MANDATO PÚBLICO EXIGE TRABALHO E RESPEITO AO CIDADÃO
Quem Não
Lê, Não Entende
Quem Não
Busca Conhecimento. Não Pode Representar a População
Quando uma
pessoa decide se candidatar a qualquer cargo público — de vereador a presidente
da República — a primeira obrigação que deveria assumir é conhecer
profundamente as leis existentes e compreender, de fato, qual é a função do
cargo que pretende ocupar. Muitos entram na política sem entender suas
verdadeiras responsabilidades, transformando o mandato em algo superficial e
limitado.
No caso do
vereador, sua principal função não é apenas pedir favores ao prefeito ou atuar
como um simples intermediário de pequenos serviços urbanos. O vereador existe,
antes de tudo, para legislar, fiscalizar e representar a população no âmbito
municipal. Cabe a ele criar e votar leis municipais relacionadas a temas como
saúde, educação, transporte, trânsito, meio ambiente, uso do solo e serviços
públicos, sempre respeitando as Constituições Federal e Estadual.
Além disso,
o vereador possui uma das funções mais importantes dentro da democracia:
fiscalizar o Poder Executivo Municipal. Isso significa acompanhar como o
prefeito e os secretários estão aplicando o dinheiro público, verificar a
execução das obras, analisar contratos, observar a qualidade dos serviços
oferecidos à população e cobrar transparência da administração pública.
Também é
responsabilidade dos vereadores aprovar as principais peças orçamentárias do
município, como a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), a Lei Orçamentária
Anual (LOA) e o Plano Plurianual (PPA). São essas leis que definem onde e como
o dinheiro público será investido. Portanto, um vereador atento pode impedir
desperdícios, desvios e prioridades equivocadas.
Outra
atribuição fundamental é fiscalizar as contas do prefeito, auxiliando o
Tribunal de Contas nessa tarefa, além de poder criar Comissões Especiais de
Investigação (CEIs) para apurar denúncias, irregularidades ou SUSPEITAS
envolvendo a administração municipal.
Em muitos
municípios existem milhares de atos normativos já criados — leis ordinárias,
leis complementares, decretos e portarias. Isso demonstra que, em diversas
situações, o problema não é a falta de leis, mas sim a falta de cumprimento e
fiscalização das que já existem. Muitas cidades possuem normas suficientes para
garantir limpeza urbana, manutenção das vias públicas, qualidade das obras,
atendimento digno na saúde e organização dos serviços municipais. O que falta,
muitas vezes, é fiscalização séria e cobrança firme por parte dos
representantes eleitos.
A população
convive diariamente com problemas que jamais deveriam ser tratados como
normais. Entre eles estão os asfaltos de péssima qualidade, que começam a se
desfazer poucos dias após a conclusão das obras; ruas tomadas por buracos;
bueiros abertos ou sem funcionamento adequado; serviços públicos mal
executados; desperdício de dinheiro público; falta de medicamentos nos postos
de saúde; acúmulo de lixo em diversos bairros; mato alto em terrenos baldios;
abandono de espaços públicos; além de construções que muitas vezes ultrapassam
os limites permitidos pela legislação urbana.
Também
preocupa a falta de fiscalização em estabelecimentos que comercializam
alimentos e água para a população. Em muitos casos, existem falhas graves de
higiene e armazenamento, colocando em risco a saúde pública. A higiene é um dos
pilares fundamentais para garantir a segurança dos alimentos e da água que
chegam à mesa da população, e cabe ao poder público fiscalizar e exigir que as
normas sanitárias sejam cumpridas corretamente.
Quando uma
obra feita pela prefeitura é realizada sem qualidade, quem acaba pagando a
conta é o cidadão. O dinheiro sai dos cofres públicos, mas o serviço entregue
muitas vezes não corresponde ao valor investido. Existem asfaltos que parecem
durar menos que uma chuva forte, além de reparos feitos apenas para “maquiar”
os problemas, enquanto os defeitos retornam pouco tempo depois. Situações como
essas precisam ser acompanhadas, questionadas e fiscalizadas pelos vereadores,
que têm o dever de exigir qualidade nas obras e responsabilidade na aplicação
dos recursos públicos.
Da mesma
forma, a falta de medicamentos nos postos de saúde não pode ser encarada como
algo comum. Saúde pública é uma necessidade básica e uma obrigação do poder
público. Quando faltam remédios essenciais, exames, atendimento adequado ou
estrutura mínima para a população, cabe aos vereadores cobrar explicações,
analisar contratos, acompanhar licitações e exigir providências imediatas para
garantir que os direitos da população sejam respeitados.
Infelizmente,
parte dos vereadores limita sua atuação a pedidos simples, como instalação de
lombadas, troca de lâmpadas, tapa-buracos ou limpeza de terrenos. Embora essas
demandas façam parte das necessidades da cidade, o trabalho parlamentar não
pode se resumir a isso. O vereador precisa ir além: investigar por que os
problemas continuam acontecendo, quem são os responsáveis, quanto foi gasto e
se o serviço foi realmente executado com qualidade.
O vereador
que realmente representa o povo não vive dependente politicamente do prefeito
nem permanece em silêncio diante dos problemas da cidade. Ele entende que o
Legislativo possui autonomia e força para fiscalizar, cobrar transparência e
defender os interesses da população.
Quando
surgem denúncias, comentários frequentes da população ou suspeitas envolvendo
dinheiro público, obras mal feitas ou serviços deficientes, os vereadores têm a
obrigação de buscar esclarecimentos junto aos órgãos competentes. Pedir
informações não é perseguição política; é dever do cargo. Transparência não é
favor — é obrigação da administração pública e direito do cidadão.
Muitas
vezes, determinadas gestões não deixam claro onde os recursos estão sendo
aplicados, quais prioridades estão sendo adotadas ou por que determinados
setores continuam abandonados. E, como diz o ditado popular, “onde há fumaça,
pode haver fogo”. Por isso, o vereador comprometido não ignora exigências
populares: ele investiga, questiona, acompanha e cobra respostas.
O bom
vereador está sempre em busca de soluções reais para melhorar a cidade como um
todo, e não apenas atendendo interesses de pequenos grupos ou aliados
políticos. Ele busca recursos por meio de emendas parlamentares, acompanha
contratos, cobra qualidade nas obras, fiscaliza os gastos públicos e trabalha
para garantir que o dinheiro da população seja usado de maneira correta.
Ser
vereador não deveria significar apenas ocupar uma cadeira na Câmara e esperar o
salário no fim do mês. O verdadeiro representante público trabalha diariamente
para fiscalizar, propor melhorias, defender os cidadãos e garantir que os
serviços públicos sejam prestados com qualidade, responsabilidade, honestidade
e transparência.
Em muitos
municípios, os vereadores comparecem à Câmara apenas duas vezes por mês,
enquanto recebem salários suficientes para manter uma família com dignidade.
Enquanto isso, milhares de aposentados sobrevivem com apenas um salário mínimo,
enfrentando dificuldades para pagar remédios, alimentação, água, luz e outras
despesas básicas. É justamente essa população trabalhadora, humilde e
sacrificada que, através dos impostos, paga os salários dos agentes públicos.
Por isso, o
vereador deveria ter consciência da responsabilidade do cargo que ocupa. Quem é
sustentado pelo dinheiro do povo precisa trabalhar mais, fiscalizar mais, ouvir
mais a população e respeitar cada cidadão que contribui para manter a máquina
pública funcionando. O mandato não deve servir para comodidade, interesses
pessoais ou benefícios políticos, mas sim para representar verdadeiramente a
comunidade e lutar pelos interesses coletivos.

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