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07 maio 2012

Nua peladinha. 07/05/12


        Nua, peladinha.
Antes de ir-me trabalhar todas as manhãs eu assisto durante quinze minutos o jornal do SBT, mas hoje eu passei para a Record e devia ser seis e trinta e cinco da manhã, quando estava um comentário no balanço geral.
         O Geraldo dizia que Carolina Dieckmann, apareceu nua na NET; agora, Carolina deve prestar depoimento sobre o caso ainda hoje dia 7.
A idéia é que a polícia possa finalizar o inquérito, permitindo que Carolina entre com ações nas áreas civil e criminal.
Além disso, o advogado garantiu que os “websites ‘sensacionalistas’ que publicaram as imagens estão sendo acionados”.
O objetivo é que os sites tirem do ar as fotos de Carolina.
Ora essa, para ter aparecido peladinha - ela deve de ter tirado a roupa, é lógico, note o privilégio especial em que foi feito às fotos, querendo fazer, claro, mostrar de inicio ou guardar para o futuro.
          .Ninguém consegue ficar pelado se não baixar as calças.
As 36 fotos de Carolina que vazaram na internet mostram a atriz em momentos íntimos, mostrando o corpo e em uma delas Carolina está sentada num vaso sanitário. 
As imagens dela teriam chegado ao conhecimento do chantageador num momento em que ela teve que entregar o seu computador para a assistência técnica.
Quem manda um memorizar para o concerto tem por obrigação que retirar o principal, caso não der, tem que acompanhar o assistente isso é uma norma, para não cair no profundo.
         Agora vamos falar serio isso é manobra esta na cara, quem não quer aparecer desnudo jamais entra em um banheiro ou que seja no quarto e tira foto ou mesmo se filma, para se exibir mesmo que seja de brincadeira, está ou não esta querendo levar, ainda mais se colocar em seu computador.
         Quem é o milagreiro que dá conta de manter segredo dentro de uma corrente chamada internet, imbecil daquele que colocar seus mistérios, pensando estar bem guardado, louco é.
         Agora eu garanto que a moça vai fazer de um tudo para arrancar uma notinha ou não.
Tem a play boy que paga
E por ai esta cheio de advogados que quer ganhar fácil e não pensam como sábios.
         Gente; sejamos francos, a Delegacia tem que estar trabalhando para desvendar delitos e outros absurdos que estão acumulando com o tempo e não ficar investigando uma coisa que a própria pessoa procurou com sua atitude.
         Eu tenho um pensamento de doidão, acho que se eu fizer algum lance e este episódio vier-me prejudicar não posso e nem devo dizer que fui enganado, por outros.
Então gente afinal se quer ser legalístico e não desmoralizado não cace com as mãos, pois os olhos de outros estão abertos e alertas.
Se não fizer com a mão direita a mão esquerda nem notará que foi tocada, com isso não atormentaras a ninguém com seus mal feitos e ninguém também vais te prejudicar.
         Se não procurar, nada vai encontrar e se não encontrar é porque nunca procurou, pois pare em seu canto e somente observe nada mais que isso, nem invente o que outro inventou ou fez.
Seguindo isso jamais terá que lutar com alguém que lhe atacou por coisas feitas por ti mesmo.
         Nós já temos muito que enfrentar dia a dia para viver, não use de esperteza para se sair na melhor, cada curva tem um barranco e cada barranco pode ser teu encontro, tua desgraça e ponto.
“Senisio”.




06 maio 2012

Meu amigo cigarro. 06/05/12


Meu amigo cigarro.
        Como eu adoro fumar, o cigarro para mim é como que se fosse um calmante.
Se eu estou triste logo acendo um e me esqueço que estava jururu.
Como também se eu estiver totalmente alegre, acendo o meu amigo de morte rápida e com isso ainda mais contente fico.
         O companheiro amigo cigarro é de fato um sedativo para satisfazer tanto do lado da ansiedade como da exultação de estar somente com ele na boca e sentindo o gosto um pouco abrasado e fedido.
O companheiro de tantos anos pode não ser de cheiro agradável, mas está sempre prontinho para deixar-me esvaziado dos loucos pensamentos quando os tenho.
         Companheiro desde quando eu tinha meus sete anos de idade, me lembro que o peguei pela primeira vez em minha vida em uma noite de muito calor e de muito pernilongo enchendo o saquinho.
E desde então jamais deixei o meu companheiro e isso foi por volta do ano de mil novecentos e trinta e seis, e de lá para cá ele foi sempre presente em minha vida.
Passamos por muitas coisas horríveis, mas sempre um ao lado do outro, como também quando ia à escola na entrada acendia um e enquanto não terminava não adentrava para sala, ficava doido para chegar o recreio só assim eu teria uns minutinhos para saciar-me com meu colega de sempre.
Ainda pensava companheiro é companheiro tendo ele e o fogo no bolso nunca falha uma dor de cabeça ou mesmo um começo de febre ele derruba por terra.
Sempre está pronto para não deixar-nos sair do corpo esbelto, pois ele é redutor da gula, então é ou não um companheiro.
         Lembro-me quando comprei meu primeiro carrinho um fusquinha, meia sete e como fui feliz naquele tempo, pois eu e o companheiro cigarro estávamos em muitas noitadas de alegrias.
         Ainda sinto o cheiro do assento queimando de vez em quando caia uma faísca do meu companheirinho e com isso o banco do fusca ficou cheio de buraquinhos e quantas calças eu também queimei com o bater das cinzas.
         Mas essas coisinhas nem era significantes, pois o meu cúmplice sempre aliviava tudo na hora certa, quantas cervejas eu tomei com meu amigo na ponta dos dedos, e como também servi tantos com meu inseparável companheiro.
         Às vezes eu ia passando perto de algum desprotegido pela vida e este me pedia um cigarro, eu nunca dizia não, lembro-me de uma ocasião que ia atravessando uma avenida de uma cidade grande quando um desses pediu-me uma ponteira, como chamou meu companheiro cigarro.
Como eu nunca dizia não, ao tirá-lo do bolso fui atingindo por um chute de pé bem no saco e caindo, o desprovido levou todo meu dinheiro e os documentos.
         Mas assim é a vida, um dia toma outro perde isso não importa o mais importante é estar vivo, vivendo dentro do viver e seja ele qualquer modo de vida.
         Passou então mais de sessenta anos de convivência com meu inseparável companheiro cigarro, mas há pouco tempo recebi de meu filho um carro um pouco mais novo para dar-me as voltinhas pela vila, como de costume.
         Só que o tempo faz com que perdemos agilidade de locomover rápido, e não percebendo que o vidro da porta do automóvel estava fechado joguei o bira do cigarro e ele voltou no meu colo e começou queimar-me.
         Não sei direito o que houve, agora tento alcançar meu companheiro de mais de sessenta anos e não estou conseguindo.
Vejo que ele está bem próximo a mim, como sempre no bolso da camisa junto com o fósforo, mas não sei por que meus dedos não alcançam o maço e eu estou impaciente quero tirar uns tragos para ver se consigo dormir estou tão cansado.
“Senisio”.









30 abril 2012

Primeira paixão de minha vida 30/04/12

 Primeira paixão de minha vida.  
        Era assim minha vidinha simples, mas muito pacata, tirando alguns fatos, como a falta de alguma coisa para todos nós em nossa humilde história, no mais o resto era bom, demais da conta.

        Eu nunca tínhamos ido ao carnaval e foi ai que encontrei a primeira paixão de minha vida.

          Chegou então o carnaval de fevereiro e pela primeira vez na vida fomos, lembro que meu pai e nossa mãe nos levaram nos quatros dias de folia.

        Como nunca tinha visto aquilo achei muito bom, até pulei um pouquinho rente à corda que nos separavam dos blocos que iam descendo desfilando.

De todos os blocos que gostei foi o “Adis Abafa” um bloco onde todos se pintavam o rosto de preto.

Eles tinham um samba bonito, os tamborins davam um ritmo bem bacana, dentro de todos os outros instrumentos.

        Quando estava ali encostado na corda vi do outro lado à menina Rosa, a qual foi minha primeira colega de escola e como ela tinha ficado bonita já era uma mocinha e seus olhos não estavam mais tanto tortos, como antes.

        Atravessei por baixo da corda e corri até ela, eu notei que ela ficou um tanto diferente quando cheguei, mesmo assim conversamos bastante e ela sempre sorrindo para mim.

        Isto foi na primeira noite de carnaval, ainda comentamos que viríamos no outro dia e com isso marcamos ficar em outro lugar, onde as famílias não estivessem.

Talvez ela quisesse dizer algo com aquilo, mas nem me toquei de primeira.

        Na segunda noite fui até onde combinamos, mas não há vi em parte alguma, com aquilo me deu uma pressa de ir embora.

Meus irmãos é que ficaram chateados com aquilo e por eu ser o mais velho e quem sabe por ajudar muito meu pai, eles fazia muito por mim.

        No caminho de casa, meus irmãos estavam muito bravos comigo e também com minha mãe e meu pai, eu ainda disse nós vamos todos os dias, quero dormir estou muito cansado e amanhã vou fazer tijolos e vocês só vão levantar, não tem empiação.

Por isso vocês podem dormir até mais tarde, já eu, não!

Durante o caminho todo e até ir deitar ficaram resmungando sem parar.

Trabalhei no outro dia e como era segunda feira, sempre de ressaca o maçador chegava e quando fazíamos menos ele até achava bom.

Por isso fiz bem menos e a noite fomos novamente ao carnaval assistir os desfiles.

        Chegando à praça a primeira coisa que fiz foi ir ao local que tinha combinado com Rosa e lá estava ela à minha espera.

Como fiquei feliz ao encontra - lá e ela ainda me disse que não tinha vindo ao carnaval do dia anterior, porque sua mãe estava com dor de cabeça.

        Ficamos naquele local até o termino do desfile, quando meu pai veio me chamar para ir embora, então marcamos novamente para o outro dia, nos encontrar ali mesmo.

Na terça ate trabalhei mais contente e até resmungava algumas músicas, também assobiando.

        Então chegou a noite de terça feira ultima apresentação dos desfiles e lá estávamos novamente no mesmo local eu e Rosa.

Conversa vem conversa vai, depois de muito tempo segurei na mão dela, achei que não iria aceitar, ela ficou quieta, eu pensava que não ia deixar por ser mais velha que eu.

        Durante todo o desfile ficamos de mãos dadas, até que a mãe dela foi chegando para chamá-la e ir embora, eu larguei rapidamente a mão dela.

Nós achamos que a mãe percebeu só que não disse nada.

        Ela foi embora.

Saí procurando meus pais, no meio da multidão, mas como tinham dito que estaria na porta do cinema, foi fácil encontrá-los.

Eu estava muito feliz, pois tínhamos marcados de se encontrar na porta da igreja no domingo na hora da missa.

Trabalhei o resto da semana todo contente, por saber que ia ver Rosa novamente no domingo na parte da manhã.

E no domingo levantei bem cedinho, tomei um bom banho, peguei a melhor roupa que tinha e fiquei bonito.

        Vinte para as nove já estava em frente à igreja, dez para as nove ela chegou e como estava linda, cumprimentei-a, ela então veio até meu rosto e deu-me um beijo, tremi na hora, pois nunca tinha ganhado um beijo de menina.

O único beijo que tinha ganhado foi de minha mãe.

        E ela me disse:

Você não vai dar-me um beijo também?

Fiquei amarelo na hora, mas dei um em sua face, assim mesmo então entramos na igreja e durante toda a missa ficamos de mãos dadas.

        Ali começava então meu primeiro namorico.

        Saímos da igreja e como meu pai tinha me dado dez contos, chamei para ir ao cinema comigo, na matinê, achei que ela não ia topar, mas minha surpresa, ela disse vamos ver o que vai passar e as dez para duas estarei aqui na praça te esperando ou você me espera. 

        Cheguei a minha casa na hora do almoço e disse para minha que ia almoçar e descansar um pouco e depois iria para o cinema com Rosa.

Minha mãe sorriu dizendo será que isso vai dar casamento?

Ela disse aquilo, mas sabia que era de brincadeira, pois eu era muito novinho, para pensar nisso.

Almocei e tirei até um cochilo, a uma e vinte tomei mais um banho e pedi minha mãe outra troca de roupa ela me trouxe uma das que minha tia tinha trazido de são Paulo para mim.

        Quinze para as duas já estava na praça esperando por Rosa, ela chegou sete para as duas, dava para ver as horas, pois o relógio da igreja ficava bem em frente e além do mais tinha o meu oriente.

        Na hora em que ia saindo de casa para ir para cidade minha mãe me deu mais cinco contos, então eu estava com quinze contos no bolso.

Com isso eu comprava as entradas e ainda sobrava muito para balas e chicletes.

        Quando fui pagar as entradas, Rosa não permitiu, pois ela estava com sua bolsinha cheia de dinheiro e ainda queria pagar a minha, eu é que não deixei, mas balas chocolates chicletes isso ela não quis que eu pagasse de jeito nenhum.

        Entramos dentro da sala das sessões de filmes e procuramos um lugar bem mais escondidinho, sentamos e cinco minutos depois as luzes se apagaram e começou o filme.

        Por um longo tempo ficamos de mãos dadas, mas com o passar do tempo soltei a mão dela e a coloquei no ombro.

Ela permaneceu parada, comecei a passar a mão no rosto dela e quando me dei por mim, estávamos beijando de boca, nunca tinha beijado assim, eu tremia como vara verde.

Acho que ela também.

Eu estava achando muito bom aquilo sempre continuando.

E ela ainda mais me agarrava, com isso nem sabia o que estava passando no filme, foi uma coisa de louco, nunca tinha passado por aquilo.

        Ao terminar o filme ainda sim ficamos esperando por um tempo até que todos saíssem.

Fomos os últimos a sair, uma coisa tinha acontecido comigo, a qual eu nunca tinha sentido, minha cueca estava molhada.

Com aquilo tive que tomar cuidado para não passar para calça.

Depois que saímos do cinema, ficamos sentados em um banco da praça até às seis e meia.

        Eu disfarçava para ninguém notar que eu tinha molhado a cueca.  

Quando começou escurecer tinha que ir embora para minha casa.

Rosa nem queria deixar me ir, mas eu precisava, pois se escurecesse eu iria ficar com medo de passar no corredor boiadeiro.

        Antes de ir-me embora, marcamos para nos encontrarmos novamente no sábado seguinte.

Fui pelo corredor boiadeiro assobiando como um pássaro cantador de tão alegre em que fiquei.

Aquela semana parecia que não terminava nunca, quanto mais eu pensava em Rosa, a semana ainda mais comprida ia ficando, contava ao ir deitar, hoje é quarta-feira e no outro dia a mesma coisa.

Eu nem senti o peso do trabalho de tanto pensar na minha namorada primeira Rosa, como tinha ficado bonita e eu nunca tinha prestado atenção.

Mas agora estava vendo em meus sonhos.

Pensava agora sim estou apaixonado, mesmo tendo meus doze para treze anos de idade.

Com aquele pensamento o dia todo e por isso fazia meu trabalho sem mesmo notar que estava trabalhando.

Chega finalmente o sábado e ia eu novamente à cidade, ao encontro marcado com a primeira paixão de minha vida.  “Rosa”.

Senisio 

29 abril 2012

Sem Solução.29/04/12


Sem Solução.

            A vida passa e eu aos poucos estou morrendo.
Mas que nervoso eu sinto dentro de mim 
Já estou cansado dentro desta terra 
eu não tenho uma morada porque não pude construir. 
Noites e noites de tristeza eu já passei 
Aqui e ali sem lugar para dormir
Muitos encontros e também muita decepção 
Amor fingido e como uma bóia no mar 
Que chega e parti na maré da loucura e da ilusão. 
Assim foi minha vida sem solução.
Por que será que o meu viver é desigual 
Só angústia em minha vida,
Muita solidão dentro de mim 
eu já estou cansado de tanto lutar e ficar sem conquista 
eu sonhei, mas nunca tive uma vitória e muito menos gloria,
Oh meu Deus de onde foi que eu surgi. 
Do meu sofrimento, também da minha solidão; 
Quero sempre estar sorrindo, mas não tenho alegria; 
Meu Deus me diga por que estou sofrendo tanto assim, 
Será que não existe um lugar feito neste mundo para mim.
“Senisio” 

28 abril 2012

Circo da vida. 28/04/12


Circo da vida.  
         Só eu sei como é complicado viver assim no circo da vida.

E como é difícil carregar um sorriso nos lábios.
Se há tantas lagrimas que pelo rosto está a rolar
Os dramas de minha vida,
Vou procurar levar até o fim.
As pessoas que eu mais gostava afastaram-se de mim.
Aprendi que neste mundo, cada qual vale o que têm.
         Por isso eu sou amigo do dinheiro e de mis ninguém.
Com dinheiro temos mais valor, saúde, educação;
Conseguiremos até um grande amor.
Sem réis, não se vale um vintém.
Eu quase já fui feliz um dia.
E se eu me estropiar, mancando chegarei.
Sou passarinho, gostaria no espaço voar.
Batendo a asa nunca séria um fracasso.
O ditado é certo quem ama jamais esquece,
As loucuras nos enfraquecem.
A primavera do meu amor eu perdi,
A decisão eu não compreendi.
         No meu circo da vida, nem o mastro enterrei.
A lona nenhum dia de minha vida estiquei.
A chave da ingratidão abriu meu peito,
Trancando lá dentro a paixão.
Agora não há mais jeito, para tirar essa dor,
Que se acha com direito de permanecer.
E me fazer sofrer com essa dor.
Já provei muito veneno, fui banido no circo da vida.
Não há bálsamo que melhora o odor.
É tanta tristeza, muito desgosto.
No circo, o encerado não tem solução e jamais foi estirado.
O feitiço vem do feiticeiro, mas quem pede não passa de um coitado.
Sempre a mandinga vira contra o mandingueiro.
Trago um sentimento, sempre um sentimento, que fere o peito com muita dor.
Não há lei na terra que possa condenar somente o circo da vida será juiz.
Aprendi atirar com fuzil e metralhadora, no combate de uma guerra.
Serei eu vencedor.
Desvio das feras bravas, e das ondas fortes do mar.
Com carinho e com respeito abordo com todos que eu vou falar.
No meu circo da vida, ando e corro sem sair do lugar.
Quando se despediu vazio ficou o coração.
Levaram-me para tão distante que senti solidão.
         Abrirei a porta da gaiola, sairei, vou cantar noutra janela.
Não posso ser prisioneiro o circo da vida é minha morada.
Também sou homem e não considero santo, mas vejo com espanto.
O modo dos viveres, a casa e um ninho de serpentes.
É uma franqueza o circo das vidas é somente de tristeza.
         Por isso mesmo não ambiciono a carrear, o carro tomba, carreiro em baixo vai ficar.
O circo da vida dá volta o nobre fica pobre, e o pobre vira-bosta.
Enquanto eu circulo com essa dor, está na sala doando o cheiro do amor.
Varal do alpendre no circo da vida roupa sem lavar esticada está.
Não esqueça de avisar que devo voltar com o bater das asas posso logo chegar.
         Conversando com a solidão, será que me convém, se ontem lá passei, ou pode acabar em nada.
Preciso fugir da estrela e da ficção, mas no circo da vida é um grande delírio.
É um olhar diferente, que nem sempre nos satisfaz.
Nem vou olhar de novo se foi com esse admirar, que paguei o crime da decepção.
As lagrimas saíram dos olhos e caíram do meu rosto no piso determinando a distinção.
Brotou a semente da ilusão, mas pode ficar com o findar do circo da vida e com esse ato não haverá solução.
         “Senisio”.

25 abril 2012

Desabar da morte 25/04/12


Desabar da morte
         Senhor Jose e Dona Conceição eram sitiantes em nossa região, eles tinham cinco filhos sendo três garotos e duas meninas.
         Os três meninos tinham na faixa de doze a nove anos, as garotinhas tinham uma sete e á outra cinco anos.
Senhor Jose e Dona Conceição trabalhavam feitos loucos, para não deixar nada faltar para os filhos.
         Octávio, Carlos e Ramon sendo os mais velhos ajudavam muito o pai na lavoura e a menina Rute auxiliava muito sua mãe na cozinha e nos outros afazeres de casa.
Já Nelzinha como era chamada a caçula ficava em torno de sua mãe.
         A vida de Dona Conceição não era fácil, começava a lida bem cedinho, por volta das quatro horas da manhã, ela levantava ia para a cozinha e acendia o fogão a lenha e colocava a água ferver para fazer o café, pois a água adormecia na rabínha.
         Enquanto a água a fervia ia à bica, escovava os dentes, lavava o coador, feito de saco de linho, voltava para cozinha preparava uma massa de bolinhos de polvilho ou de fubá e isso eram todos os dias sem descanso, de domingo a domingo, depois ela chamava seu esposo e os três filhos mais velhos.
         Assim que todos se alimentavam no café da manhã e retiravam-se, Dona Conceição também saía para o terreiro onde tratava dos animais, começava indo ao paio debulhar milhos para as galinhas, em seguida levava um balaio de espigas de milho para os porcos do mangueirão.
         Logo após ela entrava no chiqueiro, lavava-o e depois colocava trato de fubá grosso com água e sal, fazendo assim um mingau forte.
         Essa batalha era sem para e isso sempre era feito antes das seis horas da manhã, pois as seis e meio ela ia levar o leite na linha mais próximo, para o caminhão pegar.
         Essa peleja sempre foi feito por Dona Conceição, pois o senhor Jose era quem tirava o leite junto com seus filhos, depois ia para a lida na lavoura, senhor Jose não tinha muita saúde, mas sempre foi firme no que lhe incumbia.
         A guerra que eles tinham não era para qualquer um e sim para quem tem tutano nos braços.
Dona Conceição quase que sempre virando se em dez para agüentar o monte de tarefas que para ela era designada, mesmo sofrendo permanecia sempre alegre.
         Dona Conceição estava sempre com um sorriso aberto, e sua expressão contente contagiava qualquer um.
Além de ela ter a alegria estampada vivia sempre cantando e encantando a todos.
         A luta daquela família não era mole e começava desde cedinho com Dona Conceição, senhor Jose e seus três filhos mais velhos e em seguida a menina Rute, mesmo tendo apenas cinco aninhos a menina Nelzinha já ajudava a mãe sempre com pequenos que fazeres.
         Essa rotina por todos era normal, mas sempre muito unidos em tudo tanto no sitio como na vida pessoal, uma união que dava inveja, os meninos com suas responsabilidades e as duas meninas também, não se via ou ouvia uma discussão sequer entre a família, uma linda vida familiar.
         Mas tudo um dia nesta vida tem fim, e ninguém esperava por aquilo que viria acontecer.
Na sexta-feira santa, o senhor Jose como de costume não tirava o leite, deixava os bezerros soltos com as mães, assim somente apartava a bezerrada às três da tarde da sexta-feira, para novamente tirar o leite no sábado da aleluia.
         Então senhor Jose aproveitava e ficava deitado até mais tarde, como também os meninos ficavam na cama, mas Dona Conceição tinha as tarefas normais, menos levar o leite a estrada.
         Mesmo assim Dona Conceição levantou por volta das seis horas da manhã fez o café fritou um pouco de bolinhos, deixando-os na mesa e saiu para sua lida.
         Dona conceição foi até o paio como sempre debulhou milhos para as galinhas, depois jogou o balaio de espigas para os porcos do mangueirão e entrou no chiqueiro, com o fubá e o sal para fazer o mingau e nesta sexta-feira santa estava chovendo bem fininho nem dava para molhar-se muito.
         Era então por volta das quinze para sete da manhã, quando Dona Conceição despeja o fubá no cocho que já continha água e ao esticar o braço para alcançar o sal que estava em cima da tabua leva-se então um escorregão e cai batendo a cabeça na ponta aguda do cocho.
         Com a batida que teve Dona conceição desmaiou e tendo furado um buraco em sua testa o sangue jorrou sem parar.
         Deus,
O sangue escorrendo e os porcos foram chegando para comer o mingau deu de encontro com o sangue de Dona Conceição, começam então por beber o sangue e um deu então uma primeira mordida, com isso todos os outros atacaram, rasgando partes de Dona Conceição.
         Nelzinha percebendo que sua mãe não havia chamado-a para ir com ela, sai em carreiras ate o chiqueiro e vê aquela cena triste, com todo desespero acordou todos, não teve mais o que fazer Dona Conceição já estava morta, estava com partes de seu corpo triturado pelos dentes de mais de vinte porcos grandes e famintos.
         Naquela sexta-feira santa foi o dia mais triste da vida de seis pessoas unidas, pai e filhos, pois a batalhadora de sempre havia tido o desabar da morte.
“Senisio”.

  

  
        
                                


22 abril 2012

No pé da serra 22/04/12


No pé da serra
Eu tinha uma vida boa
Lá no pé da serra
A casa não era grande
Mais sempre foi minha
Água corrente na bica escova os dentes
Bem na porta da cozinha.
Sábia cantava no alto da mangueira
Canária chocava no tronco da porteira

Eu tinha uma vida boa
Plantação de arroz e feijão
Muito porco no chiqueiro
Piquete lotado de bezerros
Canavial pra tratar do gado
Canários do reino no viveiro
No pé da serra
Minha casa sempre em festa.

Eu tinha uma vida boa
No aniversario de mamãe
Cantava a valsinha dos parabéns
Os pássaros se reuniam e
Todos juntos cantavam comigo
Desejando muitas felicidades por toda a vida
Mamãe agradecia
Com uma lagrima, mas sempre sorrindo.

Eu tinha uma vida boa
No pé da serra
A lua clareava o besouro saia
Tatu fazia a festa
Tudo se foi vim pra cidade
Deixando meu lugar
Como um pardal
Que não gosta de trabalhar.

21 abril 2012

O curativo é 21/04/12


O curativo é
        Quando o amor vos abraçar, siga-o, mas segue sempre com cuidado, pois amar é amor e o amor sempre será amar.
Ainda que os trilhos sejam cheio de espinhos, continue amando; sempre olhando por redor.
E quando ele vos abafar com seus ombros e braços, cedei-lhes com caricias, sem fracassar, mesmo que o gume esteja escondido no coração e possa ferir-lhe, lhe de amor; vá sempre em frente.
         Sendo seu grande amor que venha vos falar, acreditai nele, mas nunca se sinta seguro e embora sua voz possa abocanhar vossas aspirações; esteja alerta.
         Como o vento arrasa a mata, mas não derruba as folhas, ainda sim esteja acreditar, mas aguarde dentro da trilhagem.
Pois, do mesmo modo que o amor vos glorifica, ele também vos atormenta.
E da mesma forma que coopera para vosso desenvolvimento, ele, além disso, batalha para a sua grande queda, mas ame e amar nunca é demais.  
         Da mesma forma que vos vais as alturas, ele também esta pronto para derrubar-lhe do mastro.
         Seja sempre cauteloso com o amor, pois ele lhe dá certa segurança, mas também pode lhe trazer tristeza.
Mas é amor e amor não é dor e sim muita paz.
         Todas as maravilhas o amor deposita em vós, porem sem que o perceba pode esbagaçar sem dó.
          O amor não tem outro desejo, a não ser só amar.
Se, vos, amardes e precisardes, ter amor, não amas.
Mas se amas e esta sendo amado, sim, estas completo.
De o vosso amor sem pedir nada em troca, mas tome cuidado o amor rouba, mata e morre.
Seja este o vosso desejo: amar, amando, sem se preocupar se esta sendo amado.
Assim é o amor, que ama e não sabe se esta sendo adorado.
O importante é amar, mas o cuidado nunca é muito, pois se amardes e não respeita o amor, melhor seria não amar.
Se o amor de outro lhe ferir, melhor procurar curativo e o curativo é nada menos que amar novamente.
A vida passa tudo acaba e agente morre, portanto ame.

17 abril 2012

Seis tiros certeiros.17/04/12

Seis tiros certeiros.

Cansado de esperar justiça.

         Sabe dá até para desconfiar da esquadra paga por todos os Brasileiros, tem gente que mal ganha para comer e outros nem ganham, vive como cão ferido em porta de botequim.
Mas mesmo os que ganham pouco ou quase nada paga e caro, pelo serviço mal prestado, por aqueles que foram contratados para executar qualquer função fazendo concurso ou não.
         Antes de estes animalejos terem penetrados em sua colocação, sabe se lá o que faziam, eram como nós os estúpidos que pagam para mantê-los dentro dos seus poderes.
Muitos dos que estão com algum tipo de poder nem mesmo tem o essencial para consolidar.
         Tudo que acontece ou venha para não satisfazer a vontade do ser humano e causado por homens, sendo estudado ou não e a mola do mundo faz com que os ditos-cujos se convertem á troco de uns vinténs.
Bem deste que se entende que existe terra ou mundo sempre há revolta, homem contra homem e porque isso? Nada mais é do que salva a vontade de ter muito ou alcançar a situação financeira.
         Tapeação dos varões que se diz que tem uma profissão ou adquire um responsabilidade, para benfeitoria de outros.
         Todo prego só é fixado com um martelo e todo homem só tem poder se tiver o coração de sangue, todo aquele que estuda para preparar regulamento, deve-se este fazer o condicionamento para não haver vazão.
         Falando bem claro, um que mata o que merece?
         E o que rouba?
Sua situação não se deve ser como a de quem planta e colhe para alimentá-lo.
Se não vêm chuva farta e sol suficiente, que semente germina?
Fácil é complicar do que desembaraçar a linha.
         O pedreiro sobe a casa, mas quem dá o brilhantismo é o pintor.
A justiça só é justa se for feita com ajustamento, portando melhor seria se não tivessem construído o livro de palavras.
Criar leis é muito fácil e simples nem precisa de muita disciplina, basta ser orientado por opinião e montar um grosso folheto de paginas.
         Mas cunhar uma regra para extermínio os inventores de código não têm coragem, e mantê-las fincadas ainda é muito mais difícil para eles.
Os criadores de regras tanto analisam que perdem em seus pensamentos os ideais para o bem de uma nação.
         Cansado de esperar por justiça os seis tiros foi certeiro tombando assim o ladrãozinho do saque de dias passados foi assim que aconteceu nesta madrugada em minha pequena cidade.
         Por varias vezes o trabalhador que ganha salário mínimo foi furtado em sua pequena moradia, o desgraçado do malandro tinha acostumado extrair os bens do coitado do assalariado para comprar a pedra do capeta, só assim ele manteria seu sinistro vicio.
         E por muito tempo o infeliz do assalariado estava com fé na delegacia, e sua espera era de que os policiais prendessem pelo menos o malandrinho por uns tempos, ate que o coitado do assalariado mudasse de casa.
Mas a polícia todo vez que o malandro atacava a humilde casinha do enfraquecido assalariado dizia que não era fácil pegar o bendito cujo, como assim todos da cidade conhecem os bandidinhos existentes dentro da comunidade.
Como não os prendê-los?
Dá ou não dá para desconfiar do policiamento?
         Uma cidade grande pode até ser que os policiais não conheçam os bandidos, mas em nossa humilde cidadezinha, eles não só os conhecem como sabem onde residem e o que fica fazendo durante o dia.
Uai sô, mas de ontem para hoje a onça saiu da toca e o tombo foi bonito, o malandro levou seis tiros certeirinho bem no meio da cabeça, parou ou não de roubar do necessitado trabalhador?
         E agora a justiça vai ser feita, pois o assalariado matou um sem oportunidade e vai ser preso e condenado, talvez uns quinze anos, assim a justiça será justa, o infeliz do assalariado não passa de um homem perverso.
E o malandro ao morrer se tornou um homem bom não é isso?


16 abril 2012

Também sou pobre.16/04/12

Também sou pobre.
         Fostes em festa de pobre é uma maravilha a melhor coisa que existe, festa de pobre é cheia de comida e bebida.
Meu sobrinho trabalha comigo e na segunda feira da semana passada, ele me avisou, olha tio; eu vou parar sexta feira mais cedo um pouquinho.
Na hora perguntei o do porque ele queria parar às quinze horas e trinta minutos.
         Bem tio eu fui convidado para um casamento na sexta às vinte horas e como é em Franca, precisamos ir dezessete e quinze, só assim chegaremos com tempo de assistir o casório no cartório, pois o da igreja é no sábado à noite.
Mas então você vai retornar no domingo.
Com certeza, pois sexta eu sou padrinho e no sábado não podemos perder a festa.
         Você estando aqui segunda está tudo bem.
No domingo chegaremos aqui na parte da tarde e segunda pego cedo.
Então ta respondi!
         Sexta feira às três horas meu sobrinho começou por lavar as ferramentas e guarde-las na varanda e as três e dez, ele caiu na marva, subiu a serrinha sem mesmo olhar para trás.
Eu e o outro ajudante ficamos ate às dezessete horas sendo este horário o normal de nosso trabalho.
         Bem, certo mesmo é que festa de pobre há hora e dia para começo e não existe hora nem dia certo para finalizar, ainda mais sendo casamento.
Passei o final de semana em casa como de costume, sempre em minha Olivetti digitando alguma coisa.
         Eu tinha certeza que meu sobrinho nunca estaria segunda-feira no serviço, poderia até chegar de Franca, mas trabalhar eu sábia que não.
A festa começaria então sexta-feira ali pelas vinte e uma horas e sabe lá que hora ia terminar.
         Pobre é mesmo exagerado, pensa muito em comida e bebida, e os donos da festa têm medo de passar vergonha então faz das tripas coração para satisfazer os convidados e os penetras também, pois eles estão em todos os lugares.
         Festa de rico é bem diferente eles pagam uma empresa e tudo fica resolvido, se bem que festa de rico é uma miséria sem tamanho, uns pinga, pinga, até para pegar o salgadinho da bandeja, eles empinam os dedos como bico de cisne.
         Já o pobre não, o negocio deles é cerveja, cachaça e carne, o resto é sobra que fica para rebater na segunda-feira.
         O pobre mesmo com pouco que ganha, pega o pagamento ao final de semana e chega ao açougue e logo já compra tanto de quilos de lingüiça, um monte de carne de segunda e mais uma porção de carne moída, isso às vezes acaba na quinta ou sexta-feira, e eles custam agüentar até sábado.
         Já o rico vai ao açougue e pede meio quilo de carne, claro carne de primeira, mas a desculpa é só para o almoço, mas e o jantar.
Então cheguei hoje para trabalhar e perguntei para o Antonio, o ajudante se não tinha visto meu sobrinho, eles moram ali pertinho um do outro, lá mesmo na roça.
         Eu sábia, claro que não chegou como prometera.
Era umas três horas da tarde, quando meu sobrinho desceu a serrinha, com sua esposa, ao chegar perto de nós ainda estava com o bafo de onça, a carniça evacuava pelos ares.
Foi então que nos contou como foi o casório e da grande festa que o pai da noiva fez.
          Claro que tinha que ser assim, é pobre, como nós e não poderia ser diferente.
Assim nos contou que já na sexta-feira, o pau moeu cedo, cerveja e churrasco a doidada, e sábado da mesma forma, domingo também com a soca fizeram mais festa.
         Uai, sobrinho, hoje é segunda, antes de eu perguntar ele respondeu.
Então hoje na hora do almoça ainda tinha umas garrafas de cerveja e um pouco de alambique, ai já viu.
Ouvimos a história e ele foi embora, dizendo que ia dormir.
         Eu sei disso porque em casa é assim, o dia que tira para uma festinha às vezes começa no sábado e termina no domingo à tardinha, também sou pobre.