Senhor Jose e Dona Conceição eram sitiantes em nossa região, eles tinham cinco filhos sendo três garotos e duas meninas.
Os três meninos tinham na faixa de doze a nove anos, as garotinhas tinham uma
sete e á outra cinco anos.
Senhor Jose e Dona
Conceição trabalhavam feitos loucos, para não deixar nada faltar para os filhos.
Octávio, Carlos e Ramon sendo os mais velhos ajudavam muito o pai na lavoura e
a menina Rute auxiliava muito sua mãe na cozinha e nos outros afazeres de casa.
Já Nelzinha como era
chamada a caçula ficava em torno de sua mãe.
A vida de Dona Conceição não era fácil, começava a lida bem cedinho, por volta
das quatro horas da manhã, ela levantava ia para a cozinha e acendia o fogão a
lenha e colocava a água ferver para fazer o café, pois a água adormecia na
rabínha.
Enquanto a água a fervia ia à bica, escovava os dentes, lavava o coador, feito
de saco de linho, voltava para cozinha preparava uma massa de bolinhos de
polvilho ou de fubá e isso eram todos os dias sem descanso, de domingo a
domingo, depois ela chamava seu esposo e os três filhos mais velhos.
Assim que todos se alimentavam no café da manhã e retiravam-se, Dona Conceição
também saía para o terreiro onde tratava dos animais, começava indo ao paio
debulhar milhos para as galinhas, em seguida levava um balaio de espigas de
milho para os porcos do mangueirão.
Logo após ela entrava no chiqueiro, lavava-o e depois colocava trato de fubá
grosso com água e sal, fazendo assim um mingau forte.
Essa batalha era sem para e isso sempre era feito antes das seis horas da
manhã, pois as seis e meio ela ia levar o leite na linha mais próximo, para o
caminhão pegar.
Essa peleja sempre foi feito por Dona Conceição, pois o senhor Jose era quem
tirava o leite junto com seus filhos, depois ia para a lida na lavoura, senhor
Jose não tinha muita saúde, mas sempre foi firme no que lhe incumbia.
A guerra que eles tinham não era para qualquer um e sim para quem tem tutano nos
braços.
Dona Conceição quase que
sempre virando se em dez para aguentar o monte de tarefas que para ela era
designada, mesmo sofrendo permanecia sempre alegre.
Dona Conceição estava sempre com um sorriso aberto, e sua expressão contente
contagiava qualquer um.
Além de ela ter a alegria
estampada vivia sempre cantando e encantando a todos.
A luta daquela família não era mole e começava desde cedinho com Dona
Conceição, senhor Jose e seus três filhos mais velhos e em seguida a menina Rute,
mesmo tendo apenas cinco aninhos a menina Nelzinha já ajudava a mãe sempre com
pequenos que fazeres.
Essa rotina por todos era normal, mas sempre muito unidos em tudo tanto no
sitio como na vida pessoal, uma união que dava inveja, os meninos com suas
responsabilidades e as duas meninas também, não se via ou ouvia uma discussão
sequer entre a família, uma linda vida familiar.
Mas tudo um dia nesta vida tem fim, e ninguém esperava por aquilo que viria
acontecer.
Na sexta-feira santa, o
senhor Jose como de costume não tirava o leite, deixava os bezerros soltos com
as mães, assim somente apartava a bezerrada às três da tarde da sexta-feira,
para novamente tirar o leite no sábado da aleluia.
Então senhor Jose aproveitava e ficava deitado até mais tarde, como também os
meninos ficavam na cama, mas Dona Conceição tinha as tarefas normais, menos
levar o leite a estrada.
Mesmo assim Dona Conceição levantou por volta das seis horas da manhã fez o
café fritou um pouco de bolinhos, deixando-os na mesa e saiu para sua lida.
Dona conceição foi até o paio como sempre debulhou milhos para as galinhas,
depois jogou o balaio de espigas para os porcos do mangueirão e entrou no
chiqueiro, com o fubá e o sal para fazer o mingau e nesta sexta-feira santa
estava chovendo bem fininho nem dava para molhar-se muito.
Era então por volta das quinze para sete da manhã, quando Dona Conceição
despeja o fubá no cocho que já continha água e ao esticar o braço para alcançar
o sal que estava em cima da tabua leva-se então um escorregão e cai batendo a
cabeça na ponta aguda do cocho.
Com a batida que teve Dona conceição desmaiou e tendo furado um buraco em sua
testa o sangue jorrou sem parar.
Deus,
O sangue escorrendo e os
porcos foram chegando para comer o mingau deu de encontro com o sangue de Dona
Conceição, começam então por beber o sangue e um deu então uma primeira
mordida, com isso todos os outros atacaram, rasgando partes de Dona Conceição.
Nelzinha percebendo que sua mãe não havia chamado-a para ir com ela, sai em
carreiras ate o chiqueiro e vê aquela cena triste, com todo desespero acordou
todos, não teve mais o que fazer Dona Conceição já estava morta, estava com
partes de seu corpo triturado pelos dentes de mais de vinte porcos grandes e
famintos.
Naquela sexta-feira santa foi o dia mais triste da vida de seis pessoas unidas,
pai e filhos, pois a batalhadora de sempre havia tido o desabar da morte.
Nenhum comentário:
Postar um comentário