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quinta-feira, 29 de outubro de 2026

UM RELATO QUE NÃO CONSIGO ESQUECER: UMA CRIANÇA, UMA ESCURIDÃO E UM PEDIDO DE SOCORRO PELA UNIÃO

 

UM RELATO QUE NÃO CONSIGO ESQUECER: UMA CRIANÇA, UMA ESCURIDÃO E UM PEDIDO DE SOCORRO PELA UNIÃO

 

Um acontecimento no Parque Dona Neném me deixou profundamente impressionado. O que vi permanece na minha memória, e o pedido que ouvi continua ecoando dentro de mim: precisamos parar de alimentar o ódio antes que seja tarde demais.

Faz alguns dias que aconteceu algo que ainda não consegui tirar da cabeça.

Eu estava saindo do Mercado Cássia, carregando algumas sacolas, quando resolvi parar debaixo da árvore de jaca que fica no Parque Dona Neném. Foi ali, naquele momento aparentemente comum, que vivi uma experiência difícil de explicar.

De repente, uma escuridão tomou conta dos meus olhos. E, dentro daquela escuridão, surgiu uma cena assustadora: uma multidão de pessoas, com diferentes aparências e pensamentos, carregando paus, bandeiras, facas, machados, foices, enxadas, facões e até mesmo arma de fogo.

No meio daquele movimento, havia sangue por toda parte, como se a violência tivesse tomado conta de tudo.

Era uma cena de confronto, divisão e sofrimento. Não havia espaço para o diálogo, para o entendimento ou para a compreensão. O que se destacava era a imagem de um povo furioso, tomado pela hostilidade e caminhando em direção a algo terrível.

Mas, no meio de toda aquela confusão, havia uma criança.

Em alguns momentos, ela aparecia branca; em outros, negra. Sua aparência mudava, mas seu pedido permanecia o mesmo. Era como se aquela criança representasse todas as crianças, sem distinção de cor, origem ou condição social.

Ela pedia socorro. Pedia que eu falasse aos jornais, às rádios e às emissoras de televisão. Pedia que alguém transmitisse uma mensagem capaz de alcançar as pessoas antes que a violência tomasse proporções ainda maiores.

A mensagem era clara: parem de provocar a guerra entre o povo. Parem de alimentar a divisão. A nação precisa se unir.

Tudo aconteceu tão rapidamente que não soube o que fazer naquele instante. A experiência passou, mas a lembrança permaneceu.

Acredite quem quiser. Não escrevo estas palavras para obrigar ninguém a acreditar no que relato, tampouco para impor uma interpretação a quem pensa de maneira diferente. Escrevo porque aquilo me marcou profundamente e porque acredito que a mensagem de união merece ser ouvida, independentemente da explicação que cada pessoa encontre para o ocorrido.

POR QUE ESTOU TORNANDO ESTE RELATO PÚBLICO?

Desde aquele dia, a imagem da criança pedindo socorro continua voltando à minha memória. Sinto que preciso dar publicidade a essa mensagem, especialmente porque o ambiente não é favorável, as agressões verbais, a intolerância e os conflitos que presenciamos podem contribuir para afastar ainda mais as pessoas e sangrar.

O problema começa quando a divergência deixa de ser discussão e passa a ser tratada como motivo para humilhar, ameaçar, perseguir ou agredir o outro.

UM APELO AOS JORNAIS, ÀS RÁDIOS E ÀS EMISSORAS DE TELEVISÃO

A criança pedia que a mensagem chegasse aos meios de comunicação. Por isso, faço um apelo público aos profissionais da imprensa, aos responsáveis pelas redações, aos apresentadores, aos comentaristas e aos comunicadores de todo o país.

A imprensa tem um papel fundamental precisa se unirem refletir sobre a importância de dar visibilidade a iniciativas de paz, exemplos de solidariedade, gestos de reconciliação e ações que aproximem pessoas que pensam de maneira diferente, que criem canais dentro da programação falando ao povo sobre ser um só povo e não inimigo.

O SANGUE QUE VI E O FUTURO QUE NÃO QUERO PARA O POVO

A imagem do sangue foi uma das partes mais marcantes daquele acontecimento. Não posso afirmar que ele anunciasse um acontecimento futuro, e não seria responsável transformar uma experiência pessoal em certeza de que haverá uma tragédia.

Entretanto, a cena me levou a uma reflexão que considero necessária: o que acontece quando uma sociedade permite que a intolerância cresça sem que ninguém se preocupe em interromper esse processo?

A violência não começa necessariamente com armas nas mãos. Muitas vezes, ela é precedida por palavras de ameaças, humilhações, discursos de ódio e pela ideia de que quem pensa diferente merece ser atacado.

É por isso que não devemos esperar que uma situação se agrave para defender a paz.

Se existe algo que podemos fazer hoje para evitar conflitos amanhã, esse algo começa com responsabilidade, diálogo, respeito às diferenças e rejeição a qualquer forma de violência.    

Não quero que o povo chegue a um cenário de sangue, medo e sofrimento. Quero que a imagem que me marcou sirva como motivo para refletirmos sobre o país que estamos construindo.

A MENSAGEM QUE PRECISA CHEGAR A TODOS

Faço este apelo a quem trabalha nos meios de comunicação, a quem exerce funções públicas, a quem participa das igrejas, política e a cada cidadão que fale de ser um só povo.

A criança que vi naquele acontecimento pedia que a mensagem fosse levada adiante. É isso que procuro fazer agora, transformando o que vivi em um apelo público à reflexão.

Talvez cada pessoa interprete esse relato de uma maneira. Alguns poderão considerá-lo uma experiência difícil de explicar; outros poderão enxergá-lo como um alerta simbólico sobre o momento que vivemos. Não exijo concordância. Peço apenas que a mensagem de paz seja considerada com seriedade.

Este é o relato pessoal e o apelo à sociedade de uma pessoa que teve essa visão em uma tarde de quarta-feira, do mês de agosto, por volta das dezesseis horas.

 

 

 

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