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30 abril 2012

Primeira paixão de minha vida 30/04/12

 Primeira paixão de minha vida.  
        Era assim minha vidinha simples, mas muito pacata, tirando alguns fatos, como a falta de alguma coisa para todos nós em nossa humilde história, no mais o resto era bom, demais da conta.

        Eu nunca tínhamos ido ao carnaval e foi ai que encontrei a primeira paixão de minha vida.

          Chegou então o carnaval de fevereiro e pela primeira vez na vida fomos, lembro que meu pai e nossa mãe nos levaram nos quatros dias de folia.

        Como nunca tinha visto aquilo achei muito bom, até pulei um pouquinho rente à corda que nos separavam dos blocos que iam descendo desfilando.

De todos os blocos que gostei foi o “Adis Abafa” um bloco onde todos se pintavam o rosto de preto.

Eles tinham um samba bonito, os tamborins davam um ritmo bem bacana, dentro de todos os outros instrumentos.

        Quando estava ali encostado na corda vi do outro lado à menina Rosa, a qual foi minha primeira colega de escola e como ela tinha ficado bonita já era uma mocinha e seus olhos não estavam mais tanto tortos, como antes.

        Atravessei por baixo da corda e corri até ela, eu notei que ela ficou um tanto diferente quando cheguei, mesmo assim conversamos bastante e ela sempre sorrindo para mim.

        Isto foi na primeira noite de carnaval, ainda comentamos que viríamos no outro dia e com isso marcamos ficar em outro lugar, onde as famílias não estivessem.

Talvez ela quisesse dizer algo com aquilo, mas nem me toquei de primeira.

        Na segunda noite fui até onde combinamos, mas não há vi em parte alguma, com aquilo me deu uma pressa de ir embora.

Meus irmãos é que ficaram chateados com aquilo e por eu ser o mais velho e quem sabe por ajudar muito meu pai, eles fazia muito por mim.

        No caminho de casa, meus irmãos estavam muito bravos comigo e também com minha mãe e meu pai, eu ainda disse nós vamos todos os dias, quero dormir estou muito cansado e amanhã vou fazer tijolos e vocês só vão levantar, não tem empiação.

Por isso vocês podem dormir até mais tarde, já eu, não!

Durante o caminho todo e até ir deitar ficaram resmungando sem parar.

Trabalhei no outro dia e como era segunda feira, sempre de ressaca o maçador chegava e quando fazíamos menos ele até achava bom.

Por isso fiz bem menos e a noite fomos novamente ao carnaval assistir os desfiles.

        Chegando à praça a primeira coisa que fiz foi ir ao local que tinha combinado com Rosa e lá estava ela à minha espera.

Como fiquei feliz ao encontra - lá e ela ainda me disse que não tinha vindo ao carnaval do dia anterior, porque sua mãe estava com dor de cabeça.

        Ficamos naquele local até o termino do desfile, quando meu pai veio me chamar para ir embora, então marcamos novamente para o outro dia, nos encontrar ali mesmo.

Na terça ate trabalhei mais contente e até resmungava algumas músicas, também assobiando.

        Então chegou a noite de terça feira ultima apresentação dos desfiles e lá estávamos novamente no mesmo local eu e Rosa.

Conversa vem conversa vai, depois de muito tempo segurei na mão dela, achei que não iria aceitar, ela ficou quieta, eu pensava que não ia deixar por ser mais velha que eu.

        Durante todo o desfile ficamos de mãos dadas, até que a mãe dela foi chegando para chamá-la e ir embora, eu larguei rapidamente a mão dela.

Nós achamos que a mãe percebeu só que não disse nada.

        Ela foi embora.

Saí procurando meus pais, no meio da multidão, mas como tinham dito que estaria na porta do cinema, foi fácil encontrá-los.

Eu estava muito feliz, pois tínhamos marcados de se encontrar na porta da igreja no domingo na hora da missa.

Trabalhei o resto da semana todo contente, por saber que ia ver Rosa novamente no domingo na parte da manhã.

E no domingo levantei bem cedinho, tomei um bom banho, peguei a melhor roupa que tinha e fiquei bonito.

        Vinte para as nove já estava em frente à igreja, dez para as nove ela chegou e como estava linda, cumprimentei-a, ela então veio até meu rosto e deu-me um beijo, tremi na hora, pois nunca tinha ganhado um beijo de menina.

O único beijo que tinha ganhado foi de minha mãe.

        E ela me disse:

Você não vai dar-me um beijo também?

Fiquei amarelo na hora, mas dei um em sua face, assim mesmo então entramos na igreja e durante toda a missa ficamos de mãos dadas.

        Ali começava então meu primeiro namorico.

        Saímos da igreja e como meu pai tinha me dado dez contos, chamei para ir ao cinema comigo, na matinê, achei que ela não ia topar, mas minha surpresa, ela disse vamos ver o que vai passar e as dez para duas estarei aqui na praça te esperando ou você me espera. 

        Cheguei a minha casa na hora do almoço e disse para minha que ia almoçar e descansar um pouco e depois iria para o cinema com Rosa.

Minha mãe sorriu dizendo será que isso vai dar casamento?

Ela disse aquilo, mas sabia que era de brincadeira, pois eu era muito novinho, para pensar nisso.

Almocei e tirei até um cochilo, a uma e vinte tomei mais um banho e pedi minha mãe outra troca de roupa ela me trouxe uma das que minha tia tinha trazido de são Paulo para mim.

        Quinze para as duas já estava na praça esperando por Rosa, ela chegou sete para as duas, dava para ver as horas, pois o relógio da igreja ficava bem em frente e além do mais tinha o meu oriente.

        Na hora em que ia saindo de casa para ir para cidade minha mãe me deu mais cinco contos, então eu estava com quinze contos no bolso.

Com isso eu comprava as entradas e ainda sobrava muito para balas e chicletes.

        Quando fui pagar as entradas, Rosa não permitiu, pois ela estava com sua bolsinha cheia de dinheiro e ainda queria pagar a minha, eu é que não deixei, mas balas chocolates chicletes isso ela não quis que eu pagasse de jeito nenhum.

        Entramos dentro da sala das sessões de filmes e procuramos um lugar bem mais escondidinho, sentamos e cinco minutos depois as luzes se apagaram e começou o filme.

        Por um longo tempo ficamos de mãos dadas, mas com o passar do tempo soltei a mão dela e a coloquei no ombro.

Ela permaneceu parada, comecei a passar a mão no rosto dela e quando me dei por mim, estávamos beijando de boca, nunca tinha beijado assim, eu tremia como vara verde.

Acho que ela também.

Eu estava achando muito bom aquilo sempre continuando.

E ela ainda mais me agarrava, com isso nem sabia o que estava passando no filme, foi uma coisa de louco, nunca tinha passado por aquilo.

        Ao terminar o filme ainda sim ficamos esperando por um tempo até que todos saíssem.

Fomos os últimos a sair, uma coisa tinha acontecido comigo, a qual eu nunca tinha sentido, minha cueca estava molhada.

Com aquilo tive que tomar cuidado para não passar para calça.

Depois que saímos do cinema, ficamos sentados em um banco da praça até às seis e meia.

        Eu disfarçava para ninguém notar que eu tinha molhado a cueca.  

Quando começou escurecer tinha que ir embora para minha casa.

Rosa nem queria deixar me ir, mas eu precisava, pois se escurecesse eu iria ficar com medo de passar no corredor boiadeiro.

        Antes de ir-me embora, marcamos para nos encontrarmos novamente no sábado seguinte.

Fui pelo corredor boiadeiro assobiando como um pássaro cantador de tão alegre em que fiquei.

Aquela semana parecia que não terminava nunca, quanto mais eu pensava em Rosa, a semana ainda mais comprida ia ficando, contava ao ir deitar, hoje é quarta-feira e no outro dia a mesma coisa.

Eu nem senti o peso do trabalho de tanto pensar na minha namorada primeira Rosa, como tinha ficado bonita e eu nunca tinha prestado atenção.

Mas agora estava vendo em meus sonhos.

Pensava agora sim estou apaixonado, mesmo tendo meus doze para treze anos de idade.

Com aquele pensamento o dia todo e por isso fazia meu trabalho sem mesmo notar que estava trabalhando.

Chega finalmente o sábado e ia eu novamente à cidade, ao encontro marcado com a primeira paixão de minha vida.  “Rosa”.

Senisio 

29 abril 2012

Sem Solução.29/04/12


Sem Solução.

            A vida passa e eu aos poucos estou morrendo.
Mas que nervoso eu sinto dentro de mim 
Já estou cansado dentro desta terra 
eu não tenho uma morada porque não pude construir. 
Noites e noites de tristeza eu já passei 
Aqui e ali sem lugar para dormir
Muitos encontros e também muita decepção 
Amor fingido e como uma bóia no mar 
Que chega e parti na maré da loucura e da ilusão. 
Assim foi minha vida sem solução.
Por que será que o meu viver é desigual 
Só angústia em minha vida,
Muita solidão dentro de mim 
eu já estou cansado de tanto lutar e ficar sem conquista 
eu sonhei, mas nunca tive uma vitória e muito menos gloria,
Oh meu Deus de onde foi que eu surgi. 
Do meu sofrimento, também da minha solidão; 
Quero sempre estar sorrindo, mas não tenho alegria; 
Meu Deus me diga por que estou sofrendo tanto assim, 
Será que não existe um lugar feito neste mundo para mim.
“Senisio” 

28 abril 2012

Circo da vida. 28/04/12


Circo da vida.  
         Só eu sei como é complicado viver assim no circo da vida.

E como é difícil carregar um sorriso nos lábios.
Se há tantas lagrimas que pelo rosto está a rolar
Os dramas de minha vida,
Vou procurar levar até o fim.
As pessoas que eu mais gostava afastaram-se de mim.
Aprendi que neste mundo, cada qual vale o que têm.
         Por isso eu sou amigo do dinheiro e de mis ninguém.
Com dinheiro temos mais valor, saúde, educação;
Conseguiremos até um grande amor.
Sem réis, não se vale um vintém.
Eu quase já fui feliz um dia.
E se eu me estropiar, mancando chegarei.
Sou passarinho, gostaria no espaço voar.
Batendo a asa nunca séria um fracasso.
O ditado é certo quem ama jamais esquece,
As loucuras nos enfraquecem.
A primavera do meu amor eu perdi,
A decisão eu não compreendi.
         No meu circo da vida, nem o mastro enterrei.
A lona nenhum dia de minha vida estiquei.
A chave da ingratidão abriu meu peito,
Trancando lá dentro a paixão.
Agora não há mais jeito, para tirar essa dor,
Que se acha com direito de permanecer.
E me fazer sofrer com essa dor.
Já provei muito veneno, fui banido no circo da vida.
Não há bálsamo que melhora o odor.
É tanta tristeza, muito desgosto.
No circo, o encerado não tem solução e jamais foi estirado.
O feitiço vem do feiticeiro, mas quem pede não passa de um coitado.
Sempre a mandinga vira contra o mandingueiro.
Trago um sentimento, sempre um sentimento, que fere o peito com muita dor.
Não há lei na terra que possa condenar somente o circo da vida será juiz.
Aprendi atirar com fuzil e metralhadora, no combate de uma guerra.
Serei eu vencedor.
Desvio das feras bravas, e das ondas fortes do mar.
Com carinho e com respeito abordo com todos que eu vou falar.
No meu circo da vida, ando e corro sem sair do lugar.
Quando se despediu vazio ficou o coração.
Levaram-me para tão distante que senti solidão.
         Abrirei a porta da gaiola, sairei, vou cantar noutra janela.
Não posso ser prisioneiro o circo da vida é minha morada.
Também sou homem e não considero santo, mas vejo com espanto.
O modo dos viveres, a casa e um ninho de serpentes.
É uma franqueza o circo das vidas é somente de tristeza.
         Por isso mesmo não ambiciono a carrear, o carro tomba, carreiro em baixo vai ficar.
O circo da vida dá volta o nobre fica pobre, e o pobre vira-bosta.
Enquanto eu circulo com essa dor, está na sala doando o cheiro do amor.
Varal do alpendre no circo da vida roupa sem lavar esticada está.
Não esqueça de avisar que devo voltar com o bater das asas posso logo chegar.
         Conversando com a solidão, será que me convém, se ontem lá passei, ou pode acabar em nada.
Preciso fugir da estrela e da ficção, mas no circo da vida é um grande delírio.
É um olhar diferente, que nem sempre nos satisfaz.
Nem vou olhar de novo se foi com esse admirar, que paguei o crime da decepção.
As lagrimas saíram dos olhos e caíram do meu rosto no piso determinando a distinção.
Brotou a semente da ilusão, mas pode ficar com o findar do circo da vida e com esse ato não haverá solução.
         “Senisio”.

25 abril 2012

Desabar da morte 25/04/12


Desabar da morte
         Senhor Jose e Dona Conceição eram sitiantes em nossa região, eles tinham cinco filhos sendo três garotos e duas meninas.
         Os três meninos tinham na faixa de doze a nove anos, as garotinhas tinham uma sete e á outra cinco anos.
Senhor Jose e Dona Conceição trabalhavam feitos loucos, para não deixar nada faltar para os filhos.
         Octávio, Carlos e Ramon sendo os mais velhos ajudavam muito o pai na lavoura e a menina Rute auxiliava muito sua mãe na cozinha e nos outros afazeres de casa.
Já Nelzinha como era chamada a caçula ficava em torno de sua mãe.
         A vida de Dona Conceição não era fácil, começava a lida bem cedinho, por volta das quatro horas da manhã, ela levantava ia para a cozinha e acendia o fogão a lenha e colocava a água ferver para fazer o café, pois a água adormecia na rabínha.
         Enquanto a água a fervia ia à bica, escovava os dentes, lavava o coador, feito de saco de linho, voltava para cozinha preparava uma massa de bolinhos de polvilho ou de fubá e isso eram todos os dias sem descanso, de domingo a domingo, depois ela chamava seu esposo e os três filhos mais velhos.
         Assim que todos se alimentavam no café da manhã e retiravam-se, Dona Conceição também saía para o terreiro onde tratava dos animais, começava indo ao paio debulhar milhos para as galinhas, em seguida levava um balaio de espigas de milho para os porcos do mangueirão.
         Logo após ela entrava no chiqueiro, lavava-o e depois colocava trato de fubá grosso com água e sal, fazendo assim um mingau forte.
         Essa batalha era sem para e isso sempre era feito antes das seis horas da manhã, pois as seis e meio ela ia levar o leite na linha mais próximo, para o caminhão pegar.
         Essa peleja sempre foi feito por Dona Conceição, pois o senhor Jose era quem tirava o leite junto com seus filhos, depois ia para a lida na lavoura, senhor Jose não tinha muita saúde, mas sempre foi firme no que lhe incumbia.
         A guerra que eles tinham não era para qualquer um e sim para quem tem tutano nos braços.
Dona Conceição quase que sempre virando se em dez para agüentar o monte de tarefas que para ela era designada, mesmo sofrendo permanecia sempre alegre.
         Dona Conceição estava sempre com um sorriso aberto, e sua expressão contente contagiava qualquer um.
Além de ela ter a alegria estampada vivia sempre cantando e encantando a todos.
         A luta daquela família não era mole e começava desde cedinho com Dona Conceição, senhor Jose e seus três filhos mais velhos e em seguida a menina Rute, mesmo tendo apenas cinco aninhos a menina Nelzinha já ajudava a mãe sempre com pequenos que fazeres.
         Essa rotina por todos era normal, mas sempre muito unidos em tudo tanto no sitio como na vida pessoal, uma união que dava inveja, os meninos com suas responsabilidades e as duas meninas também, não se via ou ouvia uma discussão sequer entre a família, uma linda vida familiar.
         Mas tudo um dia nesta vida tem fim, e ninguém esperava por aquilo que viria acontecer.
Na sexta-feira santa, o senhor Jose como de costume não tirava o leite, deixava os bezerros soltos com as mães, assim somente apartava a bezerrada às três da tarde da sexta-feira, para novamente tirar o leite no sábado da aleluia.
         Então senhor Jose aproveitava e ficava deitado até mais tarde, como também os meninos ficavam na cama, mas Dona Conceição tinha as tarefas normais, menos levar o leite a estrada.
         Mesmo assim Dona Conceição levantou por volta das seis horas da manhã fez o café fritou um pouco de bolinhos, deixando-os na mesa e saiu para sua lida.
         Dona conceição foi até o paio como sempre debulhou milhos para as galinhas, depois jogou o balaio de espigas para os porcos do mangueirão e entrou no chiqueiro, com o fubá e o sal para fazer o mingau e nesta sexta-feira santa estava chovendo bem fininho nem dava para molhar-se muito.
         Era então por volta das quinze para sete da manhã, quando Dona Conceição despeja o fubá no cocho que já continha água e ao esticar o braço para alcançar o sal que estava em cima da tabua leva-se então um escorregão e cai batendo a cabeça na ponta aguda do cocho.
         Com a batida que teve Dona conceição desmaiou e tendo furado um buraco em sua testa o sangue jorrou sem parar.
         Deus,
O sangue escorrendo e os porcos foram chegando para comer o mingau deu de encontro com o sangue de Dona Conceição, começam então por beber o sangue e um deu então uma primeira mordida, com isso todos os outros atacaram, rasgando partes de Dona Conceição.
         Nelzinha percebendo que sua mãe não havia chamado-a para ir com ela, sai em carreiras ate o chiqueiro e vê aquela cena triste, com todo desespero acordou todos, não teve mais o que fazer Dona Conceição já estava morta, estava com partes de seu corpo triturado pelos dentes de mais de vinte porcos grandes e famintos.
         Naquela sexta-feira santa foi o dia mais triste da vida de seis pessoas unidas, pai e filhos, pois a batalhadora de sempre havia tido o desabar da morte.
“Senisio”.

  

  
        
                                


22 abril 2012

No pé da serra 22/04/12


No pé da serra
Eu tinha uma vida boa
Lá no pé da serra
A casa não era grande
Mais sempre foi minha
Água corrente na bica escova os dentes
Bem na porta da cozinha.
Sábia cantava no alto da mangueira
Canária chocava no tronco da porteira

Eu tinha uma vida boa
Plantação de arroz e feijão
Muito porco no chiqueiro
Piquete lotado de bezerros
Canavial pra tratar do gado
Canários do reino no viveiro
No pé da serra
Minha casa sempre em festa.

Eu tinha uma vida boa
No aniversario de mamãe
Cantava a valsinha dos parabéns
Os pássaros se reuniam e
Todos juntos cantavam comigo
Desejando muitas felicidades por toda a vida
Mamãe agradecia
Com uma lagrima, mas sempre sorrindo.

Eu tinha uma vida boa
No pé da serra
A lua clareava o besouro saia
Tatu fazia a festa
Tudo se foi vim pra cidade
Deixando meu lugar
Como um pardal
Que não gosta de trabalhar.

21 abril 2012

O curativo é 21/04/12


O curativo é
        Quando o amor vos abraçar, siga-o, mas segue sempre com cuidado, pois amar é amor e o amor sempre será amar.
Ainda que os trilhos sejam cheio de espinhos, continue amando; sempre olhando por redor.
E quando ele vos abafar com seus ombros e braços, cedei-lhes com caricias, sem fracassar, mesmo que o gume esteja escondido no coração e possa ferir-lhe, lhe de amor; vá sempre em frente.
         Sendo seu grande amor que venha vos falar, acreditai nele, mas nunca se sinta seguro e embora sua voz possa abocanhar vossas aspirações; esteja alerta.
         Como o vento arrasa a mata, mas não derruba as folhas, ainda sim esteja acreditar, mas aguarde dentro da trilhagem.
Pois, do mesmo modo que o amor vos glorifica, ele também vos atormenta.
E da mesma forma que coopera para vosso desenvolvimento, ele, além disso, batalha para a sua grande queda, mas ame e amar nunca é demais.  
         Da mesma forma que vos vais as alturas, ele também esta pronto para derrubar-lhe do mastro.
         Seja sempre cauteloso com o amor, pois ele lhe dá certa segurança, mas também pode lhe trazer tristeza.
Mas é amor e amor não é dor e sim muita paz.
         Todas as maravilhas o amor deposita em vós, porem sem que o perceba pode esbagaçar sem dó.
          O amor não tem outro desejo, a não ser só amar.
Se, vos, amardes e precisardes, ter amor, não amas.
Mas se amas e esta sendo amado, sim, estas completo.
De o vosso amor sem pedir nada em troca, mas tome cuidado o amor rouba, mata e morre.
Seja este o vosso desejo: amar, amando, sem se preocupar se esta sendo amado.
Assim é o amor, que ama e não sabe se esta sendo adorado.
O importante é amar, mas o cuidado nunca é muito, pois se amardes e não respeita o amor, melhor seria não amar.
Se o amor de outro lhe ferir, melhor procurar curativo e o curativo é nada menos que amar novamente.
A vida passa tudo acaba e agente morre, portanto ame.

17 abril 2012

Seis tiros certeiros.17/04/12

Seis tiros certeiros.

Cansado de esperar justiça.

         Sabe dá até para desconfiar da esquadra paga por todos os Brasileiros, tem gente que mal ganha para comer e outros nem ganham, vive como cão ferido em porta de botequim.
Mas mesmo os que ganham pouco ou quase nada paga e caro, pelo serviço mal prestado, por aqueles que foram contratados para executar qualquer função fazendo concurso ou não.
         Antes de estes animalejos terem penetrados em sua colocação, sabe se lá o que faziam, eram como nós os estúpidos que pagam para mantê-los dentro dos seus poderes.
Muitos dos que estão com algum tipo de poder nem mesmo tem o essencial para consolidar.
         Tudo que acontece ou venha para não satisfazer a vontade do ser humano e causado por homens, sendo estudado ou não e a mola do mundo faz com que os ditos-cujos se convertem á troco de uns vinténs.
Bem deste que se entende que existe terra ou mundo sempre há revolta, homem contra homem e porque isso? Nada mais é do que salva a vontade de ter muito ou alcançar a situação financeira.
         Tapeação dos varões que se diz que tem uma profissão ou adquire um responsabilidade, para benfeitoria de outros.
         Todo prego só é fixado com um martelo e todo homem só tem poder se tiver o coração de sangue, todo aquele que estuda para preparar regulamento, deve-se este fazer o condicionamento para não haver vazão.
         Falando bem claro, um que mata o que merece?
         E o que rouba?
Sua situação não se deve ser como a de quem planta e colhe para alimentá-lo.
Se não vêm chuva farta e sol suficiente, que semente germina?
Fácil é complicar do que desembaraçar a linha.
         O pedreiro sobe a casa, mas quem dá o brilhantismo é o pintor.
A justiça só é justa se for feita com ajustamento, portando melhor seria se não tivessem construído o livro de palavras.
Criar leis é muito fácil e simples nem precisa de muita disciplina, basta ser orientado por opinião e montar um grosso folheto de paginas.
         Mas cunhar uma regra para extermínio os inventores de código não têm coragem, e mantê-las fincadas ainda é muito mais difícil para eles.
Os criadores de regras tanto analisam que perdem em seus pensamentos os ideais para o bem de uma nação.
         Cansado de esperar por justiça os seis tiros foi certeiro tombando assim o ladrãozinho do saque de dias passados foi assim que aconteceu nesta madrugada em minha pequena cidade.
         Por varias vezes o trabalhador que ganha salário mínimo foi furtado em sua pequena moradia, o desgraçado do malandro tinha acostumado extrair os bens do coitado do assalariado para comprar a pedra do capeta, só assim ele manteria seu sinistro vicio.
         E por muito tempo o infeliz do assalariado estava com fé na delegacia, e sua espera era de que os policiais prendessem pelo menos o malandrinho por uns tempos, ate que o coitado do assalariado mudasse de casa.
Mas a polícia todo vez que o malandro atacava a humilde casinha do enfraquecido assalariado dizia que não era fácil pegar o bendito cujo, como assim todos da cidade conhecem os bandidinhos existentes dentro da comunidade.
Como não os prendê-los?
Dá ou não dá para desconfiar do policiamento?
         Uma cidade grande pode até ser que os policiais não conheçam os bandidos, mas em nossa humilde cidadezinha, eles não só os conhecem como sabem onde residem e o que fica fazendo durante o dia.
Uai sô, mas de ontem para hoje a onça saiu da toca e o tombo foi bonito, o malandro levou seis tiros certeirinho bem no meio da cabeça, parou ou não de roubar do necessitado trabalhador?
         E agora a justiça vai ser feita, pois o assalariado matou um sem oportunidade e vai ser preso e condenado, talvez uns quinze anos, assim a justiça será justa, o infeliz do assalariado não passa de um homem perverso.
E o malandro ao morrer se tornou um homem bom não é isso?


16 abril 2012

Também sou pobre.16/04/12

Também sou pobre.
         Fostes em festa de pobre é uma maravilha a melhor coisa que existe, festa de pobre é cheia de comida e bebida.
Meu sobrinho trabalha comigo e na segunda feira da semana passada, ele me avisou, olha tio; eu vou parar sexta feira mais cedo um pouquinho.
Na hora perguntei o do porque ele queria parar às quinze horas e trinta minutos.
         Bem tio eu fui convidado para um casamento na sexta às vinte horas e como é em Franca, precisamos ir dezessete e quinze, só assim chegaremos com tempo de assistir o casório no cartório, pois o da igreja é no sábado à noite.
Mas então você vai retornar no domingo.
Com certeza, pois sexta eu sou padrinho e no sábado não podemos perder a festa.
         Você estando aqui segunda está tudo bem.
No domingo chegaremos aqui na parte da tarde e segunda pego cedo.
Então ta respondi!
         Sexta feira às três horas meu sobrinho começou por lavar as ferramentas e guarde-las na varanda e as três e dez, ele caiu na marva, subiu a serrinha sem mesmo olhar para trás.
Eu e o outro ajudante ficamos ate às dezessete horas sendo este horário o normal de nosso trabalho.
         Bem, certo mesmo é que festa de pobre há hora e dia para começo e não existe hora nem dia certo para finalizar, ainda mais sendo casamento.
Passei o final de semana em casa como de costume, sempre em minha Olivetti digitando alguma coisa.
         Eu tinha certeza que meu sobrinho nunca estaria segunda-feira no serviço, poderia até chegar de Franca, mas trabalhar eu sábia que não.
A festa começaria então sexta-feira ali pelas vinte e uma horas e sabe lá que hora ia terminar.
         Pobre é mesmo exagerado, pensa muito em comida e bebida, e os donos da festa têm medo de passar vergonha então faz das tripas coração para satisfazer os convidados e os penetras também, pois eles estão em todos os lugares.
         Festa de rico é bem diferente eles pagam uma empresa e tudo fica resolvido, se bem que festa de rico é uma miséria sem tamanho, uns pinga, pinga, até para pegar o salgadinho da bandeja, eles empinam os dedos como bico de cisne.
         Já o pobre não, o negocio deles é cerveja, cachaça e carne, o resto é sobra que fica para rebater na segunda-feira.
         O pobre mesmo com pouco que ganha, pega o pagamento ao final de semana e chega ao açougue e logo já compra tanto de quilos de lingüiça, um monte de carne de segunda e mais uma porção de carne moída, isso às vezes acaba na quinta ou sexta-feira, e eles custam agüentar até sábado.
         Já o rico vai ao açougue e pede meio quilo de carne, claro carne de primeira, mas a desculpa é só para o almoço, mas e o jantar.
Então cheguei hoje para trabalhar e perguntei para o Antonio, o ajudante se não tinha visto meu sobrinho, eles moram ali pertinho um do outro, lá mesmo na roça.
         Eu sábia, claro que não chegou como prometera.
Era umas três horas da tarde, quando meu sobrinho desceu a serrinha, com sua esposa, ao chegar perto de nós ainda estava com o bafo de onça, a carniça evacuava pelos ares.
Foi então que nos contou como foi o casório e da grande festa que o pai da noiva fez.
          Claro que tinha que ser assim, é pobre, como nós e não poderia ser diferente.
Assim nos contou que já na sexta-feira, o pau moeu cedo, cerveja e churrasco a doidada, e sábado da mesma forma, domingo também com a soca fizeram mais festa.
         Uai, sobrinho, hoje é segunda, antes de eu perguntar ele respondeu.
Então hoje na hora do almoça ainda tinha umas garrafas de cerveja e um pouco de alambique, ai já viu.
Ouvimos a história e ele foi embora, dizendo que ia dormir.
         Eu sei disso porque em casa é assim, o dia que tira para uma festinha às vezes começa no sábado e termina no domingo à tardinha, também sou pobre.





15 abril 2012

Coisa nula. 15/04/12


Coisa nula.
Hoje resolvi ser um homem, sendo um macho do quase nada, indivíduo assim, um tamanho abatido.
Pois estou me sentindo nada, um nada do pouco menos, nada do nada.
Sendo nada me transformei em nada de coisa nenhuma mesmo.
Assim, vim
Vagando igual a uma borboleta;
Sem direção na vida, estou chegando.
Batendo asas estando triste arrependido do que não fiz.
Um olhar infeliz e semblante cansado
Encontro-me trazendo no rosto marcado pelo tempo, o sofrimento e muito desiludido.
Com o tudo que passei e quase nada encontrei, muito menos apresentei.
O mundo foi livro aberto para mim
E eu vi de perto, no entanto quase nada me instruiu.
Muita falta cometida, não somente por mim.
O motivo para ter-me deixado sem professor foi à falta de um.
O livro aberto eu descobri escrito com palavras delicadíssimas.
E muito difícil de se ler, com isso não aprendi.
Não me conformo com tudo que passei, pois se sem nada praticamente fiquei.
Vivendo assim danificado sem ser o culpado.
Quantas vezes eu chorei sofrendo aqui no meu banir.
O meu volumoso erro foi não perdoar, quem sabe.
A Borboleta bonita eu sou, mas sem parada, sem lugar, sem água, muito areia para pousar.
Já é muito tarde, meu olhar está melancólico e o cansaço faz me sentir fraco, mas ainda mesmo não sendo nada tenho que lutar.
Não para ser tudo, mas para sair-me com alegria sem ter cansado, não ser nada também cansa e não ser nada é praticamente uma coisa nula.
“Senisio”.
       
 .

Sejamos específicos 15/04/12


Sejamos específicos
Por favor;
Seja você bem especifico com toda matéria que fizer uma tese, seja ela qual for o assunto devem-se colocar a época, pois quem acompanha sempre um Blog, sabe que a dita matéria é do momento, mas outros que chegam vindos de uma caça, não sabe que dia, mês e ano foram escrito.
Correto!
Portanto define a matéria com datas apropriadas assim os visitantes saberão em que dia, mês e ano o episódio ocorreu.
(Exemplo) Uma tempestade de granizos aconteceu no Rio de Janeiro,
Mas de que dia?
Que mês?
E em que ano o acontecido se deu?
Pode ser este;
Como de dez ou vinte anos atrás, como também poderia ter acontecido hoje, ontem ou semana passada, no mês em que estamos ou em qualquer mês do ano passado.
Humildemente eu digo que digite as matérias diárias com data de dia, mês e ano, pois temos que ser mais específicos com nossas matérias escritas.
Hoje 15/04/12
Um abraço

14 abril 2012

Isso sim é ser educador.14/04/12

Isso Sim é Ser Educador

Eu vejo hoje como são diferentes as professoras que estão na ativa, não digo que são todas, mas a maioria está dando aula pelo sabor de ganhar seu salário.

Os professores de hoje em dia não aplicam amor aos alunos, como muitas daquelas que existiram há tempos atrás.

Foi se o tempo em que um professor tinha gosto de ser o máximo, para incentivar um aluno em sua aprendizagem, ainda diz que os alunos perderam completamente o respeito por eles.

Como perderam o respeito, se eles mesmos não fazem o necessário para colocar respeito?

Deixaram os alunos dominarem-nos.

Agora é um pouco tarde para dizer que perderão o respeito, mas ainda têm jeito.

Lembro-me de nossa diretora dona Violánte que dizia, deve se domar o leão nos primeiros dias de aula, assim ele terá respeito para sempre.

Mas se os deixar em fazer uma coisinha aqui e outra ali e quando vê tudo está perdido.

Como em casa ao fazer uma besteirinha da primeira vez, deve-se os pais contê-los de imediato, pois se deixarem faz um estrago.

Assim foi a diretora Dona Violánte, quando colocava todos juntos dentro daquele pátio, logo dizia aqui é assim e assado, não tinha dessas de o aluno fazer o que bem entendesse.

E naquele tempo começávamos estudar com sete anos de idade, hoje começa com muito menos idade, pois vão para as creches, por tanto é bem mais fácil colocar o aluno no seu devido lugar.

Centralizando o no canal da aprendizagem.

Há um dizer dos mais corretos existentes; um burro nunca será domado com abridão, mas sim com um freio de puro aço.

Assim são os pequenos impensáveis.

Quando se inicia para vida tendo esses pequeninos freios serão domados como feras.

Claro que um pensamento não foi feito para ter domínio, mas podem ser amenizados com educação.

Estes pensamentos terão mais tempo para sentir o que se pode fazer ou não.

Lembro-me de uma passagem que presenciamos e tivemos como a maior aprendizagem que uma pessoa pode ter.

Em nossa escola, no ano de mil novecentos e sessenta e seis entrou um novo aluno, que veio de Claraval.

Este aluno tinha seus oito anos de idade.

Gustavo era seu nome, garoto bruto como argola de laço, tinha em sua boca uma saída de palavrões e xingamentos.

Sem respeito por ninguém.

Tudo para ele era um credo em cruz.

Nunca tinha alegria, nem mesmo estudava direito.

Vivia maneado com outros não estudantes de uma vila, fazendo o que não deveria fazer, roubava pequenas coisas dentro da sala de aula, fumava como sapo, gostava de brigar sempre com os menores.

Toda menina que ele se invocava, apanhava como cachorro pegador de pintinho ou ovo.

Talvez sua família o deixasse largado pela vida de amargura, foram uns dois anos dessa forma,fazendo o que ele queria, desrespeitando sua professora e seus coleguinhas de classe.

Ele era mesmo um tolo, vivia em uma vida de não compreensão e cada dia que se passava ele ia tornando um animal indomável.

Com o passar dos dias dona Violánte deveria estar pensando em acabar com aquilo, mas como fazer, com aquele bruto sem respeito, que vivia atazanando a vida de quem era suficientemente estudioso.

Muitas vezes dona Violánte tentou comunicar se com ele, até mesmo um castigo ela deu a ele, mas não era suficiente para manter ele na linha.

Dizem que todos nós temos uma estrela na testa, mas aquele menino tinha era mesmo uma flecha apontada com a lança a todos que estavam a sua frente.

Como disse minha querida professora dona Sônia um dia, é tão poucos os que não têm coração e estes poucos fazem outros tantos perderem seus corações de amor.

Ali estava um só malfeitor.

Entre muitos de coração de amor, os quais vinham entrando na dele e também estavam perdendo o amor dentro de si.

Pela manhã quando ele chegava durante a espera do sino, ninguém tinha sossego.

Todos se desviavam dele, para não sentir sua presença por perto.

Até mesmo no recreio ele era mesmo o capeta, o demônio solto pelo local de seres humanos. Perturbava tanto que nem mesmo uma surra daria jeito no imbecil.

Aquele sim; tinha a alma do lúcifer.

Como aquele menino o mundo está cheio.

Por toda parte que se ande há diabos soltos, fazendo todo tipo de maldade, até mesmo dentro da casa santa do supremo criador.

Ali na escola nada continha aquele menino capeta por nome de Gustavo.

Dona Violánte tinha perdido o desejo de orientá-lo.

Pois tudo que tentava explicar para ele, nada dava certo.

Castigo piorava.

Ao sair ele fazia com muito mais raiva ainda.

Com isso todos o deixavam de lado, nem mesmo o desprezo que nós dávamos a ele mudava em nada.

Para ele não significava nada, assim mais ele o fazia, talvez querendo aparecer ou por ser mesmo cheio de maldade dentro do peito.

Durante muito tempo foi indo assim, ele entrava e saia à hora que queria do grupo, nem mesmo os pais tinham como dominá-lo.

Dona Violánte até chamava seus pais para ver se poderiam dar um jeito nele, mas nada dava mesmo conserto.

Seus pais diziam que ele não tinha mesmo remédio, por isso o que as professoras e a diretora quisessem fazer para que ele mudasse, podiam fazer.

A mãe dele disse; se for preciso pode até dar umas pauladas, pois ela já não mais agüentava aquele menino, que muitas das vezes a atacava com paus e pedras.

Dona Violánte era durona, mas não dava conta daquele inferno.

Aquilo ali não era mesmo gente.

Tinha a alma de todos os demônios juntos.

Sabíamos que ninguém agüentava aquela peste.

Mas o que poderia ser feito?

Nada, talvez!

Quem sabe há vida um dia mudaria aquela febre de gente com suas tentações.

Várias vezes dona Violánte deu expulsão para ele, sempre quando voltava era bem pior do que antes.

Com quase dois anos de permanência ali no grupo, já não mais estávamos suportando aquela alma perdida e agora sem ação estávamos perante o demônio solto entre nós.

No dia dezoito de outubro de mil novecentos e sessenta e oito:

Cinco para sete da manhã daquele dia, Gustavo perturbava uma garotinha, dentro do pátio a espera do sino tocar, quando ele o demoniozinho começou a espirrar.

Então Gustavo abaixou ao chão do pátio e foi espirrando sem parar, colocando suas mãos a barriga como se estivesse sentindo alguma dor. Seus espirros aumentavam ainda mais.

Começou então a suar como se tivesse uma nascente de água dentro do seu corpo.

Gustavo começou a ficar amarelo e depois foram esverdeando, braços, pernas, e seu rosto foi ficando cinza partindo para o preto, começou então a rolar pelo chão como uma cobra, foi àquela gritaria dos alunos que estavam ali perto do menino.

Vieram às professoras e a diretora correndo, Gustavo já estava babando como um cão louco escumando os cantos da boca e não dizia coisa com coisa.

Cinco dias antes de isto acontecer estivera ali na escola a pedido da professora dona Sônia, com permissão da diretora dona Violánte umas senhoras fazendo oração em cada classe e dando alguns conselhos, que era muito bom para nossa aprendizagem.

Lembro-me que não foi uma oração dessas repetidas como fazem por ai.

Elas diziam em suas orações palavras para o criador com amor.

Nós ajudávamos as mulheres orarem.

Essas mulheres pediam ao senhor para ter compaixão de todos que ali estavam e de todos de nossa família.

E neste dia o demônio do menino Gustavo não se encontrava em aula.

Mas as senhoras pediram para ele também e dava para perceber que aquela oração era na base de pura fé.

Gustavo continuava se enrolando como uma cobra ao chão e espumando, soltando aquela baba grossa de dentro e suando sem parar, com uma expressão de um lobo a atacar.

Juntou se então umas três professoras e catou-o do chão carregando até o carro de uma professora levando o para o hospital.

Naquele dia a aula começou por volta das nove horas da manhã, levando Gustavo para o hospital, os médicos não acharam nada de doença.

Mesmo assim ele ficou internado por três dias.

Ao sair do hospital ele ficou um tanto bobo, perdeu completamente os sentidos do que estava fazendo, cinco dias depois estava ele novamente na escola, mas sempre quieto, ficando praticamente sem ação de nada, tinha mudado completamente seu jeito de ser.

Daquele dia em diante o menino Gustavo, passou não mais fazer o que vinha fazendo, estava ele agora como uma lesma pelo grupo.

Agora tínhamos pena daquele arteiro de antes.

Não perdeu o sentido de aprendizagem, mas estava como que um pacóvio sem rumo.

Quando alguém com ele iam conversar, ele deixava a pessoa falando sozinho e saia andando.

Ficou com uma feição de jururu, com o rosto um pouco amarelado e os olhos sempre rasando de água, com isso nem mesmo amizade queria com outros alunos.

Passado algum tempo, começou dar feridas por todo seu corpo.

Gustavo passava todo tempo coçando aquelas feridas, que foram ficando profundas.

O menino foi internado muitas e muitas vezes.

Não acharam cura para aquilo, conforme as feridas iam se cicatrizando, ficavam em volta com cor de um sal, esfarinhando sempre.

Durante o resto do ano sempre foi assim ia e voltava do hospital.

No ano seguinte ele tinha melhorado bastante, mas continuava com jeito de um mentecapto, bobalhão da escola agora tinha virado, mas nós os alunos não desfazíamos dele.

Diziam que aquilo que aconteceu com ele, foi por causa das orações das mulheres e o Criador ouviu e retirou o demônio de seu corpo, as conseqüências ficou para ele perceber que a vida não deveria ser como ele queria.

Parece que foi um grande exemplo para todos que no grupo estudavam até mesmo para os professores e a própria família de Gustavo.

Isto também é um exemplo de professor e de diretor da educação, a diretora percebendo que com palavras não mudaria aquele diabo usou o freio mais resistente que se pode ter,

E com o acontecimento Gustavo não mais fez o que não deveria fazer.

Sábias aquelas educadoras do Mello Viana isso sim é ser educador.