EXISTE UM CAMINHO REAL PARA UM CARNAVAL MELHOR EM CÁSSIA MG — E ELE DEPENDE DE TODOS NÓS
Depois
de tantas mensagens, comentários, opiniões e lembranças compartilhadas, uma
certeza ficou evidente: o povo quer ver o Carnaval vivo novamente. Não apenas
como uma festa maluca e cheia de confusões, mas como um verdadeiro encontro de
alegria, tradição e convivência. Diante disso, surge uma visão concreta e
possível de como pode funcionar um modelo de Carnaval em Cássia — um formato
mais humano, participativo, seguro e também mais econômico.
Essa
sugestão não nasce de crítica vazia, mas da escuta popular. O objetivo não é
apontar erros do passado ou mesmo do presente, e sim demonstrar que existe
solução para o futuro. O caminho não está em eventos cada vez mais caros e
pesados, e sim em um modelo inteligente, cultural e bem organizado, que
valorize o que sempre foi a essência do nosso Carnaval: o povo nas ruas, os blocos
desfilando, as famílias participando e o samba que contagia e faz sorrir.
O
Carnaval deve ser gratuito e realizado em circuito de rua organizado, com
início no começo da noite e encerramento por volta da meia-noite, no máximo até
1h da madrugada. Esse detalhe muda tudo. Com horário definido, a festa ganha
ritmo, disciplina e segurança. Não haveria necessidade de manter praças
fechadas ou cercadas, pois o próprio fluxo natural se encerraria com o término
dos desfiles. Ao final do cortejo, o público se dispersa tranquilamente, como
acontecia antigamente, evitando aglomerações prolongadas e reduzindo riscos.
Esse
formato diminui custos e melhora a segurança ao mesmo tempo. Com duração
equilibrada e programação contínua, reduz-se a necessidade de estruturas
excessivas, como grande quantidade de banheiros químicos ou montagens
complexas. Eventos longos e estáticos exigem mais estrutura justamente porque
as pessoas permanecem concentradas por horas no mesmo local. Já uma programação
dinâmica, com início, meio e fim bem definidos, permite que o público
participe, aproveite e retorne para casa com tranquilidade.
O
mesmo princípio vale para estruturas caras e exageradas. Palcos gigantes,
equipamentos enormes e montagens complexas elevam despesas sem necessariamente
melhorar a qualidade cultural do evento. Um modelo mais leve, baseado em blocos
em movimento e acompanhamento musical itinerante, utiliza estrutura funcional,
reduz custos logísticos e melhora a circulação das pessoas, evitando pontos
críticos de concentração.
Além
disso, quanto menor o tempo de permanência enlevada do público, menor também a
probabilidade de conflitos e desordens. A própria dinâmica do desfile passa a
funcionar como mecanismo natural de organização: o cortejo passa, o público
acompanha, celebra e segue. Essa rotatividade diminui a pressão sobre segurança,
limpeza e atendimento, permitindo que esses serviços atuem de forma preventiva
e eficiente, e não apenas reativa.
Na
prática, isso representa um Carnaval mais seguro, mais leve, mais organizado e
mais econômico — sem perder a alegria, a animação e o brilho cultural que
tornam a festa especial. Quando o planejamento e a simplicidade caminham
juntos, o resultado é melhor para todos: para quem participa, para quem
trabalha e para toda a cidade.
Outro
ponto fundamental é o protagonismo dos blocos carnavalescos. São eles que
realmente dão vida ao Carnaval, fazem o público vibrar, cantar e se emocionar.
Os blocos tradicionais devem ser fortalecidos, enquanto novos grupos devem ser
incentivados a surgir. Com cadastro oficial, ordem de desfile e horários
definidos, garante-se fluidez, evita-se atrasos e mantém-se a animação
constante, sem intervalos que esfriem o clima.
Em
vez da contratação de bandas com cachês elevados, que consomem grande parte do
orçamento público em poucas horas de apresentação, esses recursos poderiam ser
redistribuídos de forma mais estratégica e culturalmente produtiva. Direcionar
esse investimento para blocos tradicionais e também para os novos grupos que
vêm surgindo fortaleceria a base do Carnaval, incentivando a criatividade
local, valorizando artistas da própria comunidade e ampliando a participação
popular. Com esse modelo, o dinheiro deixaria de se concentrar em atrações
pontuais e passaria a impulsionar toda a estrutura festiva, promovendo
crescimento coletivo, identidade cultural e sustentabilidade financeira para a
festa.
Como
também para fortalecer ainda mais esses blocos, a sugestão inclui mobilização
comunitária. Comerciantes, apoiadores e moradores podem colaborar
voluntariamente com instrumentos, tecidos, adereços, apoio logístico ou
patrocínios locais. Pequenas contribuições, somadas, tornam-se grandes
conquistas. Assim, os blocos podem investir em figurinos, percussão,
estandartes e identidade visual, elevando o nível artístico sem depender
exclusivamente de recursos públicos.
Vou citar de onde vem o dinheiro usado pela Prefeitura
para realizar o Carnaval e não surge de um fundo separado exclusivo para
festas. Ele vem do orçamento geral do município, que é formado por
várias receitas públicas. Em termos técnicos de finanças públicas municipais,
as principais fontes são: Impostos municipais. Repasses dos governos
estadual e federal. E Taxas e arrecadações locais. Que são
previstos na Lei
Orçamentária Anual (LOA) aprovada pela Câmara Municipal. Ou seja: o gasto não é
improvisado — ele precisa estar autorizado no orçamento antes, então se o gasto
é exagerado excessivamente em determinado setor e sem a fiscalização devida, a Câmara
tem uma grande porcentagem de culpa em todos erros que se possa cometer a
gestão, pois o orçamento anual aprovado pela Câmara Municipal define quanto cada área
pode gastar. Se a Prefeitura decide gastar menos com festividades, existem três
cenários possíveis a destinar a Verba livre. Se o
dinheiro estiver em uma rubrica de cultura, turismo ou eventos sem
vinculação obrigatória, ele pode ser remanejado para outras áreas — como:
saúde,
infraestrutura,
assistência
social, educação complementar, manutenção urbana. Esse
remanejamento geralmente exige: decreto do prefeito ou autorização
legislativa (dependendo do valor e da lei orçamentária).
Verba vinculada, alguns
recursos públicos vêm com destino obrigatório por lei (ex.: parte da educação e
da saúde) então esse recurso não pode ser usado em festividades, como o
carnaval; é somente um exemplo, ou seja, se uma verba foi transferida por
convênio específico para evento cultural, ela não pode simplesmente ser
usada para outra finalidade. E porque citei essa parte onde fala de verba,
pois um gestor de bom entendimento faria uma festividade simples com menos
custos, e o não gasto da verba ou sobra, em pleno acordo envia se a verba as áreas
mais necessitadas, como a saúde por exemplo.
Continuando com a sugestão:
Quando
a própria comunidade participa da construção da festa, também passa a
acompanhar de perto sua organização, fortalecendo a transparência e
dificultando desperdícios ou gastos injustificados. Modelos simples e
participativos reduzem brechas para despesas infladas, ou desviadas e aumentam
a confiança popular.
As
escolas também poderiam ter um papel essencial e fundamental. Em oficinas de
música, dança, percussão e confecção de fantasias ao longo do ano, envolveriam
crianças e jovens, despertando interesse pela cultura carnavalesca e garantindo
continuidade para as próximas gerações. Dessa forma, o Carnaval deixa de ser
apenas um evento anual e passa a ser um movimento cultural permanente que
educa, integra e fortalece a identidade local.
Empresas
locais podem apoiar blocos específicos, fortalecendo simultaneamente a festa e
o comércio. Quanto maior a participação da sociedade, menor a necessidade de
altos gastos públicos. Trata-se de um sistema colaborativo em que todos ajudam
e todos se beneficiam.
Para
assegurar organização e confiança, a coordenação poderia contar com uma
comissão formada por representantes da comunidade, blocos, artistas,
comerciantes, vereadores e poder público. Decisões coletivas aumentam a
fiscalização social, evitam erros e constroem um evento mais justo,
representativo e aceito pela população.
É
importante entender: não se trata de voltar ao passado exatamente como era,
pois o tempo segue adiante. O que se busca é resgatar o espírito que fazia o
Carnaval ser esperado o ano inteiro — o sentimento de pertencimento, união e
alegria verdadeira.
Carnaval bom não é
o mais caro.
É o mais vivido.
O mais seguro.
O mais participativo.
O mais transparente.
O mais verdadeiro.
Essa
sugestão mostra que existe, sim, um caminho possível, viável e realista. Um
caminho que depende de pouco dinheiro e mais de união. Quando a comunidade
participa, acredita e contribui, a festa deixa de ser apenas um evento e volta
a ser aquilo que sempre deveria ter sido: uma celebração autêntica do povo para
o povo.
Não
se deve esquecer do Carnaval quando os batuques silenciam. É justamente agora,
depois da festa, que nasce a oportunidade de pensar, planejar e construir um
evento ainda melhor para o próximo ano. O momento de buscar melhorias é no
presente, enquanto ainda existe disposição e memória do que pode evoluir. Assim
evitamos o esquecimento e também críticas futuras que poderiam ter sido
transformadas em atitudes. A sugestão foi dada; agora é tempo de união,
compromisso e trabalho coletivo para seguir em frente e fazer do próximo
Carnaval uma celebração ainda mais digna do seu povo.
Porque onde existe
vontade, existe caminho.
Onde existe união, existe solução.
E onde existe um povo unido, sempre existirá Carnaval.

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