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segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Sonho dentro de um sono.

Sonho dentro de um sono.

Um dia estando, eu, sentado em um banco.

Banco este feito de dois paus fincados no chão, e em cima deles um pranchão de madeira, não pregado, mas sim grampeado com entalhas de um corte um pouco diferente, que por sinal um esculpir muito bem feito, com um ótimo planejamento.
A madeira usada tanto no pranchão como nos dois paus ficados foram tirados de uma tora, de uma madeira de lei, a qual chama se de jacarandá, foram muito bem preparadas, com as quinas todas lisas, muito bem arredondadas.
Talvez desse muito serviço para o preparo dos mesmos, mas muito bem feito, para que não se machuque ao sentar se.
Em frente a este banco outros dois paus fincados sendo um pouco mais alto do que o banco, nestes dois paus, colocou se uma prancha para servir de mesa.
Esta prancha também muito lizinha.    
Eu acho que eles fizeram desse jeito para ter onde sentar e tomar suas bebidas prediletas.
E também descansar como eu estou agora.
Este banco em que estou sentado e está mesa estão em baixo de uma mangueira de tamanho exagerado, ela tem uma sombra imensa, suas folhas todas verdinhas e com muitas flores.

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Não sei direito, esta mangueira deve de ter uns setenta anos mais ou menos, sei que é muito grande.  
Seu tronco para ser abraçado, gasta se umas três pessoas ou mais, seus galhos são grossos e muito compridos, suas folhas são largas e grandes, têm aquelas folhinhas ainda miúdas e novas, mas todas verdinhas.
A sombra da mangueira é extensa, creio que dá uma extensão de quinze metros arredondada mais ou menos, isto com o sol reto por cima, se sol estiver à direita ou à esquerda, a sombra fica muito maior.
Eu olhava as folhas da mangueira balancear de um lado para outro, pois é mês de agosto e venta muito, o vento está bem forte, mas sem rumo certo, hora um lado hora outro e como a mangueira está carregadinha de flores.
Aquele vento as derrubava no chão, achei bonito no instante que olhei pela primeira vez, mas depois fiquei triste, pois as flores que caiam com certeza iriam se tornar frutos em breve. 
Seria muitas frutas que iriam se formar infelizmente aquelas flores que estavam caindo somente virariam esterco para a mãe arvore, nada mais que isso..
Logo pensei se também todas as flores ficarem no pé, com certeza os galhos não ira agüentar o volume de mangas, sendo quebrados.
Então me alegrei novamente.  
E logo pensei o vento estava fazendo também seu serviço, trabalhando para a mangueira maneirando assim seus galhos, para que no futuro ela não tivesse danos, como a quebra de galhos.
Minha mente então passou a viajar para o passado presente e futuro vendo e assistindo em meus pensamentos tudo que se possa imaginar, desde o sonho mais bobo que tive como também o mais elevado.
Um sonho do bem como também o sonho da maldade, tanto o sonho meu como o de vários seres humanos e não sei o motivo certo do qual vem estes pensamentos me mostrando acontecimentos de tantos sonhos das historias sem sono.                                                               
Uma historia de sonho que sonhamos sem nem mesmo estar-mos dormindo todos nós sonhamos desde o principio da existência do viver.
O sonho de ter, querer e poder.
Então eu recordava todo meu passado como que se estivesse dormindo acordado, vi como o tempo passou, fiz muita coisa boa, como também muitas não aproveitáveis é a vida que tive direito de viver.
Ali onde eu estava é um grande pomar, tem de tudo que possa imaginar mangueiras, jabuticabeiras, laranjeiras, mexeriqueiras, pessegueiros, figueiros, orvalheiros, cajueiros, goiabeiras, araçazeiros, cajamangueiros, caquizeiros, jaqueiras, abacateiros, pés de acerola e outra infinidade de frutas que não me lembro os nomes de todas elas agora.                                
Este pomar é imenso tem setecentos metros de largura e mil e quinhentos metros de comprimento e porque sei disso, porque fui eu que a o aumentei.
O pomar fica a dois quilômetros da casa da fazenda, que por sinal é uma casa muito chique, por ser de fazenda.
Está casa tem vinte e oitos comádos, ela têm duas salas, duas cozinhas, quatro suíte, um corredor grande, quatro banheiros, dois comádos de dispensa, um comádo de guardar chapéus e outras coisas como botinas e capas.
Têm treze quartos de solteiro. 
Isto vendo ela por dentro, já por fora, está casa tem na entrada, um alpendre grande onde recebe as pessoas de boas vindas. 
Do lado direito desta casa têm vinte e nove janelas.
Na frente têm seis janelas mais o alpendre,
Do lado esquerdo desta casa tem vinte e sete janelas.
Nos fundos, ela tem uma varanda com muretas, até uma altura de oitenta centímetros, onde as pessoas se sentam, para admirar o quintal onde existem galinheiros e outros viveiros.
Esta casa é alta feita sobre porões, sendo dez do lado do curral que é do lado direito de quem chega. 
Quatorze porões do lado esquerdo, onde corre um canal de água, rego este com muito volume para tocar o moinho, o mujolo e mais abaixo um grande engenho de moer cana.
Deste mesmo canal e desviado um pequeno rego para levar água a bica que fica frente à porta da cozinha, esta mesma água retorna um pouco mais abaixo para o mesmo canal.
Os porões da casa são bem grandes principalmente do lado do curral.  
O alpendre tem duas entradas uma para sair da casa e a outra para entrar no curral.
Este curral é também bastante grande todo ladrilhado com pedras.                
O curral é todo cercado de moirões de mais de dois metros de altura, com suas tabuas largas de trinta centímetros de largura.
A metade do curral é coberta com telhas comuns e madeiramento muito bem feito.
Tem os bezerreiros que são também cobertos com o mesmo tipo de telhas.
O curral e os bezerreiros são todos ladrilhados com pedras grandes.
Tanto dentro do curral como nos bezerreiros tem cocheiras feitas de troncos grossos e bem fundas.
Abaixo do curral tem um pastinho para a bezerrada.
O curral tem seis porteiras de saída, e mais duas entradas dos bezerreiros.   
Para o pastinho tem também duas saídas.
Quatro porteiras de saídas dão acesso ao pasto que leva a invernada.
Tendo bem perto varias cercas que separa um pasto do outro.
Ali se tira cinco mil litros de leite por dia, com mais ou menos quatrocentas e trinta vacas leiteiras.
Sendo que tem vaca de trinta quarenta litros por dia. 
Entre bezerros mamando e de um ano tem um total mais ou menos de oitocentos.
Têm mil e quinhentos bois na engorda, mais de mil fêmeas entre as novilhas mojondo e ás reis em fase de aceitação de boi.
Também têm ali umas quinze éguas parideiras, quatros jumentos de boa qualidade, umas seis jumentas.
Uns nove burros e umas dez mulas e uns seis cavalos reprodutor.
Oito cavalos de lida, cavalos de lidas e garanhões todos de primeira linha.
Tem uma criação de ovelhas separadas em um piquete de onde se tira à lã.
Tem outro piquete de cabras e bodes.
Bem perto da casa da fazenda tem uma represa com uma água que dá gosto de se ver de tão limpa que é.
Nesta represa tem muita tilapia trairás muitos lambaris e ate cáras um peixe feio e muito ruim.
Envolta dessa represa fica cheio de patos marrecos gansos garças tão branquinhas que de longe se vê e um pouco de passarinhos pescadores.
Na fazenda devem ter entre perus angolas galinhas pintinhos frangos e galos para mais de mil cabeças e tudo caipira.
Ali tem ate um viveiro de codornas que não são poucas.
Tem um cercado bem fechado de uma criação de coelhos.
Tem outro cercado de uns casais de pavões.
Na fazenda tem uma lavoura de cafés.
Plantam se milhos na época certa. 
Tem um bananal grande, um canavial e uma moita de eucaliptos.                                                   Todos os animais são bem tratados, ali é feito silos de milho cana capim e com varias outras espécies de materiais alimentícios.
A ração das criações é todinha feita ali mesmo.
Ali na fazenda tem todo tipo de maquinas agrícola, caminhões tratores e ônibus.
Na fazenda tem mais de cento e vinte empregados.
Tem uma vendinha onde se encontra quase de tudo.
Tem um engenho onde se faz rapaduras e tiram um melado de primeira e faz se açúcar.
Tem carro de bois com duas juntas de quatorze cada,
Ela é uma fazenda linda e onde se encontra da antiguidade ate o moderno.
Na saída da fazenda rumo à saída que leva para o arraial, tem uma estradinha com plantas de árvores dos dois lados.     
Bem próximo à saída do alpendre tem um jardim por sinal muito bem cuidado com rosas, violetas, margaridas, cravos e outra infinidade de plantas de jardim.                         
Nessa estradinha que sai da fazenda do lado direito sentido de quem sai é plantado eucaliptos.
E do lado esquerdo esta plantada mangueiras, abacateiros ameixeiras e entre as arvores frutíferas, têm muitos pés de mamões no meio todos carregados.
È lógico que da mangueira onde eu estava não dava para ver a casa nem o curral, mas eu moro ali, e sei de tudo que se passa e tem na fazenda.                                         
No pomar tem todo tipo de pássaros, canários da terra, rolinhas, João de barro, maritacas, periquitos, beija flores, pardais e outra quantidade que não me lembro o nome deles agora, são muitos e muitos mesmo é uma loucura aquilo tudo.
Naquele momento os beijam flores estavam todos alvoroçados voando de flor em flor, tirando assim umecta das plantas para uma produção melhor tantos de frutos como de outras espécies.
Confiscando assim de uma a uma.
Eu admirava tudo aquilo bem de pertinho, ali tinha no meio de tantas beija flores uma maior que as outras.
Talvez seja, o macho. 
Mais em compensação tinha umas tão pequeninas que dava dó, elas também eram de uma agilidade tremenda, tanto voava para frente como para traz.
Para cima tanto para baixo, de um lado como para o outro e de vez em quando dava um pio ou canto.
Os beijam flores tinham cores bem bonitas e diferentes umas das outras. 
E os ninhos delas então, como são bem feitos uma maravilha de se vê.
Os periquitos faziam uma leréia danada, todos parecendo que estavam tomados por alguma coisa, que era aquilo, se fossem mais perto da gente dava ate para ficar surdo.
Durante muito tempo fiquei a olhar tudo aquilo ali, as maritacas parece que mexiam umas com as outras.                                                                
Os pardais pareciam que estavam enchendo o bucho com as flores da mangueira, tinha vários outros tipos de pássaros, que eu não me lembro o nome deles.
Eu estava tão fixo, olhando os pássaros, que sumi em um tempo, o qual eu nunca tinha estado, mas como, se sempre vivi ali.
Tirando alguns anos de minha vida, em que fui circular o mundo.
Tirei os olhos dos pássaros e olhei para o céu, foi então que vi varias nuvens, passando pelo imenso infinito, umas nuvens brancas e outras cinzas.
Tinha umas que davam uns formatos diferentes de vários tipos, era uma coisa que eu nunca tinha prestado atenção.
Elas me davam impressão que eu estava em um zoológico, vendo vários bichos, bichos de todas as formas.
Tinha uma que dava impressão que era um leão, outra parecia um elefante, tinha uma que parecia um coelho.
Formavam tanto bicho, que de fato eu estava dentro de um zoológico.
Desci os olhos novamente para a terra, foi que percebi que tinha uma taturana, subindo em minha perna, uma taturana por nome de bezerra.    
Esta taturana onde passa se pegar no cabelo de qualquer parte do corpo sapeca tanto e queima que dá ate febre na pessoa.
Eu espantei com uma folhinha seca, ela pegou seu rumo indo embora.         
Eu estava maravilhado com tudo aquilo.
Olhei novamente para o céu e continuei contemplando as maravilhas.
Que existe para nós, sem pagar nada.
Enquanto as nuvens iam passando, o sol tinha um forte brilho, que atravessava as nuvens, dando a impressão que as nuvens davam ainda mais formatos de bichos e com essa força imensa que atravessa, nem escurecia a terra.
Tanta coisa passava pela minha mente, tão rápido que fiquei um tanto perdido em meus pensamentos.
Estava ali admirando tanta maravilha, mas me sentindo um tanto triste, pois também pensava em minha vida, como passou tão rápida,que nem percebi, talvez tenha perdido, tanta coisa que poderia ter feito.
Ou talvez não tivesse sonhado direito.
Sabemos que a vida, não passa de um sonho, cada um tem o seu.
Uns dizendo que seu sonho é para ajudar alguém, se bem que não passa de ilusão, tudo que se faz nesta vida é sonho e nada mais que um sonho. 
Fechei os olhos, minha vida percorreu todo meu cérebro,
Por um instante, dormi, durante este tempo em que me lembro.
Passou tanta coisa, tanto sonho, os quais foram ficando para traz.
Por quê?
Então Nossa vida é somente sonho e nada mais, todos nós sabemos disso, não concordamos ou não aceitamos.
Queremos ser até o que não somos.
Viver uma vida que não podemos viver.
Queremos muitas das vezes, ter o que não podemos ter.
Nossa vida não passa de um sonho, sonho de ter, sonho de ser, sonho de poder. 
Se bem, que nem sempre querer é poder e nem poder é ter.
Viver de sonho é bom, mas pode ser perigoso, tem sonho que é somente para viver sonhando, pois nem sempre acontece o que é sonhado.
          Eu estava com o meu pescoço, dolorido de tanto olhar para o céu e ficar observando as nuvens, abaixei e olhei para um pé de mexericas ponkan, aquela mexeriqueira tinha bem lá nas pontas algumas mexerica, talvez fossem temporonas.
Mas a mexeriqueira estava carregada de flores, pois é agosto e não é a época certa de ter esta fruta.
Sei que os pássaros faziam festa com aquelas poucas mexericas, que por sinal deveria estar com sabor mel, sempre é assim as temporonas são mais doce do que a de época.
Eu olhando os pássaros na mexeriqueira, como a mexeriqueira estava bem próxima a mim.
Não tinha notado que as jabuticabeiras que ali existia estavam todas com muitas flores e também com frutos, as jabuticabeiras são assim, já para o final do ano, elas fazem isto, carrega um pouco de frutos e de flores ao mesmo tempo.             
Ali sim tinha pássaros, de todos os tipos e de todo atributo, eles estavam fazendo uma algazarra danada, fazendo festas como se fosse um banquete, não me contive me levantei do banco em que estava, fui ate bem perto das jabuticabeiras, dei um assobio, ave Maria, como saiu pássaros voando daquelas jabuticabeiras.
Uns saiu gritando outros piando que loucura e lindo de se ver. 
Quem vive em cidade não tem tempo para sentir estas coisas, que é dada sem ter dinheiro para comprar, esta alegria.
Então apanhei um pouco de jabuticabas e coloquei umas em minha boca, que delicia que estavam, estava tão docinhas como açúcar feito da pura cana.
Ainda peguei mais um pouco e as coloquei em meu chapéu para chupar, depois.  
Então fui voltando devagarzinho para a mangueira, onde eu estava sentado naquele banco de madeira, pois ali estava bem mais fresco e além do mais tinha uma mesinha para eu colocar o meu chapéu com as jabuticabas.
Sentei novamente naquele banco, ergui mais uma vez a cabeça para o céu e notei que passava um avião aja to cortando o céu como um raio, deixando um rastro de fumaça para traz.
Uma fumaça tão grossa, que parecia uma chaminé de cerâmica de tijolos furados.
De onde eu estava, parecia que aquilo ia rasgar a cortina do infinito, notei que aquilo era somente o sonho do homem. 
Um sonho, que foi sonhado para unir os povos, mais talvez o sonho fosse um pouco, mal sonhado, o sonho de se unir, também leva a destruição para outros.
Olhando aquele imenso avião, sabendo que ali estavam tantos com seus sonhos, de ida e volta, talvez para o aconchego dos seus.
Levando sorrisos e alegria, misturado com saudades, ou quem sabe ate mesmo levando aflição, para quem não está a espera.
Isto é a real realidade de se sonhar, o sonho da vida de se viver melhor.                                       Sei que ali dentro daquele imenso aja to, tem alguns sonhando, um sonho de fazer grandes negócios ou sonhando com o que já passou. 
Ali também tem uns sonhando com status, outros sonhando até mesmo como vai dar um golpe em alguém, ali tem de um tudo é isto.
Quem não gostaria de voltar ou fazer uma visita, bem de surpresa os seus entes queridos, que deixou um dia em algum lugar ou fazer um turismo em uma cidade desconhecida, mesmo que for por poucos dias, o importante naquele momento é o sonho em que está sonhando.         
Sei que dentro daquele aja-to tem muitos e cada um com seu sonho, que ira realizar ou talvez não, só o tempo dirá se seu sonho se tornara sonho feito.
               Meu olhar ia perdendo o aja-to de vista, ainda sim vendo aquela fumaceira toda, que por ele ia ficando para traz.
Estava tão distraído, chupando algumas jabuticabas e olhando para a grande fumaça do aja-to, quando neste momento levei um susto danado, pois fizera um barulhão bem perto de mim, então olhei rapidamente para baixo rumo a um galho da mangueira e vi; uma maritaca que caia, vindo quase ao chão, aconteceu à queda, porque outra a atacou com uma ferocidade louca, jogando ela do galho em que estava diretamente para o chão.
Antes que ela chegasse ao solo, essa deu um pique batendo suas asas com toda força existente em seu corpo, que subiu muito rápida diretamente para outro galho.
As outras maritacas que vendo aquele acontecimento, foram em cima da que fez aquela covardia, todas com o mesmo desejo, o de vingar, elas acharam que aquilo não estava certo. 
A maritaca agressiva ficou tão chururu e sem graça com aquela pancadaria que perdeu o fio da miada, batendo suas asas indo embora.
As que foram em cima da covarde ao ver que ela fora embora ficou contente que davam gritos de alegria,
Aquela maritaca que apanhou chegou ate as vencedoras para agradecer uma a uma.
Fiquei com uma jabuticaba na boca, olhando aquilo, nem sei por que a jabuticaba não estourou em minha boca, ou não a engoli de uma vez só.
Vi então como os animais são parecidos com os seres humanos, naquele causo as aves, uma quis fazer maldade para a outra e logo sentiu o gosto da vingança..             
Ainda estava olhando o feitio quando de repente sem souber de onde vinha, eis que surge um vento, ainda mais forte, do que aquele que estava derrubando as flores da mangueira.                                                      Aquele vento vinha em forma de um redemoinho, como se fosse um funil, o qual estava quebrando pequenos galhos e catando tudo que se encontravam pela frente, como as folhas secas que pelo pomar estavam esparramadas, ainda vi ao longe um chapéu que estava sendo lançado fora do circulo.
Chapéu este que talvez estivesse na cabeça de algum companheiro meu e que deveria estar rumo à casa grande.                  
O redemoinho levantava tudo àquilo com uma facilidade tremenda, catando-as pelo arco do funil.
E levando-as até uma altura, que quase não se via mais, logo depois o redemoinho, com muita força esparramava tudo pelo pasto do outro lado, onde tinha muito gado.
Eu olhando o redemoinho, um tanto apavorado com aquele vento, levantei-me rapidamente do banco, ficando em pé bem perto do tronco da mangueira, conforme o vento virava eu ia rodeando em volta do tronco.
Assim me protegia um pouco, se bem que isto não é conveniente,                                            pois eu poderia correr risco, se estivesse trovejando e relampeando.
Sempre ouvi dizer que as árvores puxam raios, como eu estava só e no pomar não tinha nem um barraco para me esconder o jeito era ficar ali mesmo, também percebi que não ia chover, por isso fiquei ali bem quietinho.
         A casa da fazenda ficava um pouco distante, mais ou menos uns três mil metros.
Foi então que percebi como aquele pomar é grande eu vivendo naquele local nunca tinha percebido.
O vento durou cerca de dez minutos mais ou menos, não sei direito, pois estava sem relógio, ali á hora é melhor medir pelo tempo, assim não se tem às preocupações do dia a dia.
Estar olhando tudo aquilo ali é estar esquecendo as grandes besteiras da vida, mas estar ali também é viver sonho e sonhar com toda beleza que ali existe é melhor.
Ao passar o vento me sentei novamente.
Um canário da terra cantava tanto que fiquei emocionado, com seu canto.    
Ele ergueu a cabeça via ao céu ficou cantando por um bom tempo.
E em seguida ia baixando a cabeça para o meio de suas perninhas, seu bico quase que se encostava ao galho onde estava e continuava a cantar.
Logo em seguida levantava a cabeça novamente, parecendo que estava oferecendo a musica para alguém.
Como estava bonito de se olhar e de se ouvir, ele tinha a cabeça cor de fogo, o pescoço não muito alongado, com uma cor um pouco diferente, o resto do corpo meio amarelado, cor de gema.      
O canário cantava tanto que sua esposa ficava toda alegre, pulando de galho em galho, às vezes ia até o chão, pegava um raminho levando-o no bico.
Depois sumia por um bom tempo talvez para o local que estão fazendo ninho.
Eu acho, ou melhor, tenho certeza que eles estão fazendo ninho, pois é agosto e os canários chocam sempre nesta época.
Sei que a partir do mês de agosto, eles começam a prepararem os ninhos, para as novas ninhadas.
Minha nossa como tudo aquilo era belo de se ver e sentir, bem de perto. 
A natureza da tanto presente e tanta beleza, para nós que não damos valor devido a ela.
Não sabemos tratá-la como ela merece de verdade, a cada dia que passamos nós a destruímos, sem pensar nas conseqüências futuras.
Estamos todos os dias dando a ela de presente o sonho que temos de pior, que é a nossa vontade de se ter, para viver.
Atiçamo-la com nossas varas de fogo, estamos acendendo o pavio, os quais colocarão fogo no estopim, para a explosão do barril de pólvora, para a nossa destruição.
Estamos sonhando alto de mais, pois dela estamos sempre querendo muito e não damos nada em troca, nem cuidamos dela com amor e respeito.
Dela somente estamos querendo, suas matérias prima, dela tira os nossos bens materiais, tanto para nossa parte interna, como para a externa.
Dela tiramos nossos sonhos de luxo de desejos e nunca vamos compreendê-la, a natureza também sente e vamos ver o nosso fim, e ela vai vingar na hora certa e exata, sem qualquer sentimento, foi o que demos a ela, somente o de ruim.
Podemos esperar que não tenhamos troco nenhum, sabemos muito bem disso, ou não queremos aceitar, até fingimos que não estamos nem ai, com ela, mas ela sabe bem direitinho o que vai fazer, pois já está mandando para nós avisos.
Pelos seus soberanos carrascos executores.
A estes carrascos não estamos dando ouvidos e nem os respeitando como se deve, além de admirá-los temos que temer e respeitá-los a cima de tudo, pois estão cumprindo ordens do todo ser.   
Eles são os quais fazem as obras determinadas pela mãe natureza.
Como já temos as minas de água secando, porque nós tiramos das fontes e nascentes as grandes matas, as quais puxavam as minas para cima.
Ai está um dos executores da mãe natureza a falta de água para o viver.
Outro executor o vento que assombra, com seu serviço bem prestado vem arrancando arvores, destelhando moradias, levando tudo que se encontra pela frente.
Com a executora tempestade de chuvas, que vem alagando cidades e mais cidades, deixando tudo em baixo de água, desmoronando serras, levando ruas inteiras, pontes, represas, asfalto e principalmente pessoas, que são levadas pelas correntezas e nunca mais foram vistas.               
Deixando após sua passagem tristezas dores e desilusão do sonho de ter.
A natureza também tem seu executor vulcão, para quando precisar cumprir uma tarefa mais forte, ele fará com toda sua ira, o que ela determinar.
Isto pode acontecer a qualquer momento, pois ainda não foi dada a ordem para ele executar nenhum serviço de mais precisão.
Neste momento ele somente jorra algumas faíscas lavas e algumas pedrinhas morro abaixo e fumaça. 
Quando a natureza mandar, ele jorrara não mais faíscas e sim seu fogo como se fosse um dragão, para todos os lados e com tamanha rapidez que não existira mais nada sem queimar. 
Ouro executor é o terremoto que também é um subordinado da natureza, aquele que faz tremer tudo, trazendo completamente destruição.
Este ainda não atacou como uma leoa a caça, ele dá somente algumas balanceadas, como um barquinho de papel em uma banheira de ferro.
A hora que a natureza der a ordem, ai sim ele fará o serviço completo, pode ter certeza vai ser um corre, corre para lá e para cá, uma destruição em massa, prédios caindo sobre carros, levantando poeira como se fosse um estouro de boiada.
Pessoas e mais pessoas passando umas por cima das outras, como se passa um ferro em uma roupa, tombando tudo, esmagando como se esmaga uma barata no pé. 
A natureza também tem seu soberano executor Mar este vai subir tanto e tão rápido como se sobe um pássaro pesqueiro quando pega um peixe, ergue se para uma altura a onde possa comer sem que ninguém venha incomodar seu banquete assim será o executor Mar.
Ao subir o executor Mar vai consumir tudo que tem ao seu redor, como morros, serras, montanhas, prédios, casas, tudo, tudo mesmo até os pássaros não vão conseguir fugir, pois o executor Mar subira mais rápido do que as batidas de suas asas.
Tudo do que há em cima dessa terra e for pesado ficara em baixo da água, boiaram somente as coisas leves, como os malditos sonhos dos homens.
A mãe natureza tem alguns executores menores que de imediato não causa muitos danos um acontecimento aqui e ali e nada mais que isso, mas o terror maior é aquele que está à cima de tudo brilhando, todo sempre, irradiando luz por toda parte, este sim é o grande.
O sol.
Ele não descera até a terra, somente abaixara um pouco e tudo se tornara em cinzas.
E não terá cobertura suficiente que protegera a queima total, nem é bom falar no que vem ele é o fogo que nem água e nem um bom bombeiro conseguira apagá-lo.
Os avisos estão ais as caras ninguém quer enxergar ou estão fazendo de contas que não estão vendo, nem sentindo os acontecimentos do dia a dia.
Tudo esta tão claro como o próprio dia com sua claridade imensa que ilumina para todos.
É sinal e mais sinal um atrás do outro só não vê quem não quer ver.
      Após olhar nuvens no céu ver pássaros nas árvores, escutar o canarinho cantar ir apanhar jabuticabas, de olhar o aja-to e muitos outros pensamentos que em minha cabeça se passou, tentei ficar um pouco sem sonhar, mais como não sonhar estando ali naquele grande pomar e vendo tudo aquilo.
Já estava um pouco debilitado com um pouco de dor de cabeça, talvez por ter pensado muito em tudo.
Então coloquei uma jabuticaba em minha boca me levantando para ir embora, queria ir para casa.
Ao me levantar olhei a certa distância para o chão, vi alguma coisa se mexendo entre as folhas que restaram após o redemoinho. 
Então caminhei até bem perto e vi que era um carreiro de formigas cabeçudas.       
Pensei! Rapidamente, mas como elas não foram levadas pelo redemoinho.
São tão pequeninas, ou será que elas ainda não tinham saídos de seus olheiros (buracos).
E como são bonitas de se ver trabalhando, todas no enfileiramento correto, do lado direito de quem ia para o buraco, da entrada na terra, estavam as que transportavam as cargas. 
Do lado esquerdo as que iam buscar as cargas de folhas.
De um lado e de outro das que iam e vinham estavam algumas um pouco maiores, acho que são os fiscais de mão de obras.
De vez em quando no enfileiramento, uma dava de topo com a outra, acidente de trabalho e percurso.
Elas davam uma afastadinha, uma da outra e voltava tudo normal. 
Os fiscais de vez em quando davam uma ordem as que estavam trabalhando, que organização entre elas e que união tinham.
Então segui o carreiro até onde elas estavam buscando as cargas.
Notei que era um pé de ameixa, olhei para cima, lá bem no alto vi as derrubadeiras cortando tudo rapidamente, era, só folha que caiam lá em baixo.
Olhei no chão vi as picadeiras repicando tudo que caia e mais um pouco de fiscais ali por perto dando ordens, talvez.
Estava abismado com tudo aquilo que estava vendo, fiquei maravilhado, com tudo que via a minha frente, que organização!
Que equipe de trabalho.
Então voltei para o buraco onde elas entravam com as cargas, ao chegar mais perto, vi outros dois buracos onde saiam terra de dentro.
Aquela terra era tirada por outras formigas, que estavam abrindo o local para o armazenamento das folhas.
Eu sei que as formigas cortam as folhas mais cheirosas, elas gostam de seus ninhos cheirosos e também se alimentam do cheiro.
Percebi que são unidas, são mesmo fora de base, bem diferente dos humanos. 
Que não são bichos mais é pior do que os animais além de sonhar com sonhos de maldade sonham em ter coisas e mais coisas, uma loucura geral.
As formigas destroem alguma coisa para somente viver, mas o que elas destroem dentro de poucos dias retorna ao normal, a não ser por um erro de calculo onde elas cortam uma planta de pouco brotamento ou mesmo uma que não aceita ser podada, com isso elas morrem.  
Mas nem sempre é assim quase todas as plantas brotam rapidamente, já com os humanos é bem diferente gostam somente de destruírem coisas que não retorna ao normal facilmente. 
Como todos os produtos retirados da natureza e não são poucos.
São as matérias que levaram séculos para estar do jeito em que se encontram, desde a fundação da mãe.           
Os humanos são uns loucos sonhadores que estão com seus pensamentos cheios de sonho doidos.
Sonho de se fazer alguma coisa para dizer que tem um bem material para se mostrar ou sentir grande perto de outros pequenos, por isso vão só destruindo tudo que encontra para realizar seus malucos sonhos.
Eu estava ainda olhando as formigas trabalhando, nem sabia o que mais pensar somente vendo como tudo era bonito.
E como é tudo maravilhoso agachei para observar bem direitinho as formigas, vi uma que estava faltando uma perninha.
E mesmo assim ela trabalhava, levava uma folhinha menor, mais estava no batente.          Meu Deus como pode ser isto, pensei, na hora, até mesmo uma formiga, sem uma perninha está trabalhando como a natureza é bela.
Já tem humanos que tem tudo completo e pensa somente em causar danos, com seus sonhos malucos, ficam sonhando em desgraçar com a vida deles mesmos e com a dos outros também.       
Já querendo mesmo ir embora, me lembrei do chapéu, que ficou em cima da mesa, feita de prancha.
Nele ainda havia muita jabuticaba para chupar, então fui até a mesa o peguei e sai caminhando dentro ao pomar, olhando tudo em volta de mim, de vez em quando colocava uma jabuticaba na boca.
E apertava ela com os dentes, que já não são mais dentes verdadeiros, a muito que as perdi os verdadeiros, ainda era jovem.
Não sei se foi falta de pensar em arrumá-los ou se até mesmo não ter dinheiro para isto, faz muito tempo eu não me lembro direito, já não os tenho.
Fazer o que.
Continuei andando entre as árvores frutíferas, andava, olhava, parava.
Andava, olhava e parava. 
Depois continuava andando pelo pomar chupando jabuticabas, pois tinha apanhado muito, havia enchido o chapéu, então parei em frente um pé de cajamanga grande devia ter uns quinze metros de altura mais ou menos, olhei bem lá no alto e notei que tinha um monte de macaquinhos fazendo uma bagunça danada entre eles. 
Parece que estavam falando um com o outro, assobiava chamando os outros para avisar que eu estava ali. 
Percebi que tinha uma macaquinha com um filhote agarrado nas costas.
Ela era tão rápida pulava de galho em galho e o bichinho grudado, parece que ate graçinha estava fazendo, para eu ver.
O bichinho ate soltava a mãozinha das costas da mãe,quando ela parava o filhote se esbaldava fazendo uma dança no corpo da mãe,ia para frente e para traz, descia e subia, mas não saia da mãe.
Os macacos mais velhos parecem que me vendo ali em baixo aprontavam para eu ver, uns mostravam a ponta da língua, outros davam gritos como se fosse um menino.
Eu apreciava tudo aquilo ali, teve um que só para provocar-me, enrolou o rabo ficando de cabeça para baixo e balanceava para lá e para cá.
Outro dava piruetas sem sair do tronco do cajamanga, outro descia até bem perto depois saia correndo pelo galho. 
Esqueci um pouco de tudo ali olhando os bichos, como eu estava me divertindo com tudo aquilo e sendo feliz por mais alguns momentos.
Como gostaria que os humanos tivessem um pouco de união, como aqueles macaquinhos, sei que entre eles também tem brigas e desavenças.
Eles também sonham em se alimentar, sonho de dar o de comer para seus filhos, como aquela macaquinha que talvez já tivesse enfrentado outro qualquer para não ficar sem dar a comida necessária para seu filhote.                
Os bichos brigam somente por este sonho o de alimento ou por uma fêmea quando a necessidade.
Estas duas coisas é que causam desavenças entre eles, no mais, eles vivem em harmonia.                              
Eu continuava ainda olhando os macaquinhos pularem de um lado para o outro.
Quando então me lembrei de um conhecido meu.   
Este tinha um macaquinho a mais de vinte anos, isto eu me lembro direitinho como aconteceu, este meu conhecido mora na cidade e bem perto da casa dele mora um amigo dele.  
Este amigo do meu conhecido trabalhava em uma fazenda em outra parte do município.
Um dia ele vinha do serviço a pé pela estrada de terra, pois seu patrão não pode ir buscar ele naquele dia.
Já tinha andado uns três quilômetros mais ou menos, vinha tranqüilamente fumando seu cigarrinho de palha. 
E de vez em quando ate assobiava uma canção, ele é daqueles que não gosta de pegar carona, por isso quando não dava para seu patrão ir buscá-lo, ele vinha a pé mesmo.
Nisso passou perto dele uma caminhonete em alta velocidade, nem olhou para o lado dele, talvez soubesse que ele não gostava de carona. 
Ele continuou andando isso já eram umas quinze para as seis da tarde, quem trabalha na roça sempre para as cinco horas da tarde.  
Chegando a uma baixada da estrada perto de uma mata que a estrada cortava ao meio.
Este amigo do meu conhecido teve uma surpresa à caminhonete passou par cima de uma macaca que a esmagou na terra vermelha, que nem seu sangue dava para ver.
Este amigo do meu conhecido ao deparar com aquela situação foi o que ele pensou e fez. 
Retirou-a macaca da estrada e jogou-a no mato. 
Ao começar a andar para seguir o rumo de casa notou um chiadinho no meio do mato, então atravessou a cerca e foi no sentido do choro viu ali em uma moita um macaquinho filhote quase sem pelos nenhum em seu corpinho.
Ele deveria ter pouco mais de quinze dias de vida, o que fazer pegou-o colocando em sua mochila e levou para casa.
Como ele trabalhava direto deixou com sua esposa para tomar conta do bichinho. 
O macaquinho ficou em sua casa por uma semana de terça a domingo, a esposa do amigo do meu conhecido, disse a ele que não ia tomar conta daquele bicho mais. 
Primeiro por que fede muito e depois por que ela não teria tempo para aquilo.
O amigo do meu conhecido então ficou sem saber o que fazer com o macaquinho.
Na tarde do domingo, ele foi até a casa do seu amigo que é meu conhecido e contou a historia para ele.
Este meu conhecido que é amigo dele, disse na hora, mas que bom eu tenho uma idéia de ter um macaquinho. 
Me de ele para mim, eu te garanto que vou tomar conta dele direitinho.
Ora vou te dar ele com todo prazer e sei que você vai tomar conta dele.
O amigo do meu conhecido foi ate sua casa pegou o macaquinho e levou ele para o meu conhecido.                                                                   
Os anos se foram passando este meu conhecido zelou do macaquinho como se fosse seu filho ou até mais que isso, assim dizem os rapazes filho do meu conhecido,
Que é Ted para cá é Ted para lá é uma loucura como este meu conhecido trata o macaquinho, ele vai ao mercado e compra uma pancada de alimento diferente para o macaquinho. 
O danadinho vive melhor que muitos seres humanos por ai.
Passou uns dezoito anos e nada tinha acontecido com este meu conhecido e com seu macaquinho Ted.
Até que certo dia algum dos seus vizinhos denunciou este meu conhecido para o IBAMA, o qual mandou os policiais a casa deste meu conhecido que além de multar o pobre coitado levou seu macaquinho Ted.
Mas nesta vida tem coisa que sendo pensado para o bem, o bem permanece e tem suas recompensas.
Foi o que aconteceu com este meu conhecido e seu macaquinho Ted.
Os policiais ao levar o macaquinho tiveram uma surpresa, pois deixando o macaquinho no batalhão em um lugar até que ele se adaptasse para ser levado para o lugar de destino. 
O macaquinho passou a não comer e nem dormir somente chorava igualzinho uma criança.
Os policiais estavam ficando loucos com aquilo que o macaquinho estava aprontando no quartel dos florestais. 
Um deles foi falar com o delegado.
O delegado por sua vez falou com o juiz sobre tudo que estava acontecendo com aquele macaquinho.
O juiz então resolveu que o macaquinho fosse entregue para o verdadeiro dono que é o conhecido meu.    
Só que nem o juiz nem o delegado muito menos os policiais sabiam que desde quando levaram o macaquinho Ted embora, o meu conhecido não mais comeu e nem alegria tinha.
Foi até parar no hospital ficando internado por vários dias, com a doença da tristeza aguda, estava vivendo muito angustiado, sua esposa e filhos não sabiam mais o que fazer. 
Alem de ter perdido o macaquinho ainda tinha em casa um velho doente e ainda tinha que pagar a multa que foi deixada pelos policiais, foi grande a surpresa de todos quando a viatura dos florestais parou na porta da casa do meu conhecido, trazendo de volta o macaquinho Ted.
Alegria do meu conhecido foi tanta que levantou de onde estava, chorando, agora de alegria de ver seu filhinho, como ele chamava o macaquinho. 
A mesma coisa parece que estava acontecendo com o macaquinho, dizem que o macaquinho, além de chorar de alegria gúspiu na cara do policial ao ir para o colo do meu conhecido, isso que é amor. 
Tem coisa que às vezes é preciso acontecer, para outras se encaixarem, se o amigo do meu conhecido não tivesse encontrado o macaquinho lá no mato, com certeza ele estaria morto.    
Também se o meu conhecido não tivesse esse desejo de ter um macaquinho, como ele mesmo disse, o amigo do meu conhecido teria que dar outro jeito, quem sabe ele teria ido até os policiais do IBAMA para entregá-lo, se bem que não sei se naquela época tinha polícia florestal, já faz tanto tempo.
Como é o jogo da vida se fosse hoje eu acho que dava até cadeia para meu conhecido.
Ali de baixo daquele pé de cajamanga me lembrava da historia do macaquinho Ted, e olhando aqueles macaquinhos, fazendo o maior fuzuê entre eles, ali eu tinha tempo suficiente para pensar em tudo.
Eu estava só e um pouco longe de casa, sem ninguém perto para eu conversar e nem um barulho a não ser o da natureza que eu presenciava como o canto dos pássaros e aquela algazarra dos macaquinhos, estavam no verdadeiro paraíso dentro da terra que me foi dada de presente, pela criação superior.        
Andei mais um pouco sempre apreciando tudo em volta e dentro daquele pomar.   
Nem sei quem foi à pessoa que começou a formar aquele pomar tão grande sei que aquela maravilha deve ter uns cinqüenta e tantos anos de existência ou mais sei lá.
Só sei que a plantação que aqui tem é muito boa, não está faltando mais nada quem sabe um pouquinho de esterco a mais, só isso, pensei na hora.
A pessoa estando sozinho em algum lugar seja onde for e sem estar ligado nas coisas do mundão o pensamento viaja como uma andorinha, que deixa seu lugar de origem e percorre quase a terra inteira.
Talvez porque seja da sua natureza ou então ela também tem que fazer este giro todos os anos até que já não agüente mais.
Assim também é com todos os humanos, todos têm um giro de vida destinado, mais este giro pode ser desviado pelo andar da vida, principalmente quando se tem um sonho muito louco, sonho de ter querer e poder. 
Um jovem ao sonhar alto pode fazer com que sua vida tenha uma rota, não favorecida para sua existência, tendo ilusões, diferenciadas das que é destinada a sua existência.
         Faltando uns trezentos metros para sair do pomar eu continuava com meu pensamento em tanta coisa até me esqueci que em meu chapéu ainda tinha um pouco de jabuticaba para chupar. 
Nessa altura as jabuticabas já estavam um pouco quentes, pois o chapéu de palha é danado para esquentar as coisas, chapéu de palha é como garrafa térmica se colocar algum produto com o calor dentro dele, ele conserva quente, mas se for colocado em época de frio ele conserva frio também, por muito tempo.
O famoso chapéu de palha é um bom chapéu, ele serve muito bem para tapar do sol, e tomar água quando se é preciso, mas não consegui ficar firme como o chapéu panamá. 
O chapéu panamá pode ser até pisado amassado que volta ao normal.
O chapéu de palha não, ele não pode de maneira nenhuma ser amassado ou qualquer outro esfregão que ele esta destruído.
O panamá é um chapéu que muitos dos peões usam por agüentar o tranco.
Já o de palha é um pouco frágil até mesmo com o suor da testa, ele começa ficar um pouco meio preto em sua frente e depois começa se a desmanchar apodrecendo rapidamente, mesmo assim depois do boné ainda sim é o mais vendido.
Mesmo assim peguei uma jabuticaba e coloquei em minha boca e continuei a andar rumo à saída do pomar.
Ainda dentro do pomar agora uns duzentos metros até a porteira de saída, já terminando de chupar as jabuticabas eis que vejo um tatu bem de baixo de um pé de coco comum comendo sossegadamente seu almoço.
Dentro do pomar tem vários coqueiros um longe do outro, pois tem muitos espinhos e então não é bom deixar muitos perto um do outro.
Agachei em minhas pernas para olhar um pouco o tatu devorando seu alimento, coco é um alimento forte e os tatus gostam muito deles.   
Eu ali agachadinho olhando o tatu comendo e admirando, quando surge à surpresa chega de onde não sei, uma tatua com um monte de filhotinhos e todos muito espertos com seus focinhos relando no chão a procura de alimentos, quando chegaram perto do coqueiro fizeram à festa.    
Eu olhando aquela maravilha da criação, estava me sentindo privilegiado de estar ali sozinho e com tanta coisa para admirar sentir e ouvir.
Havia um tatuzinho correndo para um lado e para o outro em busca de seu alimento, o interessante é que ele dava uma carreira e parava rapidamente como se tivesse freios em suas perninhas. 
E eu olhando aquilo ali, eles nem notaram que eu estava bem perto, também pudera eu não fazia barulho nenhum, estava imóvel de tudo para apreciar o que estava ocorrendo, era muito bacana de se ver.
Já estava ficando um pouco tarde me levantei de onde eu estava agachado, pois também estava um pouco com as pernas doendo de ficar naquela posição já fazia muito tempo que eu olhava os tatuzinhos.
Sai andando para o rumo da porteira de saída só faltavam menos de cem metros para chegar a até ela, era bastante tarde então atravessei a porteira e fui para casa que não fica muito perto do pomar. 
Ate minha casa creio que da uns dez mil passos mais ou menos, pelo caminho fui observando tudo que estava em roda de mim, peguei o trilho que serve se como atalho eu fui bem devagarzinho, sem afobação para chegar. 
Trabalho nesta fazenda já bem uns trinta anos conheço tudo que se têm ali, até mesmo as entradas e saídas do mato que existe bem perto de casa.
Então peguei outro atalho dentro do mato e segui e sempre olhando tudo, ao entrar uns cem metros adentro do mato vi uma cascavel bem quietinha perto a um buraco de tatu.
Com certeza ela reside naquele buraco, às cobras gostam de morar em buracos de tatus principalmente as cascavéis, costumam viver em um buraco ate dez, onze anos ou mais. 
Isto é se ninguém for perturbá-la ali, mais sempre tem aqueles que são maus e gostam de matá-las.
Desde que me entendo por gente sei que uma cascavel só ataca se for atacado, se esbarrar nela ou coisa assim, do contrario ela não tá nem aí pra gente, fica tranqüila em seu canto, bem no sossego.
O gado, por exemplo, vive sempre no meio de cobras e, no entanto é muito difícil morrer, às vezes morre lá vez em quando.
Ao ir pastando acontece que esbarram na cobra sem querer e então a cobra ataca, não porque queria picar, mas sim pelo susto que elas levam, acolá é morte na certa.         Eu desviei da cascavel e segui meu caminho dentro do mato, andei mais uns quinhentos passos, comecei então escutar o barulho da água descendo a ladeira e batendo nas pedras com as cachoeirinhas e cachoeiras um pouco maiores.
Como estava bonito de se olhar e ouvir, a gente bate os olhos e fica emocionada com tanta riqueza que tem ali, na fazenda por todos os lados que se anda têm minas da águas uma belezura, que fartura que é.
Continuei a andar pelo mato ali se vê de um tudo todos os tipos de pássaros cobras, lobos e até dizem que circula por ali uma onça, eu nunca vi, mas os outros empregados da fazenda disseram que já viram uma e bem grande. 
Eu não duvido onde tem veado, tem onça, e ali tem muitos veados, estes sim eu já vi e como são espertos. 
Lá em casa temos um cachorrinho desses vira-latas, de vez em quando ele dá em cima de um veadinho dentro do mato e leva ele até a serra onde deve morar, mas o vira lata nunca conseguiu abocanhar um, são velozes de mais, sobe a serra como se não fosse nada para eles.
Outro dia desses apareceu um veadinho bem comendo na cocheira do gado catando o resto do silo que colocamos sempre ali, as crianças quando o avistaram ficaram enlouquecidas com que estava vendo.
Eu continuava minha caminhada, já estava cansado e não de trabalhar, mas sim de passar um domingo dos mais felizes da vida, onde sonhei e dormi e não foi de sono e sim de pensamentos que á muito não os tinha, os quais me fizeram ir tão longe e de recordação dos dias anteriores de minha vida. 
Que domingo não hei de esquecer-me fez colocar meu sonho a serviço de mim mesmo, um sonho que eu sempre tive e não sabia com certeza o que era.
Agora sim eu avistava minha casa ao sair do mato, mais ainda tenho que atravessar a pinguela sobre o córrego, depois andar uns trezentos passos, chegará a minha casa. 
De cima dessa pinguela vejo tanto peixe que dá gosto ali tem lambaris tilapia e muitos outros.
Este córrego começa com uma mina bem pequena que nasce no alto da serra.
Vai juntando as outras minas que se encontram pelos lados do canal que formou dentro do mato que desce serra a baixo.
Depois que o rego sai de dentro do mato começa a virar um córrego, que vai ao encontro da represa a uns três mil metros a baixo.
Dos lados desse córrego encontra muita Taboa e Angerca e aquelas prastas de lodos formando assim uma camada de cobertura sobre a água, em cima desse lodo residem várias espécies de outras plantinhas menores.                   
Umas florzinhas diferentes com cores bem fortes como roxas, bem vermelhas, super amarelas e outras com uma cor ainda mais exorbitante, sendo muitas cores em uma única planta.      
Em baixo dessa prastas de lodo vivem os peixinhos circulando de um lado para outro, de cima da pinguela se vê bem lá em baixo uma pequena cachoeira tendo mais ou menos uns seis metros de altura e a água ao cair lá em baixo faz um bojo bem arredondado e muita espuma.
Ali da se o encontro dos peixes maiores que tem na represa, principalmente na época da desova.     
 De cima da pinguela é possível ver a represa bem lá em baixo, neste córrego tem as aguadas do gado, todos os pastos que tem na fazenda com o repartimento dela vai ate o córrego, fazendo assim com que ele serve de aguadas.
A fazenda é como se fosse um quadro negro, onde tem um desenho de uma casa, do lado esquerdo de quem sai de dentro da casa tem um curral, do lado direito de quem sai da casa tem um jardim bem grande que termina na divisa com outro confrontante. 
Na frente da casa têm uma estrada principal fazendo uma curva para a direita em sentido com a divisa do outro confrontante. 
E na cerca da divisa do confrontante tem eucaliptos plantados até o corredor grande que leva até a cidade.
Do lado esquerdo dessa estrada têm plantado ali mangueiras abacateiros ameixeiras e outros, dessa estrada são feito o repartimento dos pastos sendo um total de vinte e um e todos grandes, sempre do lado esquerdo da estrada.
O pomar em que eu estava fica a mais de dois quilômetros da entrada da fazenda, no meio de um pasto onde fica perto dessa mata a qual eu disse que tinha que atravessar, do lado dessa mata tem o canavial, o bananal e uma moita de capim lapie.
Que são todos grandes mais de cinco alqueires cada e bem no canto da fazenda confrontando com a represa e ladeiras, têm o cafezal que já não sabemos direito quantos pés existe ali plantado.
Atravessei a pinguela andei mais um pouco e cheguei a casa e nem sonhava que ao chegar ia encontrar com um amigo que trabalha ali na fazenda. 
Já era um pouco tarde, devia ser umas seis horas da tarde, ele me convidou para ir a casa dele, pois era aniversario de sua filha que estava completando quinze anos e ele ia fazer uma surpresinha para ela, reunir os mais chegados para essa festinha surpresa.
Então como dizer não, eu pedi um tempo para tomar um banho que lá estaria.
E assim completei meu fim de semana no aniversario da filha desse nosso companheiro de trabalho onde ficamos até às onze da noite cantando e dançando um bom forro. 
Aqui não tem disso pode ser domingo ou meio de semana se tem algum aniversario fazemos festa, na fazenda não tem tempo ruim temos de um tudo, nós trabalhos muito, mas em compensação aproveitamos bem vida.    
Aqui trabalha cento e vinte homens, mais as mulheres e alguns que vêm da cidade, isso em época que não tem apanhar de café, quando chega à época certa aí a coisa pega, aumenta mais uns duzentos ou trezentos são três ônibus lotados de trabalhadores.
Antigamente era caminhão, mas com a lei de não se usar mais o transporte de risco, então venderam os caminhões e compraram ônibus, para o pessoal que trabalha aqui foi muito bom, por outro lado os fazendeiros perderam dinheiro, tiveram que vender alguns caminhões para comprar os ônibus. 
Os caminhões davam emprego durante o ano inteiro, já os ônibus não, ficam parados por mais de oito meses, muitos fazendeiro tem de onde tirar e outros pobres coitados que alugava os caminhões estão passando por dificuldade.
 Os ônibus de aluguel ficam muito caro e as peruas não são suficiente mesmo que fossem ficaria inviáveis, pois o valor recebido pela colheita não dá para pagar as despesas.
Então o que os fazendeiros estão fazendo e devastando um pouco suas lavouras e usando sempre maquinas para exterminar a mão de obra, assim eles com menos despesas o retorno é maior, por outro lado é muito triste, aquele que não tem nenhuma profissão sofrera as conseqüências.                                                   
Por outro lado se todos formarem e tiver uma profissão como será seu futuro, não haverá tanto trabalho assim, são uns loucos de sonhar estes sonhos que não estão ajudando em nada.
Não sou contra leis, mas sim da imbecilidade de tantas que existem, se deixassem o homem do campo no campo a trabalhar em seu terreno, lá na cidade não estava tantos da roça, que chegaram mandados do seu lugar em base de leis que se fizeram, havia se tantas colônias em fazendas que estavam lotadas de gente de roça. 
Hoje se vê tudo caindo e não a mais gente que queira voltar para a fazenda, não por que acham à fazenda ruim, mas porque tem seus direitos casados não tendo nenhum, como antes de ter feito tantas leis.  
São tantas leis que os fazendeiros têm que cumprir e pagar que poderiam arrecadar cinqüenta vezes a mais que mesmo assim não dariam conta de pagar tudo.  
Com os valores que se vendem seus produtos não existe possibilidade nenhuma de manter uma família lá em sua fazenda.
Ainda sim tem uns que insistem em ter alguns empregados nas suas propriedades.
Vai chegar à hora em que esses não mais iram agüentar e será o fim dos residentes nas propriedades deles. 
O engenho aqui da fazenda é grande consegui fazer umas mil e quinhentas rapaduras por dia, temos oito pessoas que trabalha quando vai fazer rapaduras, cinco homens e três mulheres. 
Dois vão cortando cana dois vai puxando até o engenho que é tocado à água. 
Esta água vem da serra em um canal e chega ao engenho por um bicão, feito de casqueiros de coqueiro, a água quase enche o bicão fazendo a roda rolar em grande velocidade, para as engrenagens deslizarem umas nas outras fazendo assim que as moendas amassem as canas.                 
Dois vão colocando canas no engenho sendo um homem e sua esposa e duas fica nos tachos no acabamento final, atiçando fogo e apurando o melado para que o mesmo venha a se tornar rapadura.
Os tachos são bem grandes uns cabem uns oitocentos litros mais ou menos. 
O em seguida quinhentos tem um de trezentos e cinqüenta litros, outro de duzentos e cinqüenta litros e o ultimo de cem litros que apura por fim.  
As mulheres quando vai tirá-lo do fogo chama sempre um para ajudá-las com a tarefa, pois ele fica pesado.
Tem época que ficamos de abril ou começo de maio a setembro fazendo rapaduras que são todas vendidas no comercio por um vendedor. 
E as entregas são feitas pelo próprio caminhão de entregas da fazenda.
As rapaduras todas são bem embaladas e duram de seis meses a um ano depende de onde ficar armazenadas.
Já o melado tem mais durabilidade mesmo tendo ele um bolor em sua camada de cima, pode se usar normalmente retirando o bolor e é medicinal assim sempre diz os mais velhos e agora nós. 
Teve uma semana que fizemos sete mil cento e três rapaduras ainda sim ficou faltando mais de três mil e cem rapaduras para completar a entrega, pois o tempo não estava ajudando a fabricação à umidade da terra havia subido muito e estava fazendo as canas a brotarem. 
Fizemos de um tudo para cumprir as entregas só que não deu e não foi falta de trabalhar, trabalhamos até tarde da noite não deu mesmo, na fazenda nós se for preciso trabalhamos a qualquer hora do dia ou da noite, pois temos nossas responsabilidades.
Quase todos que trabalham na fazenda esta bem, cada um tem seu sonho realizado ou esta à beira de conseguir, uns têm automóvel, outros equiparam sua residência com um pouco de luxo e conforto.
Uns mantém os filhos estudando para uma vida melhor.
Na fazenda toda criança estuda tem um ônibus que vai buscá-los na porta de casa para ir para cidade, tem aqueles que estão na faculdade fazendo carreira, ali é uma vida das melhores que se tem por estar em uma roça.     
Antes de ter o ônibus para os alunos, ali tinha uma escola com bons professores, mas os prefeitos que se deram nos tempos atrás acharam por bem acabar com a escola, disseram que fica com menor custo pagar um transporte do que manter uma escola rural, mas não sei não, penso diferente pode ser um meio mais fácil de puxar dinheiro..
Na fazenda têm uma colônia com vinte e duas casas todas iguais, limpinhas bem arrumadas com alpendre três quartos, sala, cozinha, banheiro e varanda para quem vive em fazenda é um luxo, tem empregado que ate fez garagem em sua casa, a minha não fica por menos só que não fica na colônia ela é um pouco distante das de mais.       
Na vendinha da fazenda tem quase de um tudo e sem exploração não é como as da cidade que arranca os olhos da cara, ali não, a vendinha não é somente para os empregados, pois também vende para outros da região.  
Na fazenda tem moças bonitas e rapazes fortes, de vez em quando sai um casamento e é um festão que dá gosto, este ano mesmo aconteceu um entre a filha do tratorista com o filho do carpinteiro. 
Se bem que ele não é somente carpinteiro é um faz de tudo, faz serviço de pedreiro de marceneiro eletricista encanador ferreiro soldador e outras coisas alem da carpintaria que tem na fazenda ele é um dos que ganha bem mais.
Foi um dos casamentos mais completo e gostoso que teve na fazenda.  
O casal começou a namorar ainda jovem, ela tinha treze anos e ele quinze, namoraram por dez anos, até pensamos que eles não iam mais se casarem.
Muitos diziam que eles moravam juntos, aqui na fazenda tem disso quando demoram muito para ficar noivos uns começa a comentar as coisas, aqui também é como na cidade tem de um tudo.
       Fofoqueiros e as fofoqueiras que trabalha junto daí sai às fofocas, mas no ano passado o filho do carpinteiro pediu a moça em casamento e já deu a aliança marcando a data do casório que foi no finzinho do ano.
Os padrinhos foram o retireiro e sua esposa com seu genro e nora isso para a parte do noivo, já para a noiva foi um dos tratoristas sua esposa e o mecânico com sua esposa, aqui na fazenda quase todos estão sendo da família. 
Misturou tudo compadre é afilhado do padrinho, padrinho é afilhado do compadre e lá vai embaralhando tudo, um entrando na família do outro que já é da família, uma completa anarquia, mas tudo dentro do legal uma união entre todos.
Tem algumas encrencas, mas isto é da rotina dos homens, principalmente quando tem um que bebe um pouquinho a mais, acaba soltando alguma besteira que não deve perto de outro, aí pode começar algum barulho, mas logo o outro faz tudo voltar ao normal e assim vai.
Que festão que foi o padre veio da cidade fez o casamento na igrejinha que tem bem na frente do jardim da casa grande, depois a festa foi nos barracões que serve para guardar os tratores e caminhões, teve forro até o amanhecer. 
Os noivos ganharam tantos presentes que depois deram um pouco para outras pessoas que precisavam, o forro comeu na alta e foi tocado pelos nossos músicos da fazenda, aqui tem cantor, sanfoneiro, violonista, pandeirista quase uma orquestra.
Em uma outra época na fazenda ficamos fazendo farinha por mais de cinco meses, ali nós fazíamos farinha de mandioca e de milho e também polvilho.
O moinho de triturar o milho é tocado à água, e tem uma casinha bem coberta sobre ele que fica em cima de um rego da água, onde a água faz a roda do moinho rodar, ela é de pedra de onde se tira o fubá para a farinha e também o próprio fubá, se extrai um pouco de amido também.
Já as mandiocas para farinha é toda prepara em um barracão onde tem o local de cascar e o local de ralar.  
Todo processo é feito ali no barracão lavagem secamento e a própria torrefação, ali também torra a farinha de milho.
Na época em que nós estávamos fazendo farinha fazia também polvilho e as mandiocas que estava sendo usada é toda plantada ali mesmo na fazenda.
Teve uma época que tivemos que fazer mais de cinqüenta toneladas de mandiocas em farinha e mais de quinhentas sacas de milho só em farinha fora o polvilho, nunca havia tido um ano como aquele, foi um dos melhores para agricultura e produtos industrializados.
Era tanta encomenda que quase ficamos loucos com tanto trabalho.
Na fazenda uma vez tivemos um rodeio o qual não deu muito certo um ano, pois todos os anos na fazenda faz se uma festa de peões, como disse ali tem muitos animais como bois, cavalos, burros, jumentos, carneiros, cabritos, então no mês de setembro é feito a festa.
Está festa é chamada de festa de animais Bem Fica, tem esse nome por não ser só de montarias, mas por que tem todo tipo de campeonato. 
Tem o campeonato de corridas em cavalos, corridas de porcos, de galinhas de cabras, corridas em jumentos e até mesmo a corrida dos patos valendo prêmios.
Na festa tem montarias em cavalos, bois, cabras, carneiros, burros, jumentos estás montarias valem prêmios em dinheiro e troféus.
Tem disputa entre homens na lama com bola e vacas, é uma infinidade de tarefas ao mesmo tempo a festa é um fim de semana de sexta a domingo de onde vem gente de toda parte da região e da cidade, fica tão lotado aquilo ali que parece dez mil bois em um piquete.
Mas naquele ano a coisa ficou muito feia estávamos querendo inovar a festa trazendo outros animais de outras regiões principalmente bois, também vieram peões de mais longe com muito profissionalismo, pois para a renovação do rodeio teria que fazer uma mudança completa.
E para inovar os valores de prêmios foi aumentado para os peões e animais mais forte foi trazido, para isso acontecer uma companhia de outra localidade teve que trazer para fazer o evento com seus bois, de toda parte vieram peões, o primeiro premio foi uma caminhoneta.
Nesta festa o trem pegou fogo, no primeiro dia correu tudo bem, a montaria foi um sucesso e as outras provas também, naquele primeiro dia os organizadores colocam os animais mais fracos deixando os mais fortes para os outros dias.
Lembro-me que na companhia tinha uma mula por nome de garrucha.
Nesta mula ainda não tinha parado um peão se quer, ela era tão dura que ao subir com o peão no lombo, bem lá no alto ela balançava o corpo como se fosse uma vara de marmelo na mão de uma professora.
Não havia peão que parasse em seu lombo, esta mula ficou para ser montada no sábado.
A mula garrucha também tinha um defeito muito grande que todos conheciam, na hora em que ela jogava o peão fora do lombo era sempre para traz e quando o peão ia caindo ela dava uma levantada com a parte traseira sempre coiceando o peão.
Na sexta feira foi à primeira participação dos peões sendo um total de vinte e sete montarias em bois cavalos e burros não teve grandes pontuações os animais eram fracos.   
Para o sábado com a presença de garrucha e de um boi por nome de mar a coisa ia melhorar era o que todos estavam à espera.
No sábado ali pelas oito começou o rodeio em cabrito carneiros bezerros e jumentos a meninada faziam a festa com aquilo e ali não tinha esse negocio de judiar com os animais, pois o patrão era muito exigente para com essa regra, aquele que maltratasse um dos amimais era desclassificado na hora. 
Podia ser na montaria profissional como na montaria de amador ou ate os meninos de menos idade, se bem que meninos não causam danos em animais, pois montam com muito medo que nem tem tempo para maltratar um animalzinho.
Então nove e meia começa a montaria profissional, era uma montaria em cavalo outra em boi outra em burro, sempre assim, uma em cavalo outra em boi outra em burro.
Por que faziam assim a montaria, para não parar nenhum minuto sem espetáculo, então a mula garrucha e o boi mar ficou sendo os últimos da montaria do sábado.
Ia maravilhosamente bem o rodeio muita gente festejando, musica ao vivo em um canto um pouco mais longe da arena, com apresentação de duplas sertanejas e algum cantor popular, em um barracão funcionava um bar, tinha para as crianças um parquinho de diversão.
Ali na fazenda nos três dias de festa parecia que era festa de exposição de cidade. 
As dez e quarenta mais ou menos daquele sábado já tinha tido vinte cinco montarias faltando somente duas para o termino do rodeio.
Os animais sendo preparado o primeiro a sair para arena seria o boi mar, o boi mar era um boi grande de chifres longos e finos nas suas pontas, tinha cor diferente de outros bois.        
Sua cor era como se olhasse para o céu vendo nuvens mais escuras meio ao azul, seu peito era bem largo, o cupim bem alto e muito arredondado, suas pernas grandes e grossas como um tronco.
Seu rabo bem comprido como há uma vassoura bem cheia, ele fora do Bret era tão manso que parecia um carneiro que passeava com menino em seu lombo.
Mais ao entrar no Bret ele enlouquecia, virava um leão feroz, ele tinha treinado tanto com aquilo que ao entrar babava balançava a cabeça com uma raiva imensa, o boi mar já sabia que estava na hora de trabalhar, por isso ele tinha uma responsabilidade única que era derrubar o peão.
Com a mula garrucha era diferente ela ficava sempre quieta na hora de ser arreada, parecia que estavam em transe, sempre com sua cabeça baixa e orelhas em pé totalmente imóveis, faziam o que queria com ela dentro do Bret.
Garrucha era uma mula de seis palmos e meio mais ou menos de altura, tinha o pescoço alongado cabeça pequena orelhas finas seu rabo como se fosse uma touceira de capim vassoura todo repicadinho nas pontas.
Mas com um corte muito bem feito, a crina tombada para a esquerda bem aparada com adulações como ondas de mar os cascos bem aparados e arredondados igual uma meia lua.
O boi Mar preparado era chegada à hora da montaria, e o peão que ia montar tinha grande experiência em montaria em bois, ele já havia ganhado vários primeiros lugares com uma carreira de mais de dose anos de profissão.
A mula garrucha também prontinha para ser montada seu peão era um rapaz de vinte e nove anos, com uns dezessete anos de montaria começou com pouco mais de onze anos a montar, tinha larga experiência sabia como manter em cima de burros e cavalos, em cima do animal ele dominava completamente seu rival.   
O locutor anuncia a saída do boi Mar, dizendo é chegada à hora esperada por todos, saiu do Bret Mar com toda fúria levantado a quase dois metros do chão sacolejando seu corpo como se fosse um avião em turbulência seu couro dançava como uma sambista de avenida.
Dois segundos nada alem de dois segundos já foi o suficiente para o peão ir ao alto antes de chegar ao chão naquela areia fina de tanto ser pisada, o boi carca-lhe os longos chifres finos em sua barriga.
Um dos chifres entra nela rasgando como se rasga uma camisa velha, o chifre sai de dentro de sua barriga arrastando uma de suas costelas fora de seu corpo deixando ela expostainos em sua barriga,que um dos chifres entra para dentro dela rasgando como se rasga um camisa velha..
No chão desmaiado completamente imóvel ainda sim é pisoteado e chifrado pelo furioso boi Mar, os seguranças não demoraram nada para tirar o boi de cima do rapaz socorrendo e levando rapidamente para o hospital da cidade.
Mesmo com aquele acidente a montaria teria que terminar era de contrato e faltando somente à mula Garrucha, seu peão também famoso na região inteira por ter experiência em montarias de eqüinos.
E mais uma vez o locutor anuncia a montaria, mesmo com tristeza por ter presenciado aquele acidente, narrou com que se não tivesse visto nada. 
A mula garrucha então levanta a cabeça já com o peão em seu lombo prepara se para arrancada que ao sair não teve tempo nem do peão levantar o braço, ele saiu voando de seu arreio. 
Como se fosse um canhão de bala humana indo para traseira como era de costume e ao descer, a mula alcança com suas longas patas traseiras, com seus cascos atinge a cabeça do peão.
Ele recebe o coice bem no meio da testa que é partida ao meio como se parte uma melancia em duas partes, seu cérebro fica completamente espalhado pela areia. 
À mula quando derrubava um peão acomodava se em um canto qualquer da arena, a espera de ser guardada, assim ela o fez.
Todos correndo para salvar aquele moço de uma vida inteira pela frente chegam até ele infelizmente não havia mais tempo, morreu no local.
Foi muita tragédia para um único dia, mais o sonho dos homens são assim mesmo, sonhamos em melhorar a festa para agradar a todos infelizmente não deu certo, por seis anos na fazenda não teve festa de peão, depois continuou tudo normal à vida é assim uns vão outros ficam e tudo tem que continuar.
Como foi que vim parar naquela fazenda, isso foi á muitos anos passados, eu cansado de circular por ai feito um louco qualquer, procurando melhorar de vida, vivia em busca de alguma coisa, se bem que nem sabia direito o que era.
Eu pensava em arrumar um trabalho digno e ganhar dinheiro para comprar uma casa e que fosse bem grande assim eu tiraria meus pais do buraco, que na época em que sai de casa eram vivos.
Então percorri por muitos e muitos lugares em busca daquele sonho de melhorar, eu passei também muito aperto e teve lugar que nem consegui pagar a comida em que comia e não era por falta de trabalho, mais sim pelo pouco que ganhei.
Claro que teve lugar que de fato não consegui emprego, mais sempre mudando e procurando por melhora.
Devo ter vivido assim por mais de vinte anos e nesta estrada, voltei alguma vezes e uma delas foram à época em que perdi meus pais, depois meus irmãos tomaram rumo, cada um seguiu seu caminho e eu continuava minha andança de procura de estabilidade, infelizmente fora do meu lugar não às tive.
Depois de longos anos, estava eu sentado em um banco de uma praça em uma cidade que para mim, era completamente estranha e ali não tinha nem um conhecimento.
Naquele banco de praça e com uma imensa árvore fazendo sombra.
Comecei a buscar o passado e ver em minha frente tudo que deixei e não me contive passando a chorar, ali mesmo e sozinho, com um monte de gente circulando pela praça, talvez me olhando.
Devo ter ficado ali por mais de quatro horas, chorava e imaginava minha querida família e minha terra natal como estaria.
Em minha terra mesmo com o sofrimento de miséria, por ganhar tão pouco e não ter lugar fixo para morar, dava se um jeito para tudo e tinha um pouco de alegria de vez em quando, principalmente fins de ano onde reuníamos todos ali para saborear um cabrito assado.
Era então por essas simples coisas que perdi a vontade até de viver, elas que mais faltam fazia para mim tão distante, aqui sou nada, sou ninguém, nem um amigo ou parente perto sou praticamente um andante estranho.
Passava tudo isso em minha mente, os lugares por qual morei e vivi minha infância, ate mesmo uma bolinha feita de meia que minha mãe usava passou por meus pensamentos, era com aquela bolinha que nós jogávamos no campinho em frente de casa.
Coisas tão simples mais estavam me deixando ainda mais triste. 
Foi então que tomei minha decisão a qual deveria ter tomado antes, se bem que tudo tem a hora e não é agente que as fazem e sim o próprio tempo.
Levantei daquele banco fui ate é onde eu morava e fiz minha trouxa que não era muita coisa a levar e no outro dia, passei pelo emprego despedindo-me e tomei o caminho de volta a minha terra.
Cheguei então a meu lugar na segunda feira bem cedinho e fui para a casa de um irmão, dali comecei a trabalhar daqui e dali sempre na roça, ainda nos primeiros dias como tinha perdido o costume do pesado sofri um tanto.
Minhas mãos deram tanto calos que ficou parecendo casca de abacaxi e como doía, era um ardume constante principalmente na volta da lua.
Fiquei trabalhando daquele jeito por mais de oito meses, até que deu a época do apanhar de café em abril e fui então para a fazenda em que viria a morar por longos anos.
Trabalhei ali durante a safra toda e então com o dinheiro que ganhei dali, aluguei uma casinha e coloquei um pouco de moveis, vivendo agora sozinho como já era de meu costume.
Após o termino do apanhar, o patrão então me disse que se eu quisesse continuar ali o emprego era meu, claro que não ia perder, pois ali se ganha bem e da para se viver dignamente.
No começo ia e voltava da cidade, com o passar dos dias desocupou uma casa na fazenda então fui morar lá.                                      
Já morando na casa da fazenda e trabalhando em todo tipo de serviço que precisasse lá estava eu, se o patrão precisasse de mim qualquer hora era só chamar, completando um ano de trabalho e residência na fazenda, eu fui convidado pela primeira vez a participar de uma festa em uma das casas da colônia.
 Era aniversario de vinte e cinco anos de casamento do casal senhor Telmo e dona Sara, cheguei por volta das nove horas da noite e estava toda a comunidade da fazenda ali e alguns convidados vindos de outras partes.
Cumprimentei a todos e felicitei o casal, levando claro um presente, e como estava boa a festa, tinha  muita bebida, comida a vontade e um forro corria largado, então como era a primeira vez que ia a uma festa na fazenda não sabia direito o que deveria fazer.
Sentei então em um banco bem comprido que tinha no salão que fizeram com cobertura de lonas e bambus e ali fiquei olhando todos dançarem e já estava ficando inquieto por não estar ali no meio deles.
Avistei a moça filha do patrão, tomei coragem e a chamei para dançar, dançamos muito e ela me disse que estava morando fora, mas em breve estava de volta.
Na segunda-feira como já estava sabendo o que ia fazer, segui para o local do trabalho, tinha que correr a enxada em um pedaço de chão na plantação de mandiocas, nem passei na casa grande e não vi a moça durante o resto da semana.
Eu tinha varias coisas a fazer bem à tardinha, como tratar de toda a minha criação e, além disso, tinha que fazer jantar, para que sobrasse, para minha marmita no outro dia e se estivesse muita roupa suja as teria que lavar e isto sempre eu fazia à tarde.
Minha vida era um corre para lá e para cá, não tinha então tempo para ir à casa dos outros funcionários, sobrava para eu descansar somente no domingo, aproveitava então dava uma volta na cidade de vez em quando ou ia dar uma pescada, isso sempre aos domingos.
Não era muito fácil minha vida, mas eu vivia bem, já estava adquirindo alguma coisa, para quem circulou um bocado e não tinha nada aquilo que tinha, já era o suficiente para se viver.
Pois bem no sábado eu fui receber e não é que para minha surpresa meu pagamento saiu das mãos da filha do patrão e desde aquele instante senti um calafrio arrepiante na nuca ao olhar em seus olhos.
Na segunda-feira, bem cedinho eu já estava na porta da casa da fazenda esperando pelas ordens do dia, quando o patrão desceu as escadas trazendo um papel na mão, me disse bom dia, me entregou o papel dizendo que aquilo era a lista dos produtos que iríamos comprar na cidade.
Também disse que era para eu dirigir e dar as explicações necessárias para sua filha, que não tinha muita experiência em como adquirir um bom produto e medicamentos para os animais.
Eu e sua filha íamos até a cidade comprar adubo sementes de plantio, produtos veterinários e outras coisas a mais.
A moça chega entrando na caminhonete, despedindo se do pai e mandou-me tocar.
Saímos rumo à cidade e era pela primeira vez que eu pegava aquela maquina na mão e que trem chique.
Compramos tudo que precisava e fizemos o pedido do adubo que seria levado pela cooperativa ate a fazenda.
Depois de tudo pronto, a convite dela fui a uma sorveteria tomar um sorvete e prosear um pouco, eu estava com todo o respeito necessário que se deve ter um simples empregado a uma patroa.
Pouco mais das quatro da tarde, saímos de volta para a fazenda que ficava pouco mais de quinze quilômetros de distancia, depois de percorrer uns seis quilômetros a patroa pediu para eu dar uma parada, como dizer não, era ela quem comandava, simplesmente tinha que obedecer e pronto.
Parei bem devagarzinho, justamente em uma sombra de uma figueira velha e com muita sombra e foi grande a minha surpresa ao parar a moça me lascou um beijo que me deixou por um par de tempo tonto e sem graça.
Depois de me dar o beijo me disse estava esperando sua atitude, mas você não agiu, agi-se eu, me dando outro beijo.
Estava ainda meio confuso com aquilo, eu sentia desde o primeiro instante em que olhamos e conversamos naquela festa de casamento dos empregados que poderia ter algo, mais ao mesmo tempo pensava sendo ela a patroa não posso ir à frente.
E daquele momento em diante passamos a nos encontrarmos com mais freqüência, todos os dias eu ia à casa da fazenda e os patrões não foram contra, parece que até faziam gosto por estarmos a encontrarmos. 
Com os dias se passando e nossos encontros aumentando, até que de fato falamos em namoro, tornando se assim enamorados, eu não mais pegava no cabo de enxada, estava completamente envolvido em ajudar com as tarefas da patroa que agora era minha namorada.
Tomei uma decisão em minha vida, chegou à noite fui então encontrar com a namorada na casa da fazenda, entrei casa à dentro com já era de meu costume, fui ate a cozinha tomei uma xícara de café e sentei na cadeira para fumar um cigarrinho de palha esperando a namorada terminar o banho.
E nesse meio tempo ia conversando com a patroa e o patrão, falando de assuntos da fazenda e o que estava pretendendo fazer nos próximos dias, eles me apoiavam sempre quando tomava uma iniciativa de alguma melhora para a fazenda ou ate mesmo outros itens.
Não sei se por que eu iria tomar uma decisão a qual mudaria minha vida completamente.
A minha namorada aquele dia estava demorando muito ao banho, mas quando entrou por adentro a cozinha, que coisa doida e bela eu via em minha frente, tinha mesmo razão de estar louco por aquela mulher.
Eu pensava naquele instante, esta mulher me ama, eu estou enlouquecido por ela, amo mais que a mim mesmo, pensava, ate que ela chegou me beijando e tirando-me do sonho.
Ela sentou perto de mim, e eu já rapidamente tomei iniciativa de falar o que tinha que dizer, jogando de uma vez só, eu olhei vi que os olhos de minha namorada brilharam, não sei se foi de alegria ou de emoção.
Já que estamos namorando há muito tempo quero pedir em casamento a filha dos senhores e se ela quiser casaremos ainda este ano.          
Quase levei um tombo da cadeira quando disse isto, minha namorada me deu um agarro junto com um abraço e beijando-me sem parar.     
Os pais de minha namorada ficaram muito satisfeitos com minha atitude e ainda disseram que iram fazer o que fosse preciso para nos ajudar.
Foi então que casei no fim do ano, com a filha do meu patrão e foi uma grande festança, passei a comandar tudo e sempre procurando fazer o que era melhor para todos.
Procurei plantar mais, fizemos mais investimentos nas compras de maquinas novas, também aumentamos a gado leiteiro os de engorda, aumentou um pouco mais as terras, pois compramos com o passar do tempo uma fazenda para anexar a que já tinha e foi uma revolução em todos os setores.
E quando fiquei sabendo que ia ser pai, foi a minha maior vitória na vida, um homem praticamente sem vida, um andante sem rumo e estava agora na melhor fase de minha vida.
Quando vi naquele hospital minha primeira filha, fiquei tão emocionado que por bom tempo perdi a fala, era uma coisa linda uma formosura e parecida com a mãe.
Dois anos mais tarde viria minha segunda filha, ai sim dizia minha esposa é a sua cara e com aquilo ainda mais eu pensava em manter muito melhor as propriedades de meu sogro e de minha sogra, que seria de minhas filhas um dia.
Um ano e meio a frente nascia minha terceira filha.
Demos o nome de sua avó, para homenageá-la, tinha ela nascido na mesma data de nascimento da avó e como tínhamos perdido a por morte repentina e nos deixou um pouco cedo de mais, fizemos isto.
A partir daquele dia após a perda de minha sogra, nos deixamos a nossa casa de morada e passamos a morar na casa da fazenda, para que meu sogro não ficasse tão sozinho.
Minha filha mais velha já estava com nove anos e a do meio com sete e as duas estudavam na cidade iam de caminhonete todos os dias.
Minha filha mais velha puxara mesmo para a mãe ate nos estudos, como gostava de estudar.
Já minha filha do meio não puxou muito para os estudos gostava mesmo e de estar no meio do gado e se misturava com todo tipo de criação e nem si quer tinha um pouquinho de medo.
Eu acho que ela puxou um pouco para os avôs, tanto do meu sogro como também do meu velho pai, eles é que sempre gostava de animais como ela gosta.
Com minha caçula ainda não dava para ver quem era de foto, estava com pouco mais de cinco anos.
Como não tive a sorte de ter um filho homem, não me importava nem um pouco com isso, pois as três meninas eram as melhores coisas das quais me orgulhava muito e elas me fazem muito feliz.
Dez anos após o nascimento de nossa primeira filha perdemos meu sogro, antes de sua partida, ele me disse ainda em seu leito que era para tomar conta de tudo e dar bons exemplos as nossas meninas e que eu fui à melhor coisa que apareceu dentro da vida deles.                                       
Aquele foi o dia em que mais chorei em minha vida, estava ali quem me deu de um tudo e me ensinou a viver, aquele homem juntamente com sua esposa que já tinha partido me trouxeram a felicidade de viver, eu é que tinha que os agradecer por tudo.
A vida tem disso, aqueles dois patrões foram muito mais que patrões, eles eram irmãos e melhor que irmãos, foram à bondade encarnada e destinada na vida de muitos ali dentro daquela fazenda, os quais todos gostavam deles e adoravam pela benevolência que tinham.
Conforme minha filha do meio ia crescendo ia me ajudando em tudo, administrando as coisas dentro da fazenda, já minha primeira filha tomava conta da papelada, dos pagamentos, das compras, ela sempre foi boa nisso.
Minha caçula a esta pendia para o lado da mãe, estava sempre perto dela e ajudando em tudo estava virando uma verdadeira dona de casa.
E como o tempo passa rápido, agora minha filha mais velha estava fazendo faculdade, minha filha do meio não quis mais estudar e como tinha completado seus dezoitos anos, não quis magoar, pois não me davam trabalho e nunca me deram.
Minha menininha caçula agora com seus dezessete anos, estava sempre grudada à mãe e o interessante é que nem uma e nem outra tinha ainda se interessado por algum rapaz.
Não que eu estivesse gostando do jeito delas, mais achava bom por um lado, por que elas estavam amadurecendo e pegando experiência para enfrentar a vida.
Sem que notasse minha filha do meio, tinha se tornado em peã de primeira, enfrentava qualquer tipo de montaria e não era qualquer animal que tirava ela do lombo.
Ela tanto era boa em montaria como em dominar animais, o bruto podia ser forte e de peso que ela o dominava completamente, minha filha tinha mesmo sangue de audácia e atrevimento.
Ela tinha fascínio pelo que fazia e não adiantava pedir que a deixasse de competir ou ate mesmo de não jogar com os bravos, era perda de tempo nascera para isto.    
Com o passar do tempo minha filha primeira formou se em administração e veterinária, conheceu um moço na faculdade e logo se casaram e veio morar, ali naquela casa em que um dia eu morei sozinho e com a mãe delas.
Minha filha caçula ainda continuava a estudar e sempre ajudando a mãe dentro de casa.
Veio então nosso primeiro neto e que rapagão, o menino nasceu tão grande e forte que ate nos impressionou durante os primeiros dias de sua vida, depois nós acostumamos com seu desenvolvimento e víamos que aquilo era saúde.
E como o tempo passa rápido, minha filha caçula se forma e vai morar na cidade, nunca gostou de fazenda, era para ser dona de casa mesmo.
Pois casou logo a seguir e foi ser dona de casa de fato, nada adiantou seus estudos, sendo casada nem sua profissão seguiu.                                 
Já minha filha do meio, esta sim, me ajudava em tudo e onde precisava, ali estava ela com sua braveza e valentia.
Nosso genro o que casou com minha filha primeira agora nos ajudava em tudo e minha filha sua esposa ainda continuava a tomar conta de todas as papeladas e compras e vendas das fazendas, pois tínhamos agora três.
Sempre perguntávamos para nossa filha do meio porque não procurava um namoro, sempre só, ela nos dizia que ainda não era tempo.
Nasce o nosso segundo neto moreninho como pai, uma graça de criança e de vez em quando minha filha caçula ia a fazenda levar o menino para nós vermos.
Eu não me dava muito com meu genro, o marido de minha filha caçula, ele era um rapaz aproveitador não gostava de pegar e além do mais era viciado e me causava náusea, teve uma época em que nós atemos pegamos de pau um com o outro.
Minha filha não merecia aquele traste, mais por amá-lo, eu e minha esposa não poderíamos fazer nada, ainda mais que tinham o menino.
Mesmo assim era feliz, tinha minha velha esposa e minha filha primeira e a do meio que me trazia só contentamento e exaltação de ver tudo belo.
Não que minha caçula não era amada, mais por aceitar aquela situação, ficava constrangido com o fato e por isso tínhamos afastado de sua casa, não por causa dela.
Tudo estava bem e dentro dos conformes, ate o dia em que meu amor da vida, aquela que fez de mim um homem, um pouco mais sábio e mudou completamente meu jeito de pensar e viver.
Meu amor então começou a ficar doente e tudo que nós fazíamos ou procurava dentro da medicina não dava conta e ela sempre piorando ate que não teve jeito veio a falecer.
Ali foi onde tive a pior derrota em que um homem pode ter dentro de uma vida, já não mais estava feliz me sentia um lobo solitário, que depois de tanto lutar perdia se as forças e era devorado pelo mais fraco animal da existência.
Acabava para mim o circulo da vida em que tive toda coragem, toda astúcia e enfrentei com suor e sangue a luta de vencer e ter a melhor coisa ao meu lado a que se chamava amor.
Já não tinha mais alegria, mesmo tendo, filhas netos e genros, não eram com antes, nem mesmo com a falta de meus pais e alguns irmãos eu tinha sentido tanto, como a de não ter mais quem praticamente me renovou e fez me renascer de uma vida que eu não tinha.
Estava agora somente eu e minha filha do meio, morando naquela imensa casa e ela vendo que eu estava praticamente encostado em um canto da existência de minha vida.
Ela vem e me conforta dizendo, que iria trazer alegria para aquela casa, pois tinha conversado com a irmã caçula e ela viria morar ali com a gente e ia deixar o traste do marido.
Aquele homem tinha acabado com minha filha, ela tinha trinta e poucos anos e parecia uma senhora de sessenta anos largada mal cuidada e ele sempre a judiou muito maltratando a e ate machucando a.
Ele esteve preso por varias vezes e nem assim criava juízo e sabíamos que o fim dele não seria bom, como de fato não foi ele foi morto por falta de pagamento.
Ouvindo o que minha filha do meio me dizia fiquei um pouco mais alegre, pois sabia que se minha caçula viesse mesmo ficar com a gente acabaria um pouco o seu sofrimento.
Passado se alguns dias vieram então morar comigo e minha filha do meio, a minha querida filha caçula e me trazia o neto agora com dez anos de idade.
Mesmo faltando à iniciação de toda aquela família, eu estava me sentindo um pouco mais aliviado e mais alegre, pois estavam ali novamente reunidos, minhas três amadas e ainda me davam de lucro seus filhos que são bons.
Nós não conseguimos acompanhar o tempo, sem que ele passe e não nos destrói, vem com seu passar de tempo o cansaço a fraqueza as dores a fadiga de não poder acompanhá-lo sem ser derrotado.
Já estava não mais andando, me arrastava dentro de casa e nem mais via o por do sol e nem aquelas águas as quais desciam da mata, eu não as via.            
Agora sonhava com meu passado e ainda sim sorria ao chegar um dos netos ou minhas filhas beirando-me e ate um beijo em forma de agradecimento ou simplesmente para me fazer feliz no momento.
Ouvia ainda os gritos dos ritireiros ao buscar o gado na invernada e junto com os gritos os assobios, ainda sim me arrastava da cama ate a janela de frente ao curral para ver os tirando leite.
E de onde estava ainda se ouvia o canto do canário, me alegrando um pouco, duas ou três vezes na madrugada ouvia o cantar do galo e me lembrava que era a hora em que estava levantando para a lida.
Sentia ainda mais as pernas enfraquecer, já quase não me arrastava a janela ou a sala e nem a cozinha de onde sentia o cheiro de café todas as manhãs em que minha caçula coava.
Ainda sim vinha me perguntar o que achava ou deixava de achar, ao ir fazer alguma coisa dentro da vida que seriam agora delas e aos seus cuidados.
Dizia eu, tome a decisão sabia e com inteligência, as quais não prejudicaram vocês e não as ferem outros de sua convivência, façam o que for mais conveniente dentro do ideal a que almeje dando exemplo e sendo exemplo.
Eis que não mais tenho força suficiente para ajudar nem mesmo a mim, sendo completamente deslocado e banhado por outros.
Ainda sim tenho os sentidos dentro do possível e trago lembranças, com tempo já definido, ficando a espera de deixá-los, sinto que fiz o que deveria fazer e passei o que tinha que passar.
Eu aprendi o que tinha que aprender.
E foi dentro do que foi me dado e nunca forcei para adquirir.
E nem estraguei ou feri alguém para sair-me bem, somente lutei pelo que achava certo e correto, dei de mim o que pude dar.
Nunca me vendi ou troquei por alguma coisa, jamais dei porradas onde machucava, nunca orei ou zerei como os loucos.
Tenho comigo que o fim é determinado destinado e marcado a todos dentro do prazo previsto e nem adianta espernear querendo safar se dele.
O que construí fica se, deixando para os que irão passar ou fazer o que fiz.
E queiram os que não os desvie durante suas existências, para que não os sofram como sofri e como os que não os tem nada. 
Só os imbecis pensam em adquirir passando por cima e pisando nas almas viventes e que tem sofrimentos trazidos dentro de suas existências.
Para os tais imbecis, podem ter uma certeza não ficaram sem sofrimentos antes ao fim do tempo determinado e confirmado para seu fim.
              A morte.
         Bem meu rapaz agora que contei tudo a você sobre o que passou em minha vida de existência ate o momento. 
Sei que ficou ouvindo esse tempo todo, está minha historia de alegria, sofrimento, de luta, de trabalho, de garra, sabedoria para vencer e ter gloria, mas cima de tudo teve o tempo certo, dentro do prazo certo para respeitá-lo.
E dentro desse tempo tive o tempo de espera de paciência e muita serenidade para aceitar as coisas em seus devidos lugares.
Tendo ainda de presente, o que todos os podem ter, a fé a esperança e a cima de todos os, o amor.
Espero meu rapaz que faça de alguma maneira um bom aproveito do que te contei durante este tempo em que passava mais um pouco de nossa existência de vida.
Agora por favor, me empurre ate o banheiro preciso me aliviar e depois vou tentar dormir um pouco, para sonhar um sonho de verdade.
O sonho dentro de um sono.
          Força com esta cadeira de rodas meu rapaz.
Fim

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