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quarta-feira, 24 de junho de 2026

SUS: A JOIA DA JUSTIÇA SOCIAL BRASILEIRA QUE INSPIRA O MUNDO

 

SUS: A JOIA DA JUSTIÇA SOCIAL BRASILEIRA QUE INSPIRA O MUNDO

 


Pense em um lugar onde sua conta bancária não define o tratamento que você recebe. Onde sua cor, sua profissão, sua religião ou seu endereço não são critérios para determinar se você terá atendimento médico. Esse lugar existe, é brasileiro e se chama Sistema Único de Saúde — SUS.

Completando 38 anos em 2026, o SUS é muito mais do que uma política pública. É um dos maiores projetos de inclusão social já construídos no mundo e um verdadeiro pacto civilizatório que desafia a lógica de uma sociedade cada vez mais desigual.

Não é privilégio. Não é favor. Saúde é um direito de todas as pessoas e um dever do Estado. O SUS não é apenas um arranjo administrativo; é uma conquista social que transformou a cidadania em realidade para milhões de brasileiros.

A ideia é simples, mas revolucionária: garantir acesso à saúde para todos, sem qualquer tipo de distinção. Esse princípio recebe o nome de universalidade. Na prática, significa que o empresário e o catador de recicláveis podem ser atendidos na mesma unidade, pelo mesmo profissional, com o mesmo direito à dignidade, ao respeito e ao cuidado.

Um modelo que inspira o mundo

Para se ter uma ideia da dimensão dessa conquista, o Brasil é o único país com mais de 200 milhões de habitantes que oferece acesso universal e gratuito à saúde. O SUS disponibiliza desde vacinas e medicamentos até transplantes de órgãos, tratamentos de câncer e cirurgias de alta complexidade.

Atualmente, mais de 160 milhões de brasileiros dependem exclusivamente do sistema público de saúde para receber atendimento.

Essa grandiosidade não passou despercebida internacionalmente. Representantes da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) já classificaram o SUS como uma das maiores políticas de inclusão social do planeta e uma inspiração para diversos países das Américas.

Para especialistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o SUS é uma verdadeira joia do Estado brasileiro. "O SUS é um modelo internacional de sucesso. Claro que possui problemas, até porque é gigantesco. Mas representa um extraordinário modelo de democracia, baseado na cobertura universal da saúde."

Inspiração além das fronteiras

A originalidade do SUS é tão relevante que seu modelo de Atenção Primária vem sendo estudado por países desenvolvidos.

O jornal britânico The Telegraph publicou uma reportagem questionando se um "projeto radical das favelas do Brasil" poderia ajudar a salvar o sistema de saúde inglês, o NHS, que enfrenta uma profunda crise.

O destaque está no trabalho dos Agentes Comunitários de Saúde, profissionais que visitam residências, criam vínculos de confiança com as famílias e atuam diretamente na prevenção de doenças. Inspirado nessa experiência brasileira, o NHS passou a testar projetos-piloto em bairros de Londres, com a perspectiva de expansão para outras regiões da Inglaterra.

Resultados que mudam vidas

Mais do que servir de inspiração internacional, o SUS produz resultados concretos.

A expectativa de vida dos brasileiros aumentou significativamente nas últimas décadas. Entre 2000 e 2022, houve um crescimento de 6,8 anos. No mesmo período, a mortalidade infantil caiu de 32 para 14 óbitos por mil nascidos vivos.

Esses avanços não aconteceram por acaso. São consequência de um sistema que alcança praticamente todo o território nacional e está presente em cerca de 90% dos municípios brasileiros. Por trás desses números existem milhões de vidas salvas, doenças prevenidas, tratamentos realizados e famílias amparadas.

Os desafios que ainda precisam ser enfrentados

Nenhuma obra humana é perfeita, e o SUS enfrenta desafios permanentes.

A insuficiência de financiamento, as filas para procedimentos especializados, a carência de profissionais em determinadas regiões e as desigualdades entre áreas urbanas e rurais continuam sendo obstáculos importantes.

Estudos da Fiocruz mostram que os grandes centros urbanos costumam oferecer serviços mais estruturados do que regiões remotas, evidenciando uma desigualdade que ainda precisa ser superada.

Reconhecer esses problemas não diminui a importância do SUS. Pelo contrário: reforça a necessidade de fortalecê-lo, aprimorá-lo e garantir que cumpra sua missão de forma cada vez mais eficiente.

Enquanto países como os Estados Unidos ainda discutem formas de ampliar o acesso à saúde e milhões de pessoas permanecem sem cobertura adequada, o Brasil mantém um princípio consagrado pela Constituição Federal de 1988: a saúde é um direito de todos.

Talvez a grandeza do SUS não esteja em ser perfeito, mas em ser justo. Em um país marcado por profundas desigualdades sociais, ele representa a garantia de que, pelo menos na hora de cuidar da vida, todos são iguais perante o atendimento à saúde. Se não existe outro sistema exatamente igual ao SUS no mundo, talvez seja porque poucos países tiveram a coragem de construir um projeto tão ambicioso e humano. Um projeto chamado justiça social.

Ainda tem gente que fala mal do SUS

"Falam mal, mas na hora da emergência correm para ele"

Por que criticar o SUS virou quase um esporte nacional e defendê-lo se tornou, muitas vezes, um ato de resistência? Sim, ainda existe muita gente que fala mal do SUS.

Nas redes sociais, nos grupos de família, nos bares, nas filas dos bancos e em conversas do cotidiano, é comum ouvir frases como: "O SUS é um lixo." "Não funciona." "Só serve para quem não tem plano de saúde." "É um buraco sem fundo para os impostos."

Mas frequentemente acontece uma mudança repentina de perspectiva. Basta surgir uma emergência. Um acidente de trânsito. Uma dor forte no peito. Uma criança com febre alta. Uma suspeita de dengue grave.

Nesses momentos, para onde essa mesma pessoa costuma correr? Para o SUS.

Porque o plano de saúde pode demorar para autorizar procedimentos. Porque o hospital particular mais próximo pode estar distante. Porque o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) está disponível para atender rapidamente quando a vida corre risco. O SUS atende cerca de 70% da população brasileira que não possui plano de saúde.

E mesmo entre aqueles que possuem convênio médico, a maioria já utilizou algum serviço do SUS, seja para vacinação, exames, transplantes, internações, medicamentos do Farmácia Popular ou atendimentos de urgência e emergência.

De onde vem tanta rejeição ao SUS? As críticas ao SUS não surgiram do nada. Elas costumam estar associadas a três fatores principais.

O subfinanciamento histórico. O sistema enfrenta há décadas dificuldades relacionadas ao financiamento. Quando faltam recursos, surgem filas maiores, equipamentos insuficientes, estruturas sobrecarregadas e profissionais trabalhando além do limite. Nesse contexto, muitas pessoas culpam o SUS pelos problemas, quando grande parte deles decorre justamente da falta de investimentos adequados. É como responsabilizar o médico pela doença do paciente. O problema não está necessariamente no sistema, mas nos recursos disponíveis para que ele funcione plenamente.

A construção de uma imagem negativa

Ao longo dos anos, o SUS também se tornou alvo de disputas ideológicas e políticas. Expressões como "SUS é coisa de pobre" ou afirmações que desqualificam profissionais da saúde pública foram repetidas inúmeras vezes, contribuindo para uma visão distorcida da realidade. Em muitos casos, cria-se a ideia de que somente a saúde privada oferece qualidade, enquanto a saúde pública seria sinônimo de ineficiência. Essa narrativa ignora milhares de atendimentos, cirurgias, transplantes, campanhas de vacinação e ações de prevenção realizadas diariamente.

A valorização exagerada do que vem de fora

Existe ainda um comportamento cultural bastante presente em parte da sociedade brasileira: valorizar automaticamente o que é estrangeiro e menosprezar aquilo que é nacional. Enquanto países desenvolvidos estudam aspectos do SUS, muitos brasileiros continuam tratando o sistema como símbolo de atraso.

É uma contradição evidente. "As pessoas falam mal do SUS até precisarem dele. Quando a vida está em jogo, ninguém pergunta se o médico é do SUS ou não. O que importa é receber atendimento. E o SUS atende."

O que muitos críticos ignoram

Quando alguém afirma que "o SUS não presta", vale refletir sobre algumas perguntas. Quem realizou as campanhas que vacinaram milhões de crianças brasileiras contra a poliomielite? O SUS.

Quem liderou ações fundamentais para o controle de doenças como sarampo e outras enfermidades imunopreveníveis? O SUS.

Quem realiza um dos maiores programas públicos de transplantes de órgãos do mundo? O SUS.

Quem distribuiu milhões de vacinas durante a pandemia de COVID-19 e garantiu acesso gratuito à imunização? O SUS.

Quem possibilita que um trabalhador rural do interior do país receba um transplante de coração, incluindo toda a complexa logística necessária para esse procedimento? O SUS.

O sistema possui defeitos. As filas existem. As demoras existem. Os problemas de gestão existem. Mas é preciso reconhecer a dimensão do desafio de oferecer atendimento a mais de 200 milhões de habitantes em um país continental.

A hipocrisia da frase "SUS é para pobre"

Uma das frases mais injustas e preconceituosas é afirmar que "o SUS é para pobre". Essa declaração revela desconhecimento sobre o próprio sistema.

Muitas vezes, quem faz essa afirmação já utilizou serviços do SUS e sequer percebeu. Além disso, a frase carrega uma visão elitista, como se pessoas de menor renda merecessem um atendimento inferior. A realidade é exatamente o contrário. O SUS é universal. Ele não pergunta quanto dinheiro você possui. Não pergunta sua cor. Não pergunta sua religião. Não pergunta sua orientação política. Não pergunta sua posição social. Pergunta apenas de que cuidado você precisa. E essa característica incomoda quem acredita que saúde deve ser tratada como mercadoria e não como direito.

Se é tão ruim, por que tantos países estudam o SUS?

O sistema brasileiro é referência internacional em diversas áreas. Vacinação em massa e vigilância epidemiológica. Atenção Primária baseada em agentes comunitários de saúde. Programas públicos de transplantes. Políticas de enfrentamento ao HIV/AIDS. Distribuição de medicamentos por meio da Farmácia Popular. Essas experiências são estudadas por governos, universidades e organismos internacionais.

A Organização Mundial da Saúde já reconheceu o SUS como um dos sistemas públicos mais inclusivos e equitativos do mundo. Por isso, quando um brasileiro afirma que o SUS não funciona, muitas vezes está reproduzindo uma visão simplificada que não corresponde à complexidade e à dimensão real do sistema.

Crítica é necessária. Desinformação, não.

Defender o SUS não significa afirmar que ele é perfeito. O sistema precisa de mais investimentos. Precisa de melhor gestão. Precisa valorizar seus profissionais. Precisa reduzir filas. Precisa modernizar processos e ampliar o acesso a tecnologias. Essas são críticas legítimas e construtivas.

São críticas feitas, inclusive, por quem mais acredita na importância do SUS.

O que não se sustenta é afirmar que o sistema não funciona ou que deveria deixar de existir. Para cerca de 160 milhões de brasileiros, o SUS não é uma teoria. É a diferença entre receber atendimento ou não receber. É a diferença entre viver e morrer. É a maior política de inclusão social já construída pelo país.

O SUS não pertence à esquerda nem à direita. Não pertence a governos. Não pertence a partidos. Pertence ao povo brasileiro. E enquanto houver quem tente desqualificá-lo, haverá também quem lembre uma verdade simples:

O SUS salva vidas todos os dias. Inclusive a sua, mesmo que você não perceba. O SUS não é perfeito. Mas é nosso.

E continua sendo uma das maiores conquistas sociais da história do Brasil.

 

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