UPA DE CÁSSIA: UMA HISTÓRIA QUE COMEÇOU EM 2023 E PRECISA
SER CONTADA PELOS DOCUMENTOS
Em período de campanha política, conhecer os fatos é mais
importante do que acreditar em versões.
A UPA de Cássia tem uma história que passa por duas
administrações, recursos próprios, recursos estaduais, licitações e um novo
contrato de R$ 4,5 milhões.
A construção da Unidade de Pronto Atendimento, a conhecida
UPA de Cássia, voltou a ocupar espaço no debate público depois que a Prefeitura
anunciou, em setembro de 2026, a conclusão da licitação para a construção da
unidade.
O contrato atual tem valor de R$ 4.500.000,00.
MAS A HISTÓRIA DA UPA NÃO COMEÇOU AGORA.
Os documentos públicos mostram que o projeto já estava sendo
desenvolvido em 2023, durante a administração do então prefeito Rêmulo
Carvalho Pinto, quando o Município buscava recursos para viabilizar a
construção da unidade.
Por isso, para que a população não seja levada a acreditar
em versões incompletas, é necessário olhar para toda a trajetória da obra: o
que aconteceu em 2023, quais recursos foram anunciados, o que foi feito naquela
primeira etapa e, posteriormente, o que aconteceu em 2026, com o novo convênio,
a nova licitação e o contrato de R$ 4,5 milhões.
Esta matéria não pretende atribuir a obra a um grupo
político ou a outro.
O objetivo é mais simples: mostrar os documentos e deixar
que os fatos falem.
A HISTÓRIA DA UPA COMEÇA EM 2023
Em 10 de abril de 2023, a Prefeitura de Cássia
publicou em seu portal oficial uma informação sobre a busca de recursos para a
construção da UPA.
Segundo a publicação, representantes da administração
municipal estiveram com integrantes do Governo de Minas para tratar do projeto.
Naquela ocasião, a Prefeitura informou que R$ 1,7 milhão
de recursos próprios já estavam em caixa para a construção da unidade e que
o Município buscava novos recursos para complementar o investimento necessário.
Também foi informado que havia tratativas relacionadas à
aprovação do projeto arquitetônico da UPA.
Esse documento é importante porque demonstra que a
construção da unidade já fazia parte das ações da administração municipal em 2023,
durante o governo de Rêmulo Carvalho Pinto.
Portanto, qualquer narrativa que apresente a UPA como uma
obra que surgiu somente em 2026 deixa de fora uma parte importante da história.
A UPA já estava no planejamento e nas ações da Prefeitura
em 2023.
E não ficou apenas no anúncio de recursos.
Ainda naquele ano, houve uma licitação relacionada à
primeira etapa física do projeto.
O MURO DE ARRIMO E DA VEDAÇÃO: R$ 799.884,46 ERA O VALOR
MÁXIMO DA LICITAÇÃO
Em 2023, a Prefeitura realizou uma licitação específica para
a execução do muro de arrimo e da vedação da
futura Unidade de Pronto Atendimento de Cássia.
Era a Concorrência Pública nº 2/2023, Processo nº 395/2023,
Edital nº 52/2023.
O valor máximo global previsto para aquela contratação era
de: R$ 799.884,46
Esse é o valor que consta no procedimento referente ao muro
de arrimo e à vedação da futura UPA.
A licitação foi realizada em 31 de agosto de 2023 e
aparece no portal oficial da Prefeitura como concluída.
Mas é preciso fazer uma distinção importante.
R$ 799.884,46 era o valor máximo previsto na licitação.
Isso não significa, por si só, que esse tenha sido o valor
efetivamente contratado ou pago.
E essa diferença é fundamental quando se trata de dinheiro
público.
MAS QUANTO FOI EFETIVAMENTE PAGO PELO MURO?
Existe uma diferença entre o valor máximo previsto no
edital e o valor efetivamente contratado e pago.
O edital estabeleceu o limite de R$ 799.884,46.
Para saber quanto a Prefeitura efetivamente desembolsou, é
necessário verificar o contrato, os empenhos, as liquidações, os pagamentos e
eventuais aditivos relacionados àquela contratação.
Na página da licitação consultada no portal municipal, o
campo destinado aos contratos não apresenta um contrato cadastrado.
Isso não autoriza afirmar que a obra não foi executada.
Também não permite afirmar que houve qualquer
irregularidade.
Significa apenas que existe uma informação que precisa ser
localizada nos documentos financeiros e administrativos:
Qual foi o valor final efetivamente contratado e pago
pelo muro de arrimo e pela vedação da UPA em 2023?
Essa é uma pergunta objetiva e perfeitamente legítima quando
se trata de dinheiro público.
E OS R$ 1,7 MILHÃO QUE A PREFEITURA INFORMOU TER EM
CAIXA?
Este é outro ponto que merece atenção na história da UPA de
Cássia.
Em 10 de abril de 2023, a própria Prefeitura publicou
em seu portal oficial que o então prefeito Rêmulo Carvalho Pinto havia
informado que o Município já tinha R$ 1,7 milhão em recursos próprios em
caixa para a construção da UPA.
Na mesma publicação, a Prefeitura informou que buscava novos
investimentos para viabilizar a obra.
Pouco tempo depois, ainda em 2023, foi realizada a licitação
para o muro de arrimo e a vedação da futura Unidade de Pronto Atendimento,
com valor máximo de R$ 799.884,46.
Isso leva a uma pergunta legítima: Se os R$ 1,7 milhão
estavam em caixa em 2023, quanto desse dinheiro foi efetivamente utilizado na
UPA?
E, principalmente: Quanto foi gasto com o muro de arrimo
e a vedação?
Não devemos fazer essa conta como se os R$ 799.884,46
tivessem necessariamente sido pagos.
Esse era o valor máximo previsto na licitação.
Para saber o que realmente aconteceu, é necessário consultar
os documentos financeiros.
A pergunta correta é: Qual foi o valor efetivamente
empenhado, liquidado e pago para o muro de arrimo e a vedação da UPA em 2023?
E, depois dessa resposta: Qual foi o destino do restante
dos R$ 1,7 milhão que a Prefeitura informou ter disponível para a construção da
UPA?
Foram utilizados?
Quanto foi utilizado?
Foram destinados ao muro de arrimo?
Continuaram disponíveis?
Foram incorporados a outra etapa do projeto?
Foram empenhados e posteriormente pagos?
Ou tiveram outra destinação orçamentária?
Essa informação precisa ser demonstrada pelos documentos
financeiros da Prefeitura.
Não é correto afirmar que o dinheiro desapareceu.
Mas também não é correto simplesmente esquecer que ele foi
anunciado oficialmente como recurso próprio disponível para a construção da
UPA.
O caminho correto é procurar a documentação e verificar o
que efetivamente aconteceu.
A PRIMEIRA ETAPA NÃO É A MESMA COISA QUE A NOVA ETAPA DE
2026
É importante separar as etapas da história.
Em 2023, a Prefeitura informou que possuía R$ 1,7
milhão em recursos próprios para a construção da UPA e realizou a licitação
do muro de arrimo e da vedação.
Já em 2026, surgiu uma nova etapa financeira e
administrativa do projeto, com a formalização de um convênio com o Governo de
Minas.
São momentos diferentes da mesma história.
E é justamente por isso que os números precisam ser
colocados em sequência.
EM 2026, SURGE UM NOVO CONVÊNIO DE R$ 7,28 MILHÕES
Em 2026, o Governo de Minas e o Município de Cássia
formalizaram um convênio destinado à construção da UPA.
O documento registra: Convênio nº 1321003604/2026/SES
O valor global do convênio é de: R$ 7.283.959,68
Desse total, estão previstos: R$ 6.717.410,94 em
recursos estaduais; e
R$ 566.548,73 de contrapartida municipal.
O convênio identifica também a emenda parlamentar estadual
vinculada ao recurso.
Esses números constam nos documentos oficiais relacionados
ao convênio.
OS R$ 6.717.410,94 DO ESTADO
A origem dos recursos estaduais também aparece documentada.
O valor de R$ 6.717.410,94 está relacionado a emenda
parlamentar estadual destinada à construção da UPA.
A imprensa regional também noticiou, em julho de 2026, que
Cássia havia recebido aproximadamente R$ 6.717.410,94 para a construção
da unidade.
Segundo a informação divulgada na época, o prefeito declarou
que o dinheiro seria destinado à construção da estrutura física da UPA, SEM
INCLUIR OS EQUIPAMENTOS.
O cadastro do convênio no Município também identifica a
emenda parlamentar associada ao recurso.
Portanto, nesse ponto, existem documentos que permitem
identificar a origem do recurso estadual.
Mas existe outro número que precisa ser analisado.
R$ 7.283.959,68 MILHÕES NO CONVÊNIO. E R$ 4.500.000,00 MILHÕES
NO CONTRATO. E A DIFERENÇA?
Aqui está uma das questões que merecem ser explicadas à
população.
O convênio tem valor global de: R$
7.283.959,68
Mas o contrato atualmente registrado
para a construção da UPA tem valor de: R$ 4.500.000,00
A diferença é de: R$ 2.783.959,68
Essa diferença, por si só, não
significa irregularidade.
Uma licitação pode resultar em uma contratação abaixo do
valor estimado ou disponível para determinada finalidade.
Também pode haver itens previstos no plano de trabalho do
convênio que não estejam incluídos no contrato principal da obra.
Por isso, seria irresponsável afirmar que existe dinheiro
sobrando, desaparecido ou utilizado de maneira irregular sem examinar toda a
documentação.
O que se pode afirmar é: Os dois valores são diferentes,
e a população tem o direito de saber exatamente o motivo dessa diferença.
A explicação deve estar na comparação entre o plano de
trabalho do convênio, o projeto, a planilha orçamentária e o contrato da obra.
A LICITAÇÃO DE 2026
Em 2026, a Prefeitura abriu uma concorrência para contratar
a empresa que executaria a construção da UPA.
Uma primeira tentativa, registrada como Concorrência
Eletrônica nº 7/2026, aparece no portal municipal como fracassada.
Posteriormente, foi aberta nova concorrência.
Trata-se da: Concorrência Eletrônica nº 9/2026
Processo nº 137/2026.
A sessão pública foi realizada em 18 de setembro de 2026.
O objeto era a contratação de empresa especializada para a
construção da Unidade de Pronto Atendimento de Cássia.
O critério utilizado foi o de menor preço por lote, pelo
valor global.
QUEM FOI CONTRATADO?
A documentação atualmente disponível no portal da Prefeitura
permite identificar a empresa contratada.
A empresa registrada é: W.SS CONSTRUTORA LTDA.
O contrato aparece no portal municipal como: Contrato nº
272/2026/2026
O valor registrado é: R$ 4.500.000,00
Portanto, existe uma contratação registrada e com valor
definido.
A Prefeitura também publicou, em 24 de setembro de 2026,
a conclusão da licitação, informando o valor de R$ 4,5 milhões e prazo previsto
de aproximadamente um ano para a execução da obra.
É importante lembrar, porém, que valor de contrato não
significa que todo esse dinheiro já tenha sido pago.
A execução financeira deverá ser acompanhada por meio dos
empenhos, medições, liquidações e pagamentos realizados durante a obra.
E OS R$ 566.548,73 DE CONTRAPARTIDA?
O convênio também estabelece uma participação financeira do
Município.
O valor é: R$ 566.548,73
É importante separar duas coisas.
Uma é saber quanto o Município precisa colocar como
contrapartida.
Isso está definido no convênio.
Outra é saber qual recurso orçamentário e financeiro será
efetivamente utilizado para pagar essa contrapartida.
Essa segunda informação merece ser acompanhada pela
população, pelos vereadores.
O Município deverá demonstrar, nos instrumentos
orçamentários e financeiros correspondentes, de onde sairão os recursos
destinados à contrapartida.
Isso não significa afirmar que não existe dinheiro.
Significa apenas que, quando existe uma despesa pública, o
cidadão tem o direito de saber qual é sua fonte de financiamento.
A LINHA DO TEMPO DOS RECURSOS DA UPA
Quando os números são colocados em ordem, a história fica
mais clara.
2023 — ADMINISTRAÇÃO RÊMULO CARVALHO PINTO
A Prefeitura informa que possui: R$ 1,7 milhão em
recursos próprios em caixa para a UPA.
2023 — PRIMEIRA ETAPA
É realizada a licitação para o muro de arrimo e a vedação da
futura UPA.
Valor máximo previsto: R$ 799.884,46.
Mas foi mencionado uma existência de 1.700,000,00 em
caixa.
2026 — NOVA ETAPA
É firmado o convênio: R$ 7.283.959,68.
Sendo: R$ 6.717.410,94 de recursos estaduais
E R$ 566.548,73 de contrapartida municipal.
2026 — NOVA CONTRATAÇÃO
A construção da UPA chega a um contrato de: R$
4.500.000,00.
Essa sequência é importante porque mostra que a história da
UPA não começou com a licitação de 2026.
Ela já estava em andamento em 2023.
O QUE AINDA PRECISA SER ESCLARECIDO?
Há perguntas que não devem ser transformadas em acusações.
Devem ser transformadas em pedidos de informação.
1. Quanto foi efetivamente gasto no muro de arrimo de
2023?
O edital previa até R$ 799.884,46, mas é necessário
verificar o valor final contratado e pago.
2. Qual foi o destino dos R$ 1,7 milhão anunciados em
2023?
A resposta precisa ser demonstrada por documentos
financeiros.
3. Por que o convênio é de R$ 7,283 milhões e o contrato
da construção é de R$ 4,5 milhões?
É preciso conhecer detalhadamente o plano de trabalho e a
composição dos dois valores.
4. O que será feito com eventual saldo do convênio?
É preciso verificar as regras do próprio convênio.
5. Os equipamentos da UPA estão incluídos nesses valores?
A declaração divulgada na imprensa indicava que os R$ 6,7
milhões seriam destinados à estrutura física, mas é importante verificar o
plano de trabalho oficial.
6. Qual será a fonte efetiva da contrapartida municipal
de R$ 566.548,73?
Essa informação deve aparecer na documentação orçamentária e
financeira do Município.
7. Quanto já foi efetivamente pago pela obra atual?
O contrato de R$ 4,5 milhões não significa que todo esse
valor já tenha sido pago.
É preciso acompanhar os empenhos, as medições, as
liquidações e os pagamentos.
POR QUE ESSA APURAÇÃO É IMPORTANTE AGORA?
Porque estamos em um período em que qualquer obra pública
pode ser utilizada politicamente.
Isso vale para quem está no governo.
Vale para quem estava no governo.
Vale para quem pretende chegar ao governo.
E vale também para quem está fazendo oposição.
Uma obra pública não pertence a um partido.
O dinheiro público não pertence a um político.
A UPA pertence à população.
Por isso, não interessa se determinada informação favorece
ou prejudica este ou aquele grupo político.
Se estiver nos documentos, deve ser mostrado.
Se não estiver comprovado, deve ser tratado como dúvida
ou pergunta — e não como fato.
Essa é a diferença entre informação e boato.
SEM FAKE NEWS. SEM OMISSÃO. SEM DONO POLÍTICO.
Em ano eleitoral, a população precisa ter ainda mais cuidado
com informações compartilhadas nas redes sociais.
Uma informação verdadeira pode ser apresentada de forma
incompleta.
Um número pode ser digitado errado.
Uma obra iniciada por uma administração pode ser apresentada
como se não tivesse começado por outra.
Um recurso destinado a uma finalidade pode ser atribuído a
outra.
E uma dúvida pode acabar sendo divulgada como se fosse uma
denúncia comprovada.
Por isso, nesta matéria, fazemos uma distinção simples:
FATO É FATO. DÚVIDA É DÚVIDA. PERGUNTA É PERGUNTA.
No caso da UPA de Cássia, os documentos mostram uma obra
cuja história começou em 2023 e que chegou, em 2026, a uma nova
etapa de financiamento e contratação.
Agora cabe acompanhar a execução.
Porque a verdadeira prestação de contas não termina quando a
licitação é anunciada.
Ela começa quando o dinheiro público começa a ser
efetivamente utilizado.
E O VEREADORES E A POPULAÇÃO de Cássia tem todo o
direito de acompanhar cada etapa: quanto entrou, quanto foi contratado,
quanto foi pago, o que foi construído e quanto custará, finalmente, a UPA que a
cidade espera há anos.
Não é questão de ser contra ou a favor de quem quer que
seja.
É questão de conferir.
É dinheiro público.
E DINHEIRO PÚBLICO PRECISA ESTAR ÀS CLARAS.

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