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20 novembro 2011

Justiça divina


 Justiça divina
Ando um tanto meio preocupado com tudo que acontece em minha cidade.
A cidadezinha em que nasci e vivo não passa de dezessete mil habitantes mais ou menos, por isso eu fico imaginando porque estamos largados como monte de lixo em porta de restaurantes nos fins de madrugadas.
Já viu lixo deixado em porta de restaurante ou mesmo de uma bolota, uma loucura os cães vêm e fazem uma lambuzança terrível, deixam sacolinhas por toda parte esparramadas.
Assim está acontecendo com minha gente humilde, estão sendo deixados pelas autoridades, que deveria ser como a faxineira que varre e amontoa o lixo colocando no saco, para que o caminhão retire levando para ser entupido.
Creio que bandido e malfeitores deveriam ser tratados como lixo sem aproveito, resto de concreto deixado para o dia seguinte, somente servindo para o entupimento de buracos.
Mas para nossa infelicidade isto não vem acontecendo, os malfeitores aumentam a cada dia e a justiça se cala, não fazem sequer um ataque demonstrando que estão em ação ou que mesmo existem.
Em uma pequena cidade como a nossa, onde o gato é amigo do cachorro do vizinho, não deveria jamais acontecer isso, pois todos conhecem uns aos outros e sabem direitinho que são até mesmo o que comem ou se passam fome, todos avaliam.
Com isso a norma deveria ser aplicada a todos os facínoras, levando os para seus devidos lugares que a justiça determina, mas os homenzinhos que ganham para fazerem estes trabalhos não passam de prestadores vagos que não honram suas vestes, pensam talvez em estar acima com suas fardagens sem trabalhar, quando somente para pronunciar que são da lei.
Um bandidinho que faz uma arrumação aqui ou ali e todos sabem que são estes bandidinhos e sempre estamos prontos apontá-los para os de fardas amarelas prenderem, mas dão uma volta e sabe lá o porquê não prendem os tais.
Infelizmente estamos nas mãos dos dois lados, daquele que vem arrancar o que ganhamos com muito sacrifício dentro do trabalho com muito suor e o outro que talvez participe com sua visão e surdez, ou quem sabem estão levando a sua parte.
Em uma cidade como a nossa, sendo pequena do jeito que é não deveria ter nem mesmo um ladrão de ovo, para fazer sua gemada, mas os homenzinhos de fardas deixam alastrando a cada dia que se passa.
Estes homenzinhos de fardas, infelizmente deixam a sociedade por descoberta, somente rodam gastando o que é dos pagantes.
Creio que entre estes machinhos devem ter bons, mas estão sendo adulterados por alguns poucos, ai a desordem aumenta e os malfeitores aproveitam.
Na Rua do buraco todos sabem que existem vários baderneiros e golpistas que para contrair sua droga, fazem grandes açoites em senhores de idade avançada tomando-lhes o dinheiro do jantar e os homenzinhos de fardas não estão nem aí.
     Não gosto de julgar, mas acho que estes da farda amarela recebem partes para fazer, o de conta que não viu nada e no outro dia os mesmos baderneiros safados estão na ativa.
Para nossa infelicidade não existe dito-cujo de coragem que assume e acabe com a palhaçada e derrube as duas partes.
Uma cidadezinha como a nossa, como já disse; nem uma discussão de vizinhos deveria ter, mas como não fazem o que está escrito cumprir, aumenta sempre mais.
Então sempre estamos dizendo que a justiça divina se cumpra, colocando tudo nas mãos de Deus.  
Até quando?

  




19 novembro 2011

O essencial é não baixar os braços


O essencial é não baixar os braços
  
Só progredimos na vida que desejamos se soubermos aprender com os nossos erros.

Os erros nos ensinam e nos leva a vitoria.

Não errar é impossível!

Quanto mais tentamos não cometer erros, mais podemos ter a certeza de que o faremos!

Assim, no dia a dia, é melhor adotar uma atitude descontraída e agir sem ter medo do fracasso.

É preciso ousar agir no sentido do caminho que queremos seguir.

Libertar-se através da ação.

Quando cometemos um erro, mais vale analisá-lo imediatamente para saber aquilo que não funcionou e compreender onde e quando optamos pelo caminho errado ou pela má decisão.

Permanecer humilde na vida é essencial.

Por que não reconhecer que erramos antes de culpar outra pessoa, as circunstâncias externas ou até negar que erramos?

Estas são as piores atitudes a tomar.

É importante analisar os nossos erros friamente e de todos os ângulos para explicar a falha que explica o nosso fracasso.

Isto acontece a toda a gente, não é uma catástrofe.

Não se trata nem de nos julgarmos, nem de nos atirarmos pedras, desvalorizar-nos ou pensarmos que somos incapazes de ter sucesso.

O essencial é não baixar os braços, reconhecer os nossos erros, ver por que falhamos… e aprender com isso!

18 novembro 2011

Lindos bichinhos carniceiros

Lindos bichinhos carniceiros
Cheguei um pouco mais cedo do trabalho, e como não sou muito de assistir televisão, mas não tinha nada mesmo para fazer, sentei no sofá peguei o controle e liguei, passa para um canal passa para outro ate que parei em uma reportagem da Record.
Não que estava muito interessado, mas vi que era uma reportagem da transamazônica, então continuei com o controle na mão e não mudei, deixei prosseguir ouvindo o repórter.
Não estava entendendo por completo a reportagem até que o repórter e câmera foram mostrar uma árvore que não me lembro o nome agora, sei que eles estavam em oito pessoas e gostou todos para abraçar a árvore por completo.
Comecei por ficar mais interessado com aquela reportagem e fui prestando mais atenção, quando percebi já estava com os olhos cheios de lagrimas e escorria em minha face.
Uma senhora e um senhor que dizia dentro daquela reportagem que uma árvore daquele tamanho os madeireiros pagam trezentos reais para tombá-la.
Meu Deus como o senhor esta demorando, como o senhor está deixando seu povo largado como carniça no pasto, senhor onde estás com suas promessas que os ajudaria, que salvaria; não!
O senhor está em seu lugar e não toma conta dos desgarrados; como disse que tomaria.
Uma coisa ruim, sem saber de onde surgia estava me corroendo por dentro, ali naquele sofá, eu tinha ódio, existia dentro de mim o desejo de vingar, de fazer algo para não ver tanto sofrimento.
Mas o que poderia ser feito, eu estando em uma distancia longa e sem ter nenhum poder nas mãos, como posso ajudá-los, a única coisa é estar fazendo o que sempre fiz. Pranto uma - arvorezinha aqui e ali, somente isso.
Quem deveria fazer alguma coisa e tem todo poder nas mãos e não fazem nada, se vendem por uns trocados para ficar mais rico, são os vagabundos nascidos nos ninhos feitos pela mão do lúcifer e estes não terão uma única chance.
O repórter percorreu por muito tempo dentro da transamazônica mostrando tudo somente sofrimento e desejos de pessoas humildes, eu acho que ninguém de fato tem coração de sangue, todos estão com ferro dentro do peito.
Estamos no tempo de digitação, onde todos pensam somente em se comunicar na base das teclas e ate mesmo as leis que criam, colocam em formato de arquivo dentro da evolução tecnológica  e não executam as mesmas no ajudar dos homens, fazem as leis disso ou daquilo somente para dizer que fizeram, nada mais que isso.
Dentro daquela reportagem um senhor da lei ainda tem a cara de pau de dizer que tendo dinheiro, fica difícil, ora essa! Um homem de lei dizer isto é muito pior que os que estão fora da devida lei, criada por eles.
Tudo que existe só têm dois lados, jamais enxergaram uma folha com três ou quatro lados, folha é folha assim as leis deveriam ter o sim e o não e não importa a quem.
Não que eu seja um carnífice, mas se fizeram o que fizeram colocando com palavras seus desejos, tem estes que executar custe o que custar.
Tudo é simples se quiser mesmo ser correto, honesto, fiel e ter vontade, mas não estes são vendidos facilmente por migalhas que irá ficar com sua morte.
Fabricam-se uma lei que diz não deve desmatar, pois a natureza sofre com isso, porque não fazer a lei permanecer.
Um que vive em troca do desmatamento, para sua riqueza não quiser para, simples deixa-o na lona, onde este não possa mais se erguer, tudo deve ser simplificado, basta querer, ou não faça leis que não se cumpra.


E um que diz que o dinheiro manda não tem nenhum caráter para ser um homem, deveria ter de morrido no ninho, assim são para todos que pregam com palavras ou escritos.
São homens vindos da parte, da majestade, senhor dos senhores, o majestoso “Satanás” que recebeu direito e poder vindo do próprio Criador Deus e este soberano demônio aplica seu poder em cima destes que não deveriam ter nascidos.
Mas nem pensem que ficarão sem suas pagas, estes na hora certa descobrirão que não deveriam ter feito o que fizeram; cegar seus irmãos de raça.
Assistindo a reportagem da transamazônica me senti tão triste e angustiado e pensei quem deu inicio na grande obra?
Será que ainda esta no meio de nós?
Eu não sou muito ligado a saber de histórias, como saber quem foi o fundador da capital tal.
Ou será que quem iniciou aquela grande obra ainda usufrui o ganho que obteve no inicio.
E se existe outra vida após essa, de onde está, percebe o tanto que fez mal a muitos em troca de barrela.
Os acontecimentos me deixam muito deprimido, por saber que vivemos num mundo de mentiras e de tapeações, e é em todos os sentidos, desde uma pregação de ensino até mesmo em uma lei que os homens do poder fazem e não sabem como vão executar, escrevem e pronto, deixam para os imbecis tentar compreende-las e fazer o julgamento.
Os cínicos em troca de dinheiro fazem o julgamento dizendo que há uma brecha deixada dentro da lei e esta brecha não permite condenar o réu.
Pode ser que tenha até algum que queira cumprir, mas vai ao soberano e este joga por terra, para a desventura dos pobres mortais que esperam resultado.
Seria bom se tivessem feito a transamazônica para unir os povos, mas além de não terminá-la, ainda deixaram a favor da desigualdade.
Nada adianta eu ficar tentando mudar a charlatanice  que existe nos homens, mas tudo tem um tempo e este tempo não tarda, por tanto fiquem com seus belíssimos viveres bem e quando estiverem beirando o último suspiro, façam força e pedem para colocá-los dentro da urna, vossos bens.
Poderão precisar do outro lado, pois talvez lá não existam tais coisas e não se esqueçam de pedir o montante que retirou de uma condenação não cumprida.
Vossos bens valem muito mais que a compreensão, a sabedoria, seu estudo, seu discernir, sua inteligência, sua capacidade e acima de tudo seus bens valem muito mais que o amor, por tanto não deixem para traz leve os tudo timtim por timtim e aproveitem o máximo.
Mas não se esqueça que ao acabar sua carne será comido pelos lindos bichinhos carniceiros, redondinhos de sua gordura restando os cabelos e os ossos para o coveiro queimá-los depois......................




17 novembro 2011

Sonho de uma historia sem sono


Sonho de Uma História Sem Sono.
É um novo livro lançado pela editora
SEVEN SYSTEM INTERNATIONAL
E é do autor Senisio Antonio,
Onde o autor domina com uma história diferenciada das demais.
Sita um pequeno trecho da história, um conto com várias narrações dentro.
Sonho de Uma História Sem Sono, onde se;
Deparam passado presente e futuro.        . 
Partidas encontros e desencontros,
Fantasias, mitos e folclore.
Raízes flores e frutos.
Contos poesias e narração.
Desespero frustração e descontentamento.
Sabedoria bom senso e conduta.
Uma inteligência e serenidade para poucos.
Bobo da corte e um circo de desejos e tolerância.
O confuso por ter perdido no tempo obscuro.
Pacifico ao ter esperança dentro da paciência.
Coragem força e animo de viver.
Sonho de uma historia sem sono não é dormir para sonhar.
Sonhar em ter muito que é para poucos.
Poucos que não sonham que têm muitos.
Sofrimento que faz se tornar luta.
Luta de caminhar esperar e esperar.
Começo onde inicia o meio para o fim.
Vento pedras e rajadas que destroem, mas passam.
       Dormir e sonhar tem arrepios, mas esquece o sonho.
Sonhar sem dormir não a tempo de esquecimento.
No sonho sem dormir vem raiva ódio e vingança.
Humilhação sobre outros de sonhos menores.
Resta se para poucos ao fim dos sonhos de viver dentro desta vida.
Uma única coisa a vida e vida de sempre existir............ .
Sonha se dormindo um sonho somente sonhado, ou sonha um sonho de viver, dentro da existência da vida!
O sonho sonhado dentro da existência da vida, não é somente um sonho.
O sonho sonhado dentro do sono não passa de sonho, causado por alimentos ou de pensamentos.
Sonho sonhado dentro do sono.
Não é um sonho um tanto perturbador é simplesmente sonho e sendo sonho pode se lembrar ou não de ter sonhado e alem do mais não faz a pessoa sofrer.
Sonho sonhado dentro da existência da vida este sim perturba e faz com que a pessoa sofra e o sofrimento é terrível para quem não o comanda corretamente.
Se o sonho for o sonhado dentro do sono, pode se lembrar que sonhou um sonho bobo ou um sonho que estava voando ate mesmo caindo de alturas.
Também pode ser um pesadelo causado por alimentar muito ao ir deitar, mas o sonho sonhado dentro do sono é passageiro da noite.
Já o sonho da existência da vida este é o sonho em que pode permanecer até o fim da existência, sendo ele de bondade ou não.
Este sonho é o causador da destruição humana e da evolução da raça.
Pois ao evoluir a mente de cada um dentro da existência da vida, a evolução fez com que tornassem destruidores de si mesmos.
Eis que o sonho sonhado dentro da existência, faz com que já estejamos praticamente perdidos a caminho da finalização dos dias de existência. 
O sonho de evoluir e de estar com mais conhecimentos sobre aquilo que nos foi deixado para nossa existência não deveria ser tocado.
Ao sonhar em conhecer e praticar estudos sobre o desconhecido e não respeitar as regras dita e escrita por quem os criou.
Os sonhadores de sonhos para viver melhor ou simplesmente viver com seus sonhos de ter querer e poder foi destruindo e estamos a beirinha do abismo final.
Os sonhadores de sonhos para melhor viverem, sonharam em ter aquilo que não fora permitido a eles terem, e com isso seus sonhos foram colocando no fim de suas existências, e a de outros que não participaram de seus sonhos.
Aquele sonhador que sonhou tirar para ter, este sonhador, foi o que mais destruiu as vidas, dos existentes dentro da existência.
Ao sonhar em tirar da grande massa, pequenas quantidades para realizar seu sonho. Foi destruindo devagar o grande firmamento, e já estamos na faze final da existência.
Os sonhadores tiraram da massa, cobre, ferro ouro e o líquido preto para melhor destruir o firmamento.
Ais estas exemplos dos sonhos de se viver melhor, e os quais levaram a destruição que as batem.
O sonhador de sonho somente sonhado no sono.
Este não causou danos, e nem destruição na existência da vida, dos seres.
Simplesmente sonhou dormindo.

16 novembro 2011

Mariane, Moça do Trem.

  Mariane, Moça do Trem.
Sai do interior por volta de mil novecentos e setenta e quatro, lembro-me que era no mês da copa, e a hora em que eu descia a Rua Comendador rumo á rodoviária, percebi que havia muita gente festejando e soltando foguetes, pois o Brasil tinha ganhado aquele jogo.
Não me lembro qual foi o time que jogou com o Brasil naquele dia, sei que olhando o pessoal todo ali, eu desejei voltar para casa, já não mais queria ir embora do meu lugar.

Mas como tinha em mãos minha passagem de ida ate a cidade vizinha e era de onde eu também já havia comprado a passagem de trem para cidade de São Paulo capital.

Naquele tempo ainda existia trem de passageiros, hoje creio que nem mesmo os trens da companhia Votorantim existem mais, acho que agora eles transportam o cimento e cal somente em caminhões e carretas.

Continuei descendo a Rua Comendador um pouco triste por deixar minha terra natal, por outro lado tinha esperança de tanto ouvir falar que a capital dava muito emprego e com isso organizaria minha vida, poderia então ter um futuro pala frente.

Sempre fui um homem simples e muito acaipirado, pois nasci em uma roça e era muito acanhado, nunca fui de muita comunicação, se as pessoas puxassem uma prosa eu até que permanecia conversando.

Tomei o ônibus da aviação Nossa Senhora de Lurdes uma empresa muito antiga, seus ônibus ainda eram daqueles de bico, sentado naquele banco seguia olhando toda paisagem ao redor e como aquilo ficou gravado em minha memória.

Uns quarenta minutos mais ou menos gastavam a viagem, pois a estrada ainda era de terra, com isto havia muitos buracos e costelas de vacas, que fazia com que o ônibus vibrasse por todo ele, aquela viagem de vinte e seis quilômetros nunca terminava.

Por volta das seis e meia chegamos ao destino, desci  do ônibus na parada mais próxima da estação do trem e andei por uns cinco minutos mais ou menos até a entrada, onde havia uma roleta tipo cruz.

Ao atravessar a roleta deu-me uma tristeza profunda e comecei por ficar um pouco enjoado, como que se tivesse comido alguma coisa que estava estragado.

As duas malinhas tipo caixote naquele momento pesavam para uns cem quilos, arrastei-as até o banco e fiquei sentando, olhando para um lado e outro, foi então que sentou a meu lado um senhor de cor escura e me disse, esta indo para onde, meu rapaz?

Vou para a capital paulista.

Vai deixar tua terrinha de interior em busca de alguma vida melhor?

A, eu pretendo, aqui as coisa não estão bem!

Sabe meu rapaz eu moro perto de São Paulo e fui parar ali em mil novecentos e dez e vivo uma vida boa, mas não consegui muita coisa, tenho uma casinha, uma esposa e duas filhas e agora vivo pelo interior vendendo produtos para lavouras.

Com o que ganho sustento minha casa e minhas filhas nos estudos, por isso ainda vale a pena estar na luta, mas te digo tem que dar muita sorte para se sair bem.

Cinco para as vinte horas. o apito do trem soa, e ele vai  se encostando à estação, como minha passagem era de segunda classe eu não mais vi aquele senhor.

Ajeitei-me naquele banco duro, colocando uma das malas de encosto, para que eu pudesse colocar a cabeça, o trem da o apito e parte.

Ainda antes de sai da pequena cidade, eu ainda vi muitos festejando a vitoria do Brasil, ao sair da cidade começou ficar tudo escuro somente às luzes do trem dava o claro, eu havia levado um livrinho de bolso, comecei a ler.  Como aquela claridade não era forte o suficiente minhas vistas começou doerem então o guardei e me encostei-me à mala, quem sabe dormiria, pois a viagem era de doze horas.

Na próxima parada em outra cidadezinha entrou duas moças e um rapaz, uma das moças veio em minha direção procurando seu lugar, pois eram todos numerados e meu banco era o cinquenta e três e o dela cinquenta e dois, chegando perto a mim, disse.. Sei que você esta confortado, mas tenho que me sentar.

Pois não, levantei-me e tirei a mala do banco, ela devia de sentar do lado do corredor, mas pediu-me se dava para deixá-la sentar-se do lado da janela.

O que tinha demais, eu pensei, a viagem então prosseguiu, nem eu nem a moça tinhamos assunto.

Deveria ser umas vinte e duas horas quando o bilheteiro me chamou para mostrar-lhe a passagem, acho que tinha cochilado um pouco, dormir de fato ainda não, porque ainda era cedo para isso, entreguei-lhe a passagem e olhei para a moça que estava lendo uma revista.

Ela me olhou também e sorriu, foi então que percebi o tanto que aquela mora era bonita.

Ela também entregou a passagem para o bilheteiro que as picotou nos entregando indo para os passageiros da frente, depois de certa distancia em que ele já estava à moça percebendo que não ia escutá-la me disse.

Não sei para que isso se ao entrar-mos já mostramos a passagem, é só para acordar quem esta dormindo, você estava não estava?

Não sei acho que sim, passei por uma madorna.

 Você esta indo para ode?

Estou indo para São Paulo e você?

Eu também!

Você mora lá?

Agora sim, sou de Tambaú estou morando e trabalhando em São Paulo, você também mora lá.

Ainda não hoje é minha ida, quero arrumar um emprego e moradia.

A então você esta indo a caça de coisas melhores?

Pretendo!

Olha, se você quiser passo lhe o endereço de uma pensão perto de onde eu moro, foi o primeiro lugar que morei é de uma senhora muito boa e é barato.

A, quero sim, não tenho muito dinheiro mesmo e sei que no começo não vai ser fácil.

Com isso nossa conversa dourou praticamente toda a noite de viagem nem mais percebia o quanto estava ansioso, sei que lá pelas cinco horas da manhã eu e ela já estávamos nos garfando entre os dois bancos.

E que beijo a moça tinha, um calor dentro de mim percorria pelo corpo todo, se não fosse dentro daquele trem, creio que acontecia até mesmo sexo.

Talvez fosse porque eu nunca em minha vida havia namorado ou mesmo estar com uma mulher, com meus dezessete anos para dezoito eu era completamente virgem e ainda iria ficar por muito mais tempo pela frente.

Oito e vinte cinco daquela segunda feira do ano de mil novecentos e setenta, o trem apitava e parava na estação da luz em são Paulo aonde eu e aquela moça descemos e ela me ensinou o caminho para ir até a pensão da senhora Cleuza.

Como fui burro meu Deus não peguei o endereço da moça e nem o nome dela.

Chegando à pensão a senhora Cleuza me atendeu de uma forma encantadora.

Alojei-me no quarto destinado a mim e por sorte fiquei sozinho, pois ali tinha quarto de dois e três homens juntos.

O resto da segunda-feira eu passei por ali mesmo, descansei da viagem e na terça-feira sai bem cedinho procurando emprego, devia ser umas quatro horas da tarde quando em uma construtora arrumei serviço de servente e eu já ía começar no outro dia, estavam apertados com a entrega por isso contrataram-me.

Trabalhei o resto da semana, mas com aquele pensamento porque não perguntei o nome da moça e nem o endereço peguei, pois tinha encontrado dentro daquele trem a coisa mais bonita que já tinha visto e estado.

Trabalhei naquela construção por três meses e de lá acompanhei a firma para Osasco, onde iríamos construir uma tremenda mansão para o prefeito da época, então passei a morar dentro da obra, assim ficava um pouco mais barato e eu pensava em juntar dinheiro para que quando eu retornasse a minha cidade natal, poderia montar um negocio qualquer.

Mas, a coisa pior das quais eu iria fazer seria naquele sábado daquele ano, devia ser umas duas horas quando o companheiro de trabalho, por apelido de pistolinha me fez um convite, para ir - mos a noite em uma festinha de casamento na vila Prudente.

Como eu não saio nunca, então porque não ir, já fazia quase seis meses que estava fincado dentro do trabalho e nem a rua praticamente não via.

Chegamos por volta das vinte e uma horas na festa e estava um festão, muita bebida, muita musica uma grande animação, comecei por beber cerveja sem parar e depois tomei umas cubas, com isso peguei uma fagueira danada.

Como da vila prudente ate Osasco ao tinha ônibus para ir embora , lá pelas duas da madrugada chamei um taxi e pedi ao taxista para me deixar no centro, sei que desci na avenida São João e dali cheguei nem sei como ate um prédio naquele miolo de cidade, me lembro que foi ali naquele prédio de prostituição que deixei de ser virgem.

Nem sei como fui parar em meu quarto na obra, sei que acordei às quatro horas da tarde com uma ressaca e com a garganta como se tivesse engolido um sapo.

Na segunda perguntei ao meu companheiro de trabalho se fiz alguma coisa errada na festinha, ele disse que ate a hora em que ele estava por perto não.

Ainda bem, fiquei mais aliviado com o que ele me disse, pois dizem que quando se está bêbado demais a pessoa não raciocina direito.

E como eu não bebia nunca, poderia ter feito alguma coisa errada.

Durante mais dois meses e meio trabalhei ali em Osasco e depois fomos para o bairro Brás de São Paulo reformar um apartamento, sei que não podia ficar no apartamento por isso aluguei uma vaga ali perto, sempre juntando um pouco de dinheiro da sobra.

Pois minha idéia sempre foi que quando voltasse para minha cidade eu não ia mais trabalhar de empregado.

Sempre contei com isso!

Ali no Brás passei sair um pouco mais, principalmente dia de sábado, sempre dava umas voltas para tomar uma cervejinha.

No dia quatorze de maio, como era sábado; eu resolvi dar uma volta um pouco mais cedo no centro da cidade, pois sempre gostei de um bom filme e naquele sábado iria assistir o Vento Levou na Avenida São João.

Então sai a pé, pois não ficava tão longe assim e mesmo que quisesse tomar ônibus não dava certo, a maioria parava na Praça Dom Pedro e teria que andar do mesmo jeito.

Fui a pé mesmo e chegando a Praça da Sé avistei sentadas em um banco duas moças, eu notei que uma dela era a moça do trem, não me contive e me aproximei, e a minha surpresa foi grande, ela levantou se e me deu um beijo depois me apresentou a amiga.

Conversamos um pouco e disse que estava indo ao cinema e fiz o convite, ela me disse só se eu fosse levá-la em casa após o cine.

Como dizer não, pois eu estava tão feliz em reencontrá-la, sei que sua colega não quis ir ao cinema com a gente, ela disse que ira encontrar com seu namorado.

Foi uma das melhores passagens de minha vida aquele sábado, encontrei com a moça do trem e ainda iria assistir ao filme, como me senti feliz.

Durante o filme sei que nem prestei muito atenção no filme, somente anos depois é que foi assistir novamente na televisão foi então que entendi a história do filme.

Naquele dia praticamente estava somente encantado com o reencontro e nem liguei para o filme, não sei se com a moça do trem acontecia o mesmo, sei que ali travamos uma luta de beijos e caricias e neste dia então partimos dali para um hotel bem no centro da cidade e foi onde fiz minha melhor relação sexual ate hoje.

Fui levá-la em casa depois e com isso continuamos a nos encontrar sempre e passado mais de seis encontros foi que perguntei o nome da moça do trem e descobri que ela se chamava Mariane e também ela ficou sabendo do meu nome, foram grandes risadas, já estávamos praticamente sendo namorados e foi naquele encontro que nos apresentamos de verdade.

Antes não tivéssemos nos apresentados um para o outro, mais três encontros e em um sábado fui buscá-la e não mais encontrei, tinha se mudado e ninguém me soube dar noticias.

Mariane a moça do trem sumiu e eu voltei para minha vida de sempre, então comecei a ir a salão de forro ali mesmo no Brás e em outros,

Do Brás fui para a Mooca trabalhar e residir em um quarto de porão, sete meses se passou e em um sábado fui para o Som Brasil dançar e assistir o cantor Barros de Alencar.

Neste dia vi uma moça sentada em uma cadeira bem  próximo ao palco, mas como a claridade do ambiente era fraca não dei por conta que era a Mariane a moça do trem e nem percebi que ela estava grávida.

Eu e meu companheiro estávamos sentados em uma mesa bem no fundo do salão, pois ele dizia que se ficássemos no fundinho do salão era melhor para ficarmos com as garotas.

Aquele sábado estava difícil ate às duas e meia da madrugada eu ainda não tinha conseguido ninguém para ficar ou mesmo sentar a mesa conosco.

As três já para terminar o baile eu resolvi ir ao banheiro e como tinha que passar perto ao palco ia então dar d encontro com a moça do trem, minha surpresa era mesmo Mariani e ainda grávida, cumprimentei-a.

Ia saído, quando ela me disse você não me conhece mais, bem o que poderia dizer, vi você sentada com seus amigos e achei que esta casada por isso eu não cheguei.

Mandou me sentar, dizendo que queria falar comigo.

Sentei-me e perguntei você casou?

Não! E é por isso que quero falar com você.

Eu estava um pouco chumbado e não estava entendendo o que ela falava, alem do mais o som estava muito alto.

Sei que ela me disse que não tinha casado e estava grávida de mim.

Achei aquilo uma coisa maluca na hora, estando tonto, nem liguei para o que disse, e ela me disse uma única coisa se você não quer não vai ter, levantou se, saindo, e eu voltei para minha mesa.

Fiquei em São Paulo por mais dois anos, continuei juntando a grana que pretendia trazer para minha terra quando voltasse.

No dia vinte e seis de setembro de mil novecentos e setenta e nove, sai do trabalho e fui ao largo da vila Prudente sacar minha poupança para que na segunda bem pela manhã eu voltasse para minha terra natal.

Depois de cinco anos trabalhando como burro de olaria, agora iria voltar e tentar montar o de meu.

Retirei o dinheiro do caixa e fui um pouco mais feliz para o porão onde morava como ia viajar na segunda pela manhã já tinha comunicado com o senhor dono do quarto que era até no domingo que iria ficar ali.

Como que para uma despedida da capital, sábado fui comprar alguns presentes para trazer, então deixei o restante do dinheiro na mala já pronta para viagem.

Comprei o que tinha de comprar e deixei um restinho de dinheiro no bolso, chegando a casa foi minha tristeza, entraram lá e arrebentaram minha mala e levaram todos meus cinco anos de trabalho e suor.

Ainda mais triste fiquei, mas como havia prometido a mim mesmo que não mais iria ficar ali em São Paulo na segunda parti para minha terra.

E desde então estou até hoje, mas sempre me lembro de tudo que aconteceu, fico imaginando se não seria melhor eu ter assumido a criança daquela barriga da única mulher que amei.

Depois dos fatos acontecidos nunca mais dei sorte na vida, estou agora com uma idade já avançada e nem mesmo uma casa pra terminar meus fins de dias tenho.

E como gostaria de saber a verdade, se aquela criança que estava para nascer era meu mesmo, como fui infeliz depois daquele sábado, que Mariani a moça do trem me disse que ia ser pai e não arquei com a responsabilidade de um homem.

Naquele tempo não tinha DNA, mas poderia ao menos acreditar naquela mulher que fui minha única paixão, meu único amor.

Era muito jovem por isso acho que não quis arcar com o que me foi dito, ainda mais que estava bêbado como gambá, porque não tentei procurá-la no outro dia, minha felicidade ficou dentro daquele clube.

Minha vida poderia ter mudado tomado outro rumo, mas por Deus eu não quis ferir ninguém em toda minha vida, agora sei, em toda minha vida creio que fui uma bagaceira, fui o verdadeiro fracasso.

Pego minha imagem de jovem em meus pensamentos e faz com que eu me sinta o pior dos homens.

Como queria que o passado voltasse para que eu tomasse outro sentido na vida e não mais viver com este sentimento de culpa, culpa que me faz tanto sofrer.