UPA DE
CÁSSIA: OS FUNDOS ESTADUAIS ESTÃO ASSEGURADOS. MAS DE ONDE VIRÁ A CONTRAPARTIDA
NO VALOR DE R$ 566 MIL?
A Câmara Municipal de Cássia aprovou por
unanimidade o projeto que permite a abertura de um crédito especial para a
construção da futura Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Essa decisão foi
recebida como uma ótima notícia pela população. O valor total estimado para o
investimento é de R$ 7.283.959,68, dos quais R$ 6.717.410,94 são oriundos do
Governo de Minas Gerais, por meio de emenda parlamentar de uma deputada
estadual. Porém, apesar do entusiasmo com a conquista do recurso estadual, há
um aspecto que requer atenção e clareza: a contrapartida obrigatória do
município, que totaliza R$ 566.548,73.
Embora possa parecer um percentual pequeno em
relação ao valor total da obra, para um município do porte de Cássia é uma
quantia significativa, que naturalmente levanta uma questão que interessa a
todos os contribuintes: De onde virá esse dinheiro?
A questão é técnica, não política.
A lei exige que o município prove sua capacidade de
cumprir sua parte no investimento ao celebrar acordos dessa natureza. No
entanto, a aprovação do projeto de lei não esclarece de onde virão os R$ 566
mil.
A Prefeitura já tem esse recurso alocado em caixa? Há
recursos orçamentários adequados para cobrir essa despesa?
Muitas pessoas pensam que, ao aprovar esse tipo de
projeto, o município recebe automaticamente os fundos necessários para realizar
toda a obra. Não é desse jeito.
O crédito especial apenas estabelece uma
autorização legal para a transferência de fundos dentro do orçamento municipal.
Ele não gera novas receitas nem soluciona possíveis faltas de recursos próprios
para atender à contrapartida. Em outras palavras, a autorização legislativa
permite que a Prefeitura implemente o convênio, porém não esclarece a origem
dos R$ 566.548,73 que são de responsabilidade do município.
Há perigo em fazer um empréstimo?
Até agora, não há nenhuma informação oficial
confirmando que a Prefeitura realizará um empréstimo para atender à sua
contrapartida.
Uma informação relevante para a população
A transparência na administração pública não se
encerra quando um recurso é obtido. Ela persiste na maneira como cada real será
utilizado. A população tem o direito de saber: se os R$ 566.548,73 já estão
incluídos no orçamento municipal; de qual secretaria ou programa virá esse
montante; se será necessário realocar recursos; se outras obras ou serviços
poderão ser comprometidos; e qual será o impacto financeiro dessa contrapartida
para os cofres públicos.
Esses dados auxiliam na compreensão tanto do valor
da obra quanto de seu impacto nas finanças municipais.
Valorizar a conquista também é fiscalizar.
Questionar a origem desse recurso não significa ser
contra a obra. Pelo contrário, é o direito de acompanhar a gestão do dinheiro
público e assegurar que um investimento tão significativo seja realizado com
completa transparência e responsabilidade.
Apenas o início foi a aprovação.
Igualmente, é dever da Câmara Municipal cumprir sua
função constitucional de fiscalização, monitorando todas as fases da execução
do convênio: a origem da contrapartida, o processo licitatório, a utilização
dos recursos públicos, o progresso da obra e a prestação de contas.
Quando mais de R$ 7,2 milhões em fundos públicos
estão envolvidos, com parte deles originando-se dos cofres municipais, a
transparência, a supervisão e a prestação de contas não são apenas exigências
legais, mas um compromisso com todos os cidadãos de Cássia.

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