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sábado, 18 de julho de 2026

Máquinas do Jornal A Vanguarda: patrimônio histórico não pode ser tratado como sucata

 

Máquinas do Jornal A Vanguarda: patrimônio histórico não pode ser tratado como sucata

As imagens recentemente divulgadas mostrando as antigas máquinas da gráfica do tradicional jornal A Vanguarda jogadas entre entulhos, materiais de construção e sucatas despertaram indignação em grande parte da população de Cássia. Mais do que equipamentos antigos, essas máquinas representam um importante capítulo da história do município.

Durante décadas, foi por meio delas que notícias, acontecimentos, documentos históricos, anúncios e fatos marcantes da cidade chegaram às mãos da população. Antes da internet e das redes sociais, A Vanguarda era um dos principais meios de comunicação do município, registrando acontecimentos que hoje fazem parte da memória coletiva de Cássia.

Também fui colaborador desse jornal. Nas décadas de 1970, 1980 e nos anos 2000 escrevi diversas matérias, contos e textos publicados em suas páginas. Assim como muitos cidadãos, utilizei esse veículo para transmitir ideias e participar da vida da comunidade. Por isso, ver essas máquinas abandonadas causa profunda tristeza.

Independentemente de estarem ou não em funcionamento, seu valor histórico permanece intacto. Elas simbolizam uma época em que a informação era produzida artesanalmente, preservando fatos que hoje ajudam a contar a história de nossa cidade.

A Constituição Federal, em seu artigo 216, reconhece como patrimônio cultural os bens materiais que possuem referência à identidade, à memória e à história da sociedade, determinando que o Poder Público tem o dever de promover sua proteção e preservação.

Diante dessa situação, cabe aos vereadores exercerem seu papel de fiscalização e defesa do patrimônio público. Eles podem solicitar informações oficiais ao Executivo, requerer a suspensão de qualquer venda ou descarte dessas máquinas, provocar a atuação do Conselho Municipal de Patrimônio Histórico, propor seu tombamento municipal e, se necessário, encaminhar representação ao Ministério Público para apuração dos fatos.

O que está em discussão não é apenas um conjunto de equipamentos antigos. Está em jogo a preservação da memória de Cássia. Uma administração pública existe para construir, organizar, preservar e transmitir às futuras gerações aquilo que representa sua identidade.

Se essas máquinas desaparecerem, desaparecerá também uma parte da história escrita do município. As novas gerações talvez sequer acreditem que Cássia possuía um jornal impresso capaz de registrar, semana após semana, os acontecimentos que moldaram sua trajetória.

Mesmo que o município ainda não disponha de um museu ou espaço adequado para exposição permanente, isso não justifica tratar um patrimônio histórico como sucata. É preferível mantê-lo protegido e conservado até que exista um local apropriado do que permitir sua destruição ou alienação.

Preservar a memória não significa viver do passado. Significa respeitar a história que construiu o presente. Assim como encontramos nos livros, documentos e monumentos a prova da existência de grandes acontecimentos da humanidade, também devemos preservar os objetos que contam a história de nossa própria cidade.

Espera-se que o Poder Executivo esclareça a situação dessas máquinas e adote imediatamente medidas para garantir sua conservação. Da mesma forma, espera-se que a Câmara Municipal, o Conselho de Patrimônio Histórico e toda a sociedade civil atuem para impedir que um patrimônio de valor inestimável seja perdido para sempre.

A história de um município não pode ser vendida como ferro-velho


sexta-feira, 17 de julho de 2026

A INDÚSTRIA DOS CACHÊS MILIONÁRIOS ESTÁ MATANDO AS FESTAS POPULARES?


A INDÚSTRIA DOS CACHÊS MILIONÁRIOS ESTÁ MATANDO AS FESTAS POPULARES?

O debate que chegou a hora de enfrentar

Antes de comentar, leia a matéria completa. Não julgue apenas pelo título. Uma opinião consciente é construída com informação, não com suposições.

Eventos tradicionais estão sendo sufocados por custos cada vez mais altos. Enquanto grandes artistas cobram valores milionários, cidades pequenas enfrentam o desafio de manter festas acessíveis à população.

O cancelamento da 43ª Expoal, anunciado pelo Sindicato dos Produtores Rurais de Alpinópolis, abriu uma discussão que vai muito além de uma festa específica. A questão envolve um problema que vem crescendo em diversas cidades brasileiras: o aumento exagerado dos custos para realização de grandes eventos, principalmente envolvendo shows sertanejos de artistas consagrados.

Durante a abertura da VentAgro, feira de agronegócios do Sindicato dos Produtores Rurais de Alpinópolis, o assunto foi colocado em debate: até que ponto é viável para municípios, sindicatos. Casas de shows e organizadores continuarem pagando cachês milionários para poucos artistas, enquanto a conta final acaba pesando para toda a comunidade?

A crítica não é direcionada aos cantores que trabalham de forma justa e valorizam seu talento, mas sim ao modelo atual do mercado de grandes shows, onde alguns cachês atingem valores que parecem incompatíveis com a realidade de pequenas cidades.

Não parece razoável, segundo os defensores de uma revisão nesse modelo, que um artista seja contratado para cantar pouco mais de uma hora em uma cidade de aproximadamente 20 mil habitantes e receba valores que podem chegar a R$ 1 milhão e meio ou mais, enquanto produtores rurais, trabalhadores e moradores precisam enfrentar diariamente uma realidade muito diferente para conquistar seus recursos.

E o problema não termina no valor do cachê.

Um grande show envolve uma série de outros custos: estrutura de palco, som, iluminação, transporte, hospedagem, segurança, alimentação, camarim, equipe técnica, taxas e diversos outros investimentos que fazem o orçamento aumentar ainda mais.

No final, a pergunta que fica é: quem realmente vai pagar essa conta?

Muitas vezes, quando o evento é realizado gratuitamente em praça pública ou recebe apoio de recursos públicos, o dinheiro sai dos cofres municipais, justamente em cidades que possuem outras prioridades como saúde, educação, infraestrutura e serviços básicos.

Outro ponto levantado é a falta de retorno proporcional. Grandes atrações nem sempre garantem público suficiente para cobrir tamanha estrutura financeira. Sem uma participação efetiva da população, comércio, empresas patrocinadoras e setores envolvidos, o modelo se torna cada vez mais difícil de sustentar.

Uma cultura acessível ou um privilégio para poucos?

A discussão não é acabar com os eventos ou impedir que grandes artistas se apresentem. A questão é buscar equilíbrio e responsabilidade. Acabar com a Máfia de empresários deste país.

Festas tradicionais sempre tiveram um papel importante na vida das comunidades: movimentam o comércio, valorizam a cultura local, geram empregos e proporcionam lazer para famílias inteiras.

Mas quando os valores cobrados por algumas atrações tornam esses eventos inviáveis, a população acaba sendo prejudicada.

Enquanto alguns defendem que o mercado d

O debate levantado em Alpinópolis coloca uma pergunta importante para todo o Brasil:

Vale a pena gastar milhões em um único show enquanto tantas cidades têm dificuldades para manter seus eventos tradicionais?

Talvez seja o momento de valorizar mais artistas regionais, municipais, atrações de qualidade com custos responsáveis e formatos que permitam que mais pessoas tenham acesso à cultura e ao entretenimento.

Porque cultura não pode ser transformada em um privilégio de poucos. Ela precisa continuar sendo um espaço de encontro, celebração e participação popular.

Falar sobre esse assunto pode causar desconforto, mas ignorar o problema pode custar ainda mais caro no futuro com outras prioridades como saúde, educação, infraestrutura e serviços básicos.e shows precisa ser revisto, outros alertam para o crescimento de um sistema onde empresários e intermediários acabam concentrando grande parte dos recursos, deixando organizadores e municípios pressionados por contratos cada vez mais caros.

A hora de repensar o modelo

O debate levantado em Alpinópolis coloca uma pergunta importante para todo o Brasil:

Vale a pena gastar milhões em um único show enquanto tantas cidades têm dificuldades para manter seus eventos tradicionais?

Talvez seja o momento de valorizar mais artistas regionais, municipais, atrações de qualidade com custos responsáveis e formatos que permitam que mais pessoas tenham acesso à cultura e ao entretenimento.

Porque cultura não pode ser transformada em um privilégio de poucos. Ela precisa continuar sendo um espaço de encontro, celebração e participação popular.

Falar sobre esse assunto pode causar desconforto, mas ignorar o problema pode custar ainda mais caro no futuro com outras prioridades como saúde, educação, infraestrutura e serviços básicos.

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quarta-feira, 15 de julho de 2026

DRENAGEM DO CÓRREGO NO BAIRRO ÁGUA LIMPA LEVANTA QUESTIONAMENTOS TÉCNICOS E REFORÇA A IMPORTÂNCIA DA TRANSPARÊNCIA NAS OBRAS PÚBLICA

 


Obra que fará a ligação entre o Bairro Água Limpa e o Distrito Industrial III desperta dúvidas sobre o dimensionamento da drenagem, o planejamento para o crescimento urbano e os estudos técnicos utilizados no projeto.

As obras de infraestrutura são fundamentais para o desenvolvimento de qualquer município. Elas melhoram a mobilidade, facilitam o acesso entre bairros, impulsionam o crescimento econômico e proporcionam mais qualidade de vida à população. Entretanto, tão importante quanto executar uma obra é garantir que ela seja planejada para atender não apenas às necessidades atuais, mas também às demandas das próximas décadas.

É justamente nesse contexto que a obra de drenagem do córrego localizada no final da Rua São Jorge, no Bairro Água Limpa, em Cássia (MG), passou a despertar o interesse e a preocupação de quem conhece a região e acompanha sua evolução há muitos anos.

A intervenção tem como objetivo permitir a ligação entre o Bairro Água Limpa e o Distrito Industrial III, uma conexão considerada importante para o desenvolvimento daquela área da cidade. Porém, junto com a expectativa positiva pela melhoria da infraestrutura, surgem questionamentos que merecem ser respondidos de forma técnica e transparente.

É importante deixar claro desde o início que esta matéria não tem a finalidade de criticar a Administração Municipal, os engenheiros responsáveis, os servidores públicos ou qualquer profissional envolvido na execução da obra. Muito menos pretende afirmar que exista qualquer erro no projeto.

O objetivo é outro: promover um debate responsável sobre um tema que poderá impactar a cidade por muitos anos e registrar dúvidas que vêm levantando, enquanto ainda há tempo para que eventuais esclarecimentos sejam apresentados ou, se necessário, que ajustes técnicos possam ser realizados.

O passado ensina que obras de drenagem merecem atenção especial

Quem vive em Cássia há muitos anos certamente se lembra das discussões ocorridas durante a canalização do Córrego Santa Rita.

Na época, também houve quem manifestou preocupação quanto à capacidade da estrutura de suportar grandes volumes de água.

Com o passar dos anos, a realidade mostrou que os alagamentos passaram a fazer parte da rotina daquela região.

Hoje, mesmo chuvas de intensidade moderada podem provocar o transbordamento das águas, causando transtornos na Avenida Santa Rita, na Rodoviária e em diversos imóveis próximos.

Naturalmente, surge uma reflexão importante: As experiências vividas pelo município no passado estão sendo consideradas no planejamento das novas obras de drenagem?

Essa é uma pergunta que interessa a toda a população, independentemente de posições políticas.

Um córrego que recebe água de uma extensa bacia hidrográfica

Para compreender a importância da obra, é necessário conhecer a realidade daquele córrego.

Diferentemente do que muitas pessoas imaginam, ele não recebe apenas a água das chuvas que caem nas proximidades do Bairro Água Limpa.

Sua bacia de drenagem é bastante ampla.

Grande parte da água proveniente da região das antigas olarias dos Bernardos, das áreas conhecidas como antiga olaria do Lazinho Vilela e do Gildo segue naturalmente para esse curso d'água.

Também chegam ao córrego as águas que passam pelos fundos da antiga propriedade do saudoso Ari Rodriguez.

Além disso, existe a contribuição do córrego que desce da represa localizada na Fazenda do saudoso Hernane Pato.

Somam-se ainda as águas provenientes de diversas propriedades rurais existentes acima daquela região.

Os mais antigos relatam que, em períodos chuvosos, o córrego começa a aumentar seu volume muito antes de alcançar a região do fundo da Santa Maria, justamente porque recebe contribuições sucessivas ao longo de todo o seu percurso.

Isso significa que o comportamento hidráulico daquele ponto depende de uma área muito maior do que aquela observada apenas ao redor da obra.

O crescimento urbano poderá alterar completamente a vazão futura

Outro aspecto que merece atenção diz respeito ao crescimento da cidade. Atualmente, parte da água da chuva ainda consegue infiltrar no solo porque existem áreas sem pavimentação e terrenos naturais. Entretanto, essa realidade tende a mudar. O próprio Distrito Industrial III deverá continuar recebendo investimentos.

Novos loteamentos poderão surgir. Mais ruas serão abertas. Novas residências serão construídas. Mais empresas poderão se instalar na região.

Com isso, áreas que hoje absorvem parte das águas das chuvas serão gradativamente substituídas por ruas asfaltadas, calçadas, galpões, estacionamentos e construções.

Na engenharia, esse processo é conhecido como impermeabilização do solo.

Quanto maior a impermeabilização, menor é a infiltração da água no terreno e maior passa a ser o volume escoado superficialmente para os córregos.

Em outras palavras, um córrego que hoje suporta determinado volume poderá, no futuro, receber uma quantidade significativamente maior de água devido as tempestades.

Por isso, projetos modernos de drenagem costumam considerar não apenas a realidade atual, mas também projeções de crescimento urbano.

Surge então uma dúvida legítima: O projeto da obra levou em consideração o desenvolvimento futuro daquela região de Cássia?

As manilhas utilizadas suportarão eventos climáticos extremos?

Esta talvez seja a principal preocupação levantada. Observando a obra, têm se a impressão de que o diâmetro das manilhas pode ser pequeno diante do volume de água normalmente transportado pelo córrego.

É importante esclarecer que uma avaliação visual não substitui cálculos de engenharia. Somente os profissionais responsáveis pelo projeto possuem condições técnicas para definir o dimensionamento adequado.

Entretanto, exatamente por isso, torna-se importante conhecer os critérios utilizados.

Algumas perguntas são naturais: Qual foi a vazão considerada para o dimensionamento das manilhas?

O projeto simulou chuvas intensas semelhantes às registradas nos últimos anos?

Foram utilizados dados hidrológicos específicos da bacia daquele córrego?

Houve estudo sobre a frequência das enchentes na região?

O cálculo levou em conta as mudanças climáticas e a maior intensidade das precipitações observadas atualmente?

São perguntas técnicas que interessam diretamente a todos da região que poderão sofrer futuramente.

Galhos, troncos e detritos também fazem parte do problema

Existe outro aspecto que merece reflexão. Durante grandes temporais, a água não desce sozinha. Ela costuma transportar galhos, troncos, folhas, lixo, entulho e diversos outros materiais.

Em estruturas abertas, como pontes, esse material normalmente encontra maior facilidade para seguir seu caminho.

Já em tubulações fechadas, qualquer acúmulo pode reduzir significativamente a capacidade de passagem da água.

Diante disso, surgem novas perguntas: O projeto considerou a possibilidade de obstrução parcial ou total das manilhas por materiais arrastados durante enchentes? Existe um plano permanente de limpeza e manutenção preventiva dessa estrutura?

Qual será a frequência dessa manutenção após a conclusão da obra?

Essas informações são importantes porque uma estrutura corretamente dimensionada pode perder eficiência caso não receba manutenção adequada ao longo dos anos.

Uma ponte seria uma alternativa tecnicamente mais adequada?

Ainda existe outro questionamento.

Em vez da implantação de uma galeria de manilhas, uma ponte poderia oferecer maior segurança hidráulica? Essa hipótese merece ser analisada tecnicamente, ainda há tempo.

Pontes preservam praticamente toda a largura natural do córrego, permitindo maior passagem das águas e também dos materiais sólidos transportados pelas enxurradas.

Já as manilhas, por melhores que sejam, sempre representam uma redução da seção natural de escoamento.

Naturalmente, a escolha entre uma ponte e uma galeria depende de estudos de engenharia, custos, características do terreno e diversos outros fatores.

Mas exatamente por isso cabe perguntar: Essa alternativa foi estudada durante a elaboração do projeto? Quais fatores levaram os responsáveis a optar pela solução atualmente adotada?

Existe projeto executivo disponível para consulta pública?

Outra questão importante diz respeito à transparência. Toda obra pública deve estar baseada em planejamento técnico.

Nesse sentido, a população tem o direito de conhecer algumas informações.

Entre elas: Existe projeto executivo específico para essa obra?

Foi elaborado memorial de cálculo hidráulico?

Há estudo hidrológico da bacia do córrego?

Existe Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) dos profissionais responsáveis?

Houve parecer ambiental quando necessário?

O projeto foi elaborado por equipe própria do município ou por empresa especializada?

Qual a previsão da vida útil da estrutura?

Responder essas perguntas fortalece a confiança da população nas decisões técnicas adotadas.

Como a obra está sendo executada?

Outro tema que naturalmente desperta interesse diz respeito à própria execução, a obra vem sendo realizada com participação de servidores municipais e também de trabalhadores terceirizados.

Diante disso, surgem questionamentos administrativos que podem ser esclarecidos pela Prefeitura.

Por exemplo: A obra está sendo executada integralmente com recursos próprios?

Existe contrato específico relacionado à execução? Houve processo licitatório para aquisição dos materiais utilizados?

Caso a legislação permita a execução direta pelo município, quais procedimentos administrativos fundamentaram essa decisão? Qual o custo estimado da obra?

Essas perguntas não representam suspeitas. São informações de interesse público que contribuem para a transparência da administração.

Planejamento é investimento, não despesa

Obras de drenagem normalmente permanecem em funcionamento durante muitas décadas. Quando corretamente planejadas, reduzem prejuízos e proporcionam segurança à população.

Por outro lado, caso uma estrutura venha a se mostrar insuficiente anos depois, sua substituição costuma ser extremamente cara.

Em muitos casos, torna-se necessário interromper o trânsito, remover pavimentação, demolir estruturas recém-construídas e investir novamente recursos públicos.

Por isso, investir em estudos técnicos antes da execução costuma ser muito mais econômico do que corrigir problemas depois.

Um debate que interessa ao futuro de Cássia

Questionar uma obra pública não significa ser contra sua realização. Pedir informações técnicas também não significa fazer acusações.

Ao contrário.

Uma sociedade democrática fortalece-se quando cidadãos, imprensa, vereadores e órgãos públicos dialogam de forma transparente sobre investimentos que permanecerão beneficiando — ou impactando — várias gerações.

Caso todos os estudos técnicos tenham sido realizados e demonstrem que as manilhas instaladas possuem capacidade suficiente para suportar as vazões atuais e futuras do córrego, a divulgação dessas informações certamente trará tranquilidade aos moradores.

Se, por outro lado, houver algum aspecto que ainda possa ser aperfeiçoado antes da conclusão da obra, este é justamente o momento mais adequado para avaliar eventuais ajustes.

O município de Cássia cresce, novos bairros surgem, o Distrito Industrial tende a se expandir e os eventos climáticos extremos tornaram-se cada vez mais frequentes. Diante dessa realidade, discutir o dimensionamento de uma obra de drenagem não é um exercício de crítica, mas de planejamento e responsabilidade.

Ao final, permanece uma mensagem simples: mais importante do que concluir rapidamente uma obra é garantir que ela esteja preparada para cumprir sua função com segurança pelos próximos 30, 50 ou 100 anos. Buscar essas respostas é um direito da população e um dever de transparência do poder público.

 

sábado, 27 de junho de 2026

VEÍCULO PÚBLICO É DO POVO: POR QUE É CORRETO QUE FIQUE NA GARAGEM NOS FINS DE SEMAN

"Se você não ler, não entenderá. Afinal, sábios são aqueles que buscam o entendimento."


Na última sessão ordinária da Câmara Municipal, realizada em 23 de junho, um vereador apresentou um Projeto de Lei para regulamentar o uso dos veículos de propriedade do município utilizados tanto pela Prefeitura quanto pela Câmara Municipal. A matéria foi aprovada em regime de urgência e estabelece regras gerais para a utilização da frota oficial, que deverão ser cumpridas por todos os servidores efetivos, comissionados e agentes políticos, incluindo secretários municipais, vereadores, prefeito e vice-prefeito.

A iniciativa busca garantir maior transparência, responsabilidade e respeito ao patrimônio público, deixando claro que os veículos oficiais existem para atender exclusivamente ao interesse da população. Com regras bem definidas, a expectativa é reduzir o uso indevido dos automóveis públicos, preservar os recursos do contribuinte e fortalecer a confiança da sociedade na administração municipal.

Quando um cidadão vê um carro oficial circulando pela cidade em um sábado, domingo ou feriado, é natural que surjam dúvidas: aquele veículo está realmente a serviço da população ou está sendo utilizado para fins particulares? Essa é uma questão que merece reflexão, pois os veículos públicos pertencem à sociedade e são adquiridos com recursos provenientes dos impostos pagos por todos.

Prefeituras, câmaras municipais e demais órgãos públicos precisam de veículos para prestar serviços essenciais. Eles são indispensáveis para o transporte de equipes, fiscalização, atendimento na saúde, manutenção de vias, visitas técnicas e diversas outras atividades de interesse coletivo. Fora dessas situações, porém, o uso do veículo perde sua finalidade pública.

Por isso, é justo e necessário que os automóveis oficiais permaneçam recolhidos às garagens dos órgãos públicos após o encerramento do expediente e durante os fins de semana, salvo em casos de emergência ou quando houver uma atividade oficial previamente justificada. Essa medida protege o patrimônio público, reduz gastos e fortalece a confiança da população na administração.

Quando um veículo oficial é utilizado para compromissos particulares, quem paga a conta é o contribuinte. Combustível, pneus, manutenção, seguro e depreciação do veículo representam despesas que poderiam ser evitadas e direcionadas para áreas prioritárias, como saúde, educação, infraestrutura e assistência social.

Outro aspecto importante é a igualdade. O carro oficial não é um benefício pessoal nem um privilégio concedido ao ocupante de um cargo público. Ele existe para atender ao interesse coletivo. Da mesma forma que um servidor não leva para casa computadores, máquinas ou equipamentos da repartição para uso particular, também não faz sentido utilizar veículos públicos fora da atividade administrativa.

Especialmente aos sábados, domingos e feriados, a circulação de carros oficiais deve ser exceção, nunca regra. Quando isso ocorre sem uma justificativa plausível, abre-se espaço para questionamentos da sociedade e para a desconfiança sobre a correta aplicação dos recursos públicos.

Além disso, manter os veículos recolhidos reduz o risco de acidentes, uso inadequado e até situações envolvendo consumo de bebidas alcoólicas por pessoas que eventualmente estejam conduzindo um patrimônio pertencente à população. Com o veículo guardado na garagem oficial, diminuem-se significativamente as possibilidades de utilização indevida.

A transparência também desempenha um papel fundamental. Veículos identificados com o nome do órgão público permitem que a própria população acompanhe sua utilização e ajude na fiscalização. Afinal, o patrimônio é público e seu uso deve ser igualmente público e transparente.

Defender regras claras para os veículos oficiais não significa dificultar o trabalho dos gestores ou dos servidores. Pelo contrário. Significa garantir que esses bens sejam utilizados exclusivamente para cumprir sua verdadeira missão: servir à população.

Quando um carro público permanece na garagem durante o fim de semana, a sociedade pode ter a tranquilidade de saber que ele estará disponível para trabalhar quando realmente for necessário. É uma atitude simples, mas que demonstra responsabilidade, respeito ao dinheiro público e compromisso com uma gestão eficiente.

O patrimônio é de todos. E justamente por isso deve ser preservado, utilizado com responsabilidade e destinado exclusivamente ao interesse coletivo.

 


quarta-feira, 24 de junho de 2026

SUS: A JOIA DA JUSTIÇA SOCIAL BRASILEIRA QUE INSPIRA O MUNDO

 

SUS: A JOIA DA JUSTIÇA SOCIAL BRASILEIRA QUE INSPIRA O MUNDO

 


Pense em um lugar onde sua conta bancária não define o tratamento que você recebe. Onde sua cor, sua profissão, sua religião ou seu endereço não são critérios para determinar se você terá atendimento médico. Esse lugar existe, é brasileiro e se chama Sistema Único de Saúde — SUS.

Completando 38 anos em 2026, o SUS é muito mais do que uma política pública. É um dos maiores projetos de inclusão social já construídos no mundo e um verdadeiro pacto civilizatório que desafia a lógica de uma sociedade cada vez mais desigual.

Não é privilégio. Não é favor. Saúde é um direito de todas as pessoas e um dever do Estado. O SUS não é apenas um arranjo administrativo; é uma conquista social que transformou a cidadania em realidade para milhões de brasileiros.

A ideia é simples, mas revolucionária: garantir acesso à saúde para todos, sem qualquer tipo de distinção. Esse princípio recebe o nome de universalidade. Na prática, significa que o empresário e o catador de recicláveis podem ser atendidos na mesma unidade, pelo mesmo profissional, com o mesmo direito à dignidade, ao respeito e ao cuidado.

Um modelo que inspira o mundo

Para se ter uma ideia da dimensão dessa conquista, o Brasil é o único país com mais de 200 milhões de habitantes que oferece acesso universal e gratuito à saúde. O SUS disponibiliza desde vacinas e medicamentos até transplantes de órgãos, tratamentos de câncer e cirurgias de alta complexidade.

Atualmente, mais de 160 milhões de brasileiros dependem exclusivamente do sistema público de saúde para receber atendimento.

Essa grandiosidade não passou despercebida internacionalmente. Representantes da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) já classificaram o SUS como uma das maiores políticas de inclusão social do planeta e uma inspiração para diversos países das Américas.

Para especialistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o SUS é uma verdadeira joia do Estado brasileiro. "O SUS é um modelo internacional de sucesso. Claro que possui problemas, até porque é gigantesco. Mas representa um extraordinário modelo de democracia, baseado na cobertura universal da saúde."

Inspiração além das fronteiras

A originalidade do SUS é tão relevante que seu modelo de Atenção Primária vem sendo estudado por países desenvolvidos.

O jornal britânico The Telegraph publicou uma reportagem questionando se um "projeto radical das favelas do Brasil" poderia ajudar a salvar o sistema de saúde inglês, o NHS, que enfrenta uma profunda crise.

O destaque está no trabalho dos Agentes Comunitários de Saúde, profissionais que visitam residências, criam vínculos de confiança com as famílias e atuam diretamente na prevenção de doenças. Inspirado nessa experiência brasileira, o NHS passou a testar projetos-piloto em bairros de Londres, com a perspectiva de expansão para outras regiões da Inglaterra.

Resultados que mudam vidas

Mais do que servir de inspiração internacional, o SUS produz resultados concretos.

A expectativa de vida dos brasileiros aumentou significativamente nas últimas décadas. Entre 2000 e 2022, houve um crescimento de 6,8 anos. No mesmo período, a mortalidade infantil caiu de 32 para 14 óbitos por mil nascidos vivos.

Esses avanços não aconteceram por acaso. São consequência de um sistema que alcança praticamente todo o território nacional e está presente em cerca de 90% dos municípios brasileiros. Por trás desses números existem milhões de vidas salvas, doenças prevenidas, tratamentos realizados e famílias amparadas.

Os desafios que ainda precisam ser enfrentados

Nenhuma obra humana é perfeita, e o SUS enfrenta desafios permanentes.

A insuficiência de financiamento, as filas para procedimentos especializados, a carência de profissionais em determinadas regiões e as desigualdades entre áreas urbanas e rurais continuam sendo obstáculos importantes.

Estudos da Fiocruz mostram que os grandes centros urbanos costumam oferecer serviços mais estruturados do que regiões remotas, evidenciando uma desigualdade que ainda precisa ser superada.

Reconhecer esses problemas não diminui a importância do SUS. Pelo contrário: reforça a necessidade de fortalecê-lo, aprimorá-lo e garantir que cumpra sua missão de forma cada vez mais eficiente.

Enquanto países como os Estados Unidos ainda discutem formas de ampliar o acesso à saúde e milhões de pessoas permanecem sem cobertura adequada, o Brasil mantém um princípio consagrado pela Constituição Federal de 1988: a saúde é um direito de todos.

Talvez a grandeza do SUS não esteja em ser perfeito, mas em ser justo. Em um país marcado por profundas desigualdades sociais, ele representa a garantia de que, pelo menos na hora de cuidar da vida, todos são iguais perante o atendimento à saúde. Se não existe outro sistema exatamente igual ao SUS no mundo, talvez seja porque poucos países tiveram a coragem de construir um projeto tão ambicioso e humano. Um projeto chamado justiça social.

Ainda tem gente que fala mal do SUS

"Falam mal, mas na hora da emergência correm para ele"

Por que criticar o SUS virou quase um esporte nacional e defendê-lo se tornou, muitas vezes, um ato de resistência? Sim, ainda existe muita gente que fala mal do SUS.

Nas redes sociais, nos grupos de família, nos bares, nas filas dos bancos e em conversas do cotidiano, é comum ouvir frases como: "O SUS é um lixo." "Não funciona." "Só serve para quem não tem plano de saúde." "É um buraco sem fundo para os impostos."

Mas frequentemente acontece uma mudança repentina de perspectiva. Basta surgir uma emergência. Um acidente de trânsito. Uma dor forte no peito. Uma criança com febre alta. Uma suspeita de dengue grave.

Nesses momentos, para onde essa mesma pessoa costuma correr? Para o SUS.

Porque o plano de saúde pode demorar para autorizar procedimentos. Porque o hospital particular mais próximo pode estar distante. Porque o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) está disponível para atender rapidamente quando a vida corre risco. O SUS atende cerca de 70% da população brasileira que não possui plano de saúde.

E mesmo entre aqueles que possuem convênio médico, a maioria já utilizou algum serviço do SUS, seja para vacinação, exames, transplantes, internações, medicamentos do Farmácia Popular ou atendimentos de urgência e emergência.

De onde vem tanta rejeição ao SUS? As críticas ao SUS não surgiram do nada. Elas costumam estar associadas a três fatores principais.

O subfinanciamento histórico. O sistema enfrenta há décadas dificuldades relacionadas ao financiamento. Quando faltam recursos, surgem filas maiores, equipamentos insuficientes, estruturas sobrecarregadas e profissionais trabalhando além do limite. Nesse contexto, muitas pessoas culpam o SUS pelos problemas, quando grande parte deles decorre justamente da falta de investimentos adequados. É como responsabilizar o médico pela doença do paciente. O problema não está necessariamente no sistema, mas nos recursos disponíveis para que ele funcione plenamente.

A construção de uma imagem negativa

Ao longo dos anos, o SUS também se tornou alvo de disputas ideológicas e políticas. Expressões como "SUS é coisa de pobre" ou afirmações que desqualificam profissionais da saúde pública foram repetidas inúmeras vezes, contribuindo para uma visão distorcida da realidade. Em muitos casos, cria-se a ideia de que somente a saúde privada oferece qualidade, enquanto a saúde pública seria sinônimo de ineficiência. Essa narrativa ignora milhares de atendimentos, cirurgias, transplantes, campanhas de vacinação e ações de prevenção realizadas diariamente.

A valorização exagerada do que vem de fora

Existe ainda um comportamento cultural bastante presente em parte da sociedade brasileira: valorizar automaticamente o que é estrangeiro e menosprezar aquilo que é nacional. Enquanto países desenvolvidos estudam aspectos do SUS, muitos brasileiros continuam tratando o sistema como símbolo de atraso.

É uma contradição evidente. "As pessoas falam mal do SUS até precisarem dele. Quando a vida está em jogo, ninguém pergunta se o médico é do SUS ou não. O que importa é receber atendimento. E o SUS atende."

O que muitos críticos ignoram

Quando alguém afirma que "o SUS não presta", vale refletir sobre algumas perguntas. Quem realizou as campanhas que vacinaram milhões de crianças brasileiras contra a poliomielite? O SUS.

Quem liderou ações fundamentais para o controle de doenças como sarampo e outras enfermidades imunopreveníveis? O SUS.

Quem realiza um dos maiores programas públicos de transplantes de órgãos do mundo? O SUS.

Quem distribuiu milhões de vacinas durante a pandemia de COVID-19 e garantiu acesso gratuito à imunização? O SUS.

Quem possibilita que um trabalhador rural do interior do país receba um transplante de coração, incluindo toda a complexa logística necessária para esse procedimento? O SUS.

O sistema possui defeitos. As filas existem. As demoras existem. Os problemas de gestão existem. Mas é preciso reconhecer a dimensão do desafio de oferecer atendimento a mais de 200 milhões de habitantes em um país continental.

A hipocrisia da frase "SUS é para pobre"

Uma das frases mais injustas e preconceituosas é afirmar que "o SUS é para pobre". Essa declaração revela desconhecimento sobre o próprio sistema.

Muitas vezes, quem faz essa afirmação já utilizou serviços do SUS e sequer percebeu. Além disso, a frase carrega uma visão elitista, como se pessoas de menor renda merecessem um atendimento inferior. A realidade é exatamente o contrário. O SUS é universal. Ele não pergunta quanto dinheiro você possui. Não pergunta sua cor. Não pergunta sua religião. Não pergunta sua orientação política. Não pergunta sua posição social. Pergunta apenas de que cuidado você precisa. E essa característica incomoda quem acredita que saúde deve ser tratada como mercadoria e não como direito.

Se é tão ruim, por que tantos países estudam o SUS?

O sistema brasileiro é referência internacional em diversas áreas. Vacinação em massa e vigilância epidemiológica. Atenção Primária baseada em agentes comunitários de saúde. Programas públicos de transplantes. Políticas de enfrentamento ao HIV/AIDS. Distribuição de medicamentos por meio da Farmácia Popular. Essas experiências são estudadas por governos, universidades e organismos internacionais.

A Organização Mundial da Saúde já reconheceu o SUS como um dos sistemas públicos mais inclusivos e equitativos do mundo. Por isso, quando um brasileiro afirma que o SUS não funciona, muitas vezes está reproduzindo uma visão simplificada que não corresponde à complexidade e à dimensão real do sistema.

Crítica é necessária. Desinformação, não.

Defender o SUS não significa afirmar que ele é perfeito. O sistema precisa de mais investimentos. Precisa de melhor gestão. Precisa valorizar seus profissionais. Precisa reduzir filas. Precisa modernizar processos e ampliar o acesso a tecnologias. Essas são críticas legítimas e construtivas.

São críticas feitas, inclusive, por quem mais acredita na importância do SUS.

O que não se sustenta é afirmar que o sistema não funciona ou que deveria deixar de existir. Para cerca de 160 milhões de brasileiros, o SUS não é uma teoria. É a diferença entre receber atendimento ou não receber. É a diferença entre viver e morrer. É a maior política de inclusão social já construída pelo país.

O SUS não pertence à esquerda nem à direita. Não pertence a governos. Não pertence a partidos. Pertence ao povo brasileiro. E enquanto houver quem tente desqualificá-lo, haverá também quem lembre uma verdade simples:

O SUS salva vidas todos os dias. Inclusive a sua, mesmo que você não perceba. O SUS não é perfeito. Mas é nosso.

E continua sendo uma das maiores conquistas sociais da história do Brasil.