.feed-links{display:none !important;

Total de visitas

terça-feira, 8 de setembro de 2026

Administração de Cássia (MG) acumula falhas enquanto vereadores repetem alertas e esbarram no silêncio do Executivo


 

Administração de Cássia (MG) acumula falhas enquanto vereadores repetem alertas e esbarram no silêncio do Executivo

 

Os problemas na gestão municipal de Cássia, no Sul de Minas, não são novidade para quem acompanha as sessões da Câmara. Vereadores têm levado à tribuna, sessão após sessão, uma lista extensa de deficiências – da saúde ao transporte, da limpeza urbana à infraestrutura, das contratações irregulares ao descaso com o turismo. O que impressiona, no entanto, é o cansaço estampado nos discursos: os mesmos assuntos voltam, os mesmos ofícios são enviados, e as respostas, quando existem, são vagas ou inexistentes.

Um ciclo de reclamações e poucas soluções

Quem acompanha os debates percebe que os parlamentares já não se limitam a apontar problemas; eles cobram documentos, pedem respostas por escrito, exigem planejamento. Mas a sensação é de que a prefeitura age como se o tempo pudesse ser esticado indefinidamente. A falta de retorno a ofícios encaminhados a três secretarias diferentes sobre um biodigestor inoperante na Rua dos Lírios – abandonado há mais de dez anos – é apenas um exemplo do que os vereadores descrevem como “descaso institucional”.

“Não quero mais telefonema, quero documento”, afirmou um dos edis, deixando claro que a paciência com a informalidade e a enrolação se esgotou. A cobrança por transparência e eficiência tornou-se uma batalha diária, e os parlamentares, muitos deles com mandatos renovados, já demonstram exaustão diante da repetição dos mesmos dramas.

Infraestrutura que vira piada e risco

A situação chega a níveis quase absurdos em obras e serviços básicos. A ligação de esgoto que deixa o asfalto aberto por tempos, o cruzamento com quatro placas de “PARE” – uma aberração técnica que beira o ridículo – e o biodigestor sem tampa e tomado pelo mato são símbolos de uma gestão que parece não ter prioridades claras. Enquanto isso, os vereadores apontam o erro, mostram imagens, pedem correções, mas o cenário se repete.

“É lamentável, um erro grosseiro que acredito que já vão estar arrumando”, disse um parlamentar, com um misto de esperança e incredulidade. Mas a realidade mostra que, se a correção chega, é tardia e malfeita.

Riscos legais ignorados e contratos irregulares

Outro ponto que tem consumido o tempo dos vereadores é a gestão de pessoal. O concurso público vigente está prestes a vencer, e a prefeitura mantém dezenas de contratos temporários, muitos deles sem justificativa legal. Os edis têm alertado, repetidamente, que o Supremo Tribunal Federal já decidiu contra esse tipo de prática, e que o prefeito pode ser responsabilizado pessoalmente por improbidade. Ainda assim, as convocações dos aprovados não acontecem, e o Executivo segue contratando por prazo determinado, como se o alerta não tivesse sido feito.

“Estamos avisando para não acontecer com ninguém – nem com o prefeito, nem com os secretários”, ponderou um vereador, mas o tom era de quem já vê o desastre à frente e pouco pode fazer além de registrar o protesto.

Emendas impositivas: fiscalização e ameaça de ação judicial

A Câmara também tenta se organizar internamente para fiscalizar o cumprimento das emendas impositivas – recursos que o Executivo é obrigado a executar. Os vereadores aprovaram mudanças no regimento interno para dar mais transparência e pressão sobre a prefeitura, mas a desconfiança permanece. Há relatos de cidades vizinhas onde a prefeitura desconta essas emendas de subvenções já previstas – prática ilegal que pode levar a denúncias no Tribunal de Contas e no Ministério Público.

Em Cássia, os parlamentares afirmam que não há provas de que isso ocorra, mas o simples fato de terem que abrir esse debate já revela o ambiente de desconfiança instalado entre os Poderes.

Turismo abandonado e visitantes desorientados

Por fim, a questão turística – tão cara para uma cidade que se intitula religiosa e acolhedora – também virou motivo de vergonha. A Capelinha de Santa Rita, um dos principais pontos de visitação, tem acesso por uma escadaria de 187 degraus. Para idosos e pessoas com mobilidade reduzida, há um caminho alternativo, mas sem qualquer sinalização. Moradores relatam que, diariamente, precisam orientar turistas perdidos, e os vereadores têm repetido esse pedido há meses: placas, acessibilidade, respeito ao visitante. Até agora, nada.

“Só nesses 15 dias, já levei dois ônibus mostrando o caminho”, desabafou um parlamentar, evidenciando que a prefeitura delegou a moradores e edis a função que deveria ser do poder público.

Conclusão: o cansaço de quem avisa e o silêncio de quem deveria agir

O que se vê em Cássia é um retrato de descompasso entre alguns do Legislativo, que tenta cumprir seu papel fiscalizador e propositivo, e o Executivo, que parece ensurdecido diante dos problemas. Esses vereadores estão cansados – não de trabalhar, mas de repetir as mesmas denúncias sem ver soluções. A administração municipal, por sua vez, acumula processos em potencial, obras inacabadas, servidores em situação irregular e uma população cada vez mais descrente.

A cidade merece mais do que promessas e debates estéreis. Merece ação. E os vereadores, por mais que se esforcem, não podem governar sozinhos. Chega de enrolação – o tempo de respostas já passou, e a conta desse descaso será cobrada, cedo ou tarde, nas urnas e nos tribunais.

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário