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terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

EXISTE UM CAMINHO REAL PARA UM CARNAVAL MELHOR EM CÁSSIA MG — E ELE DEPENDE DE TODOS NÓS

 

EXISTE UM CAMINHO REAL PARA UM CARNAVAL MELHOR EM CÁSSIA MG — E ELE DEPENDE DE TODOS NÓS

 


Depois de tantas mensagens, comentários, opiniões e lembranças compartilhadas, uma certeza ficou evidente: o povo quer ver o Carnaval vivo novamente. Não apenas como uma festa maluca e cheia de confusões, mas como um verdadeiro encontro de alegria, tradição e convivência. Diante disso, surge uma visão concreta e possível de como pode funcionar um modelo de Carnaval em Cássia — um formato mais humano, participativo, seguro e também mais econômico.

Essa sugestão não nasce de crítica vazia, mas da escuta popular. O objetivo não é apontar erros do passado ou mesmo do presente, e sim demonstrar que existe solução para o futuro. O caminho não está em eventos cada vez mais caros e pesados, e sim em um modelo inteligente, cultural e bem organizado, que valorize o que sempre foi a essência do nosso Carnaval: o povo nas ruas, os blocos desfilando, as famílias participando e o samba que contagia e faz sorrir.

O Carnaval deve ser gratuito e realizado em circuito de rua organizado, com início no começo da noite e encerramento por volta da meia-noite, no máximo até 1h da madrugada. Esse detalhe muda tudo. Com horário definido, a festa ganha ritmo, disciplina e segurança. Não haveria necessidade de manter praças fechadas ou cercadas, pois o próprio fluxo natural se encerraria com o término dos desfiles. Ao final do cortejo, o público se dispersa tranquilamente, como acontecia antigamente, evitando aglomerações prolongadas e reduzindo riscos.

Esse formato diminui custos e melhora a segurança ao mesmo tempo. Com duração equilibrada e programação contínua, reduz-se a necessidade de estruturas excessivas, como grande quantidade de banheiros químicos ou montagens complexas. Eventos longos e estáticos exigem mais estrutura justamente porque as pessoas permanecem concentradas por horas no mesmo local. Já uma programação dinâmica, com início, meio e fim bem definidos, permite que o público participe, aproveite e retorne para casa com tranquilidade.

O mesmo princípio vale para estruturas caras e exageradas. Palcos gigantes, equipamentos enormes e montagens complexas elevam despesas sem necessariamente melhorar a qualidade cultural do evento. Um modelo mais leve, baseado em blocos em movimento e acompanhamento musical itinerante, utiliza estrutura funcional, reduz custos logísticos e melhora a circulação das pessoas, evitando pontos críticos de concentração.

Além disso, quanto menor o tempo de permanência enlevada do público, menor também a probabilidade de conflitos e desordens. A própria dinâmica do desfile passa a funcionar como mecanismo natural de organização: o cortejo passa, o público acompanha, celebra e segue. Essa rotatividade diminui a pressão sobre segurança, limpeza e atendimento, permitindo que esses serviços atuem de forma preventiva e eficiente, e não apenas reativa.

Na prática, isso representa um Carnaval mais seguro, mais leve, mais organizado e mais econômico — sem perder a alegria, a animação e o brilho cultural que tornam a festa especial. Quando o planejamento e a simplicidade caminham juntos, o resultado é melhor para todos: para quem participa, para quem trabalha e para toda a cidade.

Outro ponto fundamental é o protagonismo dos blocos carnavalescos. São eles que realmente dão vida ao Carnaval, fazem o público vibrar, cantar e se emocionar. Os blocos tradicionais devem ser fortalecidos, enquanto novos grupos devem ser incentivados a surgir. Com cadastro oficial, ordem de desfile e horários definidos, garante-se fluidez, evita-se atrasos e mantém-se a animação constante, sem intervalos que esfriem o clima.

Em vez da contratação de bandas com cachês elevados, que consomem grande parte do orçamento público em poucas horas de apresentação, esses recursos poderiam ser redistribuídos de forma mais estratégica e culturalmente produtiva. Direcionar esse investimento para blocos tradicionais e também para os novos grupos que vêm surgindo fortaleceria a base do Carnaval, incentivando a criatividade local, valorizando artistas da própria comunidade e ampliando a participação popular. Com esse modelo, o dinheiro deixaria de se concentrar em atrações pontuais e passaria a impulsionar toda a estrutura festiva, promovendo crescimento coletivo, identidade cultural e sustentabilidade financeira para a festa.

Como também para fortalecer ainda mais esses blocos, a sugestão inclui mobilização comunitária. Comerciantes, apoiadores e moradores podem colaborar voluntariamente com instrumentos, tecidos, adereços, apoio logístico ou patrocínios locais. Pequenas contribuições, somadas, tornam-se grandes conquistas. Assim, os blocos podem investir em figurinos, percussão, estandartes e identidade visual, elevando o nível artístico sem depender exclusivamente de recursos públicos.

Vou citar de onde vem o dinheiro usado pela Prefeitura para realizar o Carnaval e não surge de um fundo separado exclusivo para festas. Ele vem do orçamento geral do município, que é formado por várias receitas públicas. Em termos técnicos de finanças públicas municipais, as principais fontes são: Impostos municipais. Repasses dos governos estadual e federal. E Taxas e arrecadações locais. Que são previstos na Lei Orçamentária Anual (LOA) aprovada pela Câmara Municipal. Ou seja: o gasto não é improvisado — ele precisa estar autorizado no orçamento antes, então se o gasto é exagerado excessivamente em determinado setor e sem a fiscalização devida, a Câmara tem uma grande porcentagem de culpa em todos erros que se possa cometer a gestão, pois o orçamento anual aprovado pela Câmara Municipal define quanto cada área pode gastar. Se a Prefeitura decide gastar menos com festividades, existem três cenários possíveis a destinar a Verba livre. Se o dinheiro estiver em uma rubrica de cultura, turismo ou eventos sem vinculação obrigatória, ele pode ser remanejado para outras áreas — como: saúde, infraestrutura, assistência social, educação complementar, manutenção urbana. Esse remanejamento geralmente exige: decreto do prefeito ou autorização legislativa (dependendo do valor e da lei orçamentária).

Verba vinculada, alguns recursos públicos vêm com destino obrigatório por lei (ex.: parte da educação e da saúde) então esse recurso não pode ser usado em festividades, como o carnaval; é somente um exemplo, ou seja, se uma verba foi transferida por convênio específico para evento cultural, ela não pode simplesmente ser usada para outra finalidade. E porque citei essa parte onde fala de verba, pois um gestor de bom entendimento faria uma festividade simples com menos custos, e o não gasto da verba ou sobra, em pleno acordo envia se a verba as áreas mais necessitadas, como a saúde por exemplo.

Continuando com a sugestão:

Quando a própria comunidade participa da construção da festa, também passa a acompanhar de perto sua organização, fortalecendo a transparência e dificultando desperdícios ou gastos injustificados. Modelos simples e participativos reduzem brechas para despesas infladas, ou desviadas e aumentam a confiança popular.

As escolas também poderiam ter um papel essencial e fundamental. Em oficinas de música, dança, percussão e confecção de fantasias ao longo do ano, envolveriam crianças e jovens, despertando interesse pela cultura carnavalesca e garantindo continuidade para as próximas gerações. Dessa forma, o Carnaval deixa de ser apenas um evento anual e passa a ser um movimento cultural permanente que educa, integra e fortalece a identidade local.

Empresas locais podem apoiar blocos específicos, fortalecendo simultaneamente a festa e o comércio. Quanto maior a participação da sociedade, menor a necessidade de altos gastos públicos. Trata-se de um sistema colaborativo em que todos ajudam e todos se beneficiam.

Para assegurar organização e confiança, a coordenação poderia contar com uma comissão formada por representantes da comunidade, blocos, artistas, comerciantes, vereadores e poder público. Decisões coletivas aumentam a fiscalização social, evitam erros e constroem um evento mais justo, representativo e aceito pela população.

É importante entender: não se trata de voltar ao passado exatamente como era, pois o tempo segue adiante. O que se busca é resgatar o espírito que fazia o Carnaval ser esperado o ano inteiro — o sentimento de pertencimento, união e alegria verdadeira.

Carnaval bom não é o mais caro.
É o mais vivido.
O mais seguro.
O mais participativo.
O mais transparente.
O mais verdadeiro.

Essa sugestão mostra que existe, sim, um caminho possível, viável e realista. Um caminho que depende de pouco dinheiro e mais de união. Quando a comunidade participa, acredita e contribui, a festa deixa de ser apenas um evento e volta a ser aquilo que sempre deveria ter sido: uma celebração autêntica do povo para o povo.

Não se deve esquecer do Carnaval quando os batuques silenciam. É justamente agora, depois da festa, que nasce a oportunidade de pensar, planejar e construir um evento ainda melhor para o próximo ano. O momento de buscar melhorias é no presente, enquanto ainda existe disposição e memória do que pode evoluir. Assim evitamos o esquecimento e também críticas futuras que poderiam ter sido transformadas em atitudes. A sugestão foi dada; agora é tempo de união, compromisso e trabalho coletivo para seguir em frente e fazer do próximo Carnaval uma celebração ainda mais digna do seu povo.

Porque onde existe vontade, existe caminho.
Onde existe união, existe solução.
E onde existe um povo unido, sempre existirá Carnaval.

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