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REVOLUÇÃO DA ILUMINAÇÃO PÚBLICA EM CÁSSIA (2017–2020): ORIGEM, DESAFIOS E A
QUESTÃO DA REDUÇÃO DA CIP
Entre os anos de
2017 e 2020, o município de Cássia, em Minas Gerais, vivenciou um dos debates
mais relevantes no campo da modernização urbana: a implantação do sistema de
iluminação pública em LED. A iniciativa teve como principais articuladores o
então vereador Ciro Antônio de
Oliveira Costa, conhecido como Ciro, e o prefeito à época Marco Leandro Almeida Arantes,
popularmente chamado de Kito Arantes. A proposta, que hoje é reconhecida pelos
seus benefícios, enfrentou resistência significativa em sua fase inicial.
O projeto de
substituição das luminárias tradicionais — como as de vapor de mercúrio, vapor
de sódio e metálicas — por tecnologia LED não foi prontamente aceito pela
Câmara Municipal. Em sua primeira votação, a proposta foi rejeitada pela
maioria dos vereadores, que, naquele momento, não compreenderam plenamente o
alcance e os impactos positivos da modernização proposta. A rejeição inicial
evidenciou um cenário comum em administrações públicas: a dificuldade de
aprovação de projetos inovadores que exigem investimento inicial elevado, mesmo
quando apresentam retorno garantido a médio e longo prazo.
Diante desse
impasse, houve mobilização para reverter a decisão. Um empresário influente
teve papel decisivo ao se posicionar de forma firme em defesa do projeto,
destacando sua importância estratégica para o desenvolvimento urbano e a
eficiência energética do município. Esse apoio externo contribuiu para uma
reavaliação por parte dos vereadores, levando à realização de uma segunda
votação, na qual, finalmente, o projeto foi aprovado.
Com a aprovação
legislativa, a administração municipal deu início à execução do projeto por
meio de financiamento junto ao Banco do Brasil. O investimento previsto foi de
até R$ 1.970.000,00 (um milhão, novecentos e setenta mil reais), destinado à
substituição gradual das luminárias antigas por equipamentos de LED,
reconhecidos por sua maior durabilidade, eficiência luminosa e economia de
energia.
Do ponto de vista
técnico, a tecnologia LED apresenta um consumo energético entre 60% e 70%
inferior ao das lâmpadas convencionais para um mesmo nível de iluminação. Essa
característica não apenas reduz significativamente os custos operacionais do
município, como também melhora a qualidade da iluminação urbana, aumentando a
segurança pública e o conforto visual da população.
Desde o início,
Ciro e Kito defenderam que a economia gerada pelo novo sistema deveria ser
revertida em benefícios diretos à população. Entre esses benefícios,
destacava-se a possibilidade de ampliação da rede de iluminação pública em
áreas antes deficientes, bem como a perspectiva de redução da Contribuição de
Iluminação Pública (CIP), taxa cobrada dos contribuintes para custear o
serviço. No entanto, essa redução foi planejada para ocorrer apenas após a
quitação do financiamento contratado para viabilizar o projeto.
Além da
modernização do parque de iluminação existente, a gestão de Kito Arantes também
estruturou um projeto de expansão da rede, contemplando regiões onde a
iluminação era considerada inadequada ou insuficiente. Esse planejamento
reforça o caráter estratégico da iniciativa, que não se limitou à substituição
tecnológica, mas buscou uma reestruturação mais ampla do sistema de iluminação
pública municipal.
Passados os anos e
com a quitação do financiamento já realizada, surge um ponto de debate
relevante: a não redução da taxa de CIP, conforme originalmente defendido pelos
idealizadores do projeto. A manutenção dos valores cobrados levanta
questionamentos por parte de setores da sociedade e dos próprio idealizadores
do projeto, que argumentam que, diante da comprovada economia proporcionada
pelo LED, seria justo repassar parte desse benefício diretamente aos
contribuintes, especialmente à população de menor renda.
Esse cenário
também traz à tona uma discussão política recorrente: o reconhecimento da
autoria e da concepção de políticas públicas. A implantação do LED em Cássia
foi resultado de uma iniciativa específica, construída com esforço, enfrentando
resistência e exigindo articulação política e social. Com o passar do tempo, há
o risco de que os créditos por tais avanços sejam diluídos ou apropriados por
agentes que não participaram de sua origem.
Além disso, é
importante destacar que a atuação conjunta de Ciro Antônio de Oliveira Costa e
Marco Leandro Almeida Arantes foi marcada por visão administrativa e
compromisso com a modernização do município. Ambos não apenas idealizaram o
projeto, mas também sustentaram sua defesa diante de resistências políticas e
dúvidas iniciais, demonstrando capacidade de articulação e persistência. A
proposta do LED não surgiu como uma medida pontual, mas como parte de um
planejamento estratégico voltado à eficiência energética, à melhoria da
qualidade de vida da população e ao uso mais inteligente dos recursos públicos.
Ao estruturarem o financiamento, planejarem a execução e projetarem benefícios
futuros, como a possível redução da CIP, mostraram responsabilidade fiscal e
preocupação social, evidenciando que a iniciativa foi construída com base em
critérios técnicos e no interesse coletivo, e não apenas em decisões
momentâneas.
Registrar esse
processo de forma clara e detalhada é fundamental não apenas para preservar a
memória administrativa do município, mas também para informar a população sobre
a origem das melhorias implementadas e sobre os compromissos assumidos no
momento de sua concepção. A transparência nesse tipo de informação fortalece o
controle social e contribui para uma gestão pública mais responsável e alinhada
aos interesses da comunidade.
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