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domingo, 13 de setembro de 2026

Desperdício de recursos públicos: quando falta planejamento, fiscalização e responsabilidade

 A CIDADE DE CÁSSIA MG NÃO MERECIA SER NOTÍCIA NA TV OU EM TABLOIDES POR PROBLEMAS QUE PODERIAM TER SIDO EVITADOS. COM PLANEJAMENTO, ESTRUTURA, CONHECIMENTO, REGRAS, ACOMPANHAMENTO E DETERMINAÇÃO, MUITA COISA PODERIA SER DIFERENTE.

 


Desperdício de recursos públicos: quando falta planejamento, fiscalização e responsabilidade

 Há muito tempo venho denunciando, por meio das minhas matérias, situações que apontam para o desperdício de recursos públicos em diferentes setores da Prefeitura. E não estamos falando de um único problema ou de um caso isolado. São situações que, somadas ao longo, revelam um problema muito maior: a falta de planejamento, fiscalização, acompanhamento e responsabilidade na aplicação do dinheiro público.

São passeios públicos mal executados, ruas que precisam ter serviços refeitos pouco tempo depois, obras sem acabamento adequado, materiais de baixa qualidade e serviços que poderiam ter sido realizados corretamente desde o início se houvesse fiscalização eficiente.

Também existem praças que passam por intervenções e acabam ficando com serviços mal-acabados ou até mesmo com características que comprometem aquilo que já existia.

E os problemas não se limitam às obras.

Há reclamações e questionamentos envolvendo falta de medicamentos na farmácia, transporte escolar que deixa a desejar, profissionais da saúde sem receber em determinadas situações, além do crescimento de cargos de confiança com salários elevados, horas extras que precisam ser rigorosamente justificadas e analisadas e terceirizações qu

e, quando mal planejadas, podem representar um custo elevado para os cofres públicos sem entregar à população um serviço compatível com o valor pago.

Se fosse possível reunir todos esses episódios em um único documento, talvez o resultado fosse um livro de milhares de páginas.

Mas o problema central pode ser resumido em poucas palavras: quando uma administração não possui planejamento adequado, estrutura, conhecimento técnico, regras claras, acompanhamento e determinação para corrigir os erros, o resultado inevitavelmente aparece.

E quem paga essa conta?

A população.

Porque o dinheiro público desperdiçado em um serviço malfeito é dinheiro que deixa de ser aplicado em outra necessidade. Quando uma obra precisa ser refeita porque não foi fiscalizada corretamente, o município paga duas vezes. Quando se utiliza material inadequado, o problema reaparece. Quando uma contratação não é bem planejada, o custo pode aumentar enquanto a qualidade do serviço não acompanha.

E, depois, além das dívidas e dos compromissos que ficam para as administrações seguintes, fica também para a população a consequência de decisões que poderiam ter sido melhor planejadas.

Falta de aviso não foi.

Durante muito tempo, esses problemas vêm sendo apontados publicamente. O objetivo não é simplesmente criticar por criticar. É chamar a atenção para aquilo que precisa ser acompanhado, questionado e corrigido enquanto ainda existe tempo.

 

E onde entram os vereadores nessa história?

É justamente aqui que precisamos voltar a falar do papel do Poder Legislativo municipal.

Os vereadores não estão na Câmara apenas para votar projetos apresentados pelo Executivo. Eles também têm a responsabilidade de analisar, discutir, questionar e fiscalizar.

Quando o Executivo pretende realizar uma obra ou implantar determinado projeto, existe todo um processo que precisa ser analisado. Os vereadores devem conhecer a proposta, compreender seus objetivos, avaliar os custos e questionar de que maneira aquela iniciativa beneficiará a população, não apenas hoje, mas também no futuro.

A pergunta básica deveria ser:

Qual é o benefício real dessa decisão para a população? Quanto vai custar? Existe planejamento? O município tem condições de executar? O projeto é realmente necessário? E quais serão as consequências daqui a alguns anos?

Não basta simplesmente aprovar.

É preciso ler. É preciso entender. É preciso perguntar. É preciso fiscalizar.

Quando um vereador deixa de exercer esse papel e simplesmente aprova uma proposta sem uma análise adequada, ele também contribui para que decisões equivocadas avancem.

Por isso, a responsabilidade não pode ser colocada exclusivamente sobre o prefeito ou sobre sua equipe.

O Executivo administra, mas o Legislativo fiscaliza.

E quando a fiscalização não acontece como deveria, abre-se espaço para que erros, desperdícios e decisões mal planejados se acumulem.

Talvez esteja aí uma das razões pelas quais tantos problemas acabam se repetindo.

Uma cidade não chega a uma situação difícil de um dia para o outro. Ela vai chegando aos poucos, decisão após decisão, obra após obra, contrato após contrato, enquanto aqueles que deveriam fiscalizar deixam de fazer as perguntas que precisam ser feitas.

E quando finalmente a conta chega, quem paga não é o prefeito, não é o secretário e não é o vereador.

Quem paga é o cidadão.

Por isso, continuar apontando, mostrando fatos e fazendo perguntas não é ser contra a cidade.

É justamente o contrário. É defender o dinheiro público e exigir que ele seja utilizado em benefício da população.

 


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