Era assim minha vidinha simples, mas
muito pacata, tirando alguns fatos, como a falta de alguma coisa para todos nós
em nossa humilde história, no mais o resto era bom, demais da conta.
Eu nunca tínhamos ido ao carnaval e
foi ai que encontrei a primeira paixão de minha vida.
Chegou então o carnaval de
fevereiro e pela primeira vez na vida fomos, lembro que meu pai e nossa mãe nos
levaram nos quatros dias de folia.
Como nunca tinha visto aquilo achei
muito bom, até pulei um pouquinho rente à corda que nos separavam dos blocos
que iam descendo desfilando.
De todos os blocos que
gostei foi o “Adis Abafa” um bloco onde todos se pintavam o rosto de preto.
Eles tinham um samba
bonito, os tamborins davam um ritmo bem bacana, dentro de todos os outros
instrumentos.
Quando estava ali encostado na corda
vi do outro lado à menina Rosa, a qual foi minha primeira colega de escola e
como ela tinha ficado bonita já era uma mocinha e seus olhos não estavam mais
tanto tortos, como antes.
Atravessei por baixo da corda e corri
até ela, eu notei que ela ficou um tanto diferente quando cheguei, mesmo assim
conversamos bastante e ela sempre sorrindo para mim.
Isto foi na primeira noite de
carnaval, ainda comentamos que viríamos no outro dia e com isso marcamos ficar
em outro lugar, onde as famílias não estivessem.
Talvez ela quisesse dizer
algo com aquilo, mas nem me toquei de primeira.
Na segunda noite fui até onde
combinamos, mas não há vi em parte alguma, com aquilo me deu uma pressa de ir
embora.
Meus irmãos é que ficaram
chateados com aquilo e por eu ser o mais velho e quem sabe por ajudar muito meu
pai, eles fazia muito por mim.
No caminho de casa, meus irmãos
estavam muito bravos comigo e também com minha mãe e meu pai, eu ainda disse
nós vamos todos os dias, quero dormir estou muito cansado e amanhã vou fazer
tijolos e vocês só vão levantar, não tem empiação.
Por isso vocês podem dormir
até mais tarde, já eu, não!
Durante o caminho todo e
até ir deitar ficaram resmungando sem parar.
Trabalhei no outro dia e
como era segunda feira, sempre de ressaca o maçador chegava e quando fazíamos
menos ele até achava bom.
Por isso fiz bem menos e
a noite fomos novamente ao carnaval assistir os desfiles.
Chegando à praça a primeira coisa que
fiz foi ir ao local que tinha combinado com Rosa e lá estava ela à minha espera.
Como fiquei feliz ao
encontra - lá e ela ainda me disse que não tinha vindo ao carnaval do dia
anterior, porque sua mãe estava com dor de cabeça.
Ficamos naquele local até o termino do
desfile, quando meu pai veio me chamar para ir embora, então marcamos novamente
para o outro dia, nos encontrar ali mesmo.
Na terça ate trabalhei
mais contente e até resmungava algumas músicas, também assobiando.
Então chegou a noite de terça feira
ultima apresentação dos desfiles e lá estávamos novamente no mesmo local eu e
Rosa.
Conversa vem conversa
vai, depois de muito tempo segurei na mão dela, achei que não iria aceitar, ela
ficou quieta, eu pensava que não ia deixar por ser mais velha que eu.
Durante todo o desfile ficamos de mãos
dadas, até que a mãe dela foi chegando para chamá-la e ir embora, eu larguei
rapidamente a mão dela.
Nós achamos que a mãe
percebeu só que não disse nada.
Ela foi embora.
Saí procurando meus pais,
no meio da multidão, mas como tinham dito que estaria na porta do cinema, foi
fácil encontrá-los.
Eu estava muito feliz,
pois tínhamos marcados de se encontrar na porta da igreja no domingo na hora da
missa.
Trabalhei o resto da
semana todo contente, por saber que ia ver Rosa novamente no domingo na parte
da manhã.
E no domingo levantei bem
cedinho, tomei um bom banho, peguei a melhor roupa que tinha e fiquei bonito.
Vinte para as nove já estava em frente
à igreja, dez para as nove ela chegou e como estava linda, cumprimentei-a, ela
então veio até meu rosto e deu-me um beijo, tremi na hora, pois nunca tinha
ganhado um beijo de menina.
O único beijo que tinha
ganhado foi de minha mãe.
E ela me disse:
Você não vai dar-me um
beijo também?
Fiquei amarelo na hora,
mas dei um em sua face, assim mesmo então entramos na igreja e durante toda a
missa ficamos de mãos dadas.
Ali começava então meu primeiro
namorico.
Saímos da igreja e como meu pai tinha
me dado dez contos, chamei para ir ao cinema comigo, na matinê, achei que ela
não ia topar, mas minha surpresa, ela disse vamos ver o que vai passar e as dez
para duas estarei aqui na praça te esperando ou você me espera.
Cheguei a minha casa na hora do almoço
e disse para minha que ia almoçar e descansar um pouco e depois iria para o
cinema com Rosa.
Minha mãe sorriu dizendo
será que isso vai dar casamento?
Ela disse aquilo, mas
sabia que era de brincadeira, pois eu era muito novinho, para pensar nisso.
Almocei e tirei até um
cochilo, a uma e vinte tomei mais um banho e pedi minha mãe outra troca de
roupa ela me trouxe uma das que minha tia tinha trazido de são Paulo para mim.
Quinze para as duas já estava na praça
esperando por Rosa, ela chegou sete para as duas, dava para ver as horas, pois
o relógio da igreja ficava bem em frente e além do mais tinha o meu oriente.
Na hora em que ia saindo de casa para
ir para cidade minha mãe me deu mais cinco contos, então eu estava com quinze
contos no bolso.
Com isso eu comprava as
entradas e ainda sobrava muito para balas e chicletes.
Quando fui pagar as entradas, Rosa não
permitiu, pois ela estava com sua bolsinha cheia de dinheiro e ainda queria pagar
a minha, eu é que não deixei, mas balas chocolates chicletes isso ela não quis
que eu pagasse de jeito nenhum.
Entramos dentro da sala das sessões de
filmes e procuramos um lugar bem mais escondidinho, sentamos e cinco minutos
depois as luzes se apagaram e começou o filme.
Por um longo tempo ficamos de mãos
dadas, mas com o passar do tempo soltei a mão dela e a coloquei no ombro.
Ela permaneceu parada,
comecei a passar a mão no rosto dela e quando me dei por mim, estávamos
beijando de boca, nunca tinha beijado assim, eu tremia como vara verde.
Acho que ela também.
Eu estava achando muito
bom aquilo sempre continuando.
E ela ainda mais me
agarrava, com isso nem sabia o que estava passando no filme, foi uma coisa de
louco, nunca tinha passado por aquilo.
Ao terminar o filme ainda sim ficamos
esperando por um tempo até que todos saíssem.
Fomos os últimos a sair,
uma coisa tinha acontecido comigo, a qual eu nunca tinha sentido, minha cueca
estava molhada.
Com aquilo tive que tomar
cuidado para não passar para calça.
Depois que saímos do
cinema, ficamos sentados em um banco da praça até às seis e meia.
Eu disfarçava para ninguém notar que
eu tinha molhado a cueca.
Quando começou escurecer
tinha que ir embora para minha casa.
Rosa nem queria deixar me
ir, mas eu precisava, pois se escurecesse eu iria ficar com medo de passar no
corredor boiadeiro.
Antes de ir-me embora, marcamos para
nos encontrarmos novamente no sábado seguinte.
Fui pelo corredor
boiadeiro assobiando como um pássaro cantador de tão alegre em que fiquei.
Aquela semana parecia que
não terminava nunca, quanto mais eu pensava em Rosa, a semana ainda mais
comprida ia ficando, contava ao ir deitar, hoje é quarta-feira e no outro dia a
mesma coisa.
Eu nem senti o peso do
trabalho de tanto pensar na minha namorada primeira Rosa, como tinha ficado
bonita e eu nunca tinha prestado atenção.
Mas agora estava vendo em
meus sonhos.
Pensava agora sim estou
apaixonado, mesmo tendo meus doze para treze anos de idade.
Com aquele pensamento o
dia todo e por isso fazia meu trabalho sem mesmo notar que estava trabalhando.
Chega finalmente o sábado
e ia eu novamente à cidade, ao encontro marcado com a primeira paixão de minha
vida. “Rosa”.
Senisio
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