QUANDO RENUNCIAR PODE SER UM ATO DE RESPONSABILIDADE
Cássia não precisa de promessas: precisa de planejamento,
execução e responsabilidade
Administrar uma cidade não significa apenas ocupar uma
cadeira de alcaide, assinar documentos ou anunciar obras.
Administrar significa planejar, estabelecer prioridades,
acompanhar a execução, fiscalizar contratos, corrigir erros e, principalmente,
garantir que aquilo que é básico para a população funcione.
Quando uma administração começa a acumular problemas em
diferentes áreas, a discussão deixa de ser sobre uma obra específica ou uma
secretaria isolada.
É preciso olhar para o conjunto e perguntar: há planejamento? Há acompanhamento? Há capacidade de execução? Há controle sobre aquilo que está sendo feito com o dinheiro público?
Em Cássia, os problemas que vêm sendo apontados publicamente
pelos vereadores não se limitam a um único setor.
Há questionamentos envolvendo obras e serviços que precisam ser refeitos, passeios executados de maneira inadequada, praças que permanecem inacabadas ou apresentam problemas, intervenções no pavimento urbano que provocam questionamentos, dificuldades relacionadas ao fornecimento de medicamentos, transporte escolar, pagamentos e funcionamento de serviços públicos, além de despesas e contratações que precisam ser acompanhadas com atenção pela população e pelos órgãos de controle.
Cada situação pode ter uma explicação específica. Mas quando diferentes problemas aparecem ao mesmo tempo, surge uma questão maior: o problema está apenas na execução de determinadas tarefas ou existe uma deficiência mais ampla de planejamento e gestão?
O básico não pode ser tratado como luxo
Uma prefeitura não precisa começar pelas grandes obras para
demonstrar que sabe administrar.
Antes de qualquer projeto grandioso, é preciso garantir o
funcionamento do básico.
A população precisa de ruas em condições adequadas, limpeza urbana, medicamentos quando necessários, transporte de pacientes e escolar funcionando corretamente, praças cuidadas, obras bem executadas, fiscalização, atendimento público e utilização responsável dos recursos municipais.
Quando uma obra precisa ser refeita porque não foi
adequadamente executada ou fiscalizada, não se perde apenas material. Perde-se
dinheiro público, tempo e confiança.
Quando um serviço não funciona como deveria, quem paga a
conta é o cidadão.
E quando uma administração não consegue identificar antecipadamente problemas que poderiam ser evitados com planejamento e fiscalização, o custo pode aumentar ainda mais.
O problema não é errar. É não corrigir.
Nenhuma administração pública está livre de problemas.
Uma obra pode apresentar defeito. Um contrato pode precisar
de correção. Uma dificuldade financeira pode surgir. Uma emergência pode
alterar prioridades.
O que diferencia uma administração responsável é a
capacidade de perceber o problema, agir rapidamente, corrigir o erro e evitar
que ele volte a acontecer.
O que não pode se tornar normal é gastar novamente para
corrigir aquilo que poderia ter sido feito corretamente desde o início.
Também não se pode aceitar que a população seja obrigada a
conviver indefinidamente com problemas que já foram apontados.
Planejamento custa menos do que improvisação.
Fiscalização custa menos do que refazer uma obra.
Prevenção custa menos do que reparar um problema
agravado.
Cássia não pode pagar a conta no futuro!
O maior perigo de uma administração sem planejamento não
está apenas no problema que aparece hoje.
Está no que pode acontecer amanhã.
Uma cidade pode continuar funcionando durante algum tempo
mesmo acumulando decisões mal planejadas. O problema é que a conta chega
depois.
Dívidas, contratos mal dimensionados, serviços deficientes,
obras que precisam de reparos, despesas que poderiam ser evitadas e
investimentos mal executados podem comprometer administrações futuras.
E quem assumirá a responsabilidade por essa conta?
Não será apenas quem estiver no gabinete naquele momento.
Será a população.
Por isso, administrar também significa pensar no município
que será entregue daqui a dois, quatro, oito ou dez anos.
Uma prefeitura não pode ser conduzida apenas pensando no presente ou na próxima inauguração. É preciso pensar na sustentabilidade financeira, na qualidade dos serviços e naquilo que ficará para as próximas administrações.
Quando permanecer deixa de ser solução?
É nesse ponto que surge uma pergunta difícil, mas legítima:
Se um prefeito perceber que não possui condições de administrar adequadamente o município, insistir em permanecer no cargo será realmente a melhor decisão para a cidade?
O cargo de prefeito não é propriedade pessoal.
É uma função pública.
Quem assume essa responsabilidade recebe da população a
missão de administrar recursos que pertencem ao município e prestar serviços
que afetam diretamente a vida das pessoas.
Por isso, se chegar o momento em que um gestor reconhecer
que não consegue organizar a administração, estabelecer prioridades, controlar
despesas, acompanhar obras e garantir o funcionamento adequado dos serviços
essenciais, RENUNCIAR PODE SER UMA ALTERNATIVA DE RESPONSABILIDADE
INSTITUCIONAL.
Não seria necessariamente uma demonstração de fraqueza.
Pode ser justamente o reconhecimento de que a cidade precisa
de outro caminho.
MELHOR RENUNCIAR
DO QUE DEIXAR UM PROBLEMA MAIOR PARA A POPULAÇÃO
Continuar no cargo apenas para cumprir um mandato não
deveria ser considerado, por si só, uma demonstração de responsabilidade.
Responsabilidade também pode significar reconhecer limites.
Se a permanência de um administrador representar a
continuidade de uma gestão incapaz de corrigir problemas, de planejar
adequadamente e de executar aquilo que a população necessita, então é preciso
discutir se permanecer é realmente uma atitude responsável.
É melhor reconhecer que não está conseguindo administrar
e abrir espaço para uma mudança de direção do que insistir até entregar uma
cidade ainda mais comprometida.
Renunciar não apaga erros.
Não recupera dinheiro desperdiçado.
Não conserta uma obra mal executada.
Não devolve à população aquilo que deixou de receber.
MAS PODE IMPEDIR QUE DETERMINADOS PROBLEMAS CONTINUEM SE
ACUMULANDO.
CÁSSIA PRECISA DE GESTÃO, NÃO DE IMPROVISAÇÃO
O que está em discussão não é simplesmente o nome de quem
ocupa a Prefeitura.
É o modelo de administração.
Cássia precisa de planejamento, estrutura, conhecimento técnico, definição de prioridades, fiscalização, acompanhamento permanente e determinação para corrigir aquilo que estiver errado.
A população não pode ser obrigada a aceitar como normal
aquilo que poderia ser evitado com uma administração organizada.
Também não se pode transformar cada problema em uma disputa
política entre situação e oposição. Existem questões que deveriam estar acima
dessa divisão: medicamento, transporte, limpeza, pavimentação, obras,
moradias, segurança, educação, saúde, finanças e qualidade dos serviços
públicos.
Esses problemas pertencem à cidade.
E a cidade pertence aos cidadãos.
Renunciar pode ser uma escolha difícil — mas continuar
também tem consequências
Um prefeito eleito recebe uma oportunidade e uma
responsabilidade.
Se consegue administrar, deve administrar.
Se encontra dificuldades, deve buscar soluções.
Se erra, deve corrigir.
Mas se, depois de sucessivos problemas, ficar demonstrado
que não consegue conduzir adequadamente a administração municipal, também
existe uma pergunta que precisa ser feita com seriedade:
Até quando a população deve pagar o preço da insistência?
Talvez, em determinadas circunstâncias, a atitude mais
responsável não seja permanecer a qualquer custo.
Talvez seja reconhecer que a cidade precisa de outro
caminho.
Porque ocupar o cargo até o último dia não é, por si só,
uma prova de responsabilidade. Responsabilidade é deixar a cidade em condições
de continuar avançando.
E se um gestor perceber que não consegue fazer isso, renunciar
pode ser melhor do que permanecer enquanto os problemas se acumulam e
transformar as dificuldades de hoje nas grandes dificuldades de amanhã.
Cássia não precisa de uma administração perfeita.
Precisa de uma administração que planeje, execute,
fiscalize, corrija e entregue o básico que a população tem o direito de
receber.
Se isso não estiver acontecendo, a pergunta não deveria ser
apenas "por que está dando errado?"
A pergunta também precisa ser:
"Até onde vale a pena insistir antes que o preço da
insistência seja pago por toda a cidade?"

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