Dor
sem Dor
Hoje meu amigo Denílson chegou por volta
das duas horas da tarde em minha casa, e quando ele vem ate aqui, não sei de
onde sai tanto papo e tanta coisa para falar um para o outro.
Depois dos comprimentos de costumes,
partimos sempre para cozinha de minha casa, a cozinha é bem grande, tem cinco
metros de largura por nove metros de comprimento e no centro fica uma mesa de
dez cadeiras e é aonde sentamos e passamos toda a tarde conversando.
Falamos de
política, de religião, de futebol, da vida de uns e outros, falamos de coisas
boas e coisas que não tem nenhum proveito, como sempre; e é sempre assim.
Temos uma amizade que já gira em torno de
quarenta anos, eu tenho cinqüenta e quatro anos e ele tem quarenta e seis anos.
Quando meu amigo Denílson chegou aqui em
minha cidade ainda morávamos no sitio e foi ali que conhecemos um ao outro,
chegaram sem nada somente com as roupas do corpo e a primeira bola de sabão
para um banho foi minha mãe que o arrumou para eles.
Hoje, sentados ali em torno da mesa e via
minha mãe também entrar na nossa prosa.
Ai eu notei como a vida é curta e tão
pequena que cabe na palma da mão, e como passa tão depressa, ali percebi que já
não tinha mais, avôs, tios, e meu velho pai que reunia sempre envolta daquela
mesa e fazia todos sorrirem com seus casos.
Deu-me uma dor por dentro, perto do
coração, e me senti tão mal, naquele momento o mundo para mim não existia,
fiquei atordoado que sumi sem manter minha presença, ali; junto a minha mãe e
meu amigo Denílson.
Devo de ter ficado fora do ar por pelo
menos uns setenta segundos, sei que depois disso ouvi meu amigo me perguntar
não é mesmo?
Disse sim, mesmo sem saber do que se
tratava, minha velhinha deu um sorriso, ai ainda mais meu coração se partia,
pois há dias que eu não via um sorriso em seus lábios.
Passado aqueles segundos voltei ao mundo
e notei que estavam falando do que anda fazendo com nosso mundo.
Minha velhinha dizia que setenta oitenta
ou ate mesmo cem anos é pouquíssimo tempo de vida para uma pessoa, pois ninguém
tem certeza de nada, ninguém sabe se depois que o corpo tombar e a terra
destruir a carne se haverá outra vida ou não.
Claro a dizia tem muita coisa escrita,
sobre vida depois da morte, mas sem certeza, pois ninguém trouxe a prova aos
vivos.
Ali naquela mesa onde sempre estamos
reunidos sai cada coisa que nem mesmo quem comenta acredita no que esta dizendo.
Mas isso é bom, sinal como dizia minha
finada bisavó ainda é porque estamos vivos.
Sei que ali ouvindo meu amigo Denílson e
minha mãe e como tinha sumido por uns instantes e retornando a face, deu-me uma
tristeza imensa.
Pois agora via como de fato a vida havia
passado depressa, já não tinha ali mais minha família por completa, restava-me
então eu e minha velhinha e o amigo Denílson que agora mesmo não sendo da
família, esta pertencendo agora com a força da amizade com o tempo passado.
Sei que uma gota de lagrima correu no
canto dos olhos e nem sei se um ou outro percebeu, mas sei que o tempo faz com
que sentimos solidão, mesmo que estando perto a alguma pessoa que queremos bem.
Abre se um buraco dentro do peito e a
solidão que sentimos no momento tempo parecem que vai exterminar a vida da
gente, logo depois nos distraímos e voltamos ao normal.
Foi assim que retornei naquele momento
ali sentado a beira da mesa, mas que senti algo estranho, isso eu senti, não
sei o que foi uma dor sem doer.
Sei que ali estava minha velha mãe e meu
amigo e com isso parece que aquela dor amenizou com algumas palavras que
disseram, mas que é muito triste, isto é, e não queira sentir falto do que não
pode ter e nem mesmo ver.
Pois solidão é assim começa com um
pensamento de outrora que passamos ou tivemos algo e retorna em nossa mente
fazendo agora de imediato atrito e com isso vem o sofrimento de não possuir
nada a não ser a vida.
A sorte foi que aquele momento em que eu
estava agoniado alguém bateu na porta e Deus o abençoe por isso, se não teria
me dado um trem, levantei-me e fui rapidamente abrir a porta e foi assim que
todos maus pensamentos saíram de minha mente e voltando já estávamos em papos
muito mais atrativos e bons.
Nem sei por que me senti assim tão mal,
nunca fui disso, mas acho de fato que o tempo faz com que sintamos um vazio e
com isso deve ser para melhor aproveitar o restante de vida, mas sem muitas
estripulias.
Meu amigo Denílson foi embora e eu
resolvi escrever sobre essa agonia, essa fadiga, e falar da dor sem dor, que é
a dor de sentir solidão.
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