. O momento de buscar melhorias é no presente, enquanto ainda existe disposição e memória do que pode evoluir. Assim evitamos o esquecimento e também críticas futuras que poderiam ter sido transformadas em atitudes. A sugestão foi dada; agora é tempo de união, compromisso e trabalho coletivo para seguir em frente e fazer do próximo Carnaval uma celebração ainda mais digna do seu povo.

Porque onde existe vontade, existe caminho.
Onde existe união, existe solução.
E onde existe um povo unido, sempre existirá Carnaval.

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Educar é Construir: Reflexões Profundas Sobre a Verdadeira Formação dos Filhos

 


Educar é Construir: Reflexões Profundas Sobre a Verdadeira Formação dos Filhos 

Criar um filho não é apenas atender desejos, oferecer conforto ou evitar frustrações. Educar é uma tarefa complexa, contínua e profundamente transformadora — tanto para a criança quanto para quem a orienta. Em uma época marcada pelo corre-corre, pelo consumo e pela permissividade disfarçada de carinho, muitos adultos acabam confundindo amor com concessão ilimitada. O resultado, muitas vezes, são jovens inseguros, impacientes, dependentes e despreparados para a vida real.

A seguir, reflexões essenciais sobre atitudes comuns na educação dos filhos — algumas bem-intencionadas, mas equivocadas — e caminhos mais sólidos para formar seres humanos responsáveis, equilibrados e conscientes.


Dar Tudo Não É Amar — É Privar de Aprender

Há pais que se orgulham de nunca negar nada aos filhos. Tudo o que pedem é concedido imediatamente. Palavras inadequadas são tratadas como graça, atitudes erradas são vistas como charme, e limites simplesmente não existem. Contudo, a ausência de limites não forma crianças felizes; forma crianças desorientadas.

Orientar é parte essencial do amor. Assim como ninguém deixa para escolher se vai estudar apenas depois de adulto, também não faz sentido adiar toda formação moral, espiritual ou de valores. A infância é exatamente o tempo de ensinar, apresentar princípios, cultivar virtudes e orientar escolhas. Quem não educa cedo, terá muito mais dificuldade depois.


Responsabilidade se Aprende Praticando

Muitos adultos fazem pelos filhos aquilo que eles já têm plena capacidade de fazer sozinhos: recolher objetos, guardar brinquedos, arrumar o próprio espaço. Ao agir assim, impedem que desenvolvam senso de responsabilidade.

Se uma criança consegue espalhar, ela também consegue organizar. O aprendizado vem justamente da prática. Até animais são treinados a aprender rotinas e limites; com seres humanos, que possuem inteligência e consciência, essa capacidade é ainda maior. Educar exige paciência, repetição e constância — mas os resultados aparecem.


O Ambiente Familiar Ensina Mais do Que Palavras

Os filhos observam tudo. O modo como os pais se tratam, se respeitam ou se desrespeitam, marca profundamente a formação emocional deles. Discussões agressivas, gritos e confrontos constantes criam insegurança e medo.

Casais maduros entendem que conflitos existem, mas sabem resolvê-los com discrição e respeito. Não é necessário elevar a voz para quem está perto; gritar costuma ser sinal de distância emocional, não física. Quando há proximidade verdadeira, até o silêncio comunica entendimento. Demonstrar afeto, diálogo calmo e respeito mútuo ensina muito mais do que qualquer discurso educativo.


Excesso de Coisas, Falta de Valor

Vivemos em uma cultura de abundância material, mas nem sempre de gratidão. Crianças que recebem brinquedos em excesso tendem a não valorizar nenhum. Quando tudo é fácil e substituível, nada parece importante.

Em gerações passadas, poucos objetos eram suficientes para longos anos de diversão e imaginação. A criatividade nascia justamente da simplicidade: inventar brincadeiras, criar jogos, improvisar brinquedos. Hoje, muitos objetos já vêm prontos, automatizados, exigindo pouca participação ativa. O resultado é entretenimento passivo e menor desenvolvimento criativo.

Valor nasce da escassez equilibrada, não do excesso.


Dinheiro Demais Também Pode Prejudicar

Dar quantias elevadas sem critério ou esforço correspondente pode ensinar a criança a associar dinheiro com direito automático, e não com responsabilidade. Recursos financeiros devem ser apresentados como fruto de trabalho, disciplina e planejamento.

Pequenas quantias, ligadas a tarefas, metas ou conquistas, ajudam a desenvolver noções de mérito, economia e administração. A criança aprende que tudo tem valor e que esforço e recompensa caminham juntos.


Cair Faz Parte do Crescimento

Proteger demais é impedir o aprendizado natural da vida. Pequenas quedas, frustrações e dificuldades ensinam lições que nenhuma explicação teórica substitui. Ao enfrentar desafios, a criança desenvolve coragem, resiliência e autonomia.

Na natureza, muitos animais aprendem desde cedo a se levantar rapidamente após cair — é questão de sobrevivência. Com os seres humanos, o princípio é semelhante: aprender a levantar é tão importante quanto aprender a caminhar.

Dizer “não” às vezes dói mais em quem fala do que em quem ouve, mas limites firmes e serenos são fundamentais para a formação do caráter.


Unidade Entre os Pais é Essencial

Quando um responsável estabelece uma regra e o outro a contradiz diante da criança, a autoridade se dissolve. O filho passa a manipular a situação, escolhendo sempre quem diz “sim”.

Mesmo que haja discordância, o ideal é sustentar a decisão naquele momento e conversar depois, em particular. A coerência entre os adultos transmite segurança e clareza para a criança.


Deveres Domésticos Formam Caráter

Participar das tarefas da casa não é castigo; é formação. Arrumar a cama, organizar o quarto, ajudar na limpeza ou colaborar com pequenas atividades ensina disciplina, cooperação e senso de pertencimento.

Crianças que crescem acreditando que alguém sempre fará tudo por elas tendem a se tornar adultos dependentes e pouco preparados para a vida prática. Responsabilidade não surge de repente na vida adulta — ela é construída desde cedo.


Nem Sempre o Filho Tem Razão

Alguns pais defendem os filhos automaticamente, mesmo quando estão errados. Se a criança tira nota baixa, a culpa é do professor; se se comporta mal, a culpa é dos colegas. Essa postura impede que o jovem desenvolva senso crítico e responsabilidade pelos próprios atos.

Amar também significa corrigir. Reconhecer erros, aceitar consequências e aprender com falhas são passos indispensáveis para o amadurecimento.


Presença Vale Mais Que Presentes

Nada substitui o tempo de qualidade. Crianças precisam de atenção real, escuta sincera, orientação próxima e afeto constante. A ausência emocional — mesmo quando há presença física — gera carência e insegurança.

Amor verdadeiro não é apenas carinho; é compromisso. É estar presente, orientar, corrigir, apoiar e caminhar junto.


Pais e Educadores: Parceiros na Missão de Formar

Educar é uma missão compartilhada entre família e escola. Professores participam da formação, mas não substituem a base que vem do lar. Ambos erram, ambos aprendem, ambos crescem.

Quando adultos reconhecem falhas e pedem desculpas, ensinam humildade e humanidade. Nenhum pai ou mãe precisa ser perfeito — precisa apenas ser verdadeiro, consciente de suas limitações e disposto a melhorar continuamente.


O Uso Excessivo de Celular e a Responsabilidade dos Pais

Um tema impossível de ignorar na formação dos filhos hoje é a relação deles com as telas, especialmente com o celular. O uso sem limites, sem supervisão e sem orientação pode gerar consequências sérias: dificuldade de concentração, irritabilidade, ansiedade, isolamento social, dependência digital, prejuízo no rendimento escolar e até alterações no sono e no desenvolvimento emocional. Muitos jovens passam horas imersos em conteúdos vazios, comparações irreais e estímulos constantes que enfraquecem a paciência, a disciplina e a capacidade de lidar com a vida real.

É preciso reconhecer um ponto essencial: antes de qualquer independência financeira, quem fornece o aparelho, a internet e as condições de uso são os pais ou responsáveis. Portanto, ainda que não seja por má intenção, permitir acesso ilimitado equivale a autorizar silenciosamente esse excesso. A criança ou adolescente não tem maturidade natural para se autorregular nesse ambiente — essa é justamente a função educativa do adulto.

Responsabilidade não significa culpa absoluta, mas consciência do papel formador. Assim como se controla alimentação, horários e amizades, também é necessário orientar o uso da tecnologia. Estabelecer limites, horários, conteúdos permitidos e momentos sem tela não é rigidez; é cuidado. Quando há ausência de direção, o que deveria ser ferramenta vira domínio.

Educar também é saber dizer quando basta. Porque liberdade sem orientação não forma autonomia — forma dependência.


Celular nas Mãos dos Filhos: Responsabilidade Direta dos Adultos

Outro ponto indispensável nessa reflexão é o uso exagerado de celular por crianças e adolescentes. Não se trata apenas de discutir o tempo de tela, mas de reconhecer quem colocou esse recurso nas mãos deles. Antes de qualquer jovem ter renda própria, quem compra o aparelho, paga a internet, autoriza aplicativos e permite o uso são os pais ou responsáveis. Portanto, não é coerente tratar o problema como se fosse apenas culpa do filho. A responsabilidade é, sim, dos adultos que concederam o acesso.

Quando um menor recebe um celular, ele não ganha somente um objeto — recebe uma porta aberta para conteúdo, influências, riscos e estímulos para os quais muitas vezes ainda não tem maturidade emocional ou psicológica. Se esse acesso não vier acompanhado de limites claros, acompanhamento constante e orientação firme, o que poderia ser ferramenta de aprendizado pode se tornar fonte de prejuízos: dependência digital, perda de foco, alterações de humor, isolamento social e exposição a ambientes nocivos.

É importante deixar claro: reconhecer essa responsabilidade não é acusar famílias, mas lembrar que educar implica assumir as consequências das decisões tomadas. Se o adulto entrega, ele também deve supervisionar. Se permite, deve orientar. Se financia, precisa estabelecer regras. Não se pode simplesmente conceder liberdade total e depois se eximir dos resultados.

Pais e responsáveis não devem ser descartados dessa equação — eles são parte central dela. A formação de um filho sempre passa pelas escolhas de quem o cria. Por isso, dar um celular não é apenas um ato de presente; é um ato de responsabilidade contínua. Quando essa responsabilidade é assumida com consciência, a tecnologia deixa de ser ameaça e passa a ser instrumento útil. Quando não é, os prejuízos recaem sobre quem ainda não tinha maturidade para lidar sozinho com aquilo que recebeu.


Conclusão

Criar filhos não é uma tarefa simples nem rápida; é um processo diário de construção de valores, hábitos e caráter. Exige firmeza, amor, coerência, presença e sabedoria. Educar não é facilitar todos os caminhos, mas preparar para caminhar sozinho. Não é evitar toda dor, mas ensinar a superá-la. Não é dar tudo, mas mostrar o valor de cada coisa.

Quando pais e responsáveis assumem essa missão com seriedade e afeto, contribuem não apenas para o futuro de seus filhos, mas para o futuro de toda a sociedade.


Sobre as Críticas: Entre a Discordância Construtiva e a Rejeição Sem Reflexão

Toda reflexão que propõe limites, responsabilidade e mudança de postura inevitavelmente desperta reações diversas. Alguns leitores concordarão, outros discordarão, e haverá ainda aqueles que questionarão a eficácia ou até julgarão severas as ideias apresentadas. Isso é natural. Quando se fala de educação de filhos, toca-se em valores pessoais, experiências de vida e convicções profundas. Por isso, a divergência não só é esperada como também pode ser saudável.

A crítica, quando nasce da intenção sincera de compreender, analisar e aprimorar o debate, é sempre bem-vinda. Questionamentos feitos com respeito ajudam a ampliar a visão, corrigir excessos e aperfeiçoar argumentos. São esses diálogos que fazem qualquer reflexão amadurecer e se tornar mais equilibrada.

Entretanto, existe outro tipo de crítica: aquela feita sem interesse real de entender, motivada apenas por resistência, orgulho ou defesa automática de hábitos já estabelecidos. Muitas vezes, quem reage dessa forma não está debatendo ideias, mas protegendo a própria consciência de uma mudança que exigiria esforço. Há casos em que a rejeição vem justamente de quem adota uma postura permissiva, permitindo tudo, aprovando tudo e deixando o filho sem direção — como se educar fosse apenas assistir à vida do jovem à distância, sem interferir.

Educar não é abandonar à própria sorte. Liberdade sem orientação não é cuidado; é descuido disfarçado. Por isso, críticas são válidas e até necessárias, desde que venham acompanhadas de reflexão honesta. Questionar para construir é virtude. Criticar para desqualificar, sem disposição para pensar, é apenas resistência.

No fim, o mais importante não é agradar a todos, mas provocar consciência. Porque toda sociedade melhora quando mais adultos assumem, com coragem e lucidez, o verdadeiro papel de formar — e não apenas assistir — a próxima geração.





 

 

 

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

DO MELHOR CARNAVAL DA REGIÃO AO GORO DAS ALTAS HORAS

 

DO MELHOR CARNAVAL DA REGIÃO AO GORO DAS ALTAS HORAS

 


Tempos que se foram — e bons mesmos. Houve uma época em que o Carnaval de Cássia era reconhecido como o melhor de todo o sul mineiro entre as cinquenta e quatro cidades da regional. Não faz tanto tempo assim; parece até que ainda ecoa no ar o som dos tamborins e das marchinhas. Esperávamos o ano inteiro, numa aflição alegre, contando os dias para chegar fevereiro. E havia algo curioso: sentíamos gosto até de sair de Rio de Janeiro — a capital mundial do carnaval — para vivenciar o que, para nós, era o verdadeiro reinado da folia regional. Era sentimento profundo, coisa de alma mesmo, daqueles que não se explica, só se vive.

Havia foliões que passavam o ano juntando seus tico ticos lá em São Paulo só para garantir a viagem e não perder o festejo. Muitos vinham especialmente para desfilar nos blocos tradicionais — Cartolas, Marujos, Adis Abafa, Índios e tantos outros — que desciam animados pela Avenida Luciano Batista até a praça Barão de Cambuí e na  famosa subidinha em frente à Casas Pernambucanas. Ali, apenas as lendárias cordas de bacalhau separavam o público dos desfilantes. Sobre passarelas de mateira improvisadas, cada participante exibia seu samba no pé, seu batuque, sua fantasia e sua alegria, como se fosse artista de escola grande.

Participei desse carnaval desde os seis anos de idade até por volta de dois mil e dois. Já não era mais exatamente o mesmo, é verdade, mas ainda dava para se alegrar sem muita baderna ou confusão. Depois de dois mil e quatro, porém, a mudança veio como vento torto: arrancaram o aglomerado de árvores que sombreava a praça e levantaram palanques para bandas que inventaram um carnaval que nunca existiu por aqui. Com elas chegaram a fumaça que foi se apoderando do ar limpo e inocente dos foliões, além de todo tipo de ondas pesadas chegou junto, onde os pais, os mais equilibrados e a disciplina não dão conta  de equilibrar o ambiente de tanto loucos que surgem em cada carnaval. Os ruídos estranhos e um tipo de agitação que não combina com a inocência dos foliões tradicionais.

Surge então a pergunta que ecoa na consciência: que pai ou mãe responsável leva seus filhos para um ambiente onde a alegria genuína é substituída por um ar carregado e por comportamentos desvairados? Carnaval de verdade — aquele de corpo e alma — é feito de blocos, marchinhas, samba, frevo, axé, maracatu, serpentina e confete. É arlequim sorrindo, é fantasia simples, é música que abraça. O carnaval mineiro, em sua essência apropriada, sempre foi desfile de blocos, batuque ritmado e grandes bailes de salão onde a música contagiava sem precisar de exageros.

Nos últimos anos, entretanto, tornou-se visível a redução no número de foliões. A praça antes cheia de vida, energia e tradição deu lugar a espaços vazios e a um sentimento coletivo de frustração. Muitos desejam apenas enfeitar, cantar e brincar — alimentar a alma com melodias carnavalescas —, mas já não encontram o mesmo ambiente para isso.

Toda modificação feita sob o argumento de melhoria nem sempre melhora. Às vezes, ao contrário, contribui para um cenário de caos e desilusão. A contratação de bandas caras eleva gastos municipais com estruturas, funcionários e banheiros, sem garantia de retorno real. E junto com a despesa vem aquilo que não se controla fácil: excessos, confusões e situações que a arrecadação de barracas jamais compensa. Quando há contrafação ou números mal explicados, a impressão é de que os olhos públicos recebem bofeteadas cobertas por um manto de picumã — visível para o povo, invisível para quem deveria fiscalizar.

Antigamente, a concentração dos blocos ocorria na praça do antigo Fórum, ponto simbólico de encontro, planejamento e risadas. Dali se via, de longe, o sorriso estampado em cada folião esperando sua vez de descer. Aquilo não era só logística; era parte essencial da experiência cultural cassiense. Era ali que nasciam histórias, amizades e memórias que duravam décadas.

Claro, tudo tem seu jeito, e ninguém ignora que o tempo não volta. Mas é impossível não notar que as gerações anteriores a dois mil pareciam carregar algo especial: um espírito coletivo em que o legado principal era a alegria compartilhada. Hoje, muitas vezes, o que se vê é ilusão barulhenta, gente alucinada, alcoolizada, perdida em excessos que nada têm a ver com tradição. Pergunta-se: para onde caminha essa massa de bizarros cegos que cobra direitos sem saber sequer se os possui?

Para reconstruir um carnaval duradouro, é preciso observar o que realmente funciona. Bandas nem sempre garantem animação; muita gente fica encostada com latinha na mão, imóvel, ou soltando fumaça ao ar, enquanto a música toca. Já quando um bloco desce a rua, surge o harmônico sorriso coletivo. O público assiste, vibra, assim que termina o desfile os pais pega os filhos pelas mãos e volta para casa contente, comentando cada detalhe.

Os que permanecem depois, em geral, são os que exigem vigilância policial e atenção redobrada dos pais, receosos de que a noite termine mal e o filho se lambuze como porco em chiqueiro de barro.

Quanto às conduções musicais, urge resgatar a essência do carnaval cassiense — do jeito que o mineiro aprecia. Em tempos em que muitas letras são depreciativas, machistas ou violentas, cresce o anseio popular por marchinhas, sambas e canções que preservem identidade e respeito.

Bandas que chegam descaracterizando ritmos e estilos acabam alterando o caráter original dos blocos, tornando-os irreconhecíveis, distantes de sua natureza inicial.

É preciso compreender que o sucesso de qualquer festa depende, antes de tudo, da presença e da adesão sincera das pessoas. Quando a população não concorda com os rumos tomados, o sensato é ouvir, ajustar, corrigir e, se necessário, retornar ao que antes satisfazia a todos. Para isso, é indispensável escutar quem mantém acesa a chama dessa tradição: os blocos e os foliões.

Sem os blocos, o Carnaval é morto. Eles são o coração pulsante, a biografia viva e a garantia de continuidade dessa manifestação cultural cassiense. Onde há bloco descendo a rua, há memória, há identidade e há povo. E enquanto houver povo disposto a sorrir ao som de um tamborim, sempre existirá esperança de que o verdadeiro carnaval — aquele de alegria limpa e alma leve — renasça outra vez.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

ATENÇÃO CONSUMIDOR

 

MUITA GENTE PASSA POR ISSO SEM PERCEBER

🚨 ATENÇÃO CONSUMIDOR – ALERTA SOBRE COMPRAS ONLINE 🚨

 

Isso acontece em todas as plataformas de venda pela internet.
Atenção redobrada com frete, impostos e prazo:

⚠️ Muitas vezes o produto é barato, mas frete e taxas aparecem só no final.


Na empolgação de comprar, muita gente não lê com atenção e não acompanha toda a sequência da compra — e é aí que mora o problema.

🔎 Como funciona a armadilha?
Você vê um preço chamativo logo na primeira página.
Depois, a compra vai passando por várias telas diferentes.
No meio do caminho, você já esqueceu o valor inicial.
Só no final aparece a realidade — bem mais cara.

Isso não é desconto.
Isso não é promoção.
Isso é estratégia para confundir o consumidor.

 

📌 Exemplo real:

Produto anunciado logo de início com frete de R$ 3,87.
Porém, ao finalizar a compra:

➡️ O frete salta para R$ 37,23
➡️ Apenas o frete, sem contar o valor do produto
➡️ O total final não condiz com o preço anunciado

Se não conseguem entregar pelo valor que aparece na primeira página, então não anunciem dessa forma.
O consumidor não é otário e não tem tempo a perder.

 

🧮 Vamos comparar com a compra local:

Na minha cidade, comprando direto na loja da casa do produtor:
🛍️ Rolo de saco de lixo 15L (120 unidades): R$ 9,50

✔️ 3 rolos × R$ 9,50 = R$ 28,50

📦 Sem frete abusivo
⏱️ Mais rápido
😌 Sem surpresas no final

Mesmo que, em alguns casos, o comércio local seja um pouco mais caro, ainda assim compensa muito mais do que cair nesse tipo de venda online.

⚠️ Conclusão:
Não existe “preço menor” quando o valor real só aparece no final da compra.
O que existe é um valor ilusório para atrair o consumidor e empurrar um custo absurdo depois.

👉 Fique atento. Leia tudo. Confira o valor final.
👉 Compare sempre com o comércio local.

Sinceramente… só um louco compraria nessas condições.
Você não acha?




 


sábado, 31 de janeiro de 2026

QUANDO A EVOLUÇÃO ESQUECE A CIDADE

 

QUANDO A EVOLUÇÃO ESQUECE A CIDADE

 

Vou falar de um episódio que aconteceu comigo pouco tempo depois do início do calçamento do novo estacionamento da Praça Juscelino Kubitschek. Certo dia, em frente ao Papa Lanche, observei que, com o simples peso de uma caminhonete, uma das pedras que estavam sendo colocadas no calçamento já havia se soltado. Aquilo me chamou muita atenção. A partir dali, passei a observar com mais cuidado o serviço que está sendo feito por toda a Praça.

Confesso que me deu uma tristeza enorme, mas fazer o quê? Dizem que é a tal da modernização. Porém, uma modernização nada adequada. As pedras de mosaico português, que estavam adormecidas em seus devidos lugares desde o ano de 1961, estão sendo praticamente arrancadas com máquinas, sem o menor cuidado com a história e a identidade do local.

O que mais revolta é que, apenas dois anos antes, a Câmara já havia gasto uma verdadeira fortuna — pelo menos para quem é pobre — em um pequeno calçamento feito com pedras portuguesas atrás do prédio. Um serviço malfeito, de gosto duvidoso, que ficou uma porcaria. Misturaram pedras pretas com brancas, jogaram marrom no meio, tudo sem critério algum. Um verdadeiro desrespeito estético e histórico. Uma carniça!

Ainda fizeram outro trabalho: instalaram postes e novas lâmpadas em torno da citada praça. Mais gasto de dinheiro público para, infelizmente, pouco tempo depois, tudo ser arrancado com máquinas. Uma pena!

Para que aquelas pedras de mosaico português fossem assentadas, vieram profissionais de longe, especialistas nesse tipo de trabalho. Não foi algo improvisado. Por isso, elas permaneceram ali por cerca de 65 anos, firmes no solo, bem acomodadas na areia, resistindo ao tempo, ao peso e às mudanças. Diferente das pedras colocadas há pouco tempo atrás, que mal foram assentadas e já estavam se soltando.

Isso mostra claramente a diferença entre um serviço bem-feito, pensado para durar, e outro feito às pressas, sem cuidado e sem respeito pela técnica e pela história. O que existia ali não era apenas um calçamento, mas parte da memória da cidade, algo que atravessou gerações.

Mas vamos deixar isso pra lá, pelo menos por enquanto. Resta aguardar para ver no que tudo isso vai dar. Vendo o serviço que estão fazendo, fui ficando cada vez mais entristecido com aquilo tudo. O que se vê ali, infelizmente, é só porcaria. Eu creio que, se não sabem fazer a arte, não deveriam nem tocar. Arte é coisa séria, exige conhecimento, cuidado e respeito.

A cada dia que eu ia à padaria, passava pela praça e via a imundice que estão fazendo. É um desleixo atrás do outro, sem alinhamento, sem padrão, sem capricho. Aquilo mais parece um improviso do que um trabalho pensado para um espaço público tão importante.

Sabe, aquilo me fez lembrar das nossas brincadeiras de criança. A gente fazia tijolinhos usando latas de sardinha, queimava nas pequenas caieiras e, na imaginação, construía o calçamento da entrada das nossas casinhas. Só que, claro, tudo ficava torto: um tijolinho mais alto que o outro, outro mais afastado, nada alinhado.

Então, para tentar disfarçar, a gente pegava barro e passava entre eles, achando que estava melhorando. Mas, no fim, ficava era pior. E, olhando aquele serviço na praça, a sensação é exatamente essa: um remendo malfeito, tentando esconder erros, mas só deixando tudo mais feio. Agora percebo que aquilo que fazíamos na infância era igualzinho ao assentamento dos tais paralelepípedos que estão colocando na JK. A diferença é que lá era brincadeira de criança; aqui, infelizmente, é obra pública.

E pior: nem são paralelepípedos verdadeiros, daqueles bem trabalhados e talhados. São pedras arrebentadas à força, sem forma adequada, sem acabamento, jogadas no chão como se qualquer coisa servisse.

Mas vamos voltar ao acontecimento comigo na Praça Juscelino Kubitschek. Aquela cena ficou martelando na minha cabeça. Que serviço porco! Não consegui ficar calado. Passei a comentar com alguns conhecidos, indignado com o que estava vendo. Cheguei a falar até com advogados sobre o serviço que está sendo feito na praça.

Um deles me disse algo que achei importante e que merece ser registrado: o vereador é eleito justamente para ver esse tipo de coisa. Seja ele do lado do gestor ou não, tem a obrigação de fiscalizar. Mesmo que a obra seja federal, estadual ou municipal, o vereador tem o direito de acompanhar tudo, apontar erros e questionar gastos indevidos.

Segundo ele, se nada melhorar, o caso pode ser levado até a promotoria, desde que haja provas. Com as provas devidas, a obra pode ser imediatamente paralisada. Foi isso que ele me disse — e confesso que fiquei pensando muito sobre isso depois da conversa.

Algum tempo depois, eu ia novamente à padaria quando, na ponta da praça, em frente à antiga farmácia, vi o vice-prefeito. Talvez estivesse ali observando o serviço ou conversando com alguns pedestres. Ao passar por ele, fui cumprimentado; retribuí o cumprimento e aproveitei para dizer que já havia passado o contato dele para uma deputada, conforme ele mesmo havia me pedido em um encontro que tivemos alguns dias antes.

A partir daí, começamos um papo legal, tranquilo, daqueles de gente que conversa olhando nos olhos, falando das coisas da cidade. O clima era amistoso, sem tensão, apenas uma troca de ideias, como deve ser entre cidadãos e representantes públicos.

Lógico que eu não ia deixar de comentar o que estava martelando na minha mente: aquele serviço malfeito na nossa praça central. Então disse a ele: — Sabe, se vier um canal de televisão aqui e filmar esse trabalho que estão fazendo, vai ser um vexame. Uma coisa malfeita dessas nem pode ser chamada de melhoria.

            Em seguida, indaguei: — Por que estão deixando fazer essa porcariada? Ele, meio sem ação, me respondeu algo mais ou menos assim: — Isso é um serviço feito pela Caixa, e é ela quem dá as cartas.

Aí eu retruquei, sem rodeios: — Ah, não… quer dizer então que, se for para fazer de capim com bosta, vai ser feito assim mesmo?

Completei dizendo que o serviço estava mal-acabado, que parecia não haver profissionais qualificados trabalhando ali, muito menos uma engenharia apropriada acompanhando a obra. E ainda fiz um comentário irônico: — Agora lascou uma beirada  e furou a tampa da bunda, lascou de vez…

            Quando falei isso, um pedreiro — ou talvez ajudante — saiu de onde estava e veio na minha direção, perguntando em tom alterado: — Por acaso cê é alguma coisa aqui na cidade? Respondi, com calma: — Sou um cidadão que paga imposto, vota e ainda vive para ver as imundícies que fazem com o nosso mundo.

Foi aí que ele apelou de vez e perguntou: — Por acaso o senhor entende é pedreiro ou coisa parecida? Então respondi, sem pensar muito: — Já fui oleiro, servente, pedreiro, carpinteiro, eletricista, encanador, pintor, balconista, vendedor do baú, comerciante… e agora tento ser escritor e compositor. Acho que não esqueci de nada, não sei.

Foi então que o vice-prefeito interveio e tomou a palavra, dizendo que a culpa não era do trabalhador. Ele não disse de quem era a culpa, apenas me pareceu que também não estava muito satisfeito com o serviço. Diante disso, o trabalhador voltou para o local do seu afazer, e o clima se acalmou.

Naquele momento, pensei comigo mesmo: meu Pai do céu… Se o vice-prefeito estava ali, ouvindo tudo aquilo, e mesmo assim nada fazia, então realmente não há muito recurso. Ele disse que a responsabilidade era da Caixa, mas isso me deixou ainda mais cheio de dúvidas.

Fico me perguntando: será que existe alguém da Caixa que acompanhe de perto essas construções ou reformas espalhadas pelo país inteiro? Em cada cidade onde há uma obra com amparo da Caixa, será que eles mandam técnicos para vistoriar, fiscalizar e corrigir erros? Sinceramente, creio que não.

Pelo que penso, a Caixa não tem dentro dela setores próprios de construção. A impressão que dá é que a Caixa funciona como um local de liberação de verbas para tudo: ela adianta o dinheiro, repassa os recursos, mas quem executa a obra são outros. Agora, se ela também constrói, fiscaliza e acompanha de perto cada detalhe… aí já não sei. Fica a pergunta.

Pois bem, foi isso que aconteceu comigo na Praça Juscelino Kubitschek, no centro da minha cidade. Tudo por eu talvez ter falado uma verdade que muitos não têm coragem de comentar, ou preferem simplesmente deixar pra lá. Por causa disso, quase levei foi uma na orelha, ali mesmo, no meio da praça, à luz do dia.

Praça essa que acompanho desde criança. Um lugar onde, além de beleza, havia vida de verdade. Ali existiam árvores frutíferas — tamarindo, ingá, jatobá e tantas outras — que faziam parte da paisagem, do convívio e da memória da gente. Árvores que davam sombra, alimento aos pássaros, a nós e história. Com o tempo, foram todas derrubadas e queimadas em fornos de olarias. Uma pena profunda, uma perda que não se repara e que ainda dói em quem viu.

Nesse ponto, é impossível não falar do papel dos vereadores, sejam eles do mesmo partido do gestor ou da oposição. Vereador não é eleito para fechar os olhos, nem para defender obra malfeita por conveniência política. A função principal do cargo é fiscalizar, acompanhar, cobrar e apontar erros, independentemente de quem esteja no comando. Quando isso não acontece, não é por falta de poder, é por falta de vontade.

O que se vê, muitas vezes, são vereadores amarrados por acordos, favores e interesses, fingindo não enxergar o que está escancarado. Defeitos visíveis viram “detalhes”, serviços mal-acabados viram “ajustes futuros”, e o desperdício de dinheiro público vira discurso vazio. Nesse jogo, a fiscalização some, a responsabilidade se dissolve e ninguém responde por nada.

Quando o vereador escolhe o silêncio, ele deixa de representar o cidadão e passa a proteger o sistema. E a omissão, nesse caso, é tão grave quanto o erro da obra. Porque quem tem o dever de fiscalizar e não fiscaliza, autoriza. Quem vê e finge que não vê, concorda. E quem concorda, participa.

Mas parece que a preferência agora é sempre pela chamada evolução. Novos tempos, novas ideias, novas bússolas. Nem sempre apontando para o melhor caminho, mas seguindo em frente, custe o que custar.

Não sou contra melhorias, nem contra o progresso que tanto se anuncia em discursos e placas de obra. Sou contra o descaso institucionalizado, contra a pressa que atropela a técnica e contra a banalização do dinheiro público. Quando se mexe no que é de todos, não se pode tratar o erro como detalhe, nem o improviso como solução. Obra pública não é favor, é obrigação — e obrigação exige competência, fiscalização e responsabilidade.

Uma praça não é um espaço vazio esperando cimento. Ela é memória coletiva, identidade urbana, testemunha silenciosa da passagem do tempo. Cada pedra bem assentada, cada árvore que ali cresceu, cada caminho percorrido por gerações carrega um valor que não aparece em planilhas nem em licitações. Destruir isso em nome de uma modernização mal pensada não é avançar, é empobrecer.

O que mais preocupa não é apenas o serviço malfeito, mas a naturalização dele. É o silêncio de quem deveria fiscalizar, a transferência de responsabilidade, o jogo de empurra entre órgãos e gestores, como se ninguém fosse realmente responsável por nada. Quando tudo é culpa de alguém distante, no fim das contas não é culpa de ninguém — e o erro segue, o desperdício se repete e a cidade perde.

Progresso verdadeiro não nasce do barulho das máquinas, mas da inteligência nas decisões. Não nasce da pressa, mas do cuidado. Não nasce da destruição do que estava funcionando, mas da capacidade de somar passado e presente com respeito. Evoluir não é apagar a história, é aprender com ela.

Se continuarmos aceitando qualquer coisa como melhoria, continuaremos vendo o patrimônio virar entulho, o dinheiro público virar pó e a indignação virar costume. E quando a indignação vira costume, a cidade adoece. Porque uma cidade não se destrói apenas quando derrubam suas praças, mas quando seus cidadãos se calam — e quando falar a verdade passa a ser visto como exagero ou incômodo.

É preciso lembrar que, em uma cidade como a nossa, o gestor não é eleito pela maioria da população total. Somos milhares de habitantes, mas apenas uma parte vota. Há quem não tenha idade, quem não tenha título, quem não compareça às urnas e quem simplesmente não participe. No fim das contas, o gestor vence com o apoio de uma parcela dos eleitores, dentro das regras da lei, é verdade, mas isso não lhe dá o direito de governar apenas para quem o elegeu.

A responsabilidade do cargo é justamente essa: administrar para todos. Para quem votou, para quem não votou, para quem discordou e até para quem se calou. Quando essa noção se perde, surgem o descaso, a obra malfeita, a falta de fiscalização e o silêncio conveniente. E aí a cidade paga o preço.

O problema não é a eleição em si, mas o esquecimento de que o poder recebido não é propriedade, é empréstimo. Um empréstimo dado por toda a cidade. Quando isso é ignorado, a praça vira laboratório de erro, o dinheiro vira desperdício e o cidadão que questiona passa a ser tratado como incômodo.

Mas parece que a preferência agora é sempre pela chamada evolução. Uma evolução mal compreendida, que confunde modernizar com arrancar, substituir e apagar. Tudo o que resiste ao tempo passa a ser tratado como atraso, mesmo quando provou, por décadas, sua durabilidade e seu valor. Em nome dessa pressa de mostrar serviço, o que era sólido vira obstáculo, e o que é improvisado passa a ser apresentado como novidade.

Essa forma de “evoluir” não nasce do planejamento, nem do diálogo com a cidade, nem do respeito à história do lugar. Ela nasce da pressa, da vaidade administrativa e da falta de compromisso com quem vai conviver diariamente com o resultado da obra. O discurso é sempre bonito, mas a prática revela calçadas tortas, acabamentos malfeitos e decisões tomadas sem critério técnico ou estético.

O problema não é mudar, mas mudar sem saber por quê, nem para quem. Quando a evolução ignora a memória coletiva, ela deixa de ser avanço e passa a ser ruptura. A cidade perde referências, perde identidade e passa a se parecer com qualquer outra, sem alma e sem história. O espaço público deixa de acolher e passa apenas a ocupar espaço.

No fim, não é só a praça que sofre. Sofre o cidadão que observa, que questiona e que se importa. Sofre quem viu aquele lugar nascer, crescer e resistir ao tempo. Porque evolução de verdade não destrói o que funciona, não despreza o que foi bem-feito e não trata o patrimônio comum como material descartável.

E quando a cidade aceita esse tipo de mudança como normal, algo se quebra de forma silenciosa. Quebra-se o vínculo entre o passado e o futuro, entre o poder público e a população. O que sobra é um vazio difícil de explicar, mas fácil de sentir. E esse vazio não se resolve com mais obras, mais discursos ou mais placas — resolve-se com responsabilidade, respeito e consciência.