CIDADE! VEREADOR NÃO FOI ELEITO APENAS PARA PEDIR. A POPULAÇÃO PRECISA DE FISCALIZAÇÃO, NÃO SÓ DE PUBLICAÇÕES
Entre indicações, homenagens e a presença nas redes sociais, uma pergunta precisa ser feita: quem está acompanhando de verdade os serviços da Prefeitura e a aplicação do dinheiro público?
Um vereador pode apresentar projetos de lei importantes para
a cidade. Mas nem sempre a atuação parlamentar se traduz em propostas capazes
de promover mudanças significativas na vida da população.
Muitas vezes, o que se vê são indicações para dar nome a
ruas, pedidos de instalação de lombadas, solicitações de reparos em vias
públicas, troca de lâmpadas queimadas e pedidos de limpeza de bairros.
Também existem as moções de aplauso e homenagens a pessoas
da comunidade, além da aprovação de projetos encaminhados pelo prefeito.
Essas iniciativas podem ter sua importância. Uma homenagem
pode reconhecer um cidadão, uma indicação pode atender a uma necessidade e uma
lei pode trazer benefícios à cidade.
Mas será que o mandato de um vereador pode se resumir a
isso? Essa é uma reflexão que merece ser feita. Afinal, a população não escolhe
representantes apenas para apresentar pedidos à Prefeitura. Escolhe vereadores
para exercer uma função pública que envolve responsabilidades muito maiores.
E entre essas responsabilidades está uma das mais importantes: fiscalizar a administração municipal.
FISCALIZAR,
LEGISLAR, REPRESENTAR E PARTICIPAR DAS DECISÕES SOBRE O ORÇAMENTO
O trabalho de um vereador não se resume a fazer indicações.
A Constituição Federal estabelece a atuação do Poder Legislativo Municipal na
fiscalização do município, enquanto a legislação e a Lei Orgânica Municipal
definem as atribuições dos parlamentares.
Entre as principais funções do mandato estão:
Fiscalizar: acompanhar os atos do prefeito, verificar
a aplicação do dinheiro público, examinar contratos, despesas, obras e
serviços, solicitando esclarecimentos quando necessário.
Legislar: elaborar, discutir, alterar e votar leis
municipais, respeitando as competências do município e os limites
constitucionais.
Representar: ouvir a população, conhecer os problemas
dos bairros e levar as demandas dos moradores aos órgãos responsáveis.
Participar das decisões orçamentárias: discutir e
votar as leis que estabelecem o planejamento e a aplicação dos recursos
públicos municipais, como o Plano Plurianual, a Lei de Diretrizes Orçamentárias
e a Lei Orçamentária Anual.
A fiscalização do município pelo Poder Legislativo está
prevista no artigo 31 da Constituição Federal.
Portanto, fiscalizar não é uma gentileza que o vereador faz
ao eleitor. É uma atribuição institucional da Câmara Municipal.
E aqui surge uma pergunta que merece
atenção: para fiscalizar o prefeito e os gastos da Prefeitura, o vereador
precisa ser contador? Para acompanhar uma obra pública, precisa ser engenheiro
civil?
O
VEREADOR PRECISA SER ENGENHEIRO PARA SABER QUE UMA OBRA ESTÁ RUIM?
Imagine uma empresa contratada pela Prefeitura para asfaltar
uma rua ou realizar uma operação de tapa-buracos.
O serviço é executado. A rua fica aparentemente em boas
condições. Mas, depois de uma chuva mais intensa ou alguém sem querer da uma cuspida
mais forte então surgem rachaduras, afundamentos ou buracos que voltam a
aparecer.
Em determinadas situações, o asfalto parece uma verdadeira
“casca de ovo”: pouco tempo depois da execução, já apresenta sinais de
deterioração.
A população reclama. E, diante dessas reclamações, surge uma
questão legítima: onde está a fiscalização?
Quando o cidadão questiona se os vereadores sabem a
espessura do asfalto ou a temperatura adequada da massa asfáltica, o problema
não deve ser entendido como uma exigência para que todos os parlamentares se
tornem engenheiros.
A questão é outra.
O vereador não precisa saber calcular a espessura de uma
camada de pavimentação, determinar a temperatura de aplicação da massa ou
avaliar tecnicamente a compactação de uma base.
Essas são atribuições que envolvem profissionais habilitados
e especificações técnicas.
Mas o vereador precisa saber que existe um contrato, que
existe um projeto, que existem responsáveis pela execução e pela fiscalização
da obra e que o dinheiro utilizado é público.
Se o serviço apresenta problemas, cabe ao parlamentar
utilizar os instrumentos legais de fiscalização para buscar respostas.
Qual empresa executou a obra?
Qual era o valor contratado?
Qual era a espessura prevista no projeto?
Quem acompanhou a execução?
O serviço foi medido e recebido pela Prefeitura?
Existem relatórios de fiscalização?
Se foram identificados defeitos, quais providências foram
tomadas?
A Lei Federal nº 14.133/2021, em seu artigo 117, estabelece
que a execução dos contratos administrativos deve ser acompanhada e fiscalizada
por representantes da Administração especialmente designados.
Ou seja, a Prefeitura deve possuir responsáveis pelo
acompanhamento da execução contratual.
O vereador não precisa substituir esses profissionais.
Precisa cobrar que cumpram suas responsabilidades e que a
administração apresente esclarecimentos quando surgirem problemas.
Não é necessário ser engenheiro para questionar por que
uma obra pública apresenta defeitos pouco tempo depois de ser concluída.
E não é necessário ser contador para solicitar documentos, questionar despesas e acompanhar a aplicação do dinheiro público.
A CIDADE
REAL NÃO ESTÁ APENAS NAS REDES SOCIAIS
Hoje, a política também se faz nas redes sociais.
Vídeos, fotografias, publicações, discursos e demonstrações
de presença passaram a ocupar um espaço cada vez maior na atividade de muitos
representantes públicos.
A comunicação com a população é legítima.
Um vereador pode e deve informar o que está fazendo,
divulgar seu trabalho e prestar contas do mandato.
Mas existe uma diferença entre mostrar que está trabalhando
e demonstrar que está cumprindo suas responsabilidades e documentos.
Porque a Cidade que aparece nas redes sociais nem sempre é a
mesma Cidade que os moradores enfrentam diariamente.
A realidade está nos problemas de saúde, educação, nas
questões relacionadas ao esgoto, nas reclamações sobre medicamentos e no
atendimento que a população espera receber.
Está nos serviços mal executados, nas obras sem uma
definição clara de conclusão, no asfalto que apresenta problemas pouco tempo
depois de ser feito e nos passeios públicos que começam a rachar ou a soltar
peças pouco depois de construídos.
Está nas ruas de bairros que permanecem dias sem limpeza.
Está também na realidade dos servidores públicos.
Quando existem revelações de atrasos salariais, falta de
medicamentos, problemas no atendimento ou serviços públicos inadequados, cada
situação precisa ser apurada com responsabilidade. E os vereadores são para
isso.
Não se deve transformar um clamor em uma acusação sem
provas. Mas também não se pode ignorar um problema porque ele exige trabalho,
questionamentos e acompanhamento, sempre dentro das leis e com documentos.
A cidade não se resume às publicações feitas na internet.
A Cidade real está nas ruas, nos bairros, nas unidades de
saúde, nas escolas, nas obras e nos serviços que precisam funcionar.
E é justamente nesses lugares que a fiscalização parlamentar
precisa estar presente.
O
QUE A POPULAÇÃO ESPERA DOS VEREADORES?
Quando uma rua permanece dias sem limpeza, não basta que um
vereador publique uma fotografia ou encaminhe um pedido à Prefeitura.
É necessário acompanhar a situação e verificar se o serviço
foi realizado.
Quando o asfalto apresenta defeitos, não basta registrar a
reclamação.
É necessário solicitar informações sobre o contrato, a
execução e as providências adotadas.
Quando uma obra fica sem definição clara de conclusão, é
necessário questionar o cronograma, os motivos da interrupção e as medidas
previstas.
Quando surgem reclamações sobre a saúde, a educação ou
outros serviços municipais, é necessário utilizar os instrumentos legais para
buscar esclarecimentos.
O vereador não precisa ser especialista em todas essas
áreas.
Precisa exercer a função fiscalizadora e impor.
A Câmara Municipal pode solicitar informações, promover
vistorias e inspeções, realizar audiências públicas e utilizar os demais
instrumentos previstos em sua legislação interna.
Se houver indícios de irregularidades, os fatos podem ser
encaminhados aos órgãos competentes, conforme a natureza da situação.
O que não pode acontecer é a fiscalização se limitar a uma
manifestação pública, sem acompanhamento dos fatos e sem busca de
esclarecimentos.
Uma indicação pode ser o começo de uma cobrança.
Mas não deve ser confundida com a fiscalização completa de
um problema.
QUANDO
A POLÍTICA FALA MAIS ALTO QUE A FISCALIZAÇÃO
Existe ainda uma questão que precisa ser discutida com
responsabilidade.
O prefeito precisa de apoio político para governar.
A formação de uma base de apoio na Câmara, a negociação de
projetos e a busca por consensos fazem parte da política.
Mas a Câmara Municipal não pode perder sua independência.
O vereador precisa ter liberdade para questionar a
administração, inclusive quando pertence ao mesmo grupo político do prefeito.
A fiscalização não pode depender de amizade, proximidade
política ou conveniência.
Se uma obra apresenta problemas, ela precisa ser
fiscalizada.
Se um serviço público não funciona adequadamente, ele
precisa ser questionado.
Se existem dúvidas sobre a aplicação do dinheiro público,
elas precisam ser esclarecidas com documentos e não só com palavras.
Isso deve acontecer independentemente de quem esteja no
comando da Prefeitura.
Não é correto afirmar, sem provas, que determinado vereador
deixou de fiscalizar porque recebeu cargo, benefício ou vantagem.
Uma acusação dessa natureza exige elementos concretos.
Mas é legítimo perguntar se a Câmara Municipal está
exercendo sua função fiscalizadora com a independência necessária.
A população tem o direito de acompanhar a atuação dos
vereadores e cobrar que eles cumpram suas responsabilidades.
NÃO É SOBRE SER
CONTRA O PREFEITO. É SOBRE CUMPRIR O MANDATO.
Fiscalizar não significa fazer oposição por obrigação.
Um vereador pode apoiar projetos importantes da Prefeitura
e, ao mesmo tempo, fiscalizar os contratos, as obras, os serviços e os gastos
públicos.
A função fiscalizadora não deve ser confundida com
perseguição política.
Ela existe para proteger o interesse público.
O prefeito tem suas responsabilidades.
Os servidores responsáveis pela execução e fiscalização dos
contratos também têm as suas.
E os vereadores possuem atribuições próprias de controle e
fiscalização.
Cada um deve cumprir sua parte.
Quando uma obra é mal executada, a população precisa de
respostas.
Quando uma rua permanece dias sem limpeza, os moradores
precisam de providências.
Quando um serviço público apresenta problemas, a
administração precisa esclarecer o que aconteceu.
E quando a Câmara Municipal não acompanha essas situações, a
população tem o direito de perguntar por que a fiscalização não está sendo
exercida de maneira efetiva e em conjunto.
A
PERGUNTA QUE FICA PARA A CIDADE
A população não precisa apenas de vereadores que apresentem
indicações, solicitem reparos, façam homenagens ou publiquem fotografias nas
redes sociais.
Precisa de representantes que acompanhem a realidade da
cidade.
Que fiscalizem as obras.
Que questionem os contratos.
Que solicitem informações sobre os gastos.
Que acompanhem a execução dos serviços.
Que cobrem respostas da Prefeitura.
Que exerçam o mandato com independência, responsabilidade e
compromisso com o interesse público.
Porque o dinheiro utilizado para pavimentar uma rua,
construir um passeio, realizar uma limpeza ou prestar um serviço pertence à
população.
E a população tem o direito de saber se esse dinheiro está
sendo aplicado corretamente.
A pergunta, portanto, não é quantas fotografias um vereador
publicou, quantas homenagens realizou ou quantas indicações apresentou.
A pergunta é:
QUEM
ESTÁ FISCALIZANDO A PREFEITURA DA CIDADE, AS OBRAS, OS SERVIÇOS E O DINHEIRO DO
CONTRIBUINTE?
O vereador não precisa ser engenheiro para cobrar uma obra
bem executada.
Não precisa ser contador para questionar os gastos públicos.
Não precisa ser especialista em limpeza urbana para cobrar
que os bairros sejam atendidos.
Precisa exercer o mandato para o qual foi eleito.
A rede social pode mostrar o trabalho antes e depois. Mas
é na realidade da cidade que os resultados precisam aparecer e solucionados.
Fiscalizar não é fazer oposição por obrigação.
Fiscalizar é cumprir o mandato. seja desembaçado,
independente e atuante. não espere que a população cobre aquilo que você tem o
dever de fiscalizar e sabe onde está.



