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sábado, 25 de julho de 2026

A FAMÍLIA BOLSONARO E O BRASIL: UMA TRAJETÓRIA DE ATAQUES À DEMOCRACIA E AO BEM-ESTAR SOCIAL

 



A FAMÍLIA BOLSONARO E O BRASIL: UMA TRAJETÓRIA DE ATAQUES À DEMOCRACIA E AO BEM-ESTAR SOCIAL

Por que esta matéria é necessária agora!

Nos últimos anos, acompanhamos um capítulo sombrio da história recente do Brasil. Não se trata de política partidária – trata-se de um projeto de poder que, em todas as suas frentes, agiu para desmontar instituições, atacar os mais vulneráveis e colocar os interesses pessoais e familiares acima do interesse nacional. Esta matéria não é um manifesto, é um alerta documentado para que nenhum brasileiro se esqueça do que essa família representa.

JAIR BOLSONARO:

O PASSADO QUE ELES NUNCA REPUDIARAM

Entre 1964 e 1985, o Brasil viveu uma ditadura militar que torturou, matou e fez desaparecer centenas de opositores. Jair Bolsonaro serviu nesse regime – entrou no Exército em 1973, virou capitão em 1980 e só saiu da ativa em 1988, bem depois da redemocratização.

Mas o problema não é ter servido. O problema é que, ao longo de toda sua carreira política, ele nunca condenou a tortura. Pelo contrário: Em 2016, dedicou seu voto no impeachment de Dilma Rousseff ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra – chefe do DOI-CODI, reconhecido pela Justiça como torturador.

Defendeu publicamente a volta do AI-5, o ato que fechou o Congresso e suspendeu o habeas corpus durante a ditadura.

Chamou a ditadura de "intervenção necessária" e disse que "o erro foi torturar, mas não matar".

Tradução: O capitão do Exército que serviu na ditadura cresceu politicamente defendendo os métodos da ditadura. E quando chegou ao poder, agiu como um ditador em potencial.

O QUE ELES FIZERAM NO PODER (2019–2022)

Não é exagero dizer que o governo Bolsonaro foi um laboratório de destruição institucional. Vejamos os pilares:

Meio Ambiente, acabara com a fiscalização do IBAMA; incentivaram garimpo em terras indígenas; liberaram queimadas. Recorde histórico de desmatamento na Amazônia; imagem internacional do Brasil destruída.

Ciência e Saúde, cortaram verbas de universidades; chamaram a ciência de "ideologia"; negaram vacinas e chamaram covid de "gripinha".      Mais de 700 mil mortos por covid; fuga de cérebros; atraso científico de uma década.

Democracia,    atacaram o STF; defenderam fechamento do Congresso; semearam dúvidas sobre as urnas sem provas.       Enfraquecimento das instituições; clima de golpe permanente.

Armas, facilitaram a posse de fuzis e pistolas para civis.     Aumento exponencial de armas nas ruas; fortalecimento de milícias e armas nas igrejas.

Direitos Humanos, atacaram LGBTs, negros, indígenas, MST e cotas raciais. Retrocesso em direitos conquistados; ódio institucionalizado.

Resumo: Enquanto o mundo pedia equilíbrio, eles plantaram caos. Enquanto a ciência pedia vacinas, eles jogaram contra. Enquanto a democracia pedia respeito, eles atacaram o próprio sistema que os elegeu.

A FUGA ESTRATÉGICA – O QUE REVELA

Em 30 de dezembro de 2022, Jair Bolsonaro pegou um avião para Orlando, dois dias antes da posse do novo presidente. Quebrou a tradição republicana de passar a faixa. Ficou 3 meses fora, voltou quando a poeira baixou.

Por que fugiu? Não era férias. Era para: evitar a transição e a fiscalização.

Criar uma narrativa de "perseguição" para mobilizar apoiadores.

Assistir de camarote ao ataque de 8 de janeiro, enquanto seus seguidores invadiam os Três Poderes. O recado é claro: quem não respeita a cerimônia de posse não respeita a democracia.

 

EDUARDO BOLSONARO –

O "EMBAIXADOR" QUE NINGUÉM ELEGEU

Eduardo, deputado licenciado, foi para os EUA em outubro de 2024 e não tem previsão de volta. Lá, age como se fosse um representante oficial do Brasil – sem ter cargo nenhum.

O que ele fez lá que prejudica o Brasil: Falou sobre tarifas comerciais com Trump, atropelando o Itamaraty e confundindo negociações oficiais.

Criticou o novo governo em solo estrangeiro, interferindo nas eleições brasileiras.

Indicou que o Brasil pode sair do BRICS e alinhar-se aos EUA, desagradando a China (nosso maior parceiro comercial).

Resultado: O Brasil fica com a imagem de país ingovernável, onde um deputado sem cargo fala em nome da nação. Prejuízo diplomático e econômico real.

 

FLÁVIO BOLSONARO

O FILHO QUE PODE IR PARA A CADEIA

Enquanto Eduardo articula lá fora, Flávio enfrenta a Justiça aqui dentro. As acusações são pesadas: Rachadinhas: Quando deputado estadual, funcionários devolviam parte do salário para ele.

Lavagem de dinheiro: O dinheiro passava por contas de laranjas, com o ex-PM Fabrício Queiroz como operador.

Associação criminosa: Esquema organizado por mais de uma década.

Ele é réu no TJ-RJ e no STF. Alega perseguição, mas as provas documentais são fartas.

 

A CONCLUSÃO QUE NÃO PODE SER IGNORADA

Analisando a trajetória da família Bolsonaro – do antepassado militar que elogia torturadores ao pai que ataca a democracia, passando pelos filhos que fogem da Justiça e prejudicam o país no exterior –, não há um único feito consistente em benefício do povo brasileiro.

Pelo contrário: Desmataram a Amazônia. Desprezaram a ciência e a saúde. Atacaram negros, mulheres, LGBTs, indígenas e pobres. Fugiram da responsabilidade. Prejudicaram a economia e a diplomacia.

 Os Bolsonaro não gostam do Brasil. Eles gostam do poder, do dinheiro e da impunidade.

 

O QUE FAZER? DEFENDER A DEMOCRACIA

A democracia é imperfeita, lenta, frustrante. Mas ela é o único sistema que permite: Eleger e destituir governantes pacificamente. Garantir direitos a minorias. Punir corruptos e criminosos. Liberdade de expressão e de imprensa.

O regime militar que os Bolsonaro defendem matou, torturou e censurou. A democracia que ele atacou nos deu o SUS, a constituição cidadã e a liberdade que temos hoje.

Não caia no discurso de que "tudo está perdido" ou de que " a solução é um golpe" ou é" preciso mudar". " não! Por trás de um rosto aparentemente comum pode existir uma mente onde a maldade se esconde em silêncio.

A solução é votar, fiscalizar, participar, cobrar. É difícil, mas é o único caminho que não termina em sangue e lágrimas.

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Conhecimento é a única arma contra a desinformação. Mostre para seus amigos, familiares, vizinhos. Lembre-os de que a história não pode ser apagada e que os erros do passado não podem se repetir.

O Brasil já sobreviveu a uma ditadura. Não precisamos revivê-la. Precisamos de coragem para lembrar, criticar e seguir em frente – com democracia, respeito e justiça social.

Esta matéria é baseada em fatos públicos, decisões judiciais, declarações oficiais e documentos históricos. A opinião expressa é uma análise crítica, mas os dados são verificáveis por qualquer cidadão.

 

ONDE VERIFICAR CADA FATO (FONTES OFICIAIS):

  • Ditadura e torturas: Relatório da Comissão Nacional da Verdade (gov.br) e decisões do TRF-3 sobre o caso Ustra.
  • Elogio a Ustra: Vídeo do voto de Bolsonaro no impeachment de 2016 – disponível no canal oficial da Câmara dos Deputados no YouTube.
  • Desmatamento: Dados do PRODES/INPE (site do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).
  • Armas: Relatórios do Exército/SINARM e auditorias do TCU.
  • Covid e "gripinha": Relatório final da CPI da Pandemia (site do Senado Federal).
  • Viagem de Jair aos EUA: Notas oficiais da Presidência e registros da PF/Receita Federal divulgados pela imprensa.
  • Licença de Eduardo Bolsonaro: Diário Oficial da Câmara dos Deputados (out/2024).
  • Reunião com Trump: Vídeos e posts oficiais de Eduardo nas redes sociais + notícias da AP e CNN.
  • Flávio e as "rachadinhas": Denúncias do MPRJ e processos no TJ-RJ; inquéritos no STF.
  • Movimentações financeiras (Queiroz): Relatórios do Coaf anexados aos processos.

Dica: Priorize sempre sites com .gov.br e veículos de imprensa de credibilidade (Agência Brasil, Folha, G1, UOL, Estadão). Tudo que está aqui tem registro em áudio, vídeo ou papel.

 

sábado, 18 de julho de 2026

Máquinas do Jornal A Vanguarda: patrimônio histórico não pode ser tratado como sucata

 

Máquinas do Jornal A Vanguarda: patrimônio histórico não pode ser tratado como sucata

As imagens recentemente divulgadas mostrando as antigas máquinas da gráfica do tradicional jornal A Vanguarda jogadas entre entulhos, materiais de construção e sucatas despertaram indignação em grande parte da população de Cássia. Mais do que equipamentos antigos, essas máquinas representam um importante capítulo da história do município.

Durante décadas, foi por meio delas que notícias, acontecimentos, documentos históricos, anúncios e fatos marcantes da cidade chegaram às mãos da população. Antes da internet e das redes sociais, A Vanguarda era um dos principais meios de comunicação do município, registrando acontecimentos que hoje fazem parte da memória coletiva de Cássia.

Também fui colaborador desse jornal. Nas décadas de 1970, 1980 e nos anos 2000 escrevi diversas matérias, contos e textos publicados em suas páginas. Assim como muitos cidadãos, utilizei esse veículo para transmitir ideias e participar da vida da comunidade. Por isso, ver essas máquinas abandonadas causa profunda tristeza.

Independentemente de estarem ou não em funcionamento, seu valor histórico permanece intacto. Elas simbolizam uma época em que a informação era produzida artesanalmente, preservando fatos que hoje ajudam a contar a história de nossa cidade.

A Constituição Federal, em seu artigo 216, reconhece como patrimônio cultural os bens materiais que possuem referência à identidade, à memória e à história da sociedade, determinando que o Poder Público tem o dever de promover sua proteção e preservação.

Diante dessa situação, cabe aos vereadores exercerem seu papel de fiscalização e defesa do patrimônio público. Eles podem solicitar informações oficiais ao Executivo, requerer a suspensão de qualquer venda ou descarte dessas máquinas, provocar a atuação do Conselho Municipal de Patrimônio Histórico, propor seu tombamento municipal e, se necessário, encaminhar representação ao Ministério Público para apuração dos fatos.

O que está em discussão não é apenas um conjunto de equipamentos antigos. Está em jogo a preservação da memória de Cássia. Uma administração pública existe para construir, organizar, preservar e transmitir às futuras gerações aquilo que representa sua identidade.

Se essas máquinas desaparecerem, desaparecerá também uma parte da história escrita do município. As novas gerações talvez sequer acreditem que Cássia possuía um jornal impresso capaz de registrar, semana após semana, os acontecimentos que moldaram sua trajetória.

Mesmo que o município ainda não disponha de um museu ou espaço adequado para exposição permanente, isso não justifica tratar um patrimônio histórico como sucata. É preferível mantê-lo protegido e conservado até que exista um local apropriado do que permitir sua destruição ou alienação.

Preservar a memória não significa viver do passado. Significa respeitar a história que construiu o presente. Assim como encontramos nos livros, documentos e monumentos a prova da existência de grandes acontecimentos da humanidade, também devemos preservar os objetos que contam a história de nossa própria cidade.

Espera-se que o Poder Executivo esclareça a situação dessas máquinas e adote imediatamente medidas para garantir sua conservação. Da mesma forma, espera-se que a Câmara Municipal, o Conselho de Patrimônio Histórico e toda a sociedade civil atuem para impedir que um patrimônio de valor inestimável seja perdido para sempre.

A história de um município não pode ser vendida como ferro-velho


sexta-feira, 17 de julho de 2026

A INDÚSTRIA DOS CACHÊS MILIONÁRIOS ESTÁ MATANDO AS FESTAS POPULARES?


A INDÚSTRIA DOS CACHÊS MILIONÁRIOS ESTÁ MATANDO AS FESTAS POPULARES?

O debate que chegou a hora de enfrentar

Antes de comentar, leia a matéria completa. Não julgue apenas pelo título. Uma opinião consciente é construída com informação, não com suposições.

Eventos tradicionais estão sendo sufocados por custos cada vez mais altos. Enquanto grandes artistas cobram valores milionários, cidades pequenas enfrentam o desafio de manter festas acessíveis à população.

O cancelamento da 43ª Expoal, anunciado pelo Sindicato dos Produtores Rurais de Alpinópolis, abriu uma discussão que vai muito além de uma festa específica. A questão envolve um problema que vem crescendo em diversas cidades brasileiras: o aumento exagerado dos custos para realização de grandes eventos, principalmente envolvendo shows sertanejos de artistas consagrados.

Durante a abertura da VentAgro, feira de agronegócios do Sindicato dos Produtores Rurais de Alpinópolis, o assunto foi colocado em debate: até que ponto é viável para municípios, sindicatos. Casas de shows e organizadores continuarem pagando cachês milionários para poucos artistas, enquanto a conta final acaba pesando para toda a comunidade?

A crítica não é direcionada aos cantores que trabalham de forma justa e valorizam seu talento, mas sim ao modelo atual do mercado de grandes shows, onde alguns cachês atingem valores que parecem incompatíveis com a realidade de pequenas cidades.

Não parece razoável, segundo os defensores de uma revisão nesse modelo, que um artista seja contratado para cantar pouco mais de uma hora em uma cidade de aproximadamente 20 mil habitantes e receba valores que podem chegar a R$ 1 milhão e meio ou mais, enquanto produtores rurais, trabalhadores e moradores precisam enfrentar diariamente uma realidade muito diferente para conquistar seus recursos.

E o problema não termina no valor do cachê.

Um grande show envolve uma série de outros custos: estrutura de palco, som, iluminação, transporte, hospedagem, segurança, alimentação, camarim, equipe técnica, taxas e diversos outros investimentos que fazem o orçamento aumentar ainda mais.

No final, a pergunta que fica é: quem realmente vai pagar essa conta?

Muitas vezes, quando o evento é realizado gratuitamente em praça pública ou recebe apoio de recursos públicos, o dinheiro sai dos cofres municipais, justamente em cidades que possuem outras prioridades como saúde, educação, infraestrutura e serviços básicos.

Outro ponto levantado é a falta de retorno proporcional. Grandes atrações nem sempre garantem público suficiente para cobrir tamanha estrutura financeira. Sem uma participação efetiva da população, comércio, empresas patrocinadoras e setores envolvidos, o modelo se torna cada vez mais difícil de sustentar.

Uma cultura acessível ou um privilégio para poucos?

A discussão não é acabar com os eventos ou impedir que grandes artistas se apresentem. A questão é buscar equilíbrio e responsabilidade. Acabar com a Máfia de empresários deste país.

Festas tradicionais sempre tiveram um papel importante na vida das comunidades: movimentam o comércio, valorizam a cultura local, geram empregos e proporcionam lazer para famílias inteiras.

Mas quando os valores cobrados por algumas atrações tornam esses eventos inviáveis, a população acaba sendo prejudicada.

Enquanto alguns defendem que o mercado d

O debate levantado em Alpinópolis coloca uma pergunta importante para todo o Brasil:

Vale a pena gastar milhões em um único show enquanto tantas cidades têm dificuldades para manter seus eventos tradicionais?

Talvez seja o momento de valorizar mais artistas regionais, municipais, atrações de qualidade com custos responsáveis e formatos que permitam que mais pessoas tenham acesso à cultura e ao entretenimento.

Porque cultura não pode ser transformada em um privilégio de poucos. Ela precisa continuar sendo um espaço de encontro, celebração e participação popular.

Falar sobre esse assunto pode causar desconforto, mas ignorar o problema pode custar ainda mais caro no futuro com outras prioridades como saúde, educação, infraestrutura e serviços básicos.e shows precisa ser revisto, outros alertam para o crescimento de um sistema onde empresários e intermediários acabam concentrando grande parte dos recursos, deixando organizadores e municípios pressionados por contratos cada vez mais caros.

A hora de repensar o modelo

O debate levantado em Alpinópolis coloca uma pergunta importante para todo o Brasil:

Vale a pena gastar milhões em um único show enquanto tantas cidades têm dificuldades para manter seus eventos tradicionais?

Talvez seja o momento de valorizar mais artistas regionais, municipais, atrações de qualidade com custos responsáveis e formatos que permitam que mais pessoas tenham acesso à cultura e ao entretenimento.

Porque cultura não pode ser transformada em um privilégio de poucos. Ela precisa continuar sendo um espaço de encontro, celebração e participação popular.

Falar sobre esse assunto pode causar desconforto, mas ignorar o problema pode custar ainda mais caro no futuro com outras prioridades como saúde, educação, infraestrutura e serviços básicos.

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quarta-feira, 15 de julho de 2026

DRENAGEM DO CÓRREGO NO BAIRRO ÁGUA LIMPA LEVANTA QUESTIONAMENTOS TÉCNICOS E REFORÇA A IMPORTÂNCIA DA TRANSPARÊNCIA NAS OBRAS PÚBLICA

 


Obra que fará a ligação entre o Bairro Água Limpa e o Distrito Industrial III desperta dúvidas sobre o dimensionamento da drenagem, o planejamento para o crescimento urbano e os estudos técnicos utilizados no projeto.

As obras de infraestrutura são fundamentais para o desenvolvimento de qualquer município. Elas melhoram a mobilidade, facilitam o acesso entre bairros, impulsionam o crescimento econômico e proporcionam mais qualidade de vida à população. Entretanto, tão importante quanto executar uma obra é garantir que ela seja planejada para atender não apenas às necessidades atuais, mas também às demandas das próximas décadas.

É justamente nesse contexto que a obra de drenagem do córrego localizada no final da Rua São Jorge, no Bairro Água Limpa, em Cássia (MG), passou a despertar o interesse e a preocupação de quem conhece a região e acompanha sua evolução há muitos anos.

A intervenção tem como objetivo permitir a ligação entre o Bairro Água Limpa e o Distrito Industrial III, uma conexão considerada importante para o desenvolvimento daquela área da cidade. Porém, junto com a expectativa positiva pela melhoria da infraestrutura, surgem questionamentos que merecem ser respondidos de forma técnica e transparente.

É importante deixar claro desde o início que esta matéria não tem a finalidade de criticar a Administração Municipal, os engenheiros responsáveis, os servidores públicos ou qualquer profissional envolvido na execução da obra. Muito menos pretende afirmar que exista qualquer erro no projeto.

O objetivo é outro: promover um debate responsável sobre um tema que poderá impactar a cidade por muitos anos e registrar dúvidas que vêm levantando, enquanto ainda há tempo para que eventuais esclarecimentos sejam apresentados ou, se necessário, que ajustes técnicos possam ser realizados.

O passado ensina que obras de drenagem merecem atenção especial

Quem vive em Cássia há muitos anos certamente se lembra das discussões ocorridas durante a canalização do Córrego Santa Rita.

Na época, também houve quem manifestou preocupação quanto à capacidade da estrutura de suportar grandes volumes de água.

Com o passar dos anos, a realidade mostrou que os alagamentos passaram a fazer parte da rotina daquela região.

Hoje, mesmo chuvas de intensidade moderada podem provocar o transbordamento das águas, causando transtornos na Avenida Santa Rita, na Rodoviária e em diversos imóveis próximos.

Naturalmente, surge uma reflexão importante: As experiências vividas pelo município no passado estão sendo consideradas no planejamento das novas obras de drenagem?

Essa é uma pergunta que interessa a toda a população, independentemente de posições políticas.

Um córrego que recebe água de uma extensa bacia hidrográfica

Para compreender a importância da obra, é necessário conhecer a realidade daquele córrego.

Diferentemente do que muitas pessoas imaginam, ele não recebe apenas a água das chuvas que caem nas proximidades do Bairro Água Limpa.

Sua bacia de drenagem é bastante ampla.

Grande parte da água proveniente da região das antigas olarias dos Bernardos, das áreas conhecidas como antiga olaria do Lazinho Vilela e do Gildo segue naturalmente para esse curso d'água.

Também chegam ao córrego as águas que passam pelos fundos da antiga propriedade do saudoso Ari Rodriguez.

Além disso, existe a contribuição do córrego que desce da represa localizada na Fazenda do saudoso Hernane Pato.

Somam-se ainda as águas provenientes de diversas propriedades rurais existentes acima daquela região.

Os mais antigos relatam que, em períodos chuvosos, o córrego começa a aumentar seu volume muito antes de alcançar a região do fundo da Santa Maria, justamente porque recebe contribuições sucessivas ao longo de todo o seu percurso.

Isso significa que o comportamento hidráulico daquele ponto depende de uma área muito maior do que aquela observada apenas ao redor da obra.

O crescimento urbano poderá alterar completamente a vazão futura

Outro aspecto que merece atenção diz respeito ao crescimento da cidade. Atualmente, parte da água da chuva ainda consegue infiltrar no solo porque existem áreas sem pavimentação e terrenos naturais. Entretanto, essa realidade tende a mudar. O próprio Distrito Industrial III deverá continuar recebendo investimentos.

Novos loteamentos poderão surgir. Mais ruas serão abertas. Novas residências serão construídas. Mais empresas poderão se instalar na região.

Com isso, áreas que hoje absorvem parte das águas das chuvas serão gradativamente substituídas por ruas asfaltadas, calçadas, galpões, estacionamentos e construções.

Na engenharia, esse processo é conhecido como impermeabilização do solo.

Quanto maior a impermeabilização, menor é a infiltração da água no terreno e maior passa a ser o volume escoado superficialmente para os córregos.

Em outras palavras, um córrego que hoje suporta determinado volume poderá, no futuro, receber uma quantidade significativamente maior de água devido as tempestades.

Por isso, projetos modernos de drenagem costumam considerar não apenas a realidade atual, mas também projeções de crescimento urbano.

Surge então uma dúvida legítima: O projeto da obra levou em consideração o desenvolvimento futuro daquela região de Cássia?

As manilhas utilizadas suportarão eventos climáticos extremos?

Esta talvez seja a principal preocupação levantada. Observando a obra, têm se a impressão de que o diâmetro das manilhas pode ser pequeno diante do volume de água normalmente transportado pelo córrego.

É importante esclarecer que uma avaliação visual não substitui cálculos de engenharia. Somente os profissionais responsáveis pelo projeto possuem condições técnicas para definir o dimensionamento adequado.

Entretanto, exatamente por isso, torna-se importante conhecer os critérios utilizados.

Algumas perguntas são naturais: Qual foi a vazão considerada para o dimensionamento das manilhas?

O projeto simulou chuvas intensas semelhantes às registradas nos últimos anos?

Foram utilizados dados hidrológicos específicos da bacia daquele córrego?

Houve estudo sobre a frequência das enchentes na região?

O cálculo levou em conta as mudanças climáticas e a maior intensidade das precipitações observadas atualmente?

São perguntas técnicas que interessam diretamente a todos da região que poderão sofrer futuramente.

Galhos, troncos e detritos também fazem parte do problema

Existe outro aspecto que merece reflexão. Durante grandes temporais, a água não desce sozinha. Ela costuma transportar galhos, troncos, folhas, lixo, entulho e diversos outros materiais.

Em estruturas abertas, como pontes, esse material normalmente encontra maior facilidade para seguir seu caminho.

Já em tubulações fechadas, qualquer acúmulo pode reduzir significativamente a capacidade de passagem da água.

Diante disso, surgem novas perguntas: O projeto considerou a possibilidade de obstrução parcial ou total das manilhas por materiais arrastados durante enchentes? Existe um plano permanente de limpeza e manutenção preventiva dessa estrutura?

Qual será a frequência dessa manutenção após a conclusão da obra?

Essas informações são importantes porque uma estrutura corretamente dimensionada pode perder eficiência caso não receba manutenção adequada ao longo dos anos.

Uma ponte seria uma alternativa tecnicamente mais adequada?

Ainda existe outro questionamento.

Em vez da implantação de uma galeria de manilhas, uma ponte poderia oferecer maior segurança hidráulica? Essa hipótese merece ser analisada tecnicamente, ainda há tempo.

Pontes preservam praticamente toda a largura natural do córrego, permitindo maior passagem das águas e também dos materiais sólidos transportados pelas enxurradas.

Já as manilhas, por melhores que sejam, sempre representam uma redução da seção natural de escoamento.

Naturalmente, a escolha entre uma ponte e uma galeria depende de estudos de engenharia, custos, características do terreno e diversos outros fatores.

Mas exatamente por isso cabe perguntar: Essa alternativa foi estudada durante a elaboração do projeto? Quais fatores levaram os responsáveis a optar pela solução atualmente adotada?

Existe projeto executivo disponível para consulta pública?

Outra questão importante diz respeito à transparência. Toda obra pública deve estar baseada em planejamento técnico.

Nesse sentido, a população tem o direito de conhecer algumas informações.

Entre elas: Existe projeto executivo específico para essa obra?

Foi elaborado memorial de cálculo hidráulico?

Há estudo hidrológico da bacia do córrego?

Existe Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) dos profissionais responsáveis?

Houve parecer ambiental quando necessário?

O projeto foi elaborado por equipe própria do município ou por empresa especializada?

Qual a previsão da vida útil da estrutura?

Responder essas perguntas fortalece a confiança da população nas decisões técnicas adotadas.

Como a obra está sendo executada?

Outro tema que naturalmente desperta interesse diz respeito à própria execução, a obra vem sendo realizada com participação de servidores municipais e também de trabalhadores terceirizados.

Diante disso, surgem questionamentos administrativos que podem ser esclarecidos pela Prefeitura.

Por exemplo: A obra está sendo executada integralmente com recursos próprios?

Existe contrato específico relacionado à execução? Houve processo licitatório para aquisição dos materiais utilizados?

Caso a legislação permita a execução direta pelo município, quais procedimentos administrativos fundamentaram essa decisão? Qual o custo estimado da obra?

Essas perguntas não representam suspeitas. São informações de interesse público que contribuem para a transparência da administração.

Planejamento é investimento, não despesa

Obras de drenagem normalmente permanecem em funcionamento durante muitas décadas. Quando corretamente planejadas, reduzem prejuízos e proporcionam segurança à população.

Por outro lado, caso uma estrutura venha a se mostrar insuficiente anos depois, sua substituição costuma ser extremamente cara.

Em muitos casos, torna-se necessário interromper o trânsito, remover pavimentação, demolir estruturas recém-construídas e investir novamente recursos públicos.

Por isso, investir em estudos técnicos antes da execução costuma ser muito mais econômico do que corrigir problemas depois.

Um debate que interessa ao futuro de Cássia

Questionar uma obra pública não significa ser contra sua realização. Pedir informações técnicas também não significa fazer acusações.

Ao contrário.

Uma sociedade democrática fortalece-se quando cidadãos, imprensa, vereadores e órgãos públicos dialogam de forma transparente sobre investimentos que permanecerão beneficiando — ou impactando — várias gerações.

Caso todos os estudos técnicos tenham sido realizados e demonstrem que as manilhas instaladas possuem capacidade suficiente para suportar as vazões atuais e futuras do córrego, a divulgação dessas informações certamente trará tranquilidade aos moradores.

Se, por outro lado, houver algum aspecto que ainda possa ser aperfeiçoado antes da conclusão da obra, este é justamente o momento mais adequado para avaliar eventuais ajustes.

O município de Cássia cresce, novos bairros surgem, o Distrito Industrial tende a se expandir e os eventos climáticos extremos tornaram-se cada vez mais frequentes. Diante dessa realidade, discutir o dimensionamento de uma obra de drenagem não é um exercício de crítica, mas de planejamento e responsabilidade.

Ao final, permanece uma mensagem simples: mais importante do que concluir rapidamente uma obra é garantir que ela esteja preparada para cumprir sua função com segurança pelos próximos 30, 50 ou 100 anos. Buscar essas respostas é um direito da população e um dever de transparência do poder público.

 

sábado, 27 de junho de 2026

VEÍCULO PÚBLICO É DO POVO: POR QUE É CORRETO QUE FIQUE NA GARAGEM NOS FINS DE SEMAN

"Se você não ler, não entenderá. Afinal, sábios são aqueles que buscam o entendimento."


Na última sessão ordinária da Câmara Municipal, realizada em 23 de junho, um vereador apresentou um Projeto de Lei para regulamentar o uso dos veículos de propriedade do município utilizados tanto pela Prefeitura quanto pela Câmara Municipal. A matéria foi aprovada em regime de urgência e estabelece regras gerais para a utilização da frota oficial, que deverão ser cumpridas por todos os servidores efetivos, comissionados e agentes políticos, incluindo secretários municipais, vereadores, prefeito e vice-prefeito.

A iniciativa busca garantir maior transparência, responsabilidade e respeito ao patrimônio público, deixando claro que os veículos oficiais existem para atender exclusivamente ao interesse da população. Com regras bem definidas, a expectativa é reduzir o uso indevido dos automóveis públicos, preservar os recursos do contribuinte e fortalecer a confiança da sociedade na administração municipal.

Quando um cidadão vê um carro oficial circulando pela cidade em um sábado, domingo ou feriado, é natural que surjam dúvidas: aquele veículo está realmente a serviço da população ou está sendo utilizado para fins particulares? Essa é uma questão que merece reflexão, pois os veículos públicos pertencem à sociedade e são adquiridos com recursos provenientes dos impostos pagos por todos.

Prefeituras, câmaras municipais e demais órgãos públicos precisam de veículos para prestar serviços essenciais. Eles são indispensáveis para o transporte de equipes, fiscalização, atendimento na saúde, manutenção de vias, visitas técnicas e diversas outras atividades de interesse coletivo. Fora dessas situações, porém, o uso do veículo perde sua finalidade pública.

Por isso, é justo e necessário que os automóveis oficiais permaneçam recolhidos às garagens dos órgãos públicos após o encerramento do expediente e durante os fins de semana, salvo em casos de emergência ou quando houver uma atividade oficial previamente justificada. Essa medida protege o patrimônio público, reduz gastos e fortalece a confiança da população na administração.

Quando um veículo oficial é utilizado para compromissos particulares, quem paga a conta é o contribuinte. Combustível, pneus, manutenção, seguro e depreciação do veículo representam despesas que poderiam ser evitadas e direcionadas para áreas prioritárias, como saúde, educação, infraestrutura e assistência social.

Outro aspecto importante é a igualdade. O carro oficial não é um benefício pessoal nem um privilégio concedido ao ocupante de um cargo público. Ele existe para atender ao interesse coletivo. Da mesma forma que um servidor não leva para casa computadores, máquinas ou equipamentos da repartição para uso particular, também não faz sentido utilizar veículos públicos fora da atividade administrativa.

Especialmente aos sábados, domingos e feriados, a circulação de carros oficiais deve ser exceção, nunca regra. Quando isso ocorre sem uma justificativa plausível, abre-se espaço para questionamentos da sociedade e para a desconfiança sobre a correta aplicação dos recursos públicos.

Além disso, manter os veículos recolhidos reduz o risco de acidentes, uso inadequado e até situações envolvendo consumo de bebidas alcoólicas por pessoas que eventualmente estejam conduzindo um patrimônio pertencente à população. Com o veículo guardado na garagem oficial, diminuem-se significativamente as possibilidades de utilização indevida.

A transparência também desempenha um papel fundamental. Veículos identificados com o nome do órgão público permitem que a própria população acompanhe sua utilização e ajude na fiscalização. Afinal, o patrimônio é público e seu uso deve ser igualmente público e transparente.

Defender regras claras para os veículos oficiais não significa dificultar o trabalho dos gestores ou dos servidores. Pelo contrário. Significa garantir que esses bens sejam utilizados exclusivamente para cumprir sua verdadeira missão: servir à população.

Quando um carro público permanece na garagem durante o fim de semana, a sociedade pode ter a tranquilidade de saber que ele estará disponível para trabalhar quando realmente for necessário. É uma atitude simples, mas que demonstra responsabilidade, respeito ao dinheiro público e compromisso com uma gestão eficiente.

O patrimônio é de todos. E justamente por isso deve ser preservado, utilizado com responsabilidade e destinado exclusivamente ao interesse coletivo.