DINHEIRO PÚBLICO, AUDIÊNCIA
BAIXA E FALTA DE TRANSPARÊNCIA
Cássia
precisa esclarecer os gastos com serviços audiovisuais da Prefeitura e da
Câmara
Quanto custa produzir e divulgar conteúdo
institucional?
O serviço contratado entrega resultados?
E por que não avaliar uma transmissão realizada
pela própria Câmara Municipal?
A população de Cássia, no sudoeste de Minas Gerais,
tem o direito de conhecer os valores gastos com serviços audiovisuais, os
trabalhos efetivamente realizados e os resultados dessas contratações.
O assunto merece atenção porque os registros
públicos identificam uma contratação da Prefeitura com a empresa Núcleo DTTV de
Comunicações Ltda. ME em 2022. Também há informações sobre um novo pregão
municipal em 2025 e sobre um procedimento da Câmara para transmitir reuniões
legislativas. Entretanto, os valores efetivamente pagos por cada órgão ainda
precisam ser esclarecidos documentalmente.
O que os documentos da Prefeitura revelam?
Uma consulta ao portal oficial da Prefeitura de
Cássia identifica o contrato nº 312022/2022, vinculado ao processo nº 2/2022,
com a empresa Núcleo DTTV de Comunicações Ltda. ME.
O objeto era a prestação de serviços de produção de
conteúdo audiovisual institucional ou informativo e sua divulgação em mídias e
redes sociais públicas. A vigência registrada foi de 26 de janeiro de 2022 a 26
de janeiro de 2023. O contrato consta como encerrado.
O edital do Pregão Presencial nº 002/2022
estabeleceu um valor global de R$ 223.723,00 para a contratação.
Os documentos podem ser consultados no registro oficial do contrato e no edital da contratação audiovisual.
É fundamental esclarecer que R$ 223.723,00 era o
limite global indicado no procedimento licitatório. Esse número, isoladamente,
não comprova quanto foi efetivamente contratado nem quanto saiu dos cofres
municipais.
O registro confirma a contratação e seu período de
vigência. Para conhecer a despesa real, ainda é necessário conferir o contrato
integral, os empenhos, as liquidações e os pagamentos. Que tem que ser
apresentados.
A nova pista de 2025: proposta
de R$ 167.006,75
Outra informação que merece investigação é a
referente ao Pregão nº 001/2025 da Prefeitura, destinado à produção de conteúdo
audiovisual institucional.
Segundo os dados preliminares levantados nesta
investigação, a Núcleo DTTV teria sido declarada vencedora provisória com uma
proposta de R$ 167.006,75.
Esse valor precisa ser confrontado com a ata de
julgamento, a proposta final, o resultado definitivo e eventual contrato
assinado.
Caso o montante corresponda a uma contratação de 12
meses, a média aritmética seria de aproximadamente R$ 13.917,23 mensais. Essa
estimativa, porém, depende da confirmação do período contratual e não
representa necessariamente o valor efetivamente pago. Precisa de explicações
documentadas.
O procedimento pode ser consultado no portal
oficial de licitações da Prefeitura.
O que precisamos saber é se a contratação foi
efetivamente formalizada, qual foi o valor final e quanto a Prefeitura pagou
pelos serviços executados.
Também é necessário verificar o que foi contratado
em 2025 e comparar o objeto com o contrato de 2022, sem presumir que os
serviços, os preços ou as condições sejam idênticos.
E a Câmara Municipal? Quanto foi pago?
A situação da Câmara precisa ser mostrada separadamente
com documentos.
Há uma informação preliminar sobre o Pregão
Presencial nº 001/2023, relacionado à transmissão das reuniões legislativas,
com previsão de sessões ordinárias e extraordinárias. Contudo, o valor
orçamentário não foi identificado nos documentos consultados até o momento.
Assim, ainda não temos um valor confirmado que
permita afirmar quanto a Câmara pagou à DTTV em 2023, 2024, 2025 ou 2026.
É necessário localizar o edital completo, o
resultado da licitação, o contrato assinado e os registros financeiros de cada
exercício. Também precisamos verificar se houve prorrogações, novas
contratações ou mudanças na empresa responsável.
O portal oficial da Câmara Municipal de Cássia é o
ponto de partida para essa consulta, não disponível.
Não seria correto atribuir à Câmara os R$
223.723,00 do procedimento municipal de 2022 ou a proposta de R$ 167.006,75
informada para o pregão da Prefeitura em 2025. São procedimentos distintos, e
cada órgão deve prestar contas de suas próprias despesas.
Audiência baixa: o serviço está alcançando a população?
Outro ponto que merece verificação é a audiência
das transmissões das sessões da Câmara.
Um levantamento preliminar mencionado indica uma
média estimada de 20 a 30 espectadores online por sessão nos últimos dez meses.
Entretanto, esse número ainda precisa ser confirmado por relatórios oficiais
das plataformas utilizadas.
É preciso distinguir espectadores simultâneos,
visualizações acumuladas e pessoas únicas.
Se os números forem confirmados, será legítimo
perguntar se a audiência é compatível com os custos e se a Câmara está
divulgando adequadamente as sessões.
A audiência, sozinha, não determina a qualidade de
um serviço público. A gravação integral, a qualidade do áudio e do vídeo, a
acessibilidade e a disponibilidade posterior dos registros também importam.
Mas há uma questão incontornável: não basta
contratar uma transmissão; é preciso fiscalizar o serviço e demonstrar sua
utilidade pública.
Por que não avaliar uma transmissão com recursos próprios?
A Câmara pode estudar a possibilidade de realizar
as transmissões com equipamentos próprios, desde que disponha de estrutura
técnica, conexão estável, áudio adequado e pessoal capacitado.
A proposta não é afirmar que um celular substitui
automaticamente uma produção profissional. É defender uma comparação técnica e
econômica entre as alternativas.
Se a estrutura própria oferecer qualidade
suficiente por um custo inferior, poderá representar economia. Que o faça!
Prefeitura e Câmara devem apresentar os números
Para esclarecer a situação, seria importante que os
dois órgãos divulgassem:
Os
contratos audiovisuais vigentes e os respectivos fornecedores.
Os valores
previstos nos editais, os valores contratados e os montantes efetivamente
pagos.
Os
pagamentos realizados em 2023, 2024, 2025 e 2026.
As notas
fiscais, os empenhos, as liquidações e os comprovantes de execução dos
serviços.
Os
conteúdos produzidos, os canais de publicação e os relatórios de audiência
disponíveis.
Os nomes
dos responsáveis pela fiscalização dos contratos.
Os estudos
realizados para comparar a contratação externa com a execução por meios
próprios.
Esses dados permitiriam verificar se os serviços
foram prestados conforme contratado, se os preços são compatíveis e se existem
oportunidades de economia.
Também seria importante verificar se os serviços
audiovisuais contratados pela Prefeitura e pela Câmara possuem objetos
diferentes. A semelhança entre os serviços não prova duplicidade de pagamentos,
mas justifica pedir esclarecimentos sobre as atividades realizadas por cada
fornecedor.
Transparência não é acusação
A Lei nº 14.133/2021 estabelece regras e princípios
para as licitações e os contratos administrativos, incluindo transparência,
eficiência e busca da contratação mais vantajosa. A Lei nº 12.527/2011, a Lei
de Acesso à Informação, permite solicitar documentos e informações públicas,
respeitadas as exceções legais.
O contribuinte tem direito de saber
A contratação audiovisual pode cumprir uma função
importante na divulgação dos atos públicos. Isso não elimina a necessidade de
demonstrar quanto custa, o que é entregue e quais benefícios proporciona à
população.
O registro municipal de 2022, com valor máximo
global de R$ 223.723,00, constitui um ponto concreto de partida. A informação
sobre a proposta de R$ 167.006,75 no procedimento de 2025 é uma pista que
precisa ser confirmada nos documentos finais. E o custo dos serviços da Câmara
continua sendo uma questão a esclarecer por meio de seus próprios contratos e
pagamentos. Que são muito altos.
A pergunta central é simples: os serviços
audiovisuais contratados pela Prefeitura e pela Câmara entregam resultados
proporcionais ao dinheiro público investido?
Se as contratações são vantajosas, que os
documentos demonstrem isso. Se existem alternativas mais econômicas e
igualmente eficientes, que sejam avaliadas.
Cássia precisa de comunicação pública eficiente,
transparência e responsabilidade na aplicação dos recursos municipais.
Fiscalizar despesas não é atacar empresas.
É defender o direito da população de saber como seu
dinheiro está sendo utilizado.

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