Eu sou um homem até que um pouco tranqüilo, pois mesmo tendo
alguns obstáculos sigo em frente com essa minha vidinha safada, sei lá, eu acho
que até o exato momento desta que é reservado a mim, não tive muita sorte.
Com essa idade
que não é pouca, nunca tive exatamente um bom merecimento e acho que esse mundo
ficou contra mim e quem sabe tenho que esperar por uma outra vida se de verdade
tivermos.
A situação que
a vida me deu não é das melhores e não é desde hoje, trabalho como um burro de
carroça e nem mesmo sei para quê, uns tempos atrás tive por alguns anos uma
companheira, mas terminou como tudo finaliza nesta vida.
Meu trabalho às vezes é duro como extrair minhoca do asfalto,
mas depois tem também dias de moleza, fico com pernas aberta em frente à TV,
assistido desenho.
Labuto para ter
algum objeto de meu, como uma casa de minha ou mesmo um simples viver, não é
fácil conseguir e nem mesmo sei o que causa o detrimento do meu objetivo.
Como gostaria
de ter sorte como muitos, pois só se sai bem quem recebe o dom da sorte, eu
agora percebo, pois o sortudo mesmo estando caído em sono dentro da noite seus
ganhos esta na porta a espera do caminhar pela manhã.
Eu não tenho uma profissão definida então agarro no que me é
apresentado, por isso subo escada com lata de concreto no ombro, ou mesmo
carrego tijolo pelo andaime a fora, como também quando proporciona roço
invernada ladeira abaixo em épocas de chuvas, o que não posso é ficar parado.
Com esses meus
afazeres ganho para meu sustento, uma mixaria que mau da para comprar a
miséria, pois a vida de um sem sorte é como ter uma miserável vida, mesmo que
seja um bom trabalhador.
Mas mesmo assim
vez em quando eu gosto de dar uma volta, assim quem sabe a vidinha muda um
pouquinho e saia da rotina, que é trabalho, casa e trabalho.
Então faz uns
quinze dias eu mais meu amigo saímos para dar uma visita à cidade vizinha da
nossa, pois ia ter neste dia um forrozinho bacana e quem sabe nos conheceríamos
alguém, foi o primeiro pensamento.
Pegamos o ônibus
da viação gardênia e retiramos-se para a cidade de São Sebastião do Paraíso,
por volta das vinte e duas horas entramos clube adentro.
Como meu amigo gosta de cantar foi chamado para ajudar os
cantores completar a noitada, assim fiquei por ali, uma dança ou outra vez em
quando, uma dançarina até disse-me que mãos grossas, calos menina eu respondi,
continuando a bailar.
Lá pelas tantas
da noite meu amigo me chama e me pede para sair à caça de cigarros, no clube
não vendia e como havia acabado tanto o meu quanto o dele, peguei uma ruazinha
sentido ao bar mais próximo, que ficava a dois quarteirões.
Minha idéia era
comprar o maldito fumo e voltar rápido, pois queria continuar dançando com
aquela menina de minha idade mais ou menos, continuava com aquele pensamento,
quando levei uma rasteira, bem na virada da esquina.
Cai como jaca madura e o malandro veio à cima de mim,
chutando e arrebentando meus bolsos para retirar a pequena mixaria que havia
neles.
Levei muitos
chute e sopapos pelo rosto e no final além de levar o pouquinho que tinha,
fiquei sem meus documentos e minha camisa toda rasgada.
Ao largar-me no chão o malandro ao caminhar certa distancia
contou o dinheiro e viu que havia somente vinte e cinco reais, olhando para
traz me disse, não trabalha não seu vagabundo.
Pó meu Deus eu é que sou o vagabundo, pensei na hora, mas
ainda bem que fiquei somente com uns roxos e vergões pelo corpo, logo curar-se.
Camisa compra-se outra, então porque não sorri a vida nas
mãos de outros pode ser curtíssima.
Voltei para o clube rasgado e sem o maldito cigarro, quanto
para irmos embora o proprietário do salão me emprestou uma camisa e devolvi uns
dois meses depois, assim que voltei lá.
Tive que
extrair meus documentos tudo novamente e como isso é azucrinante, naquele dia
eu acho que começou brotar o acaso, pois estou vivo e continuo alegre como
antes, mas uma coisa foi muito certa daquele momento não fumei mais, respiro
até melhor hoje em dia.
Só não deixei de sair de vez em quando vai ver que um dia surge
novamente a sorte e eu encontre minha melhor vida.
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