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sábado, 29 de agosto de 2026

PERIGO À VISTA: ÁGUA ACUMULADA, MAU CHEIRO E CADÊ O ESCOAMENTO

 

PERIGO À VISTA: ÁGUA ACUMULADA, MAU CHEIRO E CADÊ O ESCOAMENTO

Mesmo antes do período de chuvas, grande volume de água permanece acumulado nos fundos do bairro Água Limpa. Moradores questionam se a intervenção realizada no local alterou o escoamento natural e cobram explicações da Prefeitura e fiscalização dos vereadores.

O que deveria representar uma melhoria na infraestrutura e facilitar a ligação entre o bairro Água Limpa e o Parque Industrial acabou despertando preocupação entre moradores que vivem nas proximidades do Córrego Santa Maria.

No trecho localizado nos fundos do bairro Água Limpa, imagens registradas no local mostram uma quantidade significativa de água acumulada, presença de detritos, resíduos e forte mau cheiro. O cenário chama ainda mais atenção porque, segundo os moradores, o período de chuvas mais intensas ainda não chegou e o volume de água represada já é considerável.

A situação levanta uma pergunta que precisa ser respondida tecnicamente: por que a água não está escoando normalmente pelo córrego?

Água parada: como e por que isso está acontecendo?

Segundo declaração atribuída a um vereador, a água existente no trecho estaria sem escoamento e parada.

Se essa informação estiver correta, surge outra questão: se o problema já foi percebido, por que uma solução ainda não foi apresentada para o local?

A intervenção realizada para melhorar a passagem entre as áreas deveria, naturalmente, preservar as condições adequadas de drenagem do córrego. Quando uma estrutura é instalada sobre um curso de água, é fundamental que exista uma passagem capaz de garantir a continuidade do fluxo.

Em uma situação como essa, as manilhas precisam permitir que a água entre e saia sem que a estrutura provoque um represamento. A passagem deve estar compatível com o nível do escoamento existente no local e com as condições hidráulicas do córrego.

De maneira geral, quando uma manilha é utilizada para permitir a passagem da água, sua instalação precisa ser tecnicamente adequada ao sentido e ao nível do escoamento. Se a estrutura ficar acima do nível por onde a água deveria sair, pode haver retenção e acúmulo. Da mesma forma, uma passagem inadequada, obstruída ou subdimensionada pode comprometer o fluxo.

Por isso, não basta apenas colocar uma manilha para afirmar que existe drenagem. É preciso verificar se ela realmente está cumprindo sua função.

O problema precisa ser avaliado no local

É justamente nesse ponto que surge a necessidade de uma avaliação técnica da obra e do sistema de drenagem.

Não cabe afirmar, apenas pela observação das imagens, que as manilhas são definitivamente a causa do represamento. Entretanto, o acúmulo de água registrado depois da intervenção é suficiente para justificar uma vistoria e esclarecer se existe relação entre a obra e a dificuldade de escoamento.

A pergunta é simples: a água está chegando ao ponto de passagem, mas não consegue sair na mesma proporção?

Se isso estiver acontecendo, é necessário descobrir a razão.

Pode haver diferença de nível, obstrução, dimensionamento inadequado, alteração no curso da água ou outro fator que somente uma avaliação técnica poderá determinar.

O que não parece razoável é que uma obra destinada a melhorar a infraestrutura termine criando um novo problema de drenagem sem que a situação seja devidamente investigada.

Mau cheiro e resíduos aumentam a preocupação

Outro aspecto que chama atenção é o mau cheiro existente no local, acompanhado de sujeira e resíduos acumulados.

A presença de água parada por longo período, especialmente em um ambiente onde também existem resíduos, exige atenção. Além do desconforto provocado pelo odor, o local pode oferecer condições inadequadas para a população que vive ou circula nas proximidades.

E quando chegar a época das chuvas?

Se atualmente, antes de um período de chuvas mais intensas, já existe um volume expressivo de água acumulada, a situação merece atenção justamente para evitar que um eventual problema de drenagem seja percebido somente quando ocorrer uma chuva forte.

Durante uma chuva intensa, a quantidade de água que chega ao córrego aumenta rapidamente.

Se houver algum ponto de estrangulamento, obstrução ou deficiência na passagem, o represamento poderá aumentar ainda mais.

Por isso, a questão não deve ser tratada apenas como um problema de aparência, mau cheiro ou acúmulo de sujeira. É necessário verificar se o sistema existente consegue suportar adequadamente o fluxo de água em diferentes condições.

Crianças devem ficar afastadas

Enquanto o local não for avaliado e considerado seguro, é recomendável que crianças e adolescentes não se aproximem nem entrem na água acumulada.

A presença de lodo, resíduos, profundidade irregular e possível contaminação torna o ambiente inadequado para brincadeiras.

Uma área que parece rasa pode apresentar desníveis ou condições desconhecidas no fundo, aumentando o risco de acidentes.

Quem fiscaliza a obra?

Diante desse cenário, a população tem motivos para pedir esclarecimentos.

A Prefeitura de Cássia deve informar quais serviços foram executados no local, qual era a finalidade da intervenção e quais critérios foram utilizados para garantir o escoamento adequado do Córrego Santa Maria.

Também é importante esclarecer:

  • Quem executou a obra?
  • Houve acompanhamento ou fiscalização técnica durante a execução?
  • Foi realizado algum estudo ou avaliação da drenagem?
  • As manilhas foram dimensionadas de acordo com a vazão do córrego?
  • A instalação respeitou o nível necessário para o escoamento?
  • Existe algum ponto de obstrução?
  • Há lançamento de esgoto no trecho?
  • Foi identificada alguma alteração no fluxo da água depois da intervenção?
  • Caso seja constatado um problema, quem será responsável pela correção?

São perguntas objetivas e que podem ser respondidas pela administração pública.

Vereadores devem acompanhar e fiscalizar

O caso também merece a atenção dos vereadores de Cássia, que possuem entre suas atribuições a fiscalização dos atos do Poder Executivo e o acompanhamento de questões de interesse da população.

Se existe uma denúncia de água parada, mau cheiro e possível problema de drenagem, cabe ao Legislativo buscar informações, visitar o local e cobrar os esclarecimentos necessários.

Não se trata de apontar culpados antecipadamente.

Trata-se de fiscalizar.

Se a obra foi corretamente executada e o problema tiver outra origem, uma avaliação técnica poderá esclarecer. Se, por outro lado, for identificado algum erro ou deficiência, será necessário corrigir o que estiver provocando o represamento.

O que a população não pode receber como resposta é apenas a constatação de que “a água está parada”.

Se ela está parada, é preciso saber por quê, desde quando, qual é a causa e o que será feito para que volte a escoar normalmente.

A população do bairro espera respostas

O Córrego Santa Maria e seu entorno fazem parte do cotidiano de moradores da região. Por isso, qualquer intervenção realizada no local precisa levar em consideração não apenas a passagem de veículos ou a ligação entre os bairros, mas também a drenagem, o escoamento da água e a segurança da população.

Uma obra de infraestrutura deve solucionar problemas, não criar novos pontos de preocupação.

As imagens registradas no local mostram uma situação que merece ser analisada pelas autoridades responsáveis.

A população aguarda um posicionamento oficial da Prefeitura de Cássia e espera que os vereadores acompanhem o caso, fiscalizem a obra e cobrem uma avaliação técnica.

Antes que o próximo período de chuvas transforme um ponto de água acumulada em um problema ainda maior, é melhor descobrir agora por que a água não está escoando e corrigir a situação, se for necessário.

O questionamento é legítimo: se a obra foi feita para melhorar a infraestrutura do local, por que hoje existe água acumulada, resíduos e mau cheiro onde deveria haver escoamento adequado?

A resposta precisa vir de quem executou, fiscalizou e tem responsabilidade sobre a área.

 


quinta-feira, 27 de agosto de 2026

ANTES DE VOTAR, PENSE: A FAKE NEWS QUE VOCÊ ACREDITA PODE ESTAR DECIDINDO SEU FUTURO

 

 

ANTES DE COMENTAR, LEIA A MATÉRIA COMPLETA.

Se você é favorável ou desfavorável, leia primeiro.

Esta matéria foi produzida com base em informações reais, fatos e dados, sem espaço para fake news ou conclusões tiradas de informações isoladas.

Não julgue o conteúdo apenas pelo título ou pelo cabeçalho. Leia, conheça os fatos apresentados, os esclarecimentos e os questionamentos e, somente depois, forme sua opinião.

 

ANTES DE VOTAR, PENSE: A FAKE NEWS QUE VOCÊ ACREDITA PODE ESTAR DECIDINDO SEU FUTURO

 

Em ano eleitoral, compartilhar uma informação falsa não é apenas um clique. Pode influenciar escolhas, destruir reputações e contaminar o debate democrático

Vivemos em uma época em que praticamente qualquer pessoa pode produzir, publicar e compartilhar informação em poucos segundos. Nunca foi tão fácil ter acesso às notícias — e, ao mesmo tempo, nunca foi tão necessário aprender a separar informação de boato.

O problema não está apenas em quem cria uma mentira. Está também em quem recebe uma mensagem, acredita imediatamente e a repassa sem verificar.

E esse comportamento se torna ainda mais perigoso durante um período eleitoral.

Nas redes sociais, uma mensagem acompanhada de uma fotografia, um vídeo ou uma suposta manchete pode adquirir aparência de verdade simplesmente porque foi compartilhada muitas vezes. Mas quantidade de compartilhamentos não transforma uma informação falsa em fato.

Uma mentira repetida continua sendo uma mentira.

O eleitor não pode terceirizar sua consciência

A escolha de um candidato deveria ser resultado da análise de propostas, histórico, comportamento público, capacidade e informações verificáveis.

Entretanto, não é raro que o eleitor seja exposto a conteúdos produzidos justamente para provocar medo, raiva, indignação ou entusiasmo.

Esse é um dos grandes perigos da desinformação: ela não precisa convencer pela qualidade dos argumentos. Muitas vezes, basta provocar uma reação emocional suficientemente forte para fazer alguém compartilhar antes de pensar.

A Organização Mundial da Saúde diferencia a desinformação da informação falsa compartilhada sem intenção de enganar. Segundo a entidade, a desinformação é produzida ou disseminada conscientemente com a intenção de enganar, podendo ter motivações econômicas, ideológicas, religiosas ou políticas.

Por isso, diante de uma mensagem política, a pergunta mais importante não deveria ser:

“Isso confirma aquilo em que eu acredito?”

Mas:

“Isso é verdade?”

O problema começa quando acreditamos porque queremos acreditar

Existe uma armadilha muito comum nas redes sociais: aceitar rapidamente aquilo que confirma nossas próprias opiniões e desconfiar automaticamente daquilo que as contraria.

Isso pode acontecer com pessoas de qualquer posição política.

O eleitor que compartilha uma acusação falsa contra um adversário pode estar contribuindo para uma injustiça. Da mesma forma, quem divulga uma informação falsa para favorecer seu próprio candidato também está prejudicando o debate público.

A responsabilidade precisa valer para todos.

Democracia não significa acreditar em tudo o que favorece o nosso lado.

Democracia significa ter liberdade para escolher, mas também responsabilidade para buscar informação confiável antes de fazer essa escolha.

A urna eletrônica também virou alvo de boatos

Um exemplo recente mostra como a desinformação eleitoral pode aparecer em detalhes aparentemente pequenos.

Em agosto de 2026, o Tribunal Superior Eleitoral desmentiu uma mensagem que circulava nas redes afirmando que o eleitor deveria esperar aparecer na urna eletrônica a frase “Confirma o seu voto” antes de apertar a tecla verde.

Segundo o TSE, essa mensagem não aparece na tela da urna.

Pode parecer um boato sem importância. Não é.

Informações falsas sobre o funcionamento da votação podem gerar insegurança justamente no momento em que o eleitor precisa estar tranquilo para exercer seu direito.

E esse é apenas um exemplo entre muitos tipos de conteúdo que podem circular durante uma eleição.

O TSE reforça a importância da checagem

A própria Justiça Eleitoral mantém mecanismos para ajudar o cidadão a verificar informações.

Em agosto de 2026, o TSE reformulou a página Fato ou Boato, reunindo checagens, conteúdos educativos e informações verificadas para auxiliar os eleitores na identificação de notícias falsas relacionadas às eleições.

Isso mostra algo importante: o eleitor não precisa depender exclusivamente da mensagem que recebeu em um grupo de WhatsApp ou de um vídeo que apareceu em sua rede social.

É possível procurar a fonte original.

É possível consultar órgãos oficiais.

É possível comparar a informação com veículos jornalísticos confiáveis.

É possível esperar alguns minutos antes de compartilhar.

Cinco perguntas que podem evitar um erro

Antes de encaminhar uma mensagem política, o cidadão deveria fazer pelo menos cinco perguntas:

1. Quem publicou isso originalmente?

Uma mensagem que começa com “estão escondendo de você” ou “a imprensa não vai mostrar” merece atenção redobrada.

2. Existe uma fonte identificável?

Procure o documento, a entrevista, a decisão judicial, a declaração completa ou a notícia original.

3. Outros veículos confiáveis noticiaram o mesmo fato?

Uma informação extraordinária não deveria depender de uma única postagem anônima.

4. A informação é atual?

Fotos, vídeos e notícias antigas frequentemente reaparecem como se fossem acontecimentos recentes.

5. Estou compartilhando porque verifiquei ou porque fiquei com raiva?

Essa talvez seja a pergunta mais importante.

Se a mensagem provocou indignação imediata, vale fazer uma pausa.

Nem tudo que parece notícia é notícia

Outro cuidado necessário é aprender a diferenciar notícia, opinião, sátira, propaganda, comentário e conteúdo manipulado.

Um vídeo pode ser verdadeiro e, ainda assim, estar sendo utilizado para sustentar uma afirmação falsa.

Uma fotografia pode ser verdadeira, mas ter sido tirada em outro país ou em outra época.

Uma frase atribuída a um político pode existir, mas ter sido retirada do contexto.

Um documento pode ser verdadeiro, mas sua interpretação apresentada na postagem pode estar completamente errada.

É por isso que verificar apenas a imagem ou o título não é suficiente.

É preciso procurar o contexto.

A mentira também pode destruir relações

Os prejuízos da desinformação não aparecem apenas nas urnas.

Boatos podem provocar brigas entre familiares, rompimentos entre amigos, perseguições nas redes sociais e acusações contra pessoas que sequer tiveram oportunidade de se defender.

Na área da saúde, os efeitos podem ser ainda mais graves. A Organização Mundial da Saúde alerta que informações falsas ou enganosas podem provocar confusão, estimular comportamentos de risco e aumentar a desconfiança em autoridades e especialistas.

Ou seja: informação falsa não é apenas um problema virtual.

Ela pode produzir consequências muito reais.

O eleitor não precisa acreditar em tudo. Precisa aprender a verificar

Não é necessário ser jornalista, advogado, cientista ou especialista em política para desconfiar de uma informação.

É necessário apenas desenvolver o hábito de conferir.

Antes de compartilhar, pare.

Leia além do título.

Procure a fonte.

Veja a data.

Compare.

Consulte fontes oficiais quando o assunto envolver eleições, leis, órgãos públicos ou procedimentos eleitorais.

E, principalmente, não transforme preferência política em prova de verdade.

Uma eleição saudável depende também do comportamento do eleitor

Nenhum candidato, partido, tribunal, governo, imprensa ou rede social pode substituir completamente a responsabilidade individual de quem recebe uma informação.

O cidadão continua sendo o último elo dessa corrente.

Uma mentira pode ser criada por uma pessoa, impulsionada por outra e alcançar milhares porque alguém decidiu apertar o botão de compartilhar sem conferir.

É aí que cada eleitor tem poder para interromper o ciclo.

Não compartilhar uma informação que você não verificou não significa ser omisso.

Significa responsabilidade.

Em uma democracia, o voto é secreto, mas a responsabilidade de se informar é pública.

O Brasil precisa de eleitores livres para escolher, mas também suficientemente críticos para não permitir que uma mentira escolha por eles.

Antes de votar, informe-se. Antes de acreditar, verifique. Antes de compartilhar, pense.

Porque, quando a informação é falsa, o clique pode ser rápido — mas as consequências podem durar muito tempo.

 


quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Praça JK: finalmente, a cobrança por um serviço que já preocupava.

 

Praça JK: finalmente, a cobrança por um serviço que já preocupava.

Quero começar esta matéria parabenizando o vereador — ou os vereadores — que recentemente levaram à Câmara Municipal a situação da Praça Juscelino Kubitschek (Praça JK) e cobraram providências quanto aos problemas encontrados na execução da obra.

Segundo foi dito por um vereador durante uma sessão recente, ele já havia encaminhado, no dia 23 de janeiro deste ano, um ofício à Secretaria de Obras relatando problemas no assentamento dos ladrilhos, das pedras portuguesas e também em parte do estacionamento.

O parlamentar destacou ainda que o serviço mal executado poderia oferecer risco de queda, principalmente para idosos e crianças, e informou que algumas dessas situações estão sendo corrigidas.

É importante reconhecer essa atitude.

Não importa se o vereador é da situação, da oposição ou se temos ou não afinidade política com ele. Quando um parlamentar observa um problema em uma obra pública, faz uma cobrança formal e busca uma solução, está cumprindo seu papel de representante da população.

E, neste caso, a situação da Praça JK não era exatamente uma novidade.

 

Desde o início da obra, já era possível observar problemas que chamavam a atenção de quem passava pelo local. Eu mesmo, logo no começo dos trabalhos, conversei pessoalmente com o atual vice-prefeito, nas proximidades da praça, e manifestei minha preocupação com a qualidade daquele serviço.

Naquela ocasião, ouvi que se tratava de uma obra do Governo Federal e que a Caixa Econômica Federal teria que verificar a situação. Fiz então uma ponderação: independentemente da origem dos recursos, existem responsabilidades de fiscalização que precisam ser cumpridas pelos órgãos competentes.

Depois daquele episódio, escrevi sobre o assunto e o texto está circulando pela internet.

Também tive a oportunidade de comentar o problema durante um encontro na Rádio Cultura FM com um deputado, relatando aquilo que estava acontecendo na Praça JK. Na ocasião, ele afirmou que iria verificar a situação.

O tempo passou.

E agora vemos novamente o assunto chegar à Câmara Municipal, desta vez acompanhado de uma cobrança formal feita por vereador.

Por isso, a parabenização é necessária.

Quando um vereador vê um problema, não ignora e leva a questão para dentro da Câmara, merece reconhecimento.

Não porque tenha feito algo extraordinário, mas porque é justamente uma das funções de um parlamentar: estar atento ao que acontece na cidade e cobrar providências quando necessário.

A Praça JK é um dos espaços mais importantes e tradicionais de Cássia. É um lugar de passagem, convivência e memória da cidade. Por isso, uma obra realizada ali precisa ser executada com cuidado e qualidade.

E fica também uma lição para todos nós:

a população precisa olhar, observar e cobrar.

Nem sempre será necessário um grande escândalo para chamar atenção. Às vezes, basta alguém perceber um serviço mal executado, comentar, denunciar e insistir até que o problema seja corrigido.

Que outros vereadores continuem atentos.

Que a população também continue observando.

E que, sempre dentro da lei e com respeito aos fatos, aquilo que estiver errado seja apontado e corrigido.

Porque o dinheiro investido nas obras públicas é dinheiro que pertence à população.

Fiscalizar não é ser contra. Cobrar não é perseguir. E reconhecer o vereador que cumpre seu papel também faz parte da democracia.

 

 

domingo, 16 de agosto de 2026

O Presidente, a Cadeira e os Cinco Sentidos


 

O Presidente, a Cadeira e os Cinco Sentidos

“Não preciso de cargo para sentir a cidade. Preciso que a cidade sinta a si mesma.”

Eu não tenho solução para todos os problemas. E, com toda a humildade que carrego no peito, nunca pretendi ter cargo, nem ser bajulador de gestores, nem frequentar círculos fechados onde se decide o destino dos outros sem consultar os próprios afetados. Não sou agregado de ninguém, a não ser da cidade onde nasci e das pessoas que nela vivem, trabalham, lutam e sobrevivem.

Tradicionalmente, aceitamos que nós, seres humanos, possuímos cinco sentidos principais. E é por meio deles que percebemos o mundo ao nosso redor. Podemos usá-los para nos proteger e, silenciosamente, também para auxiliar outros, sejam eles do nosso círculo de convivência ou não.

Mas proteger uma cidade não se faz dentro de um lavatório.

Protege-se uma cidade com olhos que enxergam o esgoto a céu aberto; com ouvidos que escutam o choro da mãe que não tem remédio ou leite para o filho; com mãos que ajudam a tapar os buracos das ruas; com o nariz que sente o cheiro de mofo e abandono; e com a boca que não se cala diante da injustiça, mas também sabe compartilhar o pão com quem não tem nada.

Voltar ao passado e trazer para o presente erros e acertos não significa que eu tenha a chave do futuro. Sei, isso sim, que os acertos do passado podem fortalecer o futuro. Mas um erro do passado, quando repetido sem vergonha e sem aprendizado, deixa de ser apenas um erro antigo e passa a produzir desgraças no presente.

E talvez a maior desgraça que conheço seja acreditar que um só homem  ou uma só mulher pode salvar uma comunidade inteira.

Por isso, com todo o respeito e carinho ao leitor, encontrem-me na fila do pão, na porta da UBS, no meio da rua, no barulho da obra que nunca termina. É nesses lugares que estamos. Lá, sentados no mesmo meio-fio, a gente troca ideia. E, trocando ideia, descobre que a solução não está em mim está em nós.

Eu não quero ser mais nem menos que ninguém. Sou igual. Tenho os mesmos medos, as mesmas contas para pagar, a mesma angústia diante do noticiário e a mesma alegria quando vejo uma criança correndo na praça.

E é justamente essa igualdade que me move a escrever.

Não para ditar regras, não para me colocar acima de ninguém, mas para lembrar que a memória coletiva é um dos maiores patrimônios que possuímos e que ninguém deveria ter o direito de apagá-la.

Se olharmos para trás, veremos acertos que nos fortaleceram: mãos que ergueram creches, vizinhos que cuidaram de vizinhos durante as enchentes, professores que deram aula sem merenda, mas deram amor e esperança.

Esses acertos são tijolos para o futuro.

Mas, se olharmos para trás e encontrarmos erros promessas vazias, obras superfaturadas, vasão vedada, favores trocados por silêncio, perceberemos que esses erros não são apenas manchas no passado. São feridas abertas no presente, que insistem em sangrar enquanto fingimos que não existem.

Mas eu não estou aqui para apontar o dedo.

Estou aqui para estender o jeito.

E a caráter que estendo não quer um cargo. Quer, isso sim, que você  que está lendo estas palavras agora — pare por cinco minutos e use os seus próprios sentidos.

Veja o que está sendo esquecido no seu bairro.

Ouça a voz de quem não tem vez.

Toque no ombro de quem precisa de amparo.

Sinta o cheiro do abandono e reaja a ele.

Prove o amargo da indiferença e decida que amanhã pode ser mais doce.

Se eu fosse um administrador, seria um administrador solitário, porque administrar sozinho é o mesmo que conduzir uma cidade para o precipício. Prefiro ser um anotador de calçada, um enviado de esquina, um contador de histórias que não se cansa de repetir: a cidade somos nós.

Não os de cima, não os de fora. Nós, que acordamos cedo, que pegamos ônibus lotado para ir à lavoura, que enfrentamos as dificuldades do dia a dia e que, mesmo cansados, ainda encontramos motivos para sorrir.

Ao que me indica ou comenta sem conhecer a minha história, digo: guarde essa sua energia de confiança. Mas não a deposite em mim.

Deposite-a na sua própria identidade.

Participe da reunião do bairro. Pergunte ao idoso da sua rua como ele está. Escute quem precisa ser ouvido. Cobre do vereador, sim. Cobre do prefeito, sim. Cobre dos gestores, sim. Mas cobre também de si mesmo aquilo que você pode fazer hoje.

Porque o futuro não se constrói com uma faixa.

Constrói-se com mãos sujas de trabalho, com vozes roucas de tanto reivindicar, com olhos marejados de esperança — mas esperança ativa, não passiva.

Esperança que levanta da cadeira.

Esperança que sai de casa.

Esperança que participa.

Termino como comecei: não tenho solução para todos os problemas.

Mas tenho uma certeza que nenhum cargo pode comprar: eu sou um de vocês.

E, enquanto for um de vocês, continuarei escrevendo. Não para agradar gestores, nem para me colocar acima de ninguém, mas para ser ouvido por todos como igual.

Se um dia eu me assentar na bancada de um caixão, que seja para partir em paz, sabendo que deixei pouco, mas deixei aquilo que pude registrar, sem me vender, sem me calar e sem abocanhar aquilo que não me pertencia.

Até lá, continuo na minha cadeira de escritor.

Uma cadeira humilde, que range um pouco, mas que tem espaço para todo mundo que quiser sentar ao meu lado e construir junto.

Principalmente pela cidade.

Principalmente pelo povo.

Porque, no fim das contas, nenhum presidente, nenhum governador, nenhum prefeito, nenhum vereador, nenhum abastado e nenhum escritor é maior que a cidade.

A cidade e seu povo são maiores que todos nós.

E uma cidade só começa a mudar de verdade quando o seu povo decide enxergá-la, ouvi-la, senti-la e, principalmente, participar da sua construção, sem deixar as coisas boas pelo caminho e sem permitir que as ruins sequer comecem.

Porque o ontem é a memória do hoje, e o hoje é a construção do futuro.

O dever de todos nós é enxergar antes que aconteça. É aprender com o ontem, agir no hoje e impedir que os erros de amanhã se tornem realidade.

 

 

sábado, 15 de agosto de 2026

CÓRREGO SANTA RITA: O ALERTA QUE NÃO PODE ESPERAR AS PRÓXIMAS CHUVAS


 

Antes de comentar, leia a matéria completa.

Não julgue apenas pelo título.

Uma opinião consciente é construída com informação, não com suposições.

CÓRREGO SANTA RITA: O ALERTA QUE NÃO PODE ESPERAR AS PRÓXIMAS CHUVAS

Moradores e poder público ainda têm o restante da janela da estiagem que já está acabando para agir e evitar que um drama anunciado se concretize em Cassia.

A paisagem da Avenida Santa Rita, em Cassia, ainda vive os dias secos típicos dessa época do ano. No entanto, por trás da calma aparente, um velho problema segue latente e, a cada temporada de chuvas, ganha novos contornos de preocupação. O córrego Santa Rita, que corta a cidade, é o protagonista de uma história que se repete há décadas e que, segundo especialistas e moradores, precisa ser reescrita com urgência.

O problema não é novo. Desde os anos 80, a falta de capacidade de escoamento do córrego, especialmente em um ponto crítico nas proximidades da farmácia e do posto de gasolina, já era debatida. O que se viu desde então foram administrações que passaram, obras pontuais e promessas, mas a estrutura principal permaneceu praticamente inalterada. A consequência é previsível: quando as chuvas chegam com mais intensidade, o transbordamento se torna questão de tempo.

Agora, se deixarem o período de estiagem passar, a oportunidade que seria ideal para planejar e executar intervenções e o começo de abertura continuará no memo. É nessa janela que abre todo ano e pode, com mais segurança e eficiência, realizar a desobstrução e a abertura do trecho mais comprometido do córrego. Isso é para garantir que a água encontre um caminho livre para seguir seu curso natural em direção ao rio, evitando que ela mesma abra novas rotas, invadindo ruas, comércios e residências.

O objetivo na época do entupimento com a canalização foi apenas embelezar o local, não pensaram em um futuro próximo, ficou bonito, mas o caminho das águas já não tem mais eficácia.

O alerta se torna ainda mais relevante diante das mudanças climáticas. As chuvas intensas e concentradas em curtos períodos têm se tornado cada vez mais comuns. O que antes era uma enchente previsível, hoje pode se transformar em uma água selvagem rápida e devastadora, especialmente em uma região onde o solo, predominantemente barroso, já é historicamente conhecido por sua instabilidade quando saturado é só o asfalto soltar a desgraça chega.

Não se trata apenas de um problema hidráulico. A composição do solo na região, que em tempos passados era um grande atoleiro, adiciona um componente geotécnico de alto risco. Com o acúmulo de água, esse solo perde resistência, podendo provocar erosões, afundamentos e até mesmo comprometer a estrutura de prédios e casas erguidos nas proximidades. O risco, portanto, não é apenas de alagamentos, mas de danos estruturais graves e irreversíveis.

Outro ponto que merece atenção é a liberação de alvarás para construções em áreas próximas ao córrego ainda continua. Cada nova edificação em local inadequado reduz ainda mais a capacidade de intervenção futura e aumenta a vulnerabilidade da região como um todo.

A solução para o problema exige o engajamento de todos os lados. O poder público tem a obrigação de planejar e executar obras estruturais, priorizando ações que realmente façam diferença na segurança da população. Mas a comunidade também tem seu papel. É direito e dever dos moradores cobrar, acompanhar e fiscalizar as ações necessárias.

Historicamente, a mobilização e a falação em torno do córrego Santa Rita só acontecem nos dias de chuva. Passada a tempestade, o silêncio volta a predominar. No entanto, para que as mudanças ocorram, é fundamental que a pressão seja constante e organizada, independentemente do clima.

O que motivou esta matéria deixa claro: o córrego Santa Rita é uma tragédia anunciada. Pode ser que as obras não comecem amanhã, pode ser que o tempo passe sem que uma solução definitiva seja adotada. Mas, se um dia o pior acontecer, não se poderá dizer que ninguém avisou.

A natureza está dando seus sinais. O que se viu no Sul do país e em outras regiões do mundo serve de exemplo do que pode acontecer quando a prevenção é deixada de lado. Agir, mesmo que com pequenos passos, como a desobstrução de um trecho crítico, é a garantia de que vidas e patrimônios serão protegidos.

A mensagem final é clara e ecoa um velho ditado que nunca perde a validade: prevenir é sempre melhor do que remediar. O momento de agir tem que começar. O córrego Santa Rita não pode esperar a próxima enchente para ser lembrado.