Escritos da Madrugada
Uma conversa com
a alma.
Alírio Polo
2016
FICHA
TÉCNICA
TÍTULO:
Escritos
da Madrugada
AUTOR:
Alírio
Polo
REVISÃO:
Aristides
Fontoura &
Oscar Júnior
CAPA E PROJECTO GRÁFICO:
Criz
Garuba
"A poesia é a emoção expressa em ritmo através do pensamento."
Fernando Pessoa
"A história provou a capacidade demolidora da poesia e nela me
refugio incondicionalmente".
Pablo Neruda
"Eu definiria o efeito poético como a capacidade que um texto
oferece de continuar a gerar diferentes leituras, sem nunca se consumir de
todo."
Umberto Eco
"O meu poema é a resposta da alma ao apelo do universo."
Rabindranath Tagore
"A poesia é toda aquela forma da arte literária em que se recebe
uma emoção estética por motivos independentes do sentido da frase."
Álvaro de Campos
"Um dos méritos da poesia, que muita gente não percebe, é que ela
diz mais que os demais géneros e em menos palavras."
Voltaire
"Quando o poder dirige o homem à arrogância, a poesia lembra-o das
suas limitações. Quando o poder limita a área das preocupações do homem, a
poesia lembra-o da riqueza e da diversidade da existência. Quando o poder
corrompe, a poesia limpa."
John Kennedy
"A poesia não é apenas um género literário, mas um olhar revelador
de mistérios e uma sabedoria resgatadora da nossa profunda humanidade. A poesia
é um modo de ler o mundo e escrever nele outro mundo."
Mia Couto.
Ao
leitor:
Esse livro contém temas bastante diversificados
e cada um deles é especialmente direcionado ao seu mundo interior pois este é o
responsável pela sua percepção e relação
com o exterior. O foco dessa obra é leva-lo à uma profunda introspeção sobre os
sua essência, sobre a vida, sobre suas angústias e anseios e sobre o mundo em
quem vivemos.
Esse é um livro para a mente, alma e coração.
Um livro para emancipar a nobreza do nosso interior e estimular em nós o amor.
O amor por nós mesmos e por nossa distinta autenticidade, o amor pelos outros e
aceitação de suas singularidades, o amor pelo simples, o amor pelo belo, o amor
pelo valor em detrimento do preço, o amor pela evolução pessoal visando um
comum progresso, o amor pela vida.
Dedicatória
À minha família que é a base estrutural da
pessoa que sou e o meu suporte incondicional em qualquer situação. Aos meus
amigos que por compartilharem momentos comigo são, inevitavelmente, autores de
muitos capítulos da minha vida. E à si, caro leitor, com quem conversarei
através.
ÍNDICE
Prefácio 9
Poemas
Além De Apenas Viver 11
Resiliência 13
Falta-me Algo… 14
Quem Me Dera Ser Poeta 16
Mediocridade 17
Eu Em Construção 18
Saudade 19
Entre As Grades Do Meu Mundo 20
Confissões De Um Coração Apaixonado 22
Correndo Com O Tempo 23
Viagem Sem Fim Ao Desconhecido 24
Não Me Peçam Para Ser Outro 26
Pode Estar Ao Teu Lado. 27
Que Nunca Termine O Começo. 28
Na Calada Da Noite. 29
Êxtase 30
Solilóquio. 31
Assim É O Amor 32
Vivendo. 33
Quando Te Encontrei. 34
No Calabouço Da Vida. 36
Paz De Espírito. 38
Desvaneceu A Empatia 39
Num Eterno Instante. 40
Essência. 41
E Quando Chegar O Fim 42
Prosa Poética
Em Busca De Um Homem Novo. 44
Tempo. 45
(Dez) Aprisionado 46
No Meu Canto. 48
Novo Dia. 49
Vazios. 50
Crônica
O Egoísmo Desumaniza O Homem. 52
Sobre O Autor 53
s das páginas desse livro.
Escritos da Madrugada é uma obra literária de gênero
poético em que o autor debruça-se sobre diversas questões intrínsecas da vida
do homem. Questões estas de caráter existencial, de autoconhecimento, de força
interior, de amor, da sua visão e relação com o mundo à sua volta, e de
sentimentos tanto os que confortam quanto os que afligem a alma de qualquer
humano vivente.
Como o nome sugere, esse livro representa
noites em claro e reflexões que não se
contiam no interior e obrigaram os dedos do autor a transmiti-las para a folha
de papel. Escritos da Madrugada é como uma foto da vida de seu autor, pois
representa um período de seu profundo autodescobrimento e definição de sua
filosofia de vida uma vez que foi escrito numa altura em que o mesmo passava
por uma fase de desenvolvimento pessoal que o fiz revolucionar seu modo de ver
o mundo e apreciar vida.
Depois do último suspiro o que restará de mim?
Depois do último encontro o que deixarei para ti?
Quando com alguém não mais puder ter nenhum contacto
os poucos ou muitos que algumas vez tive lhe serviriam de algo?
Que marca deixei
na vida das pessoas com quem um dia cruzei?
Que valor dei
ao ar, que para me manter vivo, respirei?
Que efeitos causo
no meio a minha volta?
Como se lembram de mim
os estranhos que à mim se encostam?
Entre os mais de sete bilhões de seres humanos que diferença eu faço?
Sou apenas mais um ou um entre os demais?
Vida minha, quando não mais te poder viver que valor terás?
Sei para onde vou
ou sou um viajante perdido na estrada do tempo?
Carrego algo de valor
ou estou ocupado com a efemeridade das coisas de preço?
A existência é cheia de incertezas e questões por responder
e nisso percebo
que a vida pode ser muito mais do que apenas viver.
Com os meus medos e delírios, nos desvios dos meus caminhos,
com passos vagarosos e enfraquecidos andei pelos becos escuros do meu
mundo esquecido.
Numa solidão recrudescente, longe de olhares flamejantes,com o sorriso
flácido que outrora era ardente, mas sempre presente a vontade pujante de ser
mais do que um aviltado à uma condição indesejada,
de sair deste cárcere
e acreditar que tudo passa.
Me restitui das minhas crises quase que em um sobressalto,
pois o mundo só faz de nós aquilo que nós permitimos que ele faça.
Ainda que tudo e todos nos deixem de lado
é imprescindível não abdicar da companhia da esperança.
Falta-me
Algo
Mergulhado nas profundezas de infinitas incertezas,
longe de mim, perdido no além
da inconstância do meu sentir
e com o carma de um ser refém.
Rasgo o tempo
na procura de um sentido, desbravo o mar
tentando achar um caminho
que me conduza à um destino sem endereço onde o meu vazio eu possa completar,
mas cada vez mais esmoreço por não haver caminho a trilhar.
Sou como um pedaço de papel jogado ao ar, voo sem rumo e sem lugar para
pousar, seguindo apenas o soprar dos ventos
que me levam à lugares que desconheço.
Paro, então, no topo de uma montanha
incapaz de continuar seguindo os ventos pelo estado amassado e só assim
descubro que tenho minhas próprias asas,
invento o meu caminho e jogo-me até a beira de um lago. Vejo o meu rosto
reflectido na água cristalina e encontro o que, há muito, eu procurava, no
olhar profundo de minha retina descubro que é de mim mesmo que eu sinto falta.
Quem Me Dera Ser Poeta
Quem me dera ser poeta... Mas não sei fazer poesia, não sei usar a
caneta
para encher de palavras as minhas folhas vazias.
Palavras que pudessem trazer amor, liberdade ao oprimido,
alívio de toda dor
e esperança à quem tem sofrido,
palavras que transformassem o mundo num lugar melhor, palavras que
trouxessem forças à quem estiver abatido.
Quem me dera ser poeta para que, com beleza, pudesse narrar factos e
ajudar pessoas com os meus relatos,
para, com minha poesia, ser um agente de mudança do meu tempo e, com a
sutileza das palavras, transmitir conhecimento.
Quem me dera poeta e na arte exteriorizar meus ideais
e, com a minha poesia, resgatar o valor das coisas imateriais, para
poder tocar levemente no teu íntimo
e transmitir positivismo à quem lesse meus escritos.
Quem me dera ser poeta para expressar o meu encanto ao ver as aves
voando e ao ouvir seus cantos,
à água que do céu cai e fertiliza os campos, mas que não aumenta a
vastidão dos oceanos.
Quem me dera ser poeta para descrever toda beleza existente na harmonia
da mãe-natureza.
Quem me dera ser poeta para exprimir meus sentimentos e o amor que sinto
tirar do peito
para escrever os mais lindos versos à minha amada
e fazê-la sentir, entre as mulheres, a mais afortunada, para dizê-la o
quanto este homem a aprecia.
Quem me dera de ser poeta... Mas não sei fazer poesia!
Mediocridade
Quando a luz enfraquece e o desapego reina desejos desfalecem
e morrem sonhos que pareciam perenes.
Quando a fala se cala dando lugar ao “tanto faz”
vai-se da empolgação à desilusão, esforços passados tornam-se vãos.
Quando o vazio nos abraça e limita-nos ao comum esvanece a possibilidade
de não se ser só mais um.
Quando as flores murcham o pomar perde o encanto
e sobre os seus frutos já não se espera tanto.
Quando a indolência se avizinha fuja dela buscando a proatividade, não
te curves à rotinas
que te conduzam à mediocridade.
Eu Em Construção
Nada me considero
se não apenas um descobridor de mim mesmo, dos outros pouco espero,
exijo antes da pessoa que vejo no espelho.
Sou uma obra inacabada ainda em construção
e essa obra nunca acaba,
mas é imperativo distanciar-me do chão.
Tudo e todos ao meu redor alguma coisa dão para essa obra, mas sou
também o construtor,
a forma como uso isto é o que realmente conta.
Vivo convicto de que sou um eterno aprendiz
e das escolhas que faço carregarei sempre as consequências em mim.
Sou hoje o resultado do que ontem vivi e amanhã serei o que hoje eu
decidir.
Saudade
Saudade é a força violenta das boas lembranças,
é querer reviver um momento que já no passado descansa, é querer correr
no tempo motivado pela ânsia
de poder estar perto de
quem a gente ama.
É sorrir ao lembrar-se de momentos vividos, é chorar por eles já terem
passado,
é o desejo de poder repeti-los,
são lembranças doces que produzem sentimentos amargos.
Saudade é uma certeza de que alguma coisa lá atrás valeu a pena, é uma
prova de que estivemos vivos de verdade,
pois a vida é uma soma de momentos e coleção de experiências. Morto é o
passado de quem no presente não sente saudade.
Entre As Grades Do Meu Mundo
Sopram os ventos, voam as aves, nasce e põe-se o sol
e eu preso entre grades, encarcerado pelo medo
e gritando sem voz,
perdido no esquecimento,
pois ninguém sente a minha dor, iludido por promessas
que eram perfumes sem odor,
na companhia da solidão, dilacerado pela frustração das expectativas
traídas, dos sonhos sem vida,
da euforia que virou apatia,
do desencanto por cada novo dia.
Apenas a noite me consola trazendo a poesia que me desentrelaça dos meus
escombros
e leva meu estado de espírito para cima, de palavra em palavra, verso em
verso, anestesio-me com doses líricas,
só a folha de papel me compreende quando nela a minha caneta jorra tinta
transbordando a necessidade visceral de me libertar das minhas grades
e quando os escrevo
revelam-se não ser tão grandes estes meus entraves,
o poder sobre eles esteve sempre comigo o tempo inteiro,
pois só é certa a derrota por fora quando por dentro não venço.
Meus olhos caem por não encontrarem vestígios de luz no fim do túnel
escuro
mas está bem perto de mim aquilo que procuro,
em mim mesmo vive a luz para os meus olhos caídos
capaz de desvitimizar-me do mundo e permitir-me enxergar um caminho. Amanhã,
certamente, haverão de soprar os ventos e voar as aves, o sol voltará a nascer
no inicio do dia e por-se-á no fim,
mas eu só continuarei preso entre essas grades
se não for capaz de usar a chave que carrego dentro de mim.
Confissões De Um Coração Apaixonado
Vejo-te sem te olhar, tenho-te sem te possuir, sinto-te sem te tocar,
amo-te sem fingir.
Anseio estar contigo,
como é ansiada a água no deserto, sem ti estou sedento
do teu amor – puro e terno.
Respiro-te à cada instante, tornaste-te no meu oxigênio, teu corpo está
distante,
mas tu estás aqui bem perto. Ó, mulher! Tu és
tão grande, como cabes no meu peito?
Teus olhos são cintilantes, teu rosto o mais belo,
teu sorriso é radiante,
tu és rainha, tens coroa em forma de cabelo.
És tu a mais elegante sortudo é o teu espelho.
Alma
profunda e coração puro, mente insaciável
de pensamentos maduros, delicada no ser,
sábia no proceder, pura em sentimentos,
és para as demais um exemplo.
Vejo-nos à beira mar
contemplando o pôr-do-sol de mãos dadas e sob a luz do luar
trocando juras de amor por toda madrugada.
Correndo
Com O Tempo
À velocidade do tempo corro sem descanso, ávido de esperança
como o olhar de uma criança,
mais sereno e resoluto a cada passo.
Corro almejando novos horizontes, explorando em mim mundos distantes,
não me intimidam as profundidades e montes
a necessidade de não ficar parado, em mim, é mais gritante.
Não corro em pistas, não corro numa competição, corro em experiências
numa contínua transformação, corro da inérciade permanecer igual
mas me mantenho o mesmopreservando o essencial.
Viagem Sem Fim Ao Desconhecido
Com os olhos postos no horizonte, os pés firmes no chão,
ansiando o desconhecido, disposto a correr riscos como quem escala
montes,
vou eu carregando apenas amor no coração.
Não sei o que me espera,
se o encanto do mais lindo jardim ou a fúria da mais brava fera, mas
continuo mesmo assim
calando o medo que na minha alma berra.
Nessa jornada de incertezas
o que me move é apenas a repulsa à monotonia.
Eu tenho esta mania
de achar que há sempre algo mais para mim,
de sempre acreditar que onde chego não é o fim, mas apenas um novo
começo,
cada vitória
é apenas uma porta para novos desafios, cada derrota
é uma resposta os erros de percurso ou, então, uma indicação
à necessidade de mudar de rota, mas nunca e nunca
o fim da viagem.
O fim?!
Este me causa incomplacência só de o imaginar, nada é mais agonizante
do que não ter mais nada para explorar, ficar estagnado é demais
desgastante para quem pode caminhar.
Descanso permanente? Isto para mim é morte,
enquanto respiro
corro atrás de prejuízos, não acredito na sorte
e vivo sedento por novos resultados,
por isso a necessidade de buscá-los não me deixa ficar parado.
Enquanto meus pés sangram
pelos espinhos que pisam pelo caminho minhas narinas já inalam
o aroma perfumado das rosas,
mas chegar até elas não será o meu final destino como disse antes, é
apenas mais uma porta
para outros desafios.
Não Me Peçam Para Ser Outro
Não me peçam para ser outro! Eu só sei ser eu,
eu só consigo ser eu, eu só preciso de ser eu, eu só quero ser eu.
Não me peçam para ser outro, ensinem-me é a conhecer
as profundezas do meu ser,
a mergulhar nas entranhas de minhas emoções,
a viajar para o desconhecido de minha personalidade, a voar com as asas
dos sonhos,
a explorar o âmago de minha mentalidade, a usar o melhor de mim,
a ser o melhor que posso ser.
Sou um adepto acérrimo e louco pela mudança, mas deixar de ser quem sou
não é mudar,
à isso eu chamo morrer.
Mudar para mim é um contínuo transformar, mudar para mim é crescer,
mudar para mim é virar borboleta sendo sempre a mesma lagarta.
Não precisamos ser outros,
a carência extrema do nosso tempo é de sermos nós, por isso o outro que
me pedem para ser, muito provavelmente, também ainda não o é.
Pode
Estar Ao Teu Lado
Alheio à vida
e à vontade de viver também, futuro sem perspectivas
e do presente é refém, carências desmedidas, o
nada é tudo que tem.
Por ausência de motivos
seus lábios já não se curvam para um sorriso, semblante cabisbaixo,
inteiramente estilhaçado,
a vida não lhe tem sido leve, tirando-lhe até o que nunca teve e
exigindo de volta
o que nunca deu.
Nesse mundo injusto e impiedoso
viver lhe tem sido um pesadelo tenebroso, não podendo contar nem mesmo
consigo porque até em si já não encontra um amigo.
Esta pessoa pode estar ao teu lado e, embora calado,
grita pelo teu afago.
Que Nunca Termine O Começo
Que nunca se perca em nossas vidas
o entusiasmo do começo de uma empreitada, que permaneça sempre bem ativa
a energia dos primeiros passos de uma jornada.
Que o percurso nos traga a sabedoria de um ancião,
mas que permaneça intacta a esperança de uma criança.
Que possamos nos renovar sempre chegar a fadiga ou a apatia e possamos rebuscar
a atmosfera eufórica de no começo existia.
Na Calada Da Noite
Na calada da noite
quando o silêncio é tudo que se tem e mesmo deitado sobre a cama
o sono não vem, aí eu te imagino
e te desenho em meus pensamentos, te teletransporto
trazendo-te para perto.
Na calada noite
idealizo nossos momentos, perco-me nos teus braços e encontro-me nos teus lábios, esqueço-me de
mim
e redescubro-me em ti.
Na calada da noite só tu és
o topo do meu monte, a palma dos meus pés,
o estimulo para os meus sentidos e a razão no meu raciocínio.
Na calada da noite
onde o escuro embacia a visão
tu mostras-me que não se precisa de ver quando se sente com o coração.
Na calada da noite, embora o sol já descansa, percebo como ele é frio
comparando com a tua brasa.
Na calada da noite
me é imperceptível o brilho das estrelas porque nos teus olhos encontro
uma luz mais bela.
Na calada da noite nada mais importa
se não a tua voz, o teu toque e o teu beijo na minha boca.
Êxtase
Escuro e silêncio,
o ambiente perfeito onde melhor me enxergo
e cada vez mais me conheço.
Onde me exploro, viajo em pensamentos, onde confronto
meus piores sentimentos,
onde me defino, questiono meus conceitos e me renovo,
onde me desprendo,
abro mão dos meus medos e com os meus sonhos voo,
onde atentamente escuto a sinfonia da minha
vida e cautelosamente estudo
as notas a serem tocadas de seguida.
Solilóquio
Ao vento falo
e sem tardar ele me responde, e então me calo
para ouvir o que no seu silêncio ele esconde.
Palavras não pronunciadas mas com infinito significado, a língua faz-se indiferente
nessa transmissão do inverbalizado, o sentimento cria a expressão que
por mim é recebida
e que não precisa de interpretação, basta ser sentida.
Assim se crava na minha alma de artista
o que, a seguir, é transmitido p’ra os meus dedos, por isso não há
idioma em minha escrita,
o que há são apenas sentimentos.
Assim
É O Amor
Como a brandura do ar,
a preponderância do oxigênio, como o brilho do luar,
o frio do inverno,
como o calor do verão,
o primeiro sorriso materno, como a firmeza do chão,
a coragem do medo,
como a complexidade do intangível, a veemência de um furacão,
como a possibilidade do impossível, a ilogicidade da razão,
como a utopia do perfeito, como um arco-íres sem cor,
como a insuficiência de conceitos, assim é o amor.
Vivendo
Caminho na estrada da vida de braços abertos
para abraçar as oportunidades e aventuras que ela oferece, carrego nada
mais do que um coração repleto
de amor que procuro dar à qualquer um que pelo meu caminho aparece.
Se os passos que dou não deixam pisadas pelo caminho é inútil o meu
caminhar,
tudo que sou não cabe nesse mundo finito por isso preciso sonhar
não para fugir da realidade, mas para torná-la mais bela
sem impor minha subjetividade, mas deixando minha chancela.
Não quero sair como se nunca tivesse entrado, pois sei que não entrei só
para sair ,
não quero deixar indiferente, nesse mundo diferenciado, a diferença que
há em mim.
Quando Te Encontrei
Quando te encontrei nas curvas dessa vida
meus olhos inocentes deslumbraram-se pela tua forma mística, com a
ingenuidade de uma criança deixei-me levar por ti,
tua sutileza foi tão brusca que não pude resistir.
Tu fizeste morada em meus pensamentos, trouxeste firmeza às minhas
idéias, vestes de ternura os meus sentimentos
e desmontas-me por completo em grãos de areia.
Mas quando me recompões fazes-me mais forte, és minha companhia todo o
dia,
tu trazes clareza às minhas noites,
mesmo em silêncio embalas-me na tua melodia.
Quando te encontrei encontrei minha sintonia,
do meu mundo interior fizeste-me rei, pois tu já eras rainha.
Em silêncio conversamos com os lábios entreabertos e a alma desnuda
num entrelaçar de emoções e intelecto onde nossa simbiose fecunda.
Quando te encontrei foi só o começo daquilo que viria a ser um grande
amor e hoje que melhor te conheço
mais me fascino pelo teu esplendor.
Tocaste sutilmente no meu ser, mudaste a minha forma de pensar,
mostraste-me que há muito para se ver além do que se pode olhar,
ensinaste-me a sorrir para a vida mesmo quando ela não me sorri,
mostraste-me que há sempre uma saída
mesmo quando as forças chegam ao fim, ensinaste-me a olhar para o lado
mais belo das situações mas a nunca me conformar com o lado feio,
trouxeste lucidez às minhas ilusões
e deste-me o controle sobre os meus receios.
O desabrochar de uma idéia
e a sua transição para a escrita
tornaram-se nas minhas drogas perfeitas quando te encontrei, poesia.
No Calabouço da Vida
Estou no calabouço da vida com o meu mundo a desabafar, num beco sem
saída
e, nas minhas lágrimas, a me afogar,
perdido nos meus delírios, tentando me encontrar
e ao mesmo tempo tentando fugir de mim, tentando sorrir
tendo apenas razões para chorar, tentando viver, mas não querendo mais.
Ando sem rumo e desvairado
na escuridão do meu caos existencial, por todos abandonado e posto de
lado, pisoteado como uma lata jogada ao chão.
Sou um dos muitos nessa condição, talvez seja como tu,
talvez não,
mas sou, de certeza, como muitos que te rodeiam.
Sou como os muitos que todos os dias desistem de viver e talvez amanhã
seja a minha vez,
ou talvez não... Eu não sei!
Eu só sei que nunca me considerei um derrotado,
que por mais duros que sejam os muros que a vida tem me dado nunca me
senti incapaz de continuar lutando.
Mas uma hora a gente cansa, não aguenta mais,
a resistência parece inútil e a persistência fútil,
mas eu prefiro acreditar
que não viverei o suficiente para ver esta hora chegar, já a senti bem
perto muitas vezes
e em cada vez atrasei o meu relógio.
Afinal, o que tem a perder alguém que já perdeu tudo? Tenho, na verdade,
é tudo para conquistar.
Pisoteado, quase sem forças e até mesmo a rastejar só sei que
continuarei a tentar, sempre a tentar...
Paz
De Espírito
Na leveza de um sorriso
e na profundidade de um olhar repouso o meu íntimo
sem sentimentos de pesar.
O calor do raiar do sol bronzeia-me o prazer em viver, a brisa que me
beija o rosto
refresca-me a vontade de vencer.
Surfo nas ondas de um mar de emoções, danço ao ritmo da vida uma música
sem sons,
como as estrelas tento brilhar em meio a escuridão, tento resplandecer
uma luz que vive em meu coração.
Nas coisas mais simples da vida encontro verdadeiras grandiosidades.
Às vezes, em ações repentinas se constrói uma eternidade.
Desvaneceu
A Empatia
Desvaneceu a empatia, tornaram-se mudas as vozes, esfriaram-se os
olhares, secaram-se os sorrisos,
perderam-se os quereres
no meio das intransigências, afogaram-se os sonhos
no mar de indiferenças.
O que tudo era agora nada é,
do vendaval sobrou poeira, virou pesar o que era prazer.
com olhares conversavam,
hoje com palavras não se entendem e quanto mais falam
menos se conhecem.
Os corpos se encontram mas os corações se afastam, as peles se tocam
mas se repelem as almas.
Resta amargura e arrependimento
pelo tempo desperdiçado com alguém que nunca se conheceu de verdade e
pelo esforço vão de almejar o topo sem firmar as bases,
restam dúvidas nos sentimentos
e o desejo de corrigir decisões precipitadas,
resta apenas a decepção pelas certezas equivocadas.
Num
Eterno Instante
Entre olhares acanhados e leves sorrisos,
entre acenos disfarçados e queres indecisos.
Na eternidade de um breve instante e na brevidade de uma eternidade,
entre a timidez e a atracção escaldante na insegurança e com medo da
verdade.
Da verdade de ser apenas uma ilusão e ali mesmo morrer
ou da verdade de ser uma real paixão, mas que eu não mereça viver.
Se sim ou se não, fico sem saber.
Mais um dilema do coração
que a cabeça se recusa esquecer.
Essência
Sou a liberdade no bater das asas da ave que voa, sou as notas e pausas
da melodia que ecoa,
sou o silêncio da madrugada,
sou o aconchego no abraço que te conforta a alma.
Sou a frescura na brisa do ar
e o calor da fogueira acesa no meio do quimbo, sou as gotas d’água a
respingar
e a correnteza forte do rio.
Sou as lembranças que te causam saudade e as vivências jogadas no limbo,
sou a dureza da realidade
e a delicadeza das pétalas do lírio.
Sou a pólvora da bala, o gume da faca,
o choro do recém-nascido,
o regresso do filho perdido.
Sou as páginas do livro, o barulho do tiro,
sou o abrigo de quem não tem casa, eu sou tudo e nada.
E
Quando Chegar O Fim
E quando chegar o fim
e não haver mais o que buscar, com quem compartilhar
e com quem rir,
quando os resultados forem todos obtidos, quando o caminho for
completamente percorrido e estiveres cheio de credenciais e títulos,
quando terminar o asfalto
e também o combustível do carro, e olhando para o lado
se lá ninguém estiver para um abraço,
então perceberás
que não é tanto o para onde ir, mas com quem vamos,
que nunca foi simplesmente o destino em si, mas a jornada do viajante,
que o valor nunca esteve no reconhecimento, mas no merecimento,
que nunca foram os ganhos, mas, sim, os feitos,
que o importante não é o que temos, mas quem temos
e quem nos tem,
que não é o quão ovacionados somos, mas os corações que tocamos,
as pessoas que amamos,
e, finalmente, perceberás
que enquanto procuravas pela vida desatento ela te assistia repousada em
cada momento.
Prosa
Poética.
Minha vida é uma busca diária e incessante de
um homem novo. Um homem que não prioriza
seu bem estar em detrimento do bem estar de um povo. Um homem que almeja sempre a perfeição em tudo que
faz, mas que está sempre aberto para
receber ajuda por reconhecer que sozinho não é capaz. Um homem que
transmite alegria com seu sorriso, mas que também sente a dor de quem chora. Um
homem que aproveita cada vivência para aprender, pois encara a vida, também,
como uma escola. E tudo que aprende ensina também aos outros. Um homem que está
sempre disponível para abraçar quem sofre permitindo-lhe chorar em seu ombro.
Um homem que olha para o erro do outro e sabe que também está sujeito a
cometer. Mas ainda assim sente a necessidade
de, com amor, repreende-lo. Um homem que não perde a ternura mesmo
quando alguém o irrita. Um homem capaz de amar até quem nunca passou pela sua
vida. Um homem que nunca responde à provocações e não pára de desejar e fazer o
bem mesmo nas piores situações. Um homem que olha para o coração das pessoas
antes de olhar para as suas roupas. Um homem que só fala da vida dos outros se
for para falar coisas boas. Um homem que não inveja ninguém, pois se dedica à
autossuperação. Um homem que se preocupa com o seu carácter, e por isso não tem
problemas com a sua reputação. Um homem que mesmo em meio às adversidades nunca
baixa a cabeça e não desiste das suas lutas por mais duras que sejam as
barreiras em que tropeça. Um homem que por mais que não concorde pelo menos respeita.
Um homem que não vê as suas idéias e opiniões como as únicas certas. Um homem
que, por mais que possa, não consegue se esbanjar sem compartilhar com os que
não comem. Eu quero ser esse homem! Eu quero ser esse homem mesmo sabendo que
nunca serei, mas continuarei tentando e cada vez mais parecido à ele me
tornarei. A busca desse homem novo eu faço em mim, mas gostaria de algum dia
poder encontrá-lo também em ti.
Neste rio sem margens onde todos mergulhamos,
pese embora nem todos nos lavamos, alguns afogam-se por não saber nadar e
outros são brutalmente arrastados por não respeitar o seu fluir. Ele traz e
leva, dá e tira, e cada vez mais bravo fica à medida que nos tornamos antigos
navegantes nele. Ele deixa em nós máculas que muitas vezes só ele mesmo remove,
e noutras permanecem para sempre. Temporais e glaucas ondas põem-nos a prova
sem antes porem-nos a estudar as técnicas de navegação, muitos de nossos
companheiros mudam de rota e outros ficam pelo caminho, às vezes, não por não saber navegar, mas porque em algum
momento temos todos de ficar. E quando ficamos acabou-se! Quando se esgota o
nosso tempo, esgota-se tudo! É dito popularmente que tempo é dinheiro, mas não!
O tempo é muito mais do que isto, tem muito mais valor do que qualquer nota,
moeda, ou números associados à uma conta bancária. O tempo é vida! O que é o
viver se não um passar tempo? A qualidade de nossas vidas – deixa-me esclarecer
que não me refiro à conforto proporcionado por bens materiais – é directamente
proporcional à qualidade do uso que fazemos do nosso tempo, melhor vivem
aqueles que adquirem sabedoria bebendo das experiências que fluem neste rio. O
tempo não é leve para ninguém, ele é rigidamente implacável, severamente
exigente e nem sequer espera estarmos prontos para as exigências que ele traz,
mas se nos anteciparmos na prontificação, se nos abrirmos para aprender com as
lições que fluem nele, poderemos provar como é, realmente, doce a água deste rio.
Emprestei a voz da minha alma às minhas mãos
para exteriorizar meus sentimentos, mergulhei em profundas reflexões e
deixei-me levar pelas controversas, mas libertadoras, ondas de pensamentos.
Paro por um momento para inalar um pouco de ar aproveitando o facto de que o
oxigênio ainda é das poucas coisas pelas quais não temos que pagar. Na harmonia
melódica do balançar das árvores provocado pelo vento contemplo o cintilar das
estrelas iluminando o universo, interiorizo essa paz de espírito que a noite
calma e fria me oferece e deito para fora todos sentimentos e pensamentos que
internamente me empobrecem. Olho para o mundo a minha volta tentando entender
como ele funciona - Engraçado! Antes eu achava que esse entendimento eu
adquiria na escola. O conceito de aldeia global até que seria a solução - atravessar
continentes em apenas um minuto. Mas só que com isso lançaram sobre nós um
monte de redes que pescaram as nossas atenções para acabar com tudo. E as
cadeias televisivas fazem jus ao nome hipnotizantemente, como cadeias fazem um
excelente trabalho aprisionando nossas mentes. E nós achando que estamos livres
só porque andamos por aí a deriva e acreditando que dela recebemos mesmo a
informação que a gente precisa, que é a verdade exactamente como ela é e não
apenas a parcial. Talvez é escondida de nós pela capacidade que tem de nos
libertar. Mas por que é tão necessário nos manter presos?!
Ah, já sei! Todo sistema que tem medo de
mudanças positivas vê pessoas que pensam como um peso. Por isso parece que o
mundo todo está empenhado em nos ensinar a não pensar, a não ver além da
capacidade ocular, a não analisar, a não raciocinar e a viver na ignorância, a
não reflectir e a viver apenas pelas circunstâncias deixando-nos levar pelo
passar do tempo sem sonhar com grandes avanços, contentando-nos apenas com o
económico, académico ou profissional e ignorando aqueles mais amplos, aqueles
que, ao invésde apenas à nós, poderiam beneficiar também aos outros, aqueles
que não precisariam ter como consequência dezenas, centenas ou milhares de
mortos. Avanços simultâneos entre a mente e o espírito, avanços no interior.
Privam-nos disso porque têm consciência
dos efeitos transformadores que isso gera no exterior. Mas eu recuso- me
aceitar essa limitação que o mundo oferece à minha capacidade racional.
Recuso-me a ser só mais uma cópia deste paradigma de "indivíduo
social". Recuso-me a aceitar sem
questionar e a viver sem pensar, a viver acorrentado por algemas invisíveis sem
poder ver que além disso que me deixam saber ainda há muito que eu possa
explorar. Recuso-me a ser um robô programado, posso ir tão longe quanto a minha
mente vai e sistema nenhum - seja social, político, religioso ou cultural -
pode me travar. Sou muito mais do que eles querem que eu seja, homem nenhum
deve limitar-me a ser só mais uma peça
de seus esquemas. Escrevo na primeira pessoa, mas refiro-me também à ti e sem
mais inspiração para fechar com chave de ouro é dessa forma que o texto chega
ao fim.
No
Meu Canto
No meu canto é onde fujo desse mundo
assustador, onde me escondo para chorar por toda dor, onde procuro pela
existência de pelo uma gota de amor, onde não preciso fingir bravura assistindo
a realidade – um autêntico filme de terror.
No meu canto eu vejo tudo, vejo a hipocrisia
dos discursos de paz que fomentam a guerra. Aqui eu lamento por esse mundo,
pela ambição do homem que de consome o planeta terra, pela impiedade à vida
humana que semeia o luto e pelo ódio que nos corações intolerantes essa
impiedade gera, pelas disparidades entre os que sobrevivem com menos do que
nada e os que esbanjam mais do que tudo e pelas vidas da maioria limitadas pelo
prazer e ganância da minoria que sobre eles impera.
No meu canto eu posso despir-me da máscara
imposta pela sociedade, posso vestir-me das minhas opiniões sem pôr em risco a
minha liberdade. É no meu canto onde encontro consolo e forças para suportar o
peso de viver, é no meu canto onde encontro coragem para assumir meus ideais e
crenças, independentemente das consequências que isso me poderá trazer.
No meu canto ninguém me impõe limites porque
meu canto não é um espaço, meu canto não tem fronteiras, é qualquer lugar, meu
canto é um estado de introspecção e
combinação entre mente e alma, de renovação de energias e de afogamento de
dores e mágoas, de rejeição aos padrões do mundo e reafirmação dos meus
princípios, de no meio de tanta coisa feia procurar ainda por algo bonito. No
meu canto percebo que o mundo não muda pelo meu pranto, mas pela pessoa que sou
para o mundo quando saio do meu canto.
A alvorada nos traz novos ares para respirar. A
luz de um novo dia traz a clareza necessária para melhor enxergar. Ao levantar
da cama e antes de tudo é indispensável um momento oração, nada melhor do que
começar o dia expressando à Deus a nossa gratidão. Vá às atividades diárias com
a maior motivação, dê um bom dia à família e tenha com calma a primeira
refeição. Na rua trate as pessoas com respeito e carinho, mostre amor a cada
desconhecido que cruzar o teu caminho. Não ignore os meninos desfavorecidos na
calçada, dê-lhes alguma coisa, tu nunca estás sem nada. Um aperto de mão,
algumas palavrinhas e um sorriso, às vezes tudo que eles precisam é apenas
isto. Na escola ou no trabalho dê o melhor de ti, preste a maior atenção em
tudo que fizeres do principio ao fim. Seja produtivo e mantenha pensamentos
positivos, por nada te aborreças, e quando houver motivos, calma, respire,
relaxe e mostre paciência. Volte para casa com o sentimento de dever cumprido e
respeite as regras de transito durante o caminho. Em casa gaste um tempinho com
a família, ouça e também fale sobre o teu
dia. Partilhem brincadeiras e risadas, no final de tudo, certamente,
estarás indo mais feliz para cama.
Encontro-me no lado oposto da estrada, nadando
contra a maré dessas novas ondas que carregam gentes cheias de nada e
padecentes de essência própria. O mundo está cheio de gente vazia produzida por
uma alienação em massa que uniformiza os maus costumes gerando sociedades
doentias, cheio de gente com o rosto atrás de máscaras para poderem ser aceitos
e inseridos em círculos que não os caracterizam, limitando suas existências
sendo meras cópias de pobres paradigmas, tão superficiais quanto suas roupas e
todas outras modas que seguem. Vazios de si e cheios de superfluidades, actores
da realidade, regidos pelos estímulos de um colectivo que nada mais é do que um
conjunto de outros vazios também clamando por atenção e aceitação, também se
descaracterizando para se enquadrar, também procurando nos outros aquilo que
podem encontrar apenas neles mesmos.
Crônica
Egoísmo Desumaniza O
Homem.
O ser humano é dos seres mais desumanos que
existe. Somos a espécie que mais dificuldades tem de conviver com o semelhante.
Admira-me a nossa capacidade de progresso científico e tecnológico, mas
espanta-me mais a nossa vergonhosa retrogradação humanitária. Dentre vários
males, acredito ser o egoísmo o principal cancro da nossa desumanidade, por nos
tornar incapazes de criar perspectivas de bem estar comum e incapazes de nos
compadecermos uns com os outros, porque é impossível ver a dor do próximo
quando temos olhos apenas para nós, é impossível sentir as necessidades do
semelhante quando achamos que só nós necessitamos. O egoísmo cria em nós uma
irreal inexistência dos outros, o egoísmo nos traz a ilusão de que nossos
supérfulos caprichos são necessidade e que as necessidades dos outros são
supérfulos caprichos, o egoísmo cultiva em nós a inverdade de que tudo está bem
quando nós estamos bem, o egoísmo nos insensibiliza e a sensibilidade para com
o próximo é a raiz do humanitarismo. Pesa-me dizer, pois gostaria de acreditar
no contrário, mas infelizmente todo nosso progresso na ciência e tecnologia é
incapaz de dar um rumo diferente às nossas relações humanas, porque este cancro
está cravado em nossos carácteres. É preciso moldar o carácter do homem, é
preciso transformar os corações e colocar neles o sentido de comunidade e o
prazer na partilha.
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